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26 de março de 2010

O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO

Recebi do amigo Eduardo Abud o texto abaixo. Decidi reproduzí-lo, na íntegra, sem retoque. Primeiro, porque o escrito é um primor e de agradável leitura. Segundo, mas, principalmente, porque é o retrato de uma nova era. Vivemos, hoje, tempos  diversos daqueles de outrora nos quais nossa infância, adolescência, juventude e parte da vida adulta se desenvolveram. Perderam-se ao longo do caminho características que constituíam a essência do ser humano. Você, contemporâneo daqueles tempos, vai identificá-las, à primeira vista. E você, que não viveu o que o instantâneo da memória descreve, vai, mesmo assim, notar as diferenças. O progresso trouxe benefícios, é fato, mas também produziu mudanças. Algumas delas ainda podemos transformar, mas depende do esforço  e do interesse de cada um. Pense nisso.

A seguir, a transcrição do e-mail de Eduardo Abud:

Assunto : A IMPORTÂNCIA DOS NOSSOS ENCONTROS ! ! !
De: "Eduardo Abud"
Data: Ter, Março 23, 2010 11:05 pm


familia.grande.visita Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.

Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade... 

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa. A mesma alegria se repetia. despedida Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores. 
 Casas trancadas. Pra que abrir?

O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...

Que saudade do compadre e da comadre!

Eduardo Abud é jornalista. Fomos colegas de trabalho na Transamérica e na Bandeirantes, nos anos 1980 e 1990

24 de março de 2010

ECA: MUDANÇAS NECESSÁRIAS

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal aprovou no início de novembro do ano passado projeto de lei que modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), aumentando sobremaneira o rigor na punição para menores infratores.  Atualmente, jovens com idade inferior a 18 anos que tenham cometido alguma infração e porventura foram “condenados” com base no Estatuto, têm de ser obrigatoriamente soltos quando completam 21 anos, para espanto, desespero e desassossego da população.

Pela proposta em tramitação em Brasília, os condenados terão de prestar serviços à comunidade se, chegando aos 21 anos, não tiverem cumprido integralmente a pena.

A alteração no corpo do ECA é significativa apenas pelo que sinaliza – a necessidade de, após 20 anos desde a sua adoção, tal legislação passar por uma profunda revisão que abranja não apenas aspectos tópicos, e sim o espírito geral de um dispositivo que não tem sido eficiente para ajudar a conter a criminalidade entre os jovens.

Antes, tem servido de anteparo a atividades criminosas de adolescentes que, escorados na leniência e na tibieza da lei, cometem barbaridades que dificilmente os levam a prestar contas à Justiça.

Do ponto de vista da mudança de filosofia da lei, é muito tímida a proposta aprovada na CCJ do Senado da República – que, antes de ir a plenário, ainda passará pela Comissão de Direitos Humanos da Casa. Meramente cosmética, a modificação passa longe das reais alterações a serem feitas no ECA.

Entre as principais, alinham-se a redução da idade, de 18 para 16 anos, para a imputabilidade penal e, em sentido mais geral, a introdução de dispositivos que exijam mais responsabilidades dos jovens.  No primeiro caso, é notório que a manutenção da idade de 18 anos como teto para a inimputabilidade tem protegido do alcance da Justiça criminosos que, plenamente capazes de discernir o bem do mal, optam pelo caminho da marginalidade em razão da salvaguarda que lhes é conferida pelo Estatuto. No segundo, é particularmente significativo que o corpo do ECA garanta aos adolescentes infratores um grande número de direitos e lhes imponha poucas ou nenhuma obrigações.

Que as mudanças discutidas no Senado, portanto, não se limitem aos aspectos – insisto – cosméticos do ECA. Tramita na Casa, por sinal, proposta de redução do limite etário. É imprescindível, com certeza, que os menores de idade contem com a proteção do Estado – mas esse pressuposto não pode se sobrepor à segurança de toda a sociedade.

O que não pode mais é a sociedade honesta, pagadora de impostos, sofrer ameaças como a de algum tempo atrás de um dos matadores do  pequeno  João Hélio Fernandes, do Rio de Janeiro, que aos 6 anos, durante assalto à sua mãe, foi arrastado preso ao cinto de segurança por mais de sete quilômetros, morrendo de forma horrível.

Pois bem: um dos matadors, Ezequiel Toledo de Lima, ao completar 18 anos, devidamente assessorado por uma entidade de pretensa proteção de “direitos humanos”, disse que sofria ameaça no cumprimento de medida sócio-educativa e já estava na iminência de ganhar identidade nova e ser transferido do Brasil para o Canadá, onde viveria como se nada tivesse feito por aqui.

Com base na lei que protege menores infratores e até assassinos (sem serem criminosos), o juiz Marcius da Costa Pedreira, da Vara da Infância e Juventude do Rio, colocou o bandido em liberdade “para que não sofresse qualquer tipo de represália”.

Os pais do pequeno João Hélio se mobilizaram, sensibilizaram a sociedade fluminense e a imprensa do Rio atuou de forma unida, forçando o Tribunal de Justiça de lá a um posicionamento rápido e coerente, pondo fim à farra que só ajudaria a denegrir ainda mais o nome do Brasil no exterior, além de levar, ainda mais, ao descrédito a Justiça aqui dentro.

Afanasio Jazadji – Jornalista, Advogado, Deputado Estadual por 20 anos, especialista em Segurança Pública e criador do Disque-Denúncia e do Resgate dos Bombeiros - www.afanasio.com.br

23 de março de 2010

AS TORCIDAS ORGANIZADAS SE ACALMARAM?

As torcidas organizadas se acalmaram?

Não! Não se acalmaram. Os seus dirigentes, os seus integrantes,  ainda sentem os reflexos do que aconteceu no estádio Couto Pereira, em Curitiba, PR, no final do brasileiro,  a “pressão e o estremecimento” que o fato provocou nos meios políticos, nas Federações, nos clubes e na sociedade. Deram só um “tempo”.

dr.savy O excelente advogado esportivo Dr. Renato Savy, após muitas pesquisas, nos deu uma definição sobre esta facção de torcidas: “Torcida Organizada é a denominação dada a uma associação de torcedores de um determinado clube esportivo, hierarquicamente organizados e uniformizados”. Entretanto, o seu real objetivo foi totalmente desvirtuado pela infiltração no quadro de associados de verdadeiros bandidos, vagabundos, criminosos, que se utilizam deste subterfúgio para, envolvidos e protegidos pela “massa”, praticarem os seus crimes, porque sozinhos são grandes covardes. E aqui se incluem até mesmo alguns presidentes e diretores destas torcidas chamadas de organizadas que, de organizadas, hoje, não têm nada.

Mas, graças a Deus estou acompanhando o que poderá ser uma luz no fim do túnel. Há uma proposta no Congresso, enviada pela Presidência da República, para alterar alguns itens do Estatuto do Torcedor, entre eles, para mim o mais importante, os que se referem às tais torcidas organizadas.

O texto da Lei 10.671/03 que dá regras ao Estatuto do Torcedor foi criado em um momento de sequências conturbadas no futebol brasileiro com o objetivo, entre tantos outros, de apaziguar a fúria e os desmandos destas tais torcidas organizadas. Mas, no meu entendimento, foi muito brando com este segmento do futebol. Por isso, continuou tudo igual ou  até pior, já que o Estatuto acabou sendo transformado em mais uma daquelas leis que não pegam. É lei? - Ora, a lei! Que se dane mais esta!

O texto do Estatuto diz que algumas atitudes do torcedor poderão ser punidas. Como exemplo, o torcedor que provocar tumulto, praticar ou incitar à violência ou invadir locais restritos aos atletas ficará proibido de permanecer nas proximidades do estádio e comparecer a qualquer local em que se realizam eventos esportivos (e aqui não está se referindo apenas ao futebol), por um prazo de três meses a um ano, dependendo da gravidade do fato. Ora, alguém já viu qualquer uma dessas punições ser aplicada? Por mais que se tente, não há como controlar ou identificar, individualmente,  quem provocou tais fatos. A nossa policia, as Federações e os clubes não têm capacitação para fazer isto.

lula.assina Muito bem. No último dia 13 de março, o presidente Lula assinou e enviou ao Congresso um projeto de lei para reformular o Estatuto do Torcedor. Um dos assuntos que nos chamou a atenção está mencionado no artigo 39, que pretende – finalmente – criminalizar os atos de violência dos torcedores e das torcidas organizadas nos estádios de futebol, seus arredores e no trajeto de ida e volta. A grande reclamação de promotores e policiais que têm o trabalho voltado principalmente aos estádios de futebol, é a falta de legislação específica para estas atitudes de torcedores.

O objetivo é tornar as torcidas organizadas em “pessoas jurídicas de direito privado”, responsabilizando-as civilmente pelas atitudes de seus associados/torcedores, arcando com os prejuízos que causarem nos estádios ou em áreas localizadas num raio de cinco mil metros ao redor do local de realização do evento esportivo - conforme consta do decreto. Além disso, as torcidas organizadas passam a ser obrigadas a manter um cadastro atualizado de todos os seus integrantes.

ministrosE aqui há de se destacar o trabalho dos ministros do Esporte, Orlando Silva, e da justiça, primeiro Tarso Genro, e, agora, Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto, que juntos com o Ministério Público, CBF e o Conselho Nacional de Justiça, vêm desenvolvendo estudos para o cadastramento de todos os torcedores que freqüentarem estádios de futebol. O cadastramento visa, notadamente as torcidas organizadas, mas todos terão que apresentar um cartão magnético – uma “carteirinha” - com os dados completos de identificação para poderem entrar nos estádios. O único senão é que os menores de 16 poderão ser dispensados dessa “carteirinha”. O que me preocupa, porque observamos hoje no meio destas torcidas organizadas grande número de menores de 16 anos praticando toda sorte de violência e, quando são apanhados, vêm com a maior cara de pau dizer: sou de “menó”, doutor. Assim, todo integrante de torcida organizada será identificado, confrontado com o cadastro da organizada, e, se cometeu qualquer infração à lei, a direção será notificada para impedir o associado de adentrar o estádio ou até mesmo banir o infrator do seu quadro associativo.

Claro que houve uma chiadeira danada das organizadas. No congresso de torcidas organizadas promovido pelo Ministério dos Esportes, com a participação de autoridades do Ministério Público e da Policia Militar, o assunto em debate que tomou maior tempo, entre todos, foi exatamente o artigo 39. Tanto é verdade que, na ocasião, foi redigida uma carta para pressionar o Senado a retirar este artigo na alteração do Estatuto do Torcedor.

Mas, de tudo isto, o que é da maior importância é que algo está sendo feito, da Presidência da Republica para baixo, solidificando a responsabilidade de cada um para que se possa acabar com a violência dentro e fora dos estádios brasileiros. E o que nós queremos é que as “forças políticas”, os interesses dos clubes, das Federações, não se façam valer para emperrar ou anular uma atitude que há muito tempo nós estamos esperando. Finalmente, alguma coisa séria está sendo feita em pról do verdadeiro torcedor.

Ah, esperamos também que algum iluminado proponha uma emenda neste projeto de alteração do Estatuto, regulando a cobrança dos valores de ingressos do futebol para quem ganha o salário mínimo; aí sim, ficaríamos felizes para sempre! Até agora não vi e não li nada a respeito.

19 de março de 2010

MR. MERCHAND, MILTON NEVES, CONTINUA ATENTO

Milton Neves, aquele, continua bem humorado. Na manhã da sexta-feira, dia 19, um dos dois gloriosos representantes de Muzambinho, MG (o outro é Wellington de Oliveira, amigo de longa data), postou um tweet. Rodney Brocanelli, do Rádio Base, sempre ele (carma do Milton), e mais sete outras pessoas, retuitaram a mensagem. Foi assim que a recebi. Veja:

milton1

Eu estava na rede e não perdi a oportunidade de tirar umazinha com a cara do muzambense que goza tanta gente e tuitei:

flavio1

Não é que o Milton estava, mesmo, online? O homem tem mais de 27 mil e 500 seguidores e, por isso, não imaginei que ele pudesse ler, na hora, o meu tweet. Ainda mais porque se tratava de um retuíte. Não só leu, como respondeu. Veja o que me mandou, de volta:

milton2

Pena que vi a mensagem somente alguns minutos depois; mesmo com atraso, respondi:

flavio2

Percebe-se, então, que Milton Neves continua, na medida do possível, dando atenção ao público que o acompanha (eu inclusive), mas o jeitão de bocó que ele tem passado ultimamente é puro tipo. Acho que faz isso para se divertir um pouco, pois o resto é só trabalho. Né, Mirto?

18 de março de 2010

A NOVA FORÇA PÚBLICA

Revanchismo pouco é bobagem! Em São Paulo, não faz muito tempo, um deputado estadual comuna travestido de tucano ameaçou apresentar propositura trocando nomes de prédios públicos, monumentos, rodovias e quetais que tivessem qualquer relação direta ou conotação próxima com militares que atuaram nos chamados “anos de chumbo”.

Quando governador, Mário Covas levou a Brasília um anteprojeto de lei simplesmente propondo acabar com a Polícia Militar no país. Por pura ojeriza à expressão “militar”.  Pelo que saibamos, ele jamais foi preso ou sequer levou um tapa no período revolucionário. Cassado foi, sim, e por isso sua família recebeu, há pouco, polpuda indenização...

Agora vem o governador José Serra, certamente insuflado por maus conselheiros encaminhar Projeto de Emenda Constitucional (PEC) à Assembléia Legislativa para que a Polícia Militar troque de nome, voltando a se chamar Força Pública. Uma das alegações seria para apagar da história o aspecto militar de “triste memória”.

A preocupação de Sua Excelência deveria ser outra na área da segurança. Cuidar de devolver a tranqüilidade à população, harmonizando as polícias e, principalmente, cumprir as promessas feitas quando do embate Polícia Civil e Polícia Militar, às portas do Palácio do Governo, em 2008. E que até agora nada foi atendido.

Na proposta, dizem alguns interlocutores do  governador, o  objetivo  seria o de “desmilitarizar” a Polícia, para que haja um maior controle pelo Poder Civil. Essa gente, aparentemente mal intencionada, precisa, pelo menos, conhecer um pouco da história policial-militar de São Paulo.

Como bem esclarece o coronel reformado do Exército Brasileiro José Ávila da Rocha, também organizador da Guarda Civil Metropolitana da Capital, “a antiga Força Pública era, de fato, um verdadeiro ‘exército’, pois contava com aviação, tanques de guerra e, lógico, armamento pesado”.

E o Cel. Ávila vai mais longe: “Sem tradição para a segurança pública, com treinamento para o combate, a Força Pública vivia mais combatendo insurretos fora das fronteiras do Estado de São Paulo, deixando a cidade sem policiamento”.

Mais ainda: Adhemar de Barros, quando governador, durante os desfiles da tropa, enchia o peito e se orgulhava de anunciar: “Eis o meu exército!”. Para cobrir a falta de policiamento na cidade de São Paulo à época, foi criada a Guarda Civil, com treinamento para a defesa do cidadão, e não do Estado.

A partir de 1970 a Polícia Militar passou a existir no país, substituindo a Força Pública e extinguindo a Guarda, cujos integrantes puderam fazer opção profissional em continuar carreira uniformizada na PM ou seguir nos quadros da Polícia Civil.

Atordoado com o aumento da taxa de homicídios no Estado (4.771  mortos em 2009 contra 4.426 em 2008)  o  governador  Serra,  que  segundo  alguns “não gosta nada de polícia!”, chegou a atribuir os números “basicamente à crise econômica e ao desemprego”. Louvando-me em informações do jornalista Elio Gaspari, “em Nova York o desemprego chegou a 10,3%, o maior em 16 anos, mas os homicídios foram 466, com uma queda de 10% em relação ao ano anterior, o melhor resultado desde 1963”.

Em ocorrendo, efetivamente, a troca de nomes de PM para FP, muita gente vai sair ganhando... financeiramente. Explico: o novo nome terá de ser FP inscrito em toda papelada que a corporação utiliza.  Tudo bem que alguns lembrem que isso será feito pela Imprensa Oficial do Estado. Mesmo assim há um custo operacional nisso tudo.

pmsp Por conta da mudança de nome, viaturas precisarão ser repintadas. Quartéis e unidades do Interior também. As viaturas do Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária e Polícia Ambiental igualmente.

E a troca dos uniformes? Ou será que a mudança de nome seria mais ardilosa: simplesmente para não se enquadrar à nova regra que dá aumento nacional às polícias militares do Brasil. É, pode ser. Se for isso, seria um grande golpe ou uma bela jogada governamental?

Afanasio Jazadji – Jornalista, Advogado, Deputado Estadual por 20 anos, especialista em Segurança Pública e criador do Disque-Denúncia e do Resgate dos Bombeiros - www.afanasio.com.br

A NOVA LEI DO BARULHO. SILÊNCIO PARA QUÊ?

Barulho. A lei que deveria garantir silêncio tem provocado  efeito contrário. E a tendência é a de que esse barulho aumente muitos decibéis.

Aprovada pela Câmara de vereadores da capital paulista, foi publicada no Diário Oficial do município no último dia 16, entrando imediatamente em vigor. Como era de se esperar, já provoca protestos e reclamações da população residente em zonas de bares com música ao vivo, danceterias e templos religiosos.

A polêmica lei é de autoria do vereador Carlos Apolinário, do DEM, partido do prefeito Gilberto Kassab. Líder evangélico, da denoninação Assembléia de Deus do Ministério do Brás, Apolinário tenta, há alguns anos, silenciar as reclamações contra o barulho produzido pelos incontáveis templos religiosos espalhados pela cidade, acusados de tirar o sono da população ao extrapolar o limite tolerável da produção de ruído. Esse limite varia de 45 a 70 decibéis, dependendo da região, conforme determina a lei de zoneamento da capital paulista.

O MInistério Público derrubou lei anterior, do mesmo Apolinário, que empregava critérios diferenciados para templos religiosos. Era afrontosamente inconstitucional. Então, o vereador do DEM achou um jeitinho de contornar a situação desconfortável para os dirigentes de igrejas. Fez modificações no projeto e criou um enorme mal-estar para a vizinhança. Apolinário recheou o projeto de sarcasmo, cinismo, hipocrisia, chantagem e constrangimento. Com esses ingredientess, criou uma situação que tem tudo para “liberar geral”, ao abrigo da lei.

folhaonlina Reproduzimos aqui um trecho de reportagem veiculada no portal Folha Online, neste dia 17.03.2010. Veja como o denunciante deve proceder, a partir de agora:

A lei do Psiu praticamente não existe mais em São Paulo. Desde ontem (16), a aplicação das regras do Programa de Silêncio Urbano ficou inviável com a entrada em vigor de uma nova lei. Aprovada pela Câmara, ela amplia prazos, reduz o valor da multa, acaba com a denúncia anônima e exige que a fiscalização seja feita na casa do vizinho do local barulhento.

A interdição de um estabelecimento que extrapolasse os limites de ruído levava até três meses; agora, vai demorar ao menos um ano.

Além disso, a fiscalização vai colocar juntos, na hora da medição do barulho, o dono do estabelecimento denunciado, o vizinho denunciante, o fiscal e outras testemunhas --todos dentro da casa do "reclamão".

Até então, a medição do nível de ruído era feita na porta do estabelecimento --um restaurante, uma igreja ou um salão de festas, por exemplo-- e não era necessária a presença do denunciante. Na maior parte dos casos eram denúncias anônimas, segundo a Folha apurou. A lei que obriga o fechamento à 1h de bares sem isolamento acústico, estacionamento e segurança não foi alterada. (…)

Imagine a situação de confronto que passa a existir. Se o cidadão submeter-se às determinações que essa lei impõe, doravante, para formular uma queixa contra o barulho excessivo, estará exposto a riscos que nem cabe aqui relacionar, por serem intuídos imediatamente. Ao governante, em qualquer esfera, cabe garantir a segurança da população e, jamais, expô-la a risco. De qualquer espécie.

A mídia, em geral, tem tratado a questão como quem pisa em ovos. O receio é ser interpretada como cerceadora da liderdade de culto e religião, garantida constitucionalmente. Ouvi, na manhã desta sexta-feira, 18 de março, em uma grande emissora de rádio o tema ser tratado, de passagem, sem muitos detalhes, apenas para constar. Já na tarde do dia anterior, na mesma emissora, um jornalista com muitos anos de “janela” ficou em cima do muro ao dissertar sobre o tema. Em nenhuma das duas ocasiões os profissionais da rádio tocaram no assunto das igrejas produtoras de poluição sonora. A lei de Apolinário é, nitidamente, um instrumento de coação popular em benefício dos templos religiosos e seus pregadores, pastores, missionários, apóstolos e sei lá mais o que, mas que proliferam, fortalecem e enriquecem como nunca se viu. A propósito, um assunto que desperta atenção em todo o país e até fora dele, mas que é de outra competência.

Chega de faz-de-conta; nada de receio, gente. O que precisa ser discutido nesta ciranda, em qualquer circunstância e diante de qualquer pessoa, é que o direito de um termina onde começa o direito do outro.

Nesse episódio há de se considerar, também, que o barulho não causa apenas incômodo auditivo e distúrbios do sono. Já tivemos desabamentos de tetos de igrejas durante vigílias e cultos em que são entoados cânticos em elevada frequência. A Física explica muito bem o movimento dos corpos através da ressonância. Junte-se o fato científico a falhas e descaso humanos e temos o cenário ideal para a ocorrência de tragédias. Mas NINGUÉM fala nisso.

Busquei, aleatoriamente, na Internet, algo que ilustrasse o que digo. Certamente você conhece o assunto, mas clique neste link e veja algumas explicações, incluindo vídeos, que facilitam ainda mais a compreensão do fenômeno acústico.

(Ao lado, a ponte Tacoma oscila antes da queda)

O problema precisa ser resolvido e logo. Carlos Apolinário, certo de que passa a ser alvo da indignação popular, tenta colocar até a opinião pública na chamada “saia justa”. O vereador lembra que, “muitas vezes, lemos manchetes de jornais que dizem: ‘Evangélico aplica golpe em banco’. “Por que não dizem: ‘Católico aplica golpe em banco’?”

A observação é boa e pertinente, mas o edil-pastor (empresário) precisa levar em conta que o comportamento do evangélico, em 99,9% das oportunidades, é o de vender a imagem imaculada do crente incapaz de pecar. O comportamento chega a ser deliberadamente acintoso e deixa a entender que é uma recriminação implícita aos praticantes de outros credos. Vai daí que o troco é uma boa moeda. Se o direito à profissão de fé é legítimo, o é em para todos, sem exceção.

E, convenhamos, alguém que se coloca, como missão de vida, uma existência próxima do estado divinal, é notícia, sim, quando flagrado roubando banco, traficando armas, estuprando fiéis, molestando menores, consumindo drogas. E não há que se falar em sectarismo ou perseguição de qualquer espécie. Os padres pedófilos, por exemplo, são denunciados pela imprensa do mundo inteiro. Ou não?

oglobo.padrespedofilos

O que me deixa apreensivo, sobretudo, é que um homem com essa natureza de ação, jogando uns contra os outros, favorecendo especialmente os seus, tem planos de assumir o governo do estado de São Paulo. Clique no link e veja a entrevista que ele concedeu a um site religioso, em que o projeto político latente do vereador foi colocado com todas as letras: “Se Deus permitir que eu me eleja governador em 2006, continuarei sendo evangélico, porém, governador de todos.” Palavras de Carlos Apolinário. O projeto naufragou naquele ano, mas representa uma possíbilidade a qualquer tempo.

Por isso é que se diz, adequadamente: “Não use o seu voto como arma. Ela pode disparar contra você”.

Pense a respeito e não silencie. Cobre o formador de opinião; instigue a sociedade ao diálogo; exija do governante uma atitude séria, responsável e, acima de tudo, voltada para o interesse da população. Inteira, não parte dela. E menos, ainda, quando essa parte é usada como massa de manobra para atingir o todo.

A nova lei do silêncio é brincadeira que se pratica sob a aparência silenciode coisa séria. Travestidos de legisladores, aos quais a população outorgou tal poder, pelo voto, representantes do povo têm legislado em causa própria. Então, se é para fazer barulho, demorou.

15 de março de 2010

COPA DO MUNDO 2014 NO BRASIL

VAI COMEÇAR A ROUBALHEIRA E ADIVINHA QUEM IRÁ PAGAR A CONTA?

Muito se fez, muito se lutou, muito dinheiro foi gasto com a apresentação ao comitê de escolha da Fifa para a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasiil. Pois é, meus queridos companheiros, como vocês já estão cansados de saber, o Brasil irá sediar a Copa do Mundo em 2014.

E com o anúncio comemorado com uma festa linda, deslumbrante, regada a champagne francesa e caviar pelas autoridades representativas do esporte nacional e autoridades máximas do governo, definitivamente ficou provado que não tem ninguém bobo no país do futebol, a não ser o torcedor, ou melhor, o tontão do povo brasileiro que novamente irá pagar uma grande conta.

Vamos começar pelo começo. Estados sedes da Copa. A FIFA determinou à CBF que, por questão de economia, queria menos sedes. Cada cidade-sede tem de ter seu próprio centro de imprensa, hotéis oficiais, campos de treinamento, equipe de voluntários, por exemplo. Em uma copa do mundo, com 64 jogos, a FIFA entende que dez sedes seriam um numero ideal. Em média, cada cidade receberia seis jogos em um mês, com isto facilitaria a organização da FIFA. Mas, não!!! A CBF, ou melhor, o seu presidente Sr. Ricardo Teixeira, brigou por 12 sedes. Justificou e enrolou a FIFA que um número maior de sedes se deve ao fato de que o nosso país tem dimensões continentais. Balela!!! Quanto mais, melhor. Mais fácil de fazer politicanalha e, com isto, distribuir em maior quantidade as falcatruas que serão feitas, principalmente nas reformas e construções de estádios.

Já que falamos em estádios. A FIFA exige que os estádios tenham pelo menos 40.000 lugares. O estádio da abertura, no mínimo, 60.000 e o de encerramento, no mínimo, 80.000. A FIFA recomenda ainda que todos os lugares sejam cadeiras individuais numeradas, com encosto de pelo menos 30 centímetros de altura. Banheiros limpos e em número suficiente para atender a lotação do estádio. Corredores de entradas e saídas largos e totalmente desimpedidos e tribunas para a imprensa, extremamente bem equipados.

Desculpem!! Não posso deixar de rir. Com certeza nunca ninguém da FIFA já esteve em um estádio brasileiro para assistir a uma partida de futebol. Tribuna de imprensa aqui no Brasil? Isto não existe. Pergunte para um repórter de jornal, narrador, um comentarista que vocês conheçam como é uma tribuna de imprensa em qualquer estádio brasileiro. São verdadeiros poleiros.

Ah, tem mais, é preciso haver hospitais e estacionamento nas imediações dos estádios, que a FIFA chama de arenas. Como, se os hospitais que temos hoje não conseguem atender nem 1% da população e normalmente estão localizados nos grandes centros?! Irão construir também novos hospitais? Para quê, se não tem médicos para atender! A União, os Estados e os Municípios pagam tão pouco que os médicos querem ficar longe desses hospitais.

A FIFA esta encostando a CBF na parede porque as reformas ou construção dos estádios deveriam ter começado no máximo em 31 de janeiro e, até agora, ninguém tirou a bunda da cadeira para que isto aconteça. Até porque o prazo de entrega definitiva para a FIFA de todos os estádios, em plenas condições, termina dia 31 de dezembro de 2012, porque em 2013 o Brasil deverá ser sede da Copa das Confederações. Esta copa, na realidade, é utilizada pela FIFA como um grande teste para a realização da Copa do Mundo no país.

Pelo que estamos vendo até agora, o Brasil não conseguirá cumprir os prazos. Nenhum estádio já pronto, pelas exigências da FIFA, tem condições para que seja realizado um jogo de Copa do Mundo. Todos eles não chegam nem perto das exigências.

O Brasil já nos mostrou por diversas vezes que tem enormes dificuldades para planejamentos que exigem um prazo longo. Recentemente a imprensa divulgou dados que assustam qualquer um: as licitações podem atrasar obras de até 10 dos 12 estádios escolhidos para os jogos. Sabem por quê? Explico: Grande parte do dinheiro terá que sair dos governos – Federal, Estadual e Municipal. A iniciativa privada está cansada de investir dinheiro bom em coisa ruim, onde metade do dinheiro vai para o que se destina e a outra metade para os bolsos dos falsos dirigentes, em todas as áreas. O futebol e a política brasileira estão impregnados de práticas espúrias. Ninguém mais tem confiança. E estão certos estes empresários. Não tem que dar grana, não! Só que, aí, grande parte dos custos irá cair sobre os cofres públicos.

arquitetos.copa

Um grupo formado por 20 arquitetos brasileiros que participam da construção e reforma dos estádios brasileiros, esteve em Johanesburgo visitando o estádio Soccer City. Eles declararam que o Brasil terá um grande desafio com a realização da copa e vai ter que melhorar muito em termos de infra-estrutura e serviços. Disseram ainda que a melhora desta infra-estrutura e serviços, até agora com 59 projetos, incluindo a construção e reforma dos estádios, está beirando NOVE BILHÕES E 400 MILHÕES DE DOLÁRES. Sabe quem irá pagar esta conta? Nós, uma sociedade de idiotas acomodados, que vemos o nosso dinheiro ser gasto com falcatruas e não fazemos nada para que isto acabe.

Quanta gente morrendo em corredores de hospitais sem ter um quarto, uma cama para ser atendida; quantos hospitais não têm médicos para, pelo menos, o pronto atendimento; quantas Santas Casas não fecharam ou estão sendo  fechadas em muitas cidades do interior deste Brasil porque não tem recursos para se manterem. (A foto denuncia a situação do Hospital Walfredo Gurgel, em Natal, RN, e reflete realidade brasileira) Ou somos mais idiotas ainda em pensarmos que a Copa do Mundo no Brasil irá trazer turistas e dinheiro suficientes para, depois dela, salvar pelo menos a saúde pública com o dinheiro que deixaram no país?

Por que transferir esta conta todinha para nós, o povão? Por que também a CBF, a maior interessada na realização da Copa do mundo aqui no Brasil, que recentemente assinou um contrato com uma multinacional para vender os produtos do futebol brasileiro em todo o mundo, e que cobra, em algumas oportunidades, até UM MILHÃO e MEIO de DOLÁRES por um amistoso da seleção, não participa destes custos? Não é o senhor Ricardo Teixeira, presidente da CBF, que quer construir estádios em quase todas as sedes?

Mas a explicação do Sr. Ricardo Teixeira em não poder contribuir é simples: a CBF não tem lucro. Todos os balanços demonstram prejuízos financeiros e são aprovados por unanimidade por todos os presidentes de Federações, que podem comprovar. Estes mesmo presidentes que, em seus estados, usam o futebol para encherem os seus bolsos de dinheiro cada vez mais. E o torcedor que se dane. Ora, se a CBF tem prejuízos financeiros, por que então o Sr. Ricardo Teixeira não deixa a presidência da entidade? Como explicar que o Sr. Presidente da CBF, mesmo com todos esses sucessivos prejuízos, quase triplicou o patrimônio pessoal desde que assumiu o cargo? Lembra-se de um retorno de Copa do Mundo quando precisaram de um avião de carga para trazer os souvenires comprados pelo presidente da CBF? Pena! O povo tem memória curta neste país.

Eu fico imaginando como será a farra do dinheiro público na Copa do Mundo, na infra-estrutura exigida pela FIFA. Serão bilhões de suados reais pagos pelo povão, desviados apara os bolsos dos todo poderosos sob a alegação de que foram investidos em concreto; tudo pela arte do futebol brasileiro.

Aí, então, vem a pergunta: por que gastar tanto dinheiro com uma Copa se tem tanta gente passando fome, sem teto, vivendo na rua ou debaixo de pontes, comendo lixo, morrendo sem assistência médico-hospitalar, sem escolas, sem um transporte decente, sem uma vida digna?

Porque quem tem dinheiro para gastar, na maioria das vezes sem sair do próprio bolso, está pouco se lixando com tudo isto, com as mazelas do Brasil. A Copa do Mundo no país, para eles, traz recursos e dá para fazer muito, muito dinheiro. É só nisso que eles pensam.

Não pense você que vão reformar estádios, construir novos para que o torcedor tenha uma melhor acomodação, investir no transporte, em hotéis, qualificar os policiais das cidades-sede será por nossa causa, o povão. Irão fazer isso por exigência da FIFA. Com certeza nós não teremos dinheiro para pagar os ingressos depois, em qualquer campeonato – muito menos para assistir um jogo da copa. Já escrevi sobre isto, do valor mínimo absurdo dos ingressos para o Campeonato Paulista, exigido pela FPF.

E olha que eu não falei nem dos aeroportos brasileiros. A grande maioria deles é uma vergonha!

Só Deus sabe quanto o povo brasileiro sofre, sem a Copa do Mundo, para dar um Maracanã de dinheiro para o governo e não ter nada em troca. Quem sabe, com a Copa, poder-se-á ter alguma coisa. A esperança ainda é a última que morre.

Enfim, vai começar a roubalheira e nós, novamente, vamos ter que pagar a conta, direta ou indiretamente.

Mas não importa. Quem sabe seremos HEXA ou HEPTA Campeões do Mundo, não é?

Até a próxima semana.

Os comentários são de inteira responsabilidade de Nelson Lenham, que sou eu...