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31 de outubro de 2010

O PODER DA IMAGINAÇÃO ESTÁ NO FIM?

NOTA DO EDITOR: o texto a seguir é muito maior que os artigos habitualmente postados aqui. O tema gira em torno da relação entre ouvintes e profissionais do rádio e as mudanças que vêm ocorrendo com o veículo, ao longo dos anos. Para os interessados no gênero, o tamanho não será empecilho à leitura, mas sou levado a esclarecer os leitores que têm menos tempo disponível, digamos assim. Obrigado.

Dia desses, ao responder a uma leitora que deixou mensagem neste blog, um detalhe me despertou a atenção. Noêmia Sampaio de Souza ou, simplesmente, Nenê, do Jardim das Américas, em São Bernardo do Campo, região do ABC paulista, leu a nota que escrevi sobre o colega de profissão Sérgio Cursino.

Ouvinte e telespectadora habitual, Nenê se liga nas vozes que ouve no rádio e na televisão. E imagina a fisionomia dos profissionais que ela apenas ouve, como é o caso específico de quem atua no rádio e, também, dos locutores de chamadas e comerciais de tv.

No comentário que deixou, Nenê mostra-se surpresa com a aparência de Sergio Cursino, muito diferente do que ela supunha que fosse. E narra uma experiência pessoal, nos idos de 1979/80, quando foi visitar a Rádio Excelsior, do Sistema Globo de Rádio, na Rua das Palmeiras, em Santa Cecília, São Paulo, capital.

Operando como emissora jovem a partir do final da década de 60 e início da década 70, a Excelsior logo passou a ser chamada de “A Máquina do Som”,  por sugestão de Antonio Celso. O “Leão”, como o tratávamos, inspirou-se no circo da F1 que começava a ganhar destaque no Brasil, com a participação de Emerson Fittipaldi, que viria a sagrar-se campeão mundial, pela primeira vez, em 1972.

Musicalmente, a emissora de Santa Cecília rivalizava apenas com a Difusora, propriedade do grupo Diários Associados.cayon Ambas adotavam o perfil de programação jovem com sucessos nacionais e internacionais. 

Se a “Máquina do Som” tinha o “Agente Internacional”, personificado por Antonio Celso - que também era o diretor artístico da rádio -, a concorrente do Sumaré, dirigida por Cayon Gadia,  tinha Dárcio Arruda, o dono da voz personalíssima que entoava a vinheta “Jet Music”, identificando a Difusora.

No Rio de Janeiro, a soberana da audiência jovem era a Mundial, onde atuava o inesquecível Big Boy, morto precocemente, em São Paulo, aos 44 anos, em março de 1977. O bordão “Hello, crazy  people”, criado pelo radialista, ecoava por todo o estado fluminense e nas localidades em que fosse possível sintonizar a emissora, que transmitia basicamente em AM.  O FM não havia, ainda, iniciado a proliferação vertiginosa no dial, o que ocorreria em pouco tempo. Internet, então, nem pensar. Nesse cenário, o público jovem paulista e paulistano  se dividia entre Excelsior e Difusora – aonde o sinal radiofônico alcançava.

Os sucessos internacionais demoravam para chegar ao Brasil. Os ouvintes eram participativos; queriam saber das novidades e tudo sobre os artistas que admiravam.  O interesse incluía, acredite, os locutores ou disk jokeys (que deram origem aos DJs). Alguns colegas tinham lá seus admiradores e uma certa celebridade.

Eram comuns visitas de grupos de jovens para conhecer as instalações da emissora, as equipes que participavam dos programas e, claro, os apresentadores. Não raras vezes, o mesmo teor do comentário de Nenê, que mencionei acima, era ouvido nessas ocasiões. Garotos e garotas, indistintamente, se surpreendiam com a constatação de como eram, ao vivo, as pessoas que eles ouviam e “conheciam” na imaginação. visita

A rádio e os donos das vozes não se pareciam com aquilo que os ouvintes projetavam mentalmente. Se a revelação era para melhor ou pior não vem ao caso, o fato é que o imaginário dificilmente correspondia à realidade.

Foi numa dessas visitas que a ouvinte Nenê conheceu pessoalmente alguns colegas que atuavam na “Maquina” e que são mencionados por ela: “Em 1979 ou 80 fui visitar a Rádio Excelsior e falei com Antonio Celso, Wellington de Oliveira e um locutor que tinha vindo de Santos e usava o nome de Deoclécio. Foi engraçado descobrir que o rosto é diferente da voz. Nunca mais esqueci deles. Há pouco tempo descobri que o locutor de Santos é o Dedé Gomes que, hoje, está na Rádio Bandeirantes e mudou de nome. Flávio, onde está essa gente? - fora o Dedé que sei onde está.”

a.celso

Vamos a sua resposta, Nenê: Antonio Celso mantém uma emissora virtual, na Internet. O ex-comandante da Excelsior levou A Máquina do som para a web. Tentei acessar o  link http://www.amaquinadosom.com.br sem resultado. Talvez fosse uma instabilidade passageira. Tente também, Nenê.

wellington

Wellington de Oliveira esteve durante muitos anos na TV Globo, como você há de se lembrar. Mais tarde, foi para a TV Senai, como apresentador de telejornais. Trabalhou, também, no cerimonial da Câmara de Vereadores de São Paulo. E sempre atuou como mestre de cerimônias em eventos variados, com muito sucesso. Falando com sinceridade, não sei se o mineiro de Muzambinho está em algum prefixo atualmente.

Deoclécio Gomes da Silva, o moço que veio de Santos, (em fotos de meados dos anos 1970, à esquerda, e atualmente, à direita) de fato, hoje está na Bandeirantes e simplificou o nome para Dedé Gomes, como você já sabia.

Também trabalhei na “Máquina”, mas em 1980 eu já não estava mais lá e não conheci Nenê.  Eu havia saído da emissora para apresentar, na Rádio Bandeirantes, um programa criado por Gualberto Curado, amigo inesquecível.

“Você Comanda a Parada” foi apresentado entre 14 e 16 horas, de segunda a sexta. Ficou no ar durante dois anos, comigo, e mais alguns sem a minha participação. Pouco antes de deixar o programa, comecei a trabalhar em televisão, na TV Cultura, de São Paulo. Decidi parar, na Bandeirantes, pois considerei que apresentar no rádio programas muito populares, era incompatível com a natureza da função jornalística que eu acabara de abraçar, na tv. Eram outros tempos. Hoje, eu não tomaria a mesma atitude, mas são águas passadas.

Noêmia Sampaio de Souza, a Nenê, de São Bernardo, nos deu uma amostra gratuita do vínculo que existia entre ouvintes e profissionais do rádio. Sempre houve essa magia de unir indelevelmente os dois lados envolvidos na comunicação: o emissor e o receptor. Anos depois, Nenê ainda mantém as lembranças que, um dia, se instalaram em sua memória.

Instigado pelo tipo de programa ou pela característica vocal de cada um, o público alimentava a curiosidade de conhecer os “personagens” do rádio. E o profissional queria ver para quem falava. As duas partes, em perfeita sinergia, sempre se complementaram.

Ao longo dos anos, porém, com a enxurrada de emissoras e o surgimento de programas que prescindem de apresentadores personais, o panorama do rádio deu uma guinada.

A formação de um novo tipo de profissional do microfone – radialistas formados em cursos-relâmpago, de três meses, com direito ao DRT ou não - como se nota no anúncio à esquerda – elevou espantosamente a oferta de mão de obra e contribuiu para que o elo entre ouvintes e  profissionais da área se tornasse cada vez mais tênue.

A “pastelização” do conteúdo radiofônico e a produção em série de centenas de “robocutores” de vozes iguais em sonoridade e falta de personalidade (claro, com pouquíssimas e honrosas exceções atribuídas ao talento), terminaram por romper de vez com o que ainda restava de afinidade do ouvinte para com o rádio.

Somando-se a esse quadro, o empresário do setor foi descobrindo que na medida em que o ouvinte se distanciava emocionalmente do rádio, tornava-se muito mais fácil, prático e econômico trocar uma voz por outra - como lâmpada queimada -, na hora em que bem entendesse. E mais: foi implantada a figura do locutor que também é operador, fiscal de estúdio, coordenador de rede, etc., em flagrante acúmulo de funções. Uma única pessoa faz tudo, sem a remuneração correspondente. E, de quebra, as redes passaram a invadir os mercados de trabalho regionais, provocando ainda maior excesso de mão de obra. Essa gente foi obrigada a procurar os grandes centros e trabalhar por salários convenientes ao patrão. Ou isso ou nada. Nesse contexto, qualidade profissional não se discute.

tudo igual

Em decorrência do somatório de fatores que relacionei, hoje, o ouvinte não distingue mais quem está falando e quem  deixou de falar. É, mesmo, quase impossível notar a diferença.

A personalidade ainda é mantida no AM popular, em que os apresentadores classificados como “vendedores de remédios” têm legiões de ouvintes fiéis. É o nicho em que se encontram Eli Correa e Paulo Lopes, da rádio Capital;  Paulo Barboza, da Record, e alguns outros. Eu, particularmente, considero injusta, desonesta e preconceituosa a classificação acima, estabelecida pelo mercado. Antes de tudo, esses profissionais são ex-ce-len-tes no que fazem e gostam, de verdade, do contato com o ouvinte. Eles sabem que essa virtude os mantém no ar. É a identificação total do receptor com o emissor.

trio de ferro

Eli e companhia, como já disse, fogem à regra, mas, no geral, não há mais a empatia com “o dono ou a dona da voz”. Por outro lado, o ouvinte passou a ser capturado na base de pares de ingressos para shows, cinema, teatro e o que mais houver. Aparelhos de rádio, televisão, telefones celulares, motos, carros, viagens e uma infinidade de “atrações” acabaram por sepultar a imaginação e criar a ambição, modulada pelo interesse de cada um. E não há como criticar o ouvinte, levado a isso, talvez, deliberadamente.

abecedario

O rádio perdeu aquilo que fazia a diferença entre as emissoras A, B, C, D... Hoje, o abecedário inteiro não confere distinção alguma. É tudo muito parecido. Por ser parecido, o ouvinte não se prende mais a nenhuma rádio em particular. Todas tocam a mesma coisa o tempo todo e gritam do mesmo jeito. “Então - pensa o ouvinte com os botões dele - para que manter-se fiel um prefixo?”

O conceito da mesmice, por inevitável, se aplica às novas emissoras jornalísticas, nas quais o(a) jornalista-âncora também redige, além de exercer as demais funções a que já me referi. As emissoras “veteranas” ainda mantém traços do modelo tradicional de rádio. São justamente aquelas que conseguem as maiores audiências em seus horários.

Ninguém ignora a Jovem Pan e o Jornal da Manhã. Ali, as vozes são imediatamente reconhecidas. Fazem parte da vida de milhões de habitantes que enfrentam o sufoco do transporte coletivo superlotado, ruas e avenidas entupidas e todos os problemas  presentes na rotina da grande metrópole.

“Sete horas e quinze minutos” – informa a voz tonitruante de Franco Neto. “Repita!” – diz, simulando impaciência ou coisa assim, o vozeirão de Roberto Müller. “Sete e quinze” – conclui Franco, como a dizer “tá bom, vá, não me aborreça”, num misto de humor e ironia. Vão bora, vão bora, olha a hora, vão bora, vão bora… ao fundo, pede a Sinfonia Paulistana, composição de Billy Blanco. Para muitos, esse é o verdadeiro hino da cidade que não pode parar.

identidade

Além da Pan, temos  um Heródoto, na CBN; um Zé Paulo, um Joelmir e um Salomão, na Bandeirantes, que continuam fazendo sucesso. É a demonstração cabal de que o rádio, além de criar o hábito, precisa recorrer à competência e à identidade para manter vivas a  empatia e a simpatia que desperta na audiência.

Claro que, em certos casos, isso ocorre por conta exclusiva da benevolência extrema do ouvinte em relação ao apresentador, apesar dos pesares. Em boa parte, essa ligação se mantém até porque as grandes emissoras, hoje, não permitem mais visitas de fãs. Então, a tietagem se resume ao plano imaginário. E, na imaginação, ídolo não tem mau humor, não é egocêntrico ou arrogante nem mal educado. Mais não digo, porque tenho limites. Aliás, adquiridos no rádio dos bons tempos.

Resta falar das emissoras jornalísticas modernas que, pomposamente, se autodenominam de all news, ou seja, exclusivamente notícia.

Em vinte minutos tudo pode mudar. Pode, é verdade; mas não muda. A mesma notícia que você ouve às sete da manhã é repetida às sete e meia, às oito, às oito e meia, às nove… às duas da madrugada seguinte e às três e às quatro e às cinco e às seis… indefinidamente.

“É a preocupação com a audiência rotativa, sabe?” – dizem, com cara lambida, os defensores dessa vertente.

Você leu direito, sim. A preocupação é com a audiência rotativa, partindo do pressuposto que o ouvinte de agora não será o mesmo daqui a vinte minutos. A preocupação com a audiência cativa, efetiva e fiel deixou de existir.

Para que criar hábitos de preferência, se daqui a pouco tudo pode mudar? E tome repetição até o ponto nauseabundo incontrolável que, além de incitar ao vômito, nos faz mudar de estação. Em plena era do mundo virtual, que permite tudo em termos de interatividade, há outras formas de servir ao ouvinte que perdeu uma informação, sem torrar a paciência do outro, que já não aguenta mais ouvir a mesma coisa. Falta criatividade ou competência para eliminar a chatice sem deixar de suprir a necessidade do ouvinte?

imagine

Neste momento, em que profissionais do rádio se preocupam com o futuro do veículo, que tal pensar no resgate do poder da imaginação? E, agora, com o uso inteligente da tecnologia, o que inclui a Internet e toda a evolução que essa mídia revolucionária permite e produz. Antes, a instalação de poderosos transmissores de ondas curtas, apesar do investimento altíssimo, nem sempre garantia boa cobertura de grande extensão territorial. Hoje, via web, a custo infinitamente menor, temos a universalização do sinal de qualquer emissora. Em tempo real, com qualidade de áudio muito superior se compararmos ao som que “foge e volta”, dos transmissores. Por oportuno, falta, ainda, a estabilização definitiva da rede, que teima em cair no meio de uma música ou notícia, mas é questão de pouco tempo para que isso deixe de acontecer. Talvez a solução esteja na transmissão do sinal através da rede elétrica, já testada, aprovada e anunciada para ser implantada, em breve. Mas também é possível que outra tecnologia, melhor e mais estável, surja a qualquer momento.  E o rádio precisa tirar vantagem dessa evolução.

A permanecer o quadro atual, que retrata o rádio insosso, superficial, distante e repetitivo que está no ar, em breve o meio vai se deparar com o dilema já conhecido: o que fazer?

Há pouco tempo, a radiodifusão foi agitada pela perspectiva de implantação da transmissão digital. A tecnologia, cara, dependente de receptores específicos, tem sido rechaçada ou pelo menos postergada pelos empresários do setor. Principalmente aqueles que atuam com emissoras de FM, pois, a digitalização, na prática, pouco muda no que concerne à qualidade sonora, se nos limitarmos a ela. O maior beneficiado seria, em tese, o AM. Assim, o modelo digital vai ficando para depois e depois. Até quando?

A televisão, cada vez mais ágil, graças à miniaturização de receptores, à produção em escala que barateia os aparelhos e à instalação de antenas espalhadas por vários quadrantes do território, tenta afastar o fantasma da concorrência representada pelo mundo virtual, apoiando-se na telefonia móvel. E encontra um adversário perfeito para ser vencido. Frágil, sem identidade, perdido em suas próprias ações e abandonado pelo ouvinte o rádio pode ser derrotado, se não reagir.

As novas gerações de profissionais afastaram as mais velhas em nome da renovação do veículo, mas só conseguiram colocá-lo em risco de ser eliminado pela tv. Cheias de teorias inovadoras, se esqueceram do elementar: o ser humano é apegado às coisas que conhece bem e que o fazem sentir-se “em casa”. Isso não significa que evoluir é proibido, mas é preciso não esquecer que se você desconsiderar o passado, corre o risco de não alcançar o futuro. Está na hora de mostrar que o rádio, comemorando 90 anos de existência, no mundo, amadureceu, porém não está senil e incapaz. 

fim do radio Para um veículo que tem um passado tão belo, grandioso e fecundo o futuro é um território repleto de possibilidades. Àqueles que franzem a testa e torcem o nariz ante a possibilidade de adaptar aos tempos atuais fórmulas consagradas, nunca é demais lembrar: recuo não é sinônimo de derrota. Significa, principalmente neste caso, tomada de impulso para arremeter com mais força em direção a uma nova era. A inércia, pelo contrário,  resulta em paralização definitiva. O que vamos escolher?

29 de outubro de 2010

VERMELHO 13, OU 45 AZUL, AMARELO?

Livres do horário eleitoral gratuito (que de gratuito não tem nada, pois as emissoras recebem pelo tempo utilizado pela propaganda política – apesar de esbravejarem, fazendo de conta que estão muito contrariadas) restou o debate da noite desta sexta-feira, 29 de outubro, na Globo, para que os eleitores ainda indecisos tivessem a chance de optar por um entre os dois candidatos à presidência da república.

Espero que você não esteja entre esses eleitores, pois, a esta altura, quem esperou para se decidir após o fim da propaganda política deve estar ainda mais confuso do que no início. O próprio debate desta sexta-feira, com perguntas escolhidas pela produção, revelou o cuidado de evitar polêmicas e foi, infelizmente, tão morno e doce como dever ser um chazinho de camomila. O que, convenhamos, é muito bom para o chá.

Tanto nesse último debate como durante o horário eleitoral gratuito o que se viu foram discursos insípidos, voltados para o nada de concreto, que apenas contribuíram para sacramentar promessas. Muitas, jamais serão cumpridas. Estiveram na boca dos candidatos apenas para chamar a atenção do eleitorado. Na campanha e no último debate, na Globo.

Então, foi propaganda enganosa? – você me pergunta.  Respondo com outra pergunta: “Você ainda tem dúvida?” Deveria existir um Conar (Conselho de Autorregulamentação Publicitária) para esse tipo de enganação, mas não vamos nos iludir. Isso, nunca vai acontecer. É de consenso geral que política é assim. Político mente, mesmo. Ou, no mínimo, fala coisas impossíveis, mas que chamam a atenção ao serem pronunciadas. Bingo, na mosca. O objetivo é esse.

No debate desta sexta-feira, a única pergunta com alguma dose de tensão, sobre as mortes que continuam a ocorrer nos sistema público de saúde, péssimo e insuficiente para atender à demanda, foi “tirada de letra” pelos debatedores. Serra disse que no tempo dele, de ministro da saúde, a coisa era sensacional e se está ruim, agora, é porque o governo atual deixou o setor estagnado, uma verdadeira “volta para trás” (sic).

Dilma, não se fez de rogada e deixou no ar que a culpa, de fato, é do governo anterior, FHC, que, em oito anos de mandato, não cuidou como devia da saúde pública. E estamos conversados, pois não houve réplica, tréplica ou coisa alguma. E foi só. O resto, como diria Fernando Henrique Cardoso, aqui mencionado, foi o mais puro nhenhenhém.

Assim, cabe a você apostar na mudança ou continuar com o governo atual, mas, agora, administrado – dizem - genuinamente pelo partido e não mais pelo presidente Lula. Zé Dirceu, aquele, garante que nos últimos oito anos o PT não governou e sim Lula, maior que o próprio Partido dos Trabalhadores.

Quer dizer que o Lula não é petista? – você vai me fazer outra pergunta, ainda mais espantado ou espantada, caro eleitor ou cara eleitora. Eu diria para você repassar a pergunta a Zé Dirceu, claro. “Sim, er… veja bem – começaria ele”.

Taí a expressão preferida de quem não tem o que dizer e se agarra no primeiro “veja bem” que se lhe oferecem. É a muleta ou bengala dos claudicantes que, na iminência de um tropeção, buscam o apoio das teorias inexplicáveis para se justificar. Para mim, se não foi o PT que esteve no governo, então não entendi nada.

Ô Zé Dirceu, deixe de tentar tapar o sol com a peneira. E, sinceramente, chega de usar sotaque caipira quando acha que lhe convém. Não confunda a simplicidade caipira com ignorância. Trocando em miúdos, seria ignorância de sua parte pensar assim. Fale direito, rapaz, que o Brasil gostaria de entender.

O que, de fato, deve acontecer, na eventualidade da vitória petista, é que Zé Dirceu vai deixar o ostracismo, a zona cinzenta aonde agem os dissimulados, para posar sob os refletores do governo da primeira presidente do Brasil.

Governo de quem cara-pálida? – você, já a ponto de ter uma síncope, não resiste e me interrompe de novo, para manifestar maior incredulidade: Zé Dirceu vai se submeter a alguma operação transexual?

Modo de dizer, gente fina, modo de dizer. Esse negócio de primeira presidente do Brasil está na prateleira dos artigos de ocasião, mas não passam de um modo de dizer. Todo mundo diz, mas, também, todo mundo sabe que não é bem assim. Os indecisos ainda se perguntarão: Será?

O que fazer, nesse caso? Confesso a você que me lê: a opção não é nada animadora. O candidato tucano bateu na mesma tecla a campanha inteira, e ontem também, sem sequer ensaiar uma variação melódica para, pelo menos, mostrar afinidade musical ou, se mais não fosse, consolar o eleitorado com um gesto de boa vontade.

Depois das bexigas d’água, bolinhas de papel, rolos de fita, Erenices, Paulos Pretos e acusações de parte a parte, comprováveis ou não, o fato é que votar num ou noutra esperando milagres, é pura questão de sorte.

Como dizem os crupiês de cassinos, por aí, a sorte está lançada. Vermelho, 13? Ou 45, azul, amarelo?

A diferença é que o país não pode ficar à mercê da roleta e decidir o seu destino na base da pura sorte. E nós não somos jogadores, a espera do bafejo da fortuna. Até prova em contrário.

Resta-nos invocar ajuda divina nesta hora decisiva. Afinal, dizem, Deus é brasileiro.

26 de outubro de 2010

PEIXE GRAÚDO NO ANZOL DA ANTENA (PARECE SAMBA DO CRIOULO DOIDO, MAS NÃO É)

s.cursino

(Informação colhida no site Bastidores do Rádio)

Desejamos sorte e felicidade ao colega Sérgio Cursino que assume a  Direção Executiva da Rádio Antena 1, cujo sinal é sintonizado nos 94,7 MHz, em São Paulo - São Paulo/SP e, acredito, em boa parte do território nacional, via satélite. O valoroso profissional, dono de uma das mais belas vozes do rádio e da televisão (quesito cada vez mais raro no meio, infelizmente), tem vasta experiência da função e deve realizar um ótimo trabalho na emissora cabeça de rede. “Viajado”, atuou em vários estados brasileiros sempre em grandes grupos de comunicação. Está em São Paulo, vindo do Rio Grande do Sul, há cerca de três anos (?), se não estou enganado (“o tempo passa, o tempo voa”, como lembrava o jingle do Bamerindus, aquele, hoje HSBC). Nesse período na capital paulista, foi apresentador do programa radiofônico Balanço Geral, nos 1000 Khz da Record AM e, em seguida, firmou contrato com a TV Bandeirantes, onde fazia chamadas dos programas. Vencido o compromisso, optou por circular pelo meio publicitário em que, como locutor, certamente deverá ocupar um espaço importante dentro de uma área muito competitiva e extremamente profissional. Era natural, no entanto, que Sérgio Cursino não demorasse muito para ser “fisgado” por algum prefixo que prima pelo talento e pela qualidade. Vá com tudo, “garoto” (ele tem uma cara de menino, não é mesmo?). Mas a competência é de gente grande.

DEBATE OU DEBACLE?

record.estudio

Vi o “debate” entre os candidatos à presidência da República, Dilma Rousseff e José Serra, na Record. Ambos estavam tensos, inseguros, superficiais e inconvincentes. E nós, eleitores, ficamos indecisos entre o Nhô Ruim e o Nhô Pior. Preferimos usar os termos no masculino para não sermos acusados de indução. Você, que me lê, decide quem era quem. record.dilma Dilma Rousseff, abandonou o vermelho e apareceu de amarelo, uma cor também usada pelo PT no Rio Grande do Sul, que não aceita bem o vermelho do partido. Abstenho-me de qualquer interpretação do fato, mas deve ter havido uma razão para a mudança da imagem da candidata.

 À Record, um pedido. Revisem seja lá o que for que vocês usaram como cenário, no estúdio. O efeito, embora leve, semelhante a ondas magnéticas geradas às costas dos debatedores, causou “ruído” desnecessário tirando a atenção do telespectador. E influiu na qualidade da imagem final. Algo saiu errado, como vocês devem saber.

record.serra

Outra coisa: a “denúncia”, de Serra, sobre a ausência (ou defeito) do relógio que deveria marcar o tempo destinado a cada candidato, em si mesma não representou nada, mas evidenciou falta de cuidado da produção com detalhes que, aí sim, são importantes em programas dessa natureza e deveriam ter sido checados, antes.

Aos produtores, redatores, jornalistas e outros profissionais que atuam em veículos de comunicação, o que inclui diretores e presidentes de empresas, um pedido de socorro: vamos queimar pestanas e criar um modelo de debate palatável. Como está, não pode continuar.

São excessivas minúcias quanto ao tempo de um e de outro e nada de conteúdo. Nesse item, é bom que a própria Justiça Eleitoral se preocupe com o assunto e, juntamente com a mídia, tente chegar a um denominador comum que permita o debate franco e interessante de idéias. Chega de acusações, levianas ou não, de caráter ilusoriamente eleitorais. São puras picuinhas e, no mais das vezes, servem para disfarçar a falta de preparo não apenas para o debate, mas para o próprio exercício do cargo público. record.aparecer

Se isso não bastasse, alguns debates (não foi o caso da Record, ontem) transformaram-se em irritantes tribunas em que alguns colegas, fazendo perguntas desinteressantes ou, pior, tendenciosas, colaboraram para jogar o debate no lixo. Não é preciso que eu, aqui, cite nomes. E nem é o propósito deste comentário.record.caricatura.sono

O telespectador que assistiu aos debates realizados em vários canais de tv, sabe do que se trata. O eleitor, com quem eu realmente me preocupo, merece mais consideração.

Veja detalhes do debate na Record.

25 de outubro de 2010

A REBIMBOCA DA PARAFUSETA AINDA ESTÁ EM CARTAZ. POR QUANTO TEMPO MAIS?

pobre.consumidor

Nelson Tucci, da Virtual Comunicação, fez um convite para que eu escrevesse algo para o blog do escritório de assessoria dele e de meu companheiro de longa data Eduardo Borga. O foco da Virtual é o mundo corporativo, mas, contrariando o ditado popular que ensina “macaco velho não mete a mão na cumbuca”, aceitei o pedido e o resultado você pode ver no blog, neste link.

Eu optei por evidenciar a situação de quem precisa recorrer a um prestador de serviços, em várias necessidades. O texto não tem a visão do especialista, que não sou, mas faz um alerta a muitas grandes empresas que, à semelhança do mau profissional do setor, emprega o mesmo viés corrompido de que o cliente é, apenas, uma fonte de renda. Por quanto tempo? – é a pergunta que fica no ar.

ESTÁ DE PASSAGEM? APROVEITE PARA VER

espiar

Um abraço a você que passou para “espiar” o blog. Ainda não postei um artigo nesta segunda-feira, mas, para checar o que está rolando, dê uns cliques nos links de PORTAIS E JORNAIS e ZAPPING, ambos na side bar, à direita. Em pouco tempo, sem sair do blog, você vai ficar por dentro do que acontece. O que posso dizer é que, como o resto da Nação, continuo esperando para ver se os candidatos à presidência deste país deixam de viver o papel (perdão, não foi intencional) de avestruz e colocam a cabeça para fora do buraco a fim de ver que o Brasil não precisa de briguinhas eleiçoeiras que, no fundo, revelam mais do que a simples fragilidade de metas governamentais. Nem vou concluir, pois você sabe disso. Afinal, sei que escrevo para pessoas inteligentes. E você está aí, para não me deixar mentir. Se quiser matar um tempinho e treinar a pontaria, tente acertar a bolinha de papel (epa!) no Serra. E se rolar a barra para baixo, você pode ler alguns artigos interessantes que, eventualmente, você ainda leu. Aproveite. Até mais tarde.

23 de outubro de 2010

PARA NÃO FICAR SEM CHUMBO

No finalzinho da sexta, no comecinho do sábado, para você não dizer que ficou sem chumbo, mate o tempo com o joguinho da moda. Bolinha de papel no Serra. Teste a sua pontaria. Na pior das hipóteses, você vai se divertir. Bom fim de semana.

serra.bolinha

Clique aqui e mãos à obra

21 de outubro de 2010

JORNALISTA DENUNCIA CENSURA, NO AR, AO VIVO. CORAGEM É PARA QUEM TEM

Passe no site do José Nello Marques e dê uma olhada na reportagem sobre o jornalista Paulo Beringhs que acusou, no ar, censura contra a participação de Marconi Perillo na TV Brasil Central, de Goiás.

A notícia ganhou repercussão e também pode ser lida no Portal de Imprensa que, como no site do Nello, você pode assistir ao momento em que Paulo Beringhs formula a denúncia diante do Senador Demóstenes Torres, do DEM goiano, que estava no estúdio para uma entrevista. A cena é desconfortável para todos, mas Paulo deixa claro que coragem é para quem tem. Alguns coleguinhas deveriam se espelhar no exemplo e tirar o rabo de entre as pernas, pra variar.

Para ir ao site de José Nello Marques, clique aqui.

Para ir ao Portal de Imprensa, clique neste link.

20 de outubro de 2010

CRIMINOSOS FICHADOS PELO DNA

Muito em breve o Brasil vai ganhar um banco nacional de DNA para servir à Polícia Federal. Inicialmente, vai receber dados de 15 estados da federação, justamente aqueles que já possuem laboratório de genética forense. A nova repartição se chamará “Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos” e permitirá, através do material armazenado que sejam feitos exames e confrontos de vestígios colhidos em locais de crimes.

A Polícia Federal, porém, quer avançar mais: quer que o sistema guarde, também, os registros de DNA de criminosos já condenados e que o perfil genético seja inserido antes de essas pessoas serem condenadas em última instância. Essa pretensão, no entanto, poderá sofrer contestação judicial por parte de defensores de suspeitos.

A partir do momento que a nossa Constituição Federal garante que ninguém é obrigado a produzir provas contra si, antes mesmo de sair do papel, esse Banco de DNA Criminal já causa polêmica: peritos dizem que uma mudança na legislação é fundamental.

Advogados criminalistas estão contra qualquer alteração no que diz respeito aos direitos individuais. Para alguns policiais, “se assim fôsse, deveriam contestar igualmente o armazenamento de impressões digitais quando da obtenção de uma simples cédula de identidade”.

Em países da Europa e nos Estados Unidos, onde  esse  tipo  de  banco  já  existem, é praxe recolher amostras de todos os detidos. Essa ação fez com que o DNA ajudasse a resolver 58% dos crimes cometidos na Inglaterra e no País de Gales no ano passado.

Com 1,2 milhão de perfis genéticos cadastrados, o estado da Califórnia, nos EUA, solucionou cerca de 8 mil ocorrências apenas usando o DNA.

Para Guilherme Jacques, perito criminal federal e responsável pelo projeto do banco de perfis genéticos do laboratório de genética forense de Brasília, “os direitos individuais e coletivos devem utilizar o princípio da proporcionalidade, mesmo porque, todos temos direito à liberdade até que perdemos esse direito após uma condenação criminal. O que a sociedade não aceita mais é viver na insegurança em que vivemos”.

De acordo ainda com o perito Jacques, o banco deve reunir a maior quantidade e tipo de perfis genéticos, argumentando que “se a legislação previr a inclusão dos perfis genéticos dos condenados, a eficiência do banco poderá aumentar muito, atingindo até 40% de vestígios prontamente identificados”.

O procurador da República no Rio Grande do Sul e autor da tese “A Perícia de DNA no processo penal: uma aproximação em torno dos seus princípios”, defendida na Universidade de Coimbra, em Portugal, dr. Antônio Carlos Welter, diz que o banco de DNA até pode trazer resultados sem uma revisão da legislação, mas que sua ação  ficará  aquém  do  que se  pode  esperar  de  um  equipamento  como  este. E explica:

- O Poder Judiciário deveria se manifestar e já abrir o debate. Países europeus, os EUA, o Japão e a Austrália respeitam as liberdades individuais, mas autorizam que o DNA seja feito. Não posso dizer que o Brasil é mais respeitador desses direitos porque não autoriza o exame. No exterior, olham a gravidade do crime. Se existem elementos que justifiquem que a pessoa é suspeita, a pesquisa é realizada. No Brasil, o banco vai ser uma espécie de bafômetro: só vai fazer quem quiser.

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Já para Romualdo Calvo Filho, presidente da Academia Paulista de Direito Criminal, “obrigar que todos os criminosos tenham suas amostras colhidas é dar muito poder ao Estado”. E diz mais:

- É preciso dosar a segurança social e o princípio da intimidade. Mesmo que definam que só quem cometeu, por exemplo, crimes sexuais e homicídios vai ser submetido ao teste, sabemos que no Brasil a exceção vira regra. Basta citar quando se fala na quebra do sigilo telefônico.

A ideia é ótima, mas as resistências serão enormes.

Leia outros artigos da Coluna do Afanasio, clicando aqui.

Afanasio Jazadji – Jornalista, Advogado, Deputado Estadual por 20 anos, especialista em Segurança Pública e criador do Disque-Denúncia e do Resgate dos Bombeiros. Visite o site:www.afanasio.com.br

19 de outubro de 2010

O RÁDIO PARA CAMINHA PARA ONDE?

 

(Reprodução, acima, da arte do blog do autor)

Ethevaldo Siqueira é jornalista. Especializado em política, circula, também, com muita propriedade, no mundo do desenvolvimento tecnológico digital. Escreve para o Estadão desde 1967, produz coluna para a rádio CBN e mantém um site sobre tecnologia da informação e comunicação. Ethevaldo usa da experiência acumulada em cerca de quatro décadas de atividades na cobertura do setor de comunicações para fazer um balanço dos 90 anos do rádio no mundo.

Em artigo divido em três partes, na primeira delas Ethevaldo Siqueira descreve o pioneirismo do rádio em âmbito mundial e o início das transmissões radiofônicas no Brasil, em 1922. Na segunda parte, o jornalista descreve o que, para ele, foram os anos de ouro do veículo. A terceira ainda vai ser publicada o que deve acontecer, provavelmente, entre hoje e amanhã. As duas partes já disponíveis para leitura revelam um texto interessante e que retratam o que foi o rádio em seus primórdios até atingir o ápice, nos idos dos anos 50. De lá para cá, a despeito de toda a evolução tecnológica, o rádio só faz decair.

Leia os dois artigos de Ethevaldo Siqueira no site do Estadão, lembrando de correr a barra de rolagem para baixo até acessar a primeira parte, intitulada Primeiros tempos do Rádio e, depois, rolando de volta, para cima, para ler o segundo artigo, A idade de ouro do Rádio. Vale como um estudo saboroso para os amantes do mais espetacular veículo de comunicação de todos os tempos e que, infelizmente, não desfruta, hoje, do conceito que mereceria. É o caso de se perguntar o que tem acontecido para a construção de um paradoxo tão gritante? O progresso e o consequente avanço tecnológico deveriam ter favorecido o rádio, mas não é o que acontece. Cada dia menos pessoas ouvem rádio para o entretenimento ou buscam-no como fonte de informações. Leia os relatos de Ehevaldo e tire as suas conclusões.

13 de outubro de 2010

UM ANO, PASSO A PASSO. O PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DO FG-NEWS É DEDICADO A VOCÊ

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Lançado oficialmente no dia 12 de outubro de 2009, em homenagem a Nossa Senhora Aparecida – padroeira do Brasil, o FG-News completou um ano. Durante esses 12 meses iniciais tenho buscado o melhor caminho para o blog.

Nossa audiência tem oscilado entre números vergonhosamente inexpressivos e picos orgulhosamente elevados, mas, confesso, não é fácil encontrar o ponto de equilíbrio ideal.

Nos períodos em que registramos os mais baixos números de visitas também foram postados artigos de interesse coletivo (do meu ponto de vista, é claro), o que torna ainda mais difícil e complicada (para mim) a tarefa de ir ao encontro das necessidades e curiosidades do leitor.

Confesso que, no início, tentei identificar os assuntos que mais poderiam atrair interesse, mas, com o tempo, parei. E parei porque percebi que se não parasse eu teria, no blog, um polo gerador de estresse e preocupação pessoal e profissional e não foi para ficar preocupado que o criei.

Pelo contrário, queria e continuo querendo, apenas, manter um canal de comunicação entre amigos e leitores que me possibilitasse conhecer os pensamentos convergentes e divergentes. Daí, quem sabe, tentar fugir dos extremos e buscar o equilíbrio no meio, onde moram as virtudes.

Nesse sentido, tenho uma frustração: os leitores não fazem tantos comentários quantos eu gostaria que fizessem. Porém, as exceções, poucas e boas, permitem-me avaliar, levemente, a repercussão de cada tema abordado no blog. Escrevam mais, participem. O blog é, acima de tudo, de vocês.

Nessa jornada de um ano que o FG-News acaba de completar, houve o período negro para mim, de 14 abril a 20 de maio, durante o qual quase “estiquei as canelas”, o que me ausentou do blog por completo.

Uma indisposição estomacal levou-me a buscar atendimento médico. O quadro clínico evoluiu rapidamente para pior e fui hospitalizado. Na sequência, uma bactéria misteriosa me atacou.

Tenho lido que uma tal “Klebsiella pneumoniae carbapenemase” (clique para ler) ou KPC, como os infectologistas a tratam, ronda os hospitais de São Paulo há pelos menos dois anos. Considerada superpoderosa, a bactéria tem levado a melhor sobre os antibióticos e matado muitas pessoas. Será que foi ela?

Enfim, os procedimentos de hemodiálise, as cirurgias, a permanência na UTI, a medicação pesada, os 24 dias em que estive desacordado e outros 12 dias de recuperação hospitalar até a alta - em maio – fizeram com que eu desaparecesse do blog.

Graças a minha filha Priscila, a primogênita, vocês tomaram conhecimento do que ocorria comigo. Foram tantas as mensagens de apoio pessoal, votos de pronto restabelecimento e de solidariedade aos meus familiares que me senti recompensado e, honestamente, surpreso.

Amigos, colegas de profissão e pessoas que eu sequer conhecia uniram-se, torceram e oraram, igualmente, por mim. A todos já tive a oportunidade de agradecer, mas nunca me cansarei de repetir: obrigado.

Houve, também, é claro, casos de pessoas que eu tinha na conta de grandes amigos e gostaria muito que tivessem se manifestado mas, para meu espanto e tristeza, se omitiram apesar de saberem o que se passava comigo. Fazer o quê? Fica o registro, porém.

Aos poucos, tenho retomado o trabalho no FG-News. Ainda sinto algum desconforto e, em certos momentos, fico desanimado, mas, para não deixar a minha peteca cair, de quando em quando escrevo algo.

O trabalho dos colunistas Nelson Lenham (volte logo, companheiro), Afanasio Jazadji, Orlando Rosinhole Soares e, mais recentemente, Cleber de Oliveira Santos tem sido fundamental para manter o blog atualizado. Parabéns a vocês!

Não é o caso de fazermos um balanço do primeiro ano de atividades, diante do período truncado, mas, na suposição de que o fizéssemos, eu diria que valeu cada dia. Errando, chegando perto do ponto satisfatório e acertando em algumas ocasiões temos seguido em frente.

Para concluir, neste primeiro aniversário o bolo inteiro é seu, que nos lê. Sem você, razão direta da nossa atividade, nada teria sentido.

No lançamento do FG-News tínhamos planos que ainda vão se concretizar. Podem demorar um pouco mais do que o imaginado, mas temos a certeza de que, com o apoio de todos, chegaremos lá.

11 de outubro de 2010

PERIGO ENTRE UNIVERSITÁRIOS

drogas

A Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad) pesquisou dezoito mil universitários em todo o País e comprovou que eles usam mais drogas lícitas e ilícitas, como o álcool e a maconha, que a população em geral.

O Senad apurou, também, que mais de 60% dos entrevistados tinham consumido álcool nos últimos 30 dias (entre a população em geral é de 38,3%) e 25,9% usaram drogas ilícitas (na população o índice é de 4,5%).

Imaginavam os pesquisadores que existisse uma diferença entre os dois públicos, mas se surpreenderam com o tamanho do degrau. Esse levantamento foi feito em parceria com o Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) e é o primeiro de abrangência nacional.

mapa.drogasForam escolhidos e entrevistados alunos de cem instituições particulares e públicas de ensino superior nas 26 capitais brasileiras, mais o Distrito Federal. Agora, a intenção é usar os resultados da pesquisa para criar políticas específicas contra o uso de drogas.

paulina.duarte Para Paulina Duarte, do Senad, “o governo vem realizando uma série de ações voltadas a populações mais vulneráveis, como é o caso dos universitários. E o levantamento foi fundamental para que pudessemos conhecer qual é a exata situação de uso de drogas nessa população e, a partir disso, planejar, em particular com as universidades, intervenções eficazes”.

Já o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, da USP, um dos responsáveis pelo estudo, considera que o grande desafio será encontrar uma forma de mobilizar os universitários. Para ele, “a informação já existe, mas o fato de eles conhecerem os malefícios não faz com que consumam menos drogas”.

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De acordo ainda com o psiquiatra, “além da quantidade, os universitários consomem álcool e outras drogas de forma muito perigosa, pois fazem uso de múltiplas drogas simultaneamente. Além disso, um em cada quatro bebe de forma exagerada e 3% apresentam padrão de dependência, algo que costumávamos encontrar só em alguém com 40, 50 anos”, explica o médico.

O exagero no álcool, segundo as pesquisas científicas, deixa a pessoa exposta a risco como acidentes de trânsito, intoxicação, atos de violência, sexo desprotegido, além de potencialmente prejudicar o desempenho acadêmico, profissional e social do usuário.

Vale lembrar que mesmo em tempos de Lei Seca, a mistura perigosa de álcool e direção também faz parte da rotina entre os universitários. Dos entrevistados na pesquisa, 18% disseram que já dirigiram embriagados, 27% pegaram carona com pessoas embriagadas e 43,4% admitiram ter usado álcool e outras drogas ao mesmo tempo.

Apurou-se, também, que as drogas ilícitas, as mais consumidas foram maconha,  haxixe  ou  skunk (26,1% dos  universitários  já  consumiram  alguma delas),   anfetamínicos (13,8%), tranquilizantes e ansiolíticos sem prescrição médica (12,4%), além de cocaína (7,7%).

psicologa.ilana A psicóloga Ilana Pinsky, da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo, informou que os jovens consomem mais drogas porque eles ainda têm menos obrigações e mais fácil acesso que os adolescentes.

E explica: “nessa fase também há uma tolerância maior, já que os prejuízos costumam ser menores, os problemas crônicos ainda não apareceram”. Mesmo assim, para ela, “a idade não deve ser vista como desculpa para o consumo de drogas e o exagero na bebida”, mesmo porque, esclarece, “existe na sociedade a ideia de que é somente uma fase, que é normal, no entanto, essa concepção é totalmente falsa”.

O resultado da pesquisa é bastante preocupante e faz aumentar a responsabilidade de professores e pais na orientação cada vez mais acirrada de filhos e alunos, para não se deixarem levar pelo vício ou mero modismo. Essa prática não deve ser tolerada e muito menos encarada como “coisa passageira”.

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Afanasio Jazadji – Jornalista, Advogado, Deputado Estadual por 20 anos, especialista em Segurança Pública e criador do Disque-Denúncia e do Resgate dos Bombeiros. Visite o site: www.afanasio.com.br