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Na coluna à direita, logo abaixo das postagens preferidas do leitor, está o ZAPPING. Através dele você tem acesso direto às noticiais do dia, nacionais e internacionais, além de informações sobre quase tudo. ZAPPING. Uma central de notícias e entretenimento em que você escolhe o que quer.

30 de dezembro de 2009

O ILUSIONISMO NÃO CABE NO JORNALISMO

O que move o jornalismo, e jornalistas, além do compromisso com a verdade, nada mais que a verdade? Essa pergunta pode gerar outra que, ultrapassando a estupefação inevitável, invade o terreno da incredulidade: existe algo mais? Como disse Shakespeare, “existem mais mistérios entre o Céu e a Terra do que possa imaginar nossa vã filosofia”, deixando claro que sempre há uma razão além daquelas já conhecidas. Entender as razões ocultas por trás de um gesto é exercício que demanda inteligência, percepção e, acima de tudo, amor à verdade. De vez em quando, surge uma informação que nos intriga. Não quero antecipar nada e, muito menos, interpretar para o leitor a história que o considerado Moacir Japiassu, um dos mais brilhantes nomes do jornalismo brasileiro, conta com inconfundível competência, própria dos talentos, cada vez mais raros, da nossa imprensa. Adianto, apenas, que se trata de um daqueles casos em que a divulgação dos fatos é fundamental para que ninguém se deixe enganar. 
Moacir Japiassu mantém uma coluna no site Comunique-se, onde realiza um trabalho respeitado, admirado e muito comentado. Trata-se do Jornal da ImprenÇa, assim mesmo, com cê cedilha, em alusão às abobrinhas que continuam sendo plantadas por quem, até pelo dever do ofício, deveria se esmerar mais e mais, no desempenho da atividade profissional que escolheu, ou seja, o jornalismo. A coluna de Moacir se destaca, sobretudo pela coragem com que aponta cochilos, falhas comuns ou erros gritantes que fazem da nossa profissão, também, uma gostosa fonte de bom humor. O jornalista não espezinha, mostra. E o faz no sentido de contribuir para que a informação chegue ao leitor como deve chegar: corretamente. Em se tratando de um site que exige cadastramento para acessá-lo
(http://www.comuniquese.com.br/), reproduzo, tal como se encontra, o alerta de Moacir para o qual chamo a sua atenção. Ao clicar no link destacado, o seu destino será o site da Revista Época, na página que mostra a relação dos 100 brasileiros de maior influência em 2009. Listas, quaisquer, são produtos de critérios subjetivos que não nos cabe questionar, mas, neste caso, o questionamento não é sobre a lista, em si, mas sobre um dos personagens catalogados. Na fotomontagem que reúne os "100 mais" de 2009, conte os seis primeiros fotogramas e desça outros três. Pare sobre o penúltimo fotograma dessa coluna. Clique sobre ele. E mais não digo, porque você é quem deve fazer juízo de valor. Acompanhe o fio condutor com que Moacir tece o pano de fundo de uma história assombrosa. A partir de agora, eu lhe desejo uma boa leitura. 


Agradeço a Moacir Japiassu pela autorização concedida para a reprodução, abaixo.


Ali Kamel, pensador e guia

Moacir Japiassu (*)

o fogo que ateaste
fez arder a sarça
e alumiou a noite escura

(José Nêumanne Pinto)
Ali Kamel, pensador e guia
Até o momento em que fechávamos esta edição, 32 considerados colaboradores/leitores/leitoras desta coluna tinham enviado trecho da edição especial de Época intitulada Os 100 brasileiros mais influentes de 2009, na qual aparece a foto do diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, acompanhada de texto assinado pelo chefe dele, Carlos Henrique Schröder.
"Esse Ali Kamel é aquele que já tentou distorcer a história do Brasil, ao meter a Rede Globo no comício das 'Diretas Já', coisa que não aconteceu, como todos sabem. E a revista, que pertence às Organizações Globo, dispensou o decoro ao incluir o ilusionista entre os 'Guias e Pensadores' que engrandecem esta nação", escreveram os remetentes, na interpretação do colunista, o qual passou grande parte da vida debruçado sobre textos alheios nas redações de jornais e revistas.
Confira aqui o material abominado por tantos e tantos.
******


Nota do blog FG-News: Leia mais sobre Ali Kamel, no site de Luiz Carlos Azenha, repórter da Rede Globo de Televisão durante muitos anos

29 de dezembro de 2009

MUDANÇAS NA RECORD: ALGUÉM ACENDEU A LUZ


Mudanças na Record, anunciadas em colunas especializadas, sugerem que alguém acendeu a luz na Rua da Várzea, Barra Funda, Zona Oeste da capital paulista. Não era possível tanta "escuridão". Ao que tudo indica, o plano é promover um acerto de rota. Tem gente navegando à deriva, por lá, e grumetes enjoando em navio de última geração. Dê uma espiadinha na coluna ZAPPING, do Agora São Paulo. E, também, vá até ATUALIDADES DA TV, no menu Á LA CARTE, á direita deste blog, e visite a coluna de FLÁVIO RICCO. Ou clique AQUI

NÃO SE DEIXE ENGANAR COM OS JUROS "BAIXOS"


Cuidado com o ímpeto consumista. A notícia de que  
os juros ao consumidor
atingiram o menor patamar
dos últimos 15 anos,
em novembro, pode levar 
muita gente a crer que
comprar a prazo
é o maior barato. 

Não é. Basta lembrar que a taxa básica de juros anuais, Selic, do Banco Central, está fixada em 8,75%. No mês de novembro, quem comprou a prazo arcou com salgados 43% ao ano, na melhor das hipóteses, ou seja, cinco vezes mais que a Selic. Há financeiras, voltadas para os segmentos mais populares, que operam taxas vergonhosas, para não dizer criminosas. 
 






28 de dezembro de 2009

DATENA QUER MUDAR BRASIL URGENTE: NÃO HÁ COMPETIÇÃO


 Um dos destaques da coluna Zapping, do Jornal Agora São Paulo, edição desta segunda-feira, informa que José Luiz Datena vai mudar o perfil do Brasil Urgente, na Band. Curioso, leio a nota. Datena, demonstra uma certa apatia pretenciosa ao dizer que pretende amenizar o conteúdo da atração, tornando-o mais "light". Arrisco um pensamento: problemas, de novo, com os movimentos contra o péssimo conteúdo de alguns programas, na difícil tentativa de eliminar a baixaria da TV? Não, aparentemente, não é 
esse o motivo da provável reformulação! Então, o que leva o apresentador a falar em mudanças? Veja a explicação que Datena deu à coluna: "Quero fazer dele um programa que cobra políticos e que fiscaliza serviços públicos. Vou reduzir o assunto policial pra caramba". Datena acrescenta que não há mais concorrência. Enquanto o programa do Ratinho está voltado para o entretenimento, a Record tirou do ar um jornalístico que disputava com a Band a audiência do horário. No lugar, agora, exibe desenhos do Pica-Pau. Como? Então é isso? 

Eu pensei que as emissoras procurassem conquistar audiência com informação relevante e de interesse público, mas vejo que me enganei. O elemento motivador é a competição. Só isso, a competição. Agora entendo a razão de alguns diretores simplesmente "limarem" atrações da grade, deixando o telespectador e o anunciante com caras de bobo. 
Essa faltade comprometimento em relação ao público e ao mercado publicitário é, 
no mínimo, vergonhosa, irresponsável e desrespeitosa.
Ah, mas o Datena tá certo -- dirão alguns. Afinal, cobrar políticos e fiscalizar serviços públicos é prioritário. Em ano de eleição, como em 2010? Conta outra. 


FONTE: COLUNA ZAPPING, DO JORNAL AGORA SÃO PAULO

ZICO E ROMÁRIO: ESPETÁCULO DO BOM SENSO, NO MARACANÃ


Em recesso, por causa das férias, o futebol brasileiro dá um bom exemplo depois de protagonizar vários vexames, sobretudo na final do Brasileirão. Pondo fim às rixas que envolveram dois grandes nomes consagrados desse esporte, Zico e Romário se reconciliaram. E, claro, o gesto se transformou em show dos mais bonitos e significativos. Tratando-se de show, nada mais apropriado do que levar o espetáculo para o palco do Maracanã. Zico decidiu pôr fim às desavenças, nascidas em 1998, quando Romário foi cortado da Seleção Brasileira, na época comandada por Zagallo. Zico integrava a comissão técnica e apoiou o corte. Sentindo-se injustiçado, o "baixinho" mandou colocar caricaturas dos dois nos banheiros de um bar de era dono, na época. O gesto, considerado ofensivo, rendeu processo e disputas judiciais. Agora, Zico tomou a iniciativa de acabar com a rusga e convidou Romário para participar da partida, denominada Encontro da Paz, realizada ontem. 

A torcida, em êxtase, viu, de um lado, um combinado do Flamengo com grandes nomes de todos os tempos, como o próprio Zico, Andrade, Júnior, Adriano, e, de outro lado, os Amigos de Romário. O resultado final foi um expressivo empate de 5 a 5, mas a vitória, sem dúvida, é do esporte. Parabéns aos dois protagonistas deste belo exemplo. Nada melhor que a maturidade e o crescimento
da própria consciência sobre si mesmo, que não admite excesso de personalismo, para fertilizar o gramado do bom senso.  
FONTE - G1: procure em Vídeos, Encontro de craques

AGRADECIMENTO AO BLOG RADIO BASE



Agradeço, na pessoa de Rodney Brocanelli, aos editores do blog Rádio Base, pela reprodução de meus textos sobre a morte do amigo Muíbo César Cury, da Rádio Bandeirantes. A iniciativa permitiu que as mensagens tivessem o alcance que o saudoso amigo merece. Um abraço a vocês. Valeu.

27 de dezembro de 2009

NO ADEUS A MUÍBO CURY, O MISTÉRIO DAS VIRTUDES

Que maior gratificação do que ser reconhecido através da virtude? Li a frase em algum canto e ela me instigou pensamentos. O egocentrismo me levou, por um tempo, à tentativa de identificar minhas "várias virtudes". Pouco depois, comecei a ficar preocupado, pois as "várias virtudes" não eram tão variadas assim. Para falar a verdade, estava difícil encontrar umazinha só, através da qual eu pudesse ser reconhecido. Meio decepcionado comigo mesmo, tentei me justificar. "Bom, é possível que eu não tenha uma virtude aparente, mas, com certeza, tenho uma qualidade tão instrinsicamente ligada a minha personalidade que nem sou capaz de indentificá-la." E a falsa modéstia, veio em meu socorro para acrescentar, "Sim, deve ser isso". O assunto acabou esquecido, num canto da memória. Eu e meu consciente não falamos mais nisso.
Como você deve ter lido no blog, no sábado, 26 de dezembro, pela manhã, morreu Muibo César Cury, um dos mais antigos radialistas do país, prestes à completar 65 anos de profissão e que ainda estava na ativa, pela Rádio Bandeirantes, onde trabalhou durante 57 anos. À noite, fui ao velório dele. Encontrei alguns amigos e conhecidos comuns, mas senti a falta de muita gente. Neste domingo, dia 27 de dezembro,
voltei ao cemitério da Lapa, em São Paulo, capital, para o
adeus definitivo ao companheiro. Então, meus olhos ficaram satisfeitos e minha alma encheu-se de felicidade, apesar do sentimento de perda com a morte do amigo. Estavam todos lá. E como se não bastassem, havia dezenas de ouvintes e admiradores para a despedida. Cada um dos presentes tinha uma história para contar, em que Muibo era personagem central. Todos destacavam especialmente o carinho, a generosidade, a atenção e a delicadeza com que Muibo Cury tratava colegas, amigos e fãs. Os momentos de maior emoção
aconteceram em duas oportunidades, antes de o caixão ser colocado na sepultura, quando as vozes se elevaram e o clássico sertanejo João-de-Barro, de autoria de Muibo César Cury e Teddy Vieira, ecoou por todo o campo santo.

Misturados à melodia era possível ouvir
alguns soluços de dor. Muitas pessoas anônimas choravam o pranto doído de quem se despede para sempre. Foi então que me voltou à mente a questão levantada no início desta divagação. Muibo César Cury foi um desses contemplados com a dádiva das virtudes. E soube cultivá-las até o último instante de vida. Como se não bastasse, na morte, deixou uma lição exemplar: as virtudes podem não estar no que se faz ou com o que se faz, mas como se faz qualquer coisa que nos motiva moral, pessoal ou profissionalmente.
Resta-me, agora, descobrir se fiz as escolhas certas e torcer para que elas possam se transformar, ainda, em alguma virtude. Tomara, Muibo, tomara.
Adeus.


26 de dezembro de 2009

MUÍBO CURY: NINGUÉM, NUNCA, SERÁ IGUAL A ELE

A nota triste deste sábado vem do rádio, minha paixão imorredoura. No rádio conheci pessoas que admiro até hoje. O rádio sempre teve o condão de transformar em sonho e magia os mínimos sons, agindo como se fosse a varinha mágica das fadas, cuja existência só é possível na imaginação. O que dizer, então, do efeito que o rádio ainda provoca no imaginário do ouvinte que tenta construir a imagem de uma voz especial. Hoje, com a diversidade da mídia, esse exercício de criatividade subjetiva tem sido menos empregado. A voz que se ouve no rádio também pode estar na televisão e a imagem do dono da voz, certamente vai aparecer em algum lugar da Internet, talvez a maior aliada do rádio em todos os tempos, na minha opinião. Sei que este raciocínio contraria muita gente que se diz especialista na área, mas sustento o que digo. Para ficar em apenas um exemplo, qualquer emissora de rádio, hoje, pode ser ouvida nos mais remotos pontos do planeta com a ajuda tecnológica da web. 



Foi nesse veículo, o rádio, que conheci um dos mais completos profissionais do setor. Dotado de grande sensibilidade, o ex-locutor de quermesses em Duartina, cidade natal, no interior paulista, atuou como cantor (na capa do LP ao lado Muíbo é Barroso, à direita), compositor, ator, dublador e mais um sem número de atividades. Todas com rara competência.  Em parceria com Teddy Vieira compôs um dos clássicos da música sertaneja, João-de-Barro.



Dos mais de 60 anos de profissão, trabalhou na Rádio Bandeirantes durante pelo menos 57 anos. Pois o rádio chora copioso pranto por Muibo César Cury. 


O querido companheiro, homem sorridente, doce, amigo leal, marido exemplar, pai carinhoso e avô afetuoso, morreu neste sábado, aos 80 anos de idade, vítima de insuficiência cardíaca. O velório do amigo Muíbo acontece das oito da noite de hoje às onze da manhã deste domingo, quando o corpo será enterrado no cemitério da Lapa, localizado na Rua Bérgson, 347, capital paulista. O sentimento que cala fundo na alma de todos silencia não apenas o rádio, mas a nossa própria voz. Para Muíbo César Cury começam tempos de paz absoluta e luz eterna. Para nós, Muibo deixa, além da saudade, a certeza de que ninguém, nunca, será igual a ele.

ROBERTO CARLOS: O SHOW DE SEMPRE COM NOVAS EMOÇÕES



Na noite deste 25 de dezembro, como milhões de brasileiros, sentei-me diante da TV para assistir ao show de fim de ano Roberto Carlos 2009. Sem considerar os efeitos especiais de luz e imagem, de um capricho elogiável, paira no ar o clima dèjavú. Os olhos batem na tela e o reconhecimento é imediato. Os músicos de sempre; o maestro de sempre; as músicas de sempre, com raras exceções; e, finalmente, o Rei aparece, com o jeitão simples e carismático de sempre. O ginásio -- neste ano o show voltou a ser realizado no Ibirapuera, em São Paulo --, lotado, como sempre. 

Estranho, mas ao invés de sentirmos desconforto e enfado diante da inegável certeza de que já vimos tudo isso antes, ficamos hipnotizados à espera dos detalhes que fazem a diferença ano após ano. Há 35 anos, na Globo, em 50 anos de carreira. O mais popular dos cantores brasileiros e, sem favor algum, um dos mais afinados, solta a voz límpida, clara, intimista, sem afetações. A orquestra, uma formação que mistura o conjunto RC9 com músicos contratados especialmente para o show e, ainda, integrantes da Sinfônica Estadual, dá o tom grandioso e contagiante do espetáculo. Roberto está mais solto, mais leve, mais feliz. E passa exatamente essa impressão a cada música. Isto já começa a fazer a diferença entre este show e as apresentações de anos anteriores. Mas não é só. O público responde com prazer às sugestões, evocações e tiradas do cantor mais amado do Brasil. Ação e reação; pura química, copiando a física. E tome as canções obrigatórias no repertório de Roberto. Velhas conhecidas emolduradas pelo clima do show, que lhes empresta algo novo, sempre. Chega a hora da primeira atração especial. Vale ressaltar que a edição do programa alterou a ordem da gravação, ocorrida no dia 15 de dezembro. Os pré-releases liberados para a imprensa traziam outra sequência, mas, no geral, a produção acertou na mudança. 



Voltando ao programa, o Rei lê no teleprompter um "improviso" sobre Daniel. Enaltece as virtudes pessoais e artísticas do convidado. Afirma que todos gostam desse "rapaz do bem". O convidado troca gentilezas com sua majestade e dá início a Estou apaixonado. Roberto, sai de cena, humildemente. O show é de Daniel. Terminada essa apresentação, Roberto volta ao palco e começa Quando eu quero falar com Deus. Daniel, embevecido e encantado, traduz no olhar o sentimento dos fãs do Rei. É sempre uma emoção indescritível ouvir Roberto cantar. Dominado pelos sentimentos, Daniel desafina levemente sem, no entanto, comprometer a performance. Prevalece a sensibilidade. A dobradinha Roberto/Daniel funciona; a música ganha nuances de sonoridade muito especiais. O show prossegue. Urros, lágrimas, beijinhos e acenos. O público quer a atenção do Rei. De repente, silêncio total. Ao violão, tocado com discreta competência, Roberto canta Detalhes. Ele está apaixonado por uma mulher, de São Paulo, mas todos sabem que a canção tem endereço certo. É o tributo a um amor inesquecível, reconhecido e aceito pelos fãs e pela nova dona do coração do Rei. Se Roberto Carlos confessa os próprios sentimentos numa boa, também não esconde que é fiel seguidor de novelas. E claro, dedicou um espaço a elas no show. 


A atriz Dira Paes, consagrada no papel de Norminha, em Caminho das Índias, até se arriscou a cantar em dueto com Roberto. E para quem se saiu muito bem vivendo a personagem que cativou o Brasil, Dira Paes mostrou uma certa capacidade músico-vocal. O que estava em evidência era o contexto, então, nada a objetar. Eu diria que Dira Paes deu conta do recado e valorizou a apresentação do grupo de forró Calcinha Preta, cujo sucesso pontuava as cenas de Norminha, na novela. 



Partindo para a última convidada do especial, vamos para a cena em que Roberto Carlos chama ao palco Ana Carolina. O texto fraco, do teleprompter, e o nervosismo explícito da artísta criaram instantes de instabilidade, logo dissipados. Prevaleceu a robustez da apresentação da cantora, ao lado de Roberto, nas músicas Encostar na Tua e Como vai você? Daí em diante, o repertório de sempre foi retomado e o show caminhou para o final, mas com aquele sabor gostoso de expectativa, que acentua o gosto das coisas de bom paladar. Estou na estrada há 42 anos. Quando iniciei a atividade jornalística, primeiro no rádio, em 1968, Roberto Carlos já acumulava alguns sucessos, puxados por Splish Splash, de 1963, que o revelou ao público, e que tocava nos bailinhos dos meus tempos de garoto. Posso dizer, sem constrangimento, hoje, aos 60 anos, que o Rei é meu velho conhecido. Primeiro como fã e, mais tarde, porque ele se transformou em tema obrigatório no exercício de minha condição profissional. Durante muito tempo fui apresentador de programas musicais e redator de retrospectivas de fim de ano. Estive em um show de Roberto Carlos, no Anhembi, em São Paulo, no início da década de 80, quando eu estava na Rádio Bandeirantes. 

Mais tarde, no início de dos anos 2000, estive na festa dos 10 anos da Revista Caras, em que Roberto Carlos fez um show especial, apresentado pela dama da TV brasileira, Hebe Camargo. Comparando o especial deste 25 de dezembro, aos shows que assisti pessoalmente e aqueles que vi pela televisão, descobri que apesar da aparente falta de renovação no repertório, há um traço que diferencia e inova os shows de Roberto, anos a fio: a emoção. Fruto de cada fase de nossa vida, a emoção cria elementos que nos fazem vibrar com intensidade inédita. 

Para concluir, apenas um reparo. Roberto Carlos não pode se descuidar, mesmo durante pequenos gestos como, por exemplo, beijar e lançar as rosas ardentemente desejadas pela platéia. Uma edição mais primorosa, da Globo, teria eliminado a imagem em que Roberto levou uma rosa em direção aos lábios e a lançou ao publico sem ter, de fato, beijado as pétalas da flor. Oferendas emocionais, carregadas de amor, como o lançamento de rosas simboliza, não comportam atitudes mecânicas, frias por natureza. Para o futuro, o Rei deve se lembrar disso. Desde já vou reservar um lugar na poltrona para ver o novo show do Roberto Carlos de sempre, em 2010. Eu e milhões de fãs encontraremos um novo aspecto no espetáculo que já é uma tradição do Rei. Essa certeza nasce do fato cuja evidência é incontestável: a vida se encarrega de nos moldar aos novos tempos. Começa a fazer sentido a frase preferida do Rei: "são tantas emoções!" 


Nota do editor: Fotos reproduzidas a partir de originais publicados no portal G1 e no site Oficial do cantor

24 de dezembro de 2009

LE MONDE ELEGE LULA: O POLÍTICO SUPERA O PARTIDO


Não sou eleitor do PT, mas admiro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-sindicalista prova, por a mais b, que o homem público, na maioria das vezes, suplanta a legenda partidária à qual está vinculado. Por isso sempre acreditei no político, qualquer um, jamais no partido. Está provado que o brasileiro pensa como eu na hora de votar. Entretanto, abomino o papel dos que se elegem por determinadas siglas e, depois, abandonam a legenda e passam a exercer o mandato sem partido. Assim como não vejo com bons olhos a questão sucessória, nos moldes em que se faz por aqui. Essa é uma discussão para outra oportunidade. O que eu gostaria, de fato, é de destacar a importante vitória pessoal do presidente Lula: o jornal francês Le Monde, acaba de eleger o nosso presidente como "O homem do ano de 2009". A distinção coloca em evidência, ainda mais, o Brasil, no contexto mundial. É a primeira vez, em 65 anos da história do jornal, que uma personalidade mundial é eleita nessa categoria. Em termos europeus, é a segunda vez que um importante veículo de comunicação dá importância ao presidente brasileiro. Também neste mês, no dia 11, o jornal espanhol El país relacionou Lula entre as 100 personalidades mais importantes do mundo. O primeiro-ministro da Espanha, José Luiz Rodrigues Zapatero, disse que Lula é "homem que assombra o mundo". Querendo ou não somos obrigados a reconhecer o talento pessoal do presidente que não teme nada, até mesmo o ridículo, quando se trata de defender e divulgar este país maravilhoso chamado Brasil. Está na hora de os brasileiros também acreditarem no potencial da nação. Vamos aproveitar que 2010 está aí e começar o ano com muita fé, esperança e consciência da capacidade de cada cidadão. Juntos, podemos construir a Nação que todos almejamos. Pense nisso.
LEIA MAIS:


23 de dezembro de 2009

A JUSTIÇA E A PACIÊNCIA ANDAM JUNTAS


Recebi um e-mail e quatro telefonemas de amigos, indignados com a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. O ministro determinou, nesta quarta-feira, a soltura do médico Roger Abdelmassih, de São Paulo. O especialista em reprodução assistida foi denunciado por 56 mulheres, ex-pacientes, que teriam sido vítimas de crimes sexuais cometidos pelo médido. O episódio ganhou repercussão nacional e internacional. Abdelmassih está preso desde agosto.

Perguntam-me se a honra não vale mais nada neste país. É preciso ir com cautela e não atropelar o trâmite judicial. Aos que consideram que a Justiça tem beneficiado ricos e poderosos, convém ressaltar que, neste caso, o ministro foi ponderado ao beneficiar Abdelmassih com a liberdade. As razões expostas pelo advogado de defesa do médico, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, foram aceitas, com acerto, por Gilmar Mendes. O médico Roger Abdelmassih não foi julgado ainda, e, portanto, é precipitado afirmar que o denunciado vai se safar. Por enquanto, não caberia outra postura do presidente do STF. A defesa da honra de todas as mulheres atingidas está preservada e não se pode falar que a Justiça desconsiderou a humilhação e a dor que elas sentiram e sentem em relação ao médico. 
Leia, mais AQUI

21 de dezembro de 2009

MARTA É A MELHOR DO MUNDO PELA QUARTA VEZ

O blog abre um espaço especial para homenagear a mulher brasileira. Não se trata de concessão, mas de inegável reconhecimento à força daquele que já foi chamado de sexo frágil. A homenagem se faz através da jogadora de futebol Marta, atleta do Santos FC e titular absoluta da seleção brasileira. 


Pois Marta foi eleita pela pela Fifa, nesta segunda-feira, em Zurique, Suíça, a melhor jogadora de futebol do mundo. É a quarta vez consecutiva que ela conquista a premiação. A proeza supera nomes consagrados do futebol masculino e feminino como o brasileiro Ronaldo Fenômeno, o francês Zinedine Zidane e a estupenda alemã, Birgit Prinz, que levantaram o troféu três vezes cada. Transformar a imagem de Marta no ícone perfeito para simbolizar a garra feminina, é irresistível. O futebol representa as enormes dificuldades que a mulher vem enfrentando no dia a dia, desde que se lançou pra valer no mercado de trabalho. É claro que para isso ela tem se preparado como nunca, mas se não sobrassem raça, talento, espírito de luta e determinação a mulher brasileira teria sucumbido diante dos obstáculos. Parabéns à valente Marta e às incansáveis batalhadoras que se destacam, cada vez mais, em todas as profissões.


No lado masculino, o troféu de melhor jogador do mundo foi para o argentino Lionel Messi. Leia mais sobre a premiação:


Marta


Messi

RECORD: AUDIÊNCIA A QUALQUER CUSTO

Nota publicada no jornal Agora São Paulo desta segunda-feira, na coluna Olá!, especializada em TV, chama a atenção para o jornalismo vespertino da Record, emissora localizada na Barra Funda, Zona Oeste da capital paulista. 


O SP Record, até recentemente apresentado por Reinaldo Gottino, foi tirado da grade sem nenhuma explicação. É de se supor que o jornalístico perdeu espaço por falta de audiência, embora a emissora alardeasse que obtinha elevada pontuação com o programa. No lugar da atração, ficaram desenhos animados. Com a chuva intensa dos últimos dias, enquanto outras emissoras mostravam o drama da população, a Record tripudiava do telespectador com as aventuras do Pica-pau. 



As duas principais consequências dessa bobagem foram desagradar ao público e à direção da emissora. O jornalismo da Record aprendeu, na prática, que não se tapa o sol com a peneira. E que a falta de planejamento é inimiga fatal. Percebendo o erro, e o "banho" da concorrência, pôs no ar alguns boletins extraordinários para demonstrar agilidade operacional e preocupação com os fatos que afetam a cidade. 



A coluna Olá! comunica que diante da atrapalhada é pensamento geral na emissora de Edir Macedo criar um plantão para emergêcias. Vai errar de novo, claro. O SP Record tinha lá os seus defeitos, mas, ainda assim, teria sido melhor manter o programa no ar e corrigir os problemas. A título de exemplo, vamos citar apenas dois. O maior deles era, sem dúvida, aquela tentativa besta de levar o telespectador a crer que os fatos estavam acontecendoem tempo real quando, muitas e muitas vezes, haviam se passado horas antes, senão no dia anterior ou até antes. 



Para conferir às imagens um tom emocional, o apresentador dialogava com a voz de um repórter cuja missão era dramatizar as ocorrências. Essa forma de agir custou à emissora advertências para que fizesse a distinção entre os fatos AO VIVO e imagens recuperadas. À bem da verdade, é necessário dizer que essa fraude ao telespectador é cometida também por outras emissoras. Algumas ainda derrapam na hora de exibir o aviso, mas essa é matéria para ser discutida mais tarde. 



Outro problema do formato do SP Record era convocar a participação do experiente jornalista Percival de Souza em qualquer informação, por mais banal e corriqueira que fosse. Fico imaginando o desconforto de Percival tentando dar densidade à troca de insultos entre vizinhos. Poucas coisas podem ser mais danosas para a credibilidade da emissora, do apresentador e do próprio departamento de jornalismo que demonstra, dessa forma, estar dividido entre o fato jornalístico em si e a busca pela audiência a qualquer preço. Essa coisa de colocar um programa no ar e tirá-lo sem critérios, à Silvio Santos, em total desrespeito ao telespectador, talvez seja pior, mas, a esta altura, o que importa? Lamentável.


19 de dezembro de 2009

SÓ ACABA QUANDO TERMINA. E NÃO TERMINOU


A 15ª Conferência da Mudança do Clima, da ONU - Cop 15, não obteve um acordo de consenso. O texto costurado entre o presidente norte-americano, Barack Obama, e líderes dos chamados países BASIC, como são denominados Brasil, África do Sul, Índia e China, é acusado de defender ações que limitam o aumento da temperatura a 2ºC, sem estabelecer metas para nações desenvolvidas. A criação de um fundo para a adoção de programas e ações ambientais de controle dos efeitos do aquecimento global surge como única medida concreta tomada na conferência. Sobre o corte de emissão de poluentes e o controle de metas, nada. Os países pobres como Tuvalu, Costa Rica, Nicarágua, Cuba, Bolívia, Sudão e Venezuela, protestam e não aceitam o que chamam de 30 moedas para trair o povo. 

O discurso, de improviso, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em tom de profunda decepção com os resultados obtidos na Conferência, foi aplaudido longamente em reconhecimento de que o saldo da Cop 15 não era animador e, nem de longe, pode ser considerado ideal para substituir o já combalido e deteriorado protocolo de Kyoto. Classificada, por alguns participantes, como o pior  acontecimento na história das negociações sobre a mudança do clima, a Conferência de Copenhague chegou ao último dia como começou: na prática, não existe um plano para impedir os efeitos nocivos do clima, previstos pela Ciência. 


Assim, o planeta continua sob a               
ameaça do aumento da temperatura que traz degelo, enchentes, deslizamentos de terra, elevação do nível dos oceanos, tempestades de areia e o desaparecimento de cidades.

Somem-se a isso os efeitos provocados por queimadas e desmatamento descontrolados e teremos o caos.

A julgar pelo que já está acontecendo em todo o mundo, fica a pergunta: sem medidas enérgicas, imediatas e eficazes, até quando a Natureza vai suportar as agressões que o homem comete contra o meio ambiente? 


JOSÉ SERRA NÃO QUERIA, MAS TEM QUE ASSUMIR ANTES DA HORA


Depois de Aécio Neves anunciar que não iria mais disputar a indicação do partido para concorrer às eleições presidenciais do próximo ano, era natural que começassem as especulações em torno do nome ideal para ocupar a vaga. Aécio até aceitaria formar a chamada chapa puro-sangue do PSDB na condição de vice de Serra, mas não esconde que gostaria de sair candidato ao Senado e, simultaneamente, eleger o sucessor dele ao governo mineiro.



 Aloysio Mercadante, senador petista por São Paulo, aproveitou a indefinição e o vácuo momentaneos provocados pelo anúncio do governador mineiro e apressou-se em dizer que o gesto de Aécio favorecia à Dilma Rousseff, também mineira, e que, agora, teria muito mais facilidade para vencer naquele estado, o segundo colégio eleitoral do país. Arthur Virgílio, líder tucano no Senado, sabendo que as articulações em torno da sucessão iriam começar antes do prazo previsto, quis jogar água fria na fervura declarando que Aécio é o nome do PSDB, ao lado de Serra, e fim de papo. 


O deputado federal Roberto Freire, presidente do PPS, partido de oposição ao governo, aliado do PSDB e simpático à Serra, foi polido e prudente ao dizer que apoia a chapa Serra/Aécio para a presidência. 
Do Rio Grande do Sul, o senador peemedebista de gestos largos, Pedro Simon, provou ser um grande provocador e lembrou que o deputado federal Ciro Gomes, do PSB cearense, terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, estava livre para retomar o plano de concorrer à presidência. 
Ciro havia dito que se retiraria do processo se Aécio fosse o candidato escolhido pelo PSDB para concorrer à sucessão. Indo além, declarou que seria, de bom grado, vice na chapa de Aécio. Pedro Simon, como se sabe, defende que o PMDB dispute a sucessão presidencial com candidato próprio. Dentro do partido, principal sustentação da base aliada ao governo, há três correntes em direções opostas.  


Uma, pensa como Simon e acredita que o governador paranaense Roberto Requião seria o nome ideal; outra, em que se incluem José Sarney e Michel Temer, acredita que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é a barbada de 2010 e prefere não perder as posições que já ocupa dentro do governo petista; a terceira corrente é comandada por ninguém menos que Orestes Quércia, ex-senador e ex-governador de São Paulo, reeleito presidente do PMDB paulista e que apoia a candidatura José Serra. 

Se o deputado Ciro Gomes resolver voltar à disputa, como sugeriu Pedro Simon, a corrida sucessória vai embolar ainda mais. E para embasar esta afirmação, há outros fatos novos no cenário político contemporâneo. O PSDB trabalhava com a hipótese de convocar José Roberto Arruda, do DEM, para uma eventual composição no caso de Aécio refugar e preferir candidatar-se ao Senado, como insinua, mas Arruda é carta fora do baralho, por razões óbvias.
 Restaria ao governador paulista uma saída honrosa e conveniente: acatar o desejo de Aécio, agradar aos tucanos que apoiam o governador mineiro e, de quebra, conquistar mais votos em Minas Gerais. A solução viria na pessoa do ex-presidente da república, Itamar Franco, que assumiu o cargo em 1992, após o impeachement de Fernando Collor, de quem era vice. Nas voltas que o mundo dá, a política é o setor cujas mudanças não surpreendem porque fazem parte do contexto. Em outubro, Itamar filiou-se ao PPS, de onde se conclui que Roberto Freire,
presidente nacional do partido, mantém a discrição, mas poderia comemorar efusivamente, pois está em situação privilegiada. Se Aécio atender aos apelos da legenda e formar a chapa puro-sangue do PSDB, ótimo, ele apoia. 


Ao contrário, se Aécio se mantiver no propósito de concorrer ao Senado, o PPS vai aparecer ainda melhor na fita, com Itamar Franco como vice de Serra. A menos que a lembrança do senador Pedro Simon, em relação a Ciro Gomes, tenha outro significado. Quem sabe? 


Por essas e outras é que o governador José Serra queria manter, até o ano que vem, a expectativa sobre a chapa definitiva dos tucanos na disputa presidencial. Exposto antes da hora, o PSDB vai conviver com todo tipo de especulação. E Serra vai ser o alvo perfeito para ataques em massa. O que restar do governador paulista, em março, pode não ser suficiente para enfrentar as urnas. Façam as suas apostas.