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27 de dezembro de 2011

MUIBO CURY. A ESTRELA NÃO SE APAGOU – (ATUALIZAÇÃO)

Nota do editor: Na publicação original, ficou faltando o áudio de poemas declamados por Muibo Cury. Agora, no final desta postagem, você pode ouvir três clássicos da modalidade, na voz desse grande artista popular.

___________________

A Ciência nos ensina que o brilho de uma estrela pode ser visto depois de o corpo celeste já não mais existir. Estrelas de primeira grandeza continuam a brilhar, anos a fio, embora já não estejam em seu lugar de origem. Há, naturalmente, fatores específicos que explicam esse aspecto singular dos astros. Não vou me deter em detalhes dessa natureza, eis que nosso objetivo não é didático-científico, mas puramente sentimental.

O que nos move a escrever este post pode ser chamado simplesmente de saudade. Saudade é um verbete específico e que só existe, tal como o interpretamos, na língua portuguesa; vou mais longe e digo que a saudade do brasileiro é, sem dúvida, diferente até da saudade de nossos irmãos lusitanos. Saudade é algo que nos marca a alma, indelevelmente, para todo o sempre.

Muibo Cesar Cury é uma dessas marcas eternas. Tendo partido há dois anos, completados neste dia 26 de dezembro, deixou lembranças tão marcantes como a luz intensa das estrelas. Assim, ainda “brilha” radiante no céu de nossa lembrança. E como faz um certo tempo que não tenho postado nada neste blog, decidi dedicar este espaço à memoria do saudoso amigo. Amigo que poderia ter sido mais próximo, mas a vida sabe o que faz. 

Se você não conheceu Muibo e quer saber mais sobre ele, clique aqui e aqui.

Além do talento musical, o saudoso companheiro era também dublador de reconhecida competência e grande versatilidade. Há pouco tempo, Karina, filha de Muibo, nos mandou um link em que é possível assistir a um trecho do antigo programa Muppet Show, em que o pai dubla o ursinho Fozzie, um dos personagens preferidos dele. Ao final da exibição, você verá vários outros trechos de vídeos dublados por Muibo. Aproveite e curta cada um.

Para marcar a passagem de dois anos de ausência de Muibo Cury, nesta segunda-feira, dia 26, foi oficiada uma missa, em caráter familiar, na Paróquia Santa Maria Madalena e Miguel Arcanjo, na Vila Madalena, São Paulo, capital. Muibo_2_anos

Karina nos enviou também alguns poemas declamados pelo saudoso pai.  Fizemos esta postagem, inicialmente, sem o áudio da declamação, devido a um problema técnico. Agora, finalmente solucionada a falha, quero dividir com você três poemas do CD que recebi de Karina. Dono de grande sensibilidade, Muibo empresta um colorido especial ao trabalho.

Ouça, primeiro, O Presente de Natal. Uma história comovente, com a simplicidade e a emoção do homem do campo.

Na sequência, uma lembrança pungente da infância; daquelas que nunca mais se esquece. Uma revelação inusitada sobre Papai Noel. Muibo era, mesmo, um craque. Ouça.

 

Finalmente, a terceira declamação fala de um amor puro, intenso e profundo entre um casal apaixonado, cuja história ganha o realce do imenso talento de Muibo. Amor tão grande merecia esta exaltação. Ouça o relato sentido e tocante de A Capelinha do Arraiá.

Muibo Cesar Cury, músico, radialista, locutor, cantor, compositor, ator, dublador, entre outros talentos inatos, era astro de primeira grandeza. Tal como as estrelas, que não se apagam no céu após a extinção do corpo celeste, continua a brilhar. E assim será.

Imagens: Muibo Cesar Cury 1 – link / Muibo Cesar Cury 2 – link  

14 de dezembro de 2011

NOSSOS INSEGUROS VEÍCULOS

colisao Simplesmente de arrepiar as conclusões do teste de avaliação da segurança dos automóveis populares mais vendidos no Brasil. Constata-se que, na maioria deles, batidas a velocidades moderadas significam alto risco de morte para motoristas e seus acompanhantes, pois esses veículos não possuem as bolsas infláveis (air bags) e suas cabines têm estrutura deficiente.

Tecnicamente, numa escala de um a cinco, sete modelos básicos das principais montadoras em operação no Brasil receberam a nota mais baixa. Trocando em miúdos: nossos veículos são verdadeiras armadilhas sobre rodas... 

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil registra, em média, por ano, 19 mortes no trânsito para cada 100 mil habitantes. É um índice quatro vezes maior do que o detectado na Europa, de cerca de 5 mortes por 100 mil habitantes por ano.

Vários são os fatores que explicam o alto número de acidentes de trânsito registrados no País, entre os quais, a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas. A má qualidade das pistas e a precária sinalização também são fatores que levam a terríveis desastres, principalmente nas estradas.

Já o alto índice de letalidade tem muito a ver com a má qualidade dos veículos no que se refere à segurança das pessoas que os utilizam. Aí está uma clara conclusão dos resultados dos testes dos veículos novos fabricados e vendidos na América Latina – onde o índice de  acidentes  com  mortes  é  o  mais  alto  do  mundo - realizados pelo braço latino da New Car Assessment Programme (NCAP).

Os testes de impacto a média velocidade (64 quilômetros por hora) contra uma barreira deformável, que simulam uma colisão com outro veículo, mostraram que os veículos vendidos na região são frágeis, não dispõem de itens hoje essenciais em outros países para proteger as pessoas, cujas vidas, por isso, são colocadas em risco.

Esses carros estão atrasados 20 anos em relação aos modelos comercializados na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo. A NCAP é uma organização apoiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pela Federação Internacional de Automóveis (FIA) que realiza testes independentes para alertar os consumidores e os governos sobre a segurança dos modelos comercializados no país e orientar os fabricantes, desde que estes estejam dispostos a receber orientações desse tipo.

Aqui no Brasil, eles resistem. Já no ano passado, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos) disse que os veículos aqui produzidos atendem às especificações legais e, por isso, nada tinham a comentar sobre os resultados dos testes da NCAP. Este ano, repetiram a resposta. Realmente, a despeito de colocarem em risco a vida de seus usuários, os veículos comercializados no Brasil respeitam as regras do governo.

Episódio sintomático ocorreu em setembro, com a escandalosa proteção dada  às  montadoras, mediante  a  imposição  de  alíquota  de  30% do  Imposto  sobre Produtos Industrializados (IPI) aos veículos importados fora do Mercosul e do México.

Assim, impõem preços bem altos – mesmo descontados os impostos, que são muito pesados, os carros brasileiros chegam a custar o dobro do modelo equivalente vendido nos Estados Unidos – e amealham  grandes lucros.

E há uma importante e gritante ressalva: veículos produzidos aqui para exportação, acatam todas as exigências do exterior. E são negociados com mais de 140 itens de segurança. E aí vale a pergunta inoportuna e indigesta: por quê os estrangeiros podem andar em veículos mais seguros para suas vidas e aqui nós somos obrigados a correr riscos diários, em “carroças”, como já foi assinalado por um político?

carroçaFaltam governo e muita vergonha na cara para que nossos mais elementares direitos de consumidor sejam reconhecidos. Pelo menos isso!

Para ler outras colunas do autor, clique aqui.

Imagens: veículo acidentado – link / choque carro x caminhão – link / teste de impacto – link / linha de montagem – link / Anfavea – link / IPI – link / carroça - link

10 de dezembro de 2011

PALAVRAS DESCRUZADAS – EDIÇÃO Nº 10 – 10/12/2011

DISSERAM, SIM, MAS NÃO ERA BEM ISSO…

Folha.com 03/12/2011

Manchester United vence com gol de zagueiro e segue vice

Mais uma manchete dúbia; esta dá destaque ao gol na vitória de 1 a 0 do zagueiro Jones no jogo contra o Aston Villa, na 14ª rodada do campeonato inglês. Destaque para o gol - gols de zagueiros não são comuns.  Entretanto, ao ler a notícia e de comemorar muito, o torcedor brasileiro que tenha o Manchester como time favorito do campeonato inglês ficaria com a dúvida: o time venceu e agora está em terceiro lugar (pois a manchete diz que o time 'segue vice'), ou então está na vice liderança?

Ao ler o texto na íntegra o leitor percebe que o Manchester United está na vice liderança mesmo, com 33 pontos, atrás apenas do Manchester City, que é líder com seus 38 pontos. A palavra 'segue' tem sido uma das grandes faltas de imaginação dos redatores das manchetes esportivas, que a utilizam a torto e a direito no lugar de 'continua', ou de 'prossegue'. Acontece que no uso cotidiano, é improvável alguém dizer 'Eu sigo doente, mesmo depois da injeção' ; ou ainda seria pouco provável a afirmativa ' Ela segue parada no trânsito' . Na nossa reescrita (usando o verbo continuar), temos: 'Manchester United vence com gol de zagueiro e continua vice'. Simples e sem ambiguidades, não?

Imagem: link

F5.com 07/12/2011

Marta quer livrar culto de lei que torna homofobia crime

É um tema delicado, que desperta paixões Inebriantes. Mas mesmo assim,em nossa sobriedade em busca da clareza, vamos aos fatos. Primeiro, a palavra 'livrar' na manchete, tem uma simbologia de 'libertar'. O que soa estranho, visto que não é hábito dizermos que alguém 'está livre' de alguma lei. Há sim, em toda lei, exceções, prerrogativas. Por exemplo, o  artigo 37 inciso XVI da Constituição Federal diz que é proibido o acúmulo de dois cargos públicos, exceto no caso de professores, profissionais da saúde, ou técnicos que também acumulem cargos no magistério público (veja). O texto não diz que tais profissionais 'estão livres', mas sim que fazem parte de uma exceção que visa atender às necessidades de toda a população.

Da forma como foi redigida, a manchete parece querer mostrar que a senadora Marta Suplicy está abrindo concessões em uma questão onde  não pode haver concessões - carrega algo de ideológico, partidário. No terreno das virtudes pluralistas, parece que grupos querem impor à força, suas ideologias sem possibilidade de discussão, nem de respeito às culturas, tradições ou religiões. E nesse caso, não há reescrita, arranjo do texto da manchete que consiga dar luz à cegueira ideológica que nos traz sua leitura. Mas temos uma sugestão: 'Marta quer excluir o livre pensamento de lei que torna homofobia crime'. Isso porque acreditamos que a liberdade de pensar é a única maneira de sermos verdadeiramente livres e realmente éticos em nosso proceder como cidadãos. 

Imagem: link

O Imparcial 02/12/2011

Corrupção é um mal ainda bem brasileiro

corruptos

A manchete contradiz o próprio texto. Este se refere à uma pesquisa da ONG Transparência Internacional feita em vários países, e que mede a percepção da corrupção da administração pública (corrupção de funcionários públicos,  uso de propina, desvio de recursos, etc.). A matéria diz  que ''o Brasil é o 73º mais corrupto do mundo entre os 183 países avaliados''(o ranking é para os menos corruptos e no topo estão Nova Zelândia, Dinamarca e Finlândia).

Entretanto, em sequência o texto diz ''O Uruguai obteve a mesma nota do país europeu (A França, com 7,2 pontos), compartilhando a posição na lista. Argentina (100ª), Equador (120ª) e Paraguai (154ª) ficaram com notas iguais ou menores que 3. '' A pergunta que fazemos é : como a corrupção e´um mal brasileiro , se Argentina, Equador e Paraguai estão mais corruptos do que nós, segundo essa pesquisa? E a corrupção é um mal em qualquer lugar, não apenas entre os brasileiros. Não temos e não queremos o monopólio da corrupção. Ela existe em todo o lugar, a diferença é que fazemos vistas grossas quanto a isso. E para completar a manchete poderia ser 'Corrupção é ainda alta no Brasil'.

Imagem: link

Folha.com 08/12/2011

Dilma diz que gosta da foto em que é interrogada por 'ser verdadeira'

dilma_verdadeira

Em tempos de editores de foto que fazem 'mágicas' inimagináveis tempos atrás, essa é uma afirmativa que faz sentido. Porém ficamos na dúvida. Quem é verdadeira? A presidente Dilma, que diz que gosta da sua própria foto, ou a foto em si. E culpa é do próprio redator, que atribuiu uma fala que não foi dita pela presidente. Ela diz "Sabe por que eu gosto daquela foto? Porque ela é verdadeira. Foi o que aconteceu", disse Dilma Rousseff à colunista na terça-feira (6), ao receber, em São Paulo, o prêmio Personalidade do Ano, da revista "Istoé Gente"." E  na verdade, a manchete ficaria melhor assim 'Dilma diz que gosta da foto em que é interrogada por a considerar 'verdadeira'.

Imagem: legenda ampliada sobre original recortado link

Hoje em Dia 07/12/2011

Olivetto defende que bola da Copa chame 'Gorduchinha'

olivetto_osmar A bola da Copa será igual àqueles robôs falantes que aparecem nas reportagens sobre feiras tecnológicas? Ou parecida com as bonecas que dizem 'mamãe' e 'papai'? (mamãe vem na frente, pois temos medo de alguma feminista vir querer comprar briga conosco...). Não, nada disso. A ex-jabulani não chamará ninguém de 'Gorduchinha' ou 'Magrinha', ou seja lá o nome. Ela não dirá nada. O 'chamar' aqui, não tem a significação de 'invocar alguém pelo nome' e sim com o sentido de 'dar nome a alguém ou a alguma coisa'. Daí temos 'Olivetto defende que bola da Copa se chame 'Gorduchinha''. Ripa na xulipa e pimba na 'Gorduchinha'! (frase criada por Osmar Santos, o pai da matéria, ao lado de Washington Olivetto, na foto)

Imagens: Olivetto link / Osmar link

Gazeta Esportiva.net 07/12/2011

Tirone confirma desejo de contar com a volta de Pierre

Confirmar o desejo de contar com alguém ? Alguém 'confirma o desejo de comer', ou 'confirma  o desejo de viajar', ou ainda 'confirma o desejo de estudar'? Não. Alguém 'quer comer', ou 'quer viajar', ou ainda 'quer estudar'. E 'Tirone quer contar com a volta de Pierre'.

Lancenet 07/12/2011

Advogado de Xandão cita exemplo cruzeirense no doping para absolvição

Doping para absolvição? Estranho? A manchete fala sobre o caso do jogador Xandão do São Paulo, que é acusado de doping. A estratégia de defesa é baseada no caso do goleiro Rafael do Cruzeiro, que conseguiu provar que havia usado apenas um colírio, tal qual Xandão. Mas o doping em si não traz absolvição. Não seria melhor 'Advogado de Xandão cita exemplo cruzeirense de doping para conseguir absolvição'?

Imirante.com 08/12/2011

Após 8 anos, Dilma troca guardas que vigiam palácios da Presidência

Se a presidente está há menos de um ano no poder, como ela trocou os guardas 'Após 8 anos'? Seria interessante destacar mais a Presidência em si. Então poderíamos escrever 'Dilma acompanha troca de guardas dos palácios da Presidência, a primeira em 8 anos.'

Folha.com 08/12/2011

Ex-marido liberta mulher que era mantida refém em SP

O ex-marido libertou a mulher? Mas qual? A ex-mulher, ou a atual mulher? Claro que ficaria repetitivo escrever 'Ex-marido liberta ex-mulher...'Entretanto escrevendo 'Homem liberta ex-mulher que era mantida refém em SP', fica subentendido que o homem já foi marido da mulher que estava como sua refém e que foi libertada.

Folha.com 04/12/2011

Vou tomar uma caipira bem grande com a minha esposa, diz Tite

Nada contra  Tite, o comandante campeão do Timão no título do Campeonato Brasileiro de 2011 (este blog recomenda: se beber, nem pense em dirigir). Mas não podemos deixar em brancas nuvens as aspas que não vieram no lide da Folha.com . Toda citação tem que ter aspas, não é verdade? 'Então ''Vou tomar uma caipira bem grande com a minha esposa'', diz Tite', é o que temos a dizer. (Aliás, faltou dizer valeu Tite! )

O Imparcial, 09/12/2011

Especialistas de Hollywood em cooperação com Cuba para restauração de filmes

Os restauradores de Hollywood são especializados em 'cooperação com Cuba para restauração de filmes'? Essa manchete não faz o menor sentido. 'Especialistas de Hollywood cooperam com Cuba para restauração de filmes', parece ser a melhor pedida. E os cineastas bem que poderiam restaurar outras coisas em terras de Fidel,mas aí já é pedir demais...

E ACABOU!

Concluímos mais uma coluna. Nunca é demais esclarecer que o nosso propósito não é o de ensinar o bê-á-bá a ninguém, mas, apenas, o de mostrar que um pouquinho de bom senso e uma dose de atenção na hora de escrever podem facilitar, muito, a vida do leitor. Se você gostou da coluna, ajude-nos a divulgá-la junto aos amigos, ok?  Obrigado, um abraço e até a próxima semana.

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Visite também meu blog, NOTAS DE MÍDIA. Clique aqui: http://notasdemidia.blogspot.com/

4 de dezembro de 2011

DEBAIXO DO EDREDON… O CHOQUE!

poderoso_II

Certamente, todos os meus queridos leitores desta trilogia se lembrarão que, no final da primeira parte, eu estava no Jake’s completamente alcoolizado. Também haverão de se lembrar que, em troca de um draft gratuito, servido por uma garçonete deliciosa, fui abordado por um image cavalheiro de terno cinza que se dizia chamar Tom Hagen, advogado de Nova York e representante da Família Corleone. Pois bem, aceitei a cerveja, porque não sou besta nem nada, mas ainda meio ressabiado convidei o homem para sentar comigo à mesa. Sempre usando de gestos refinados e muito elegantes, o advogado nova-iorquino sentou-se bem em frente a mim, colocando o sobretudo e a pasta preta em outra cadeira. Olhou em volta e fez sinal à garçonete, mostrando sua taça de Dry Martini vazia. Certamente ela entendeu que ele queria outro igual. Eu é que não estava entendendo nada!

O que esse cara estava querendo comigo? Analisei o homem. Deveria ter, quando muito, uns 35, 36 anos. Alto, cabelo cortado a escovinha, esguio... embora elegante tinha uma aparência assim... bem comum e a fisionomia dele não me era estranha!

___ É um prazer conhecê-lo pessoalmente, Mr. Lewis! ___ disse acendendo

image

um cigarro e logo oferecendo-me outro. Jamais recuso alguma coisa que é de graça!

___ Lewis?___ perguntei pegando o cigarro e deixando que ele, com o seu Zippo prateado, me oferecesse fogo. Dei uma longa tragada e, ao típico som metálico do isqueiro se fechando, falei usando o meu sorriso de número 34, aquele que mistura um pouco de surpresa e alguma ironia:

___ Deve estar havendo algum engano, Mr.... Mr...

___ Hagen! Tom Hagen... mas pode me chamar de Tom!

___ OK... Tom... e você pode me chamar de Léo, com acento no “é”. Portanto, não é Lio e, sim, Léo! ___ brinquei.

___ Ok, Léo... ___ tomava o Dry Martini homeopaticamente.

___ Na verdade meu nome é Aurélio... ___ disse ___ ... mas todos aqui me chamam de Léo, porque é mais fácil pronunciar.

Antes de continuar a falar, agarrei meu copo e engatilhei um gole dissimulado, só pra fazer charme, já que não cabia mais nada no latão e eu já estava arrotando cevada!

___ De onde veio essa idéia de que meu nome é Lewis?

___ Do CD que você gravou na cidade de São Paulo há cinco anos mais ou menos... antes de vir para a América!

___ CD? Eu gravei um CD?

Não respondeu... apenas acompanhou com o olhar a deliciosa garçonete encostar na mesa e depositar o Dry Martini. Ela recolheu os copos vazios, o dinheiro e ao sair desenhou para ele, nos lábios carnudos, um sorriso de número 68... aquele que insinua devassidão e gula sexual. Pra mim, ela nem deu bola... aquela piranha!

Hagen cutucou a azeitona dentro da taça e, olhando-me com um sorriso 28, aquele que mistura ironia e ameaça velada, disse:

___ A modéstia é uma virtude muito traiçoeira, Léo! ___ disse chupando o Martini na ponta do dedo ___ Sei que Don Corleone adoraria ouvir sua voz! Esteja certo!image

___ Olha companheiro... ___disse ajeitando a poupança na cadeira ___...talvez, não sei, seja pelo excesso de álcool na cabeça, eu realmente não me lemb...

___ 2002... cidade de São Paulo... Estúdio Bandeirantes... Chico Rodrigues, João Ferreira, Cláudio Durante, rua Maria Antonia... ___ apoiou os cotovelos na mesa com a taça de martíni na mão ___ ... lembrou agora?

Minha ficha caiu como caem os bêbados na calçada.

___ Você está se referindo àquela brincadeira de Leo Lewis in Concert? Ora, Tom... tenha dó! Aquilo foi só uma farra….. um delírio fantasioso de quem adora cantar em karaokê! Nada mais! Aquilo é horrível... o Goularth, veja você, detestou!

___ Goularth? ___ franziu a testa e olhando-me com repentino interesse ele perguntou ___ Quem é Goularth?

Enquanto eu explicava a ele que Goularth era o meu peixinho goldenfish, o alinhado advogado dos Corleone, sem perder a fleuma, rapidamente sacou imageum bloquinho do bolso interno do paletó, uma caneta e, olhando para mim, fazia anotações frenéticas. Pareceu-me, até, que ele foi pegado de surpresa ao descobrir que sabia sobre meus amigos de São Paulo, onde era minha casa e desconhecia o meu peixinho dourado de aquário. Eu disse a ele que Goularth, embora fosse um republicano de crachá, era um peixe com apurado gosto musical e, como eu, fã da Dóris Day, aquela delícia loira que este país chamou de namorada!

___ Concordo plenamente com ele! ___ exclamou o advogado guardando o bloco de anotações.

___ Sobre a Dóris Day?

___ Não... sobre o CD Leo Lewis in Concert... ___ olhou pra mim e riu uma discreta e contida risada de galpão ___... aquilo realmente é uma droga! Até o meu engraxate, que é surdo de pai e mãe, canta melhor que você! image

Mas se Don Corleone gostou de você... não posso fazer nada, a não ser acatar ordens...

___ OK! Então estamos conversados e de acordo! ___ disse meio cabreiro com aquela sinceridade. Também não precisava avacalhar daquela maneira! Vai se danar...

___ Ainda não, Mr. Lewis... ___ disse ele acentuando o “Lewis” como se estivesse falando de algo muito jocoso ___ ... ainda não lhe falei sobre a proposta de Don Corleone.

___ Sou todo ouvidos, Mr. Hagen... ___ disse cruzando meus braços e acentuando, chistosamente, o “Hagen”. Vendetta!

___ Don Vito Corleone é um homem muito rico, poderoso, e vai hipotecar-lhe gratidão e amizade se você se dignar a prestar-lhe um pequeno favor, que consiste em cantar no casamento de sua filha, Constanzia Corleone, image Connie, cuja festança vai acontecer em sua mansão em Long Island. Será uma festa bastante concorrida com muitos convidados italianos e todos os seus descendentes. Meu cliente e toda a família muito apreciariam se você fosse lá cantar umas duas músicas italianas...

Música italiana? Danou-se! Pra mim, em vez de comer sucrilhos, esse cara comia pedrinhas de crack com leite no desjejum. Mesmo assim, levei a conversa a diante:

___ Se seu cliente é tão poderoso, porque ele não contrata Frank Sinatra ou mesmo... Johnny Fontane?

___ Ele está na Califórnia filmando para os Estúdios Woltz!

___ Quem... Sinatra ou Fontane?

___ Dá na mesma... o que Don Corleone quer mesmo é a voz de Leo Lewis na festa de sua filha! Seria uma troca de favores!

Dei uma última tragada e apaguei o cigarro, olhando para ele diretamente nos olhos. Ele não pareceu se intimidar.

___ Quais favores pode prestar-me seu cliente?___ perguntei franzindo a image testa e procurando em meu vasto arquivo de expressões faciais uma que denotasse desprezo e curiosidade.

Hagen liquidou o martíni e também apagou o cigarro meticulosamente:

___ Você poderá ter complicações com a imigração dentro de pouco tempo. ___ disse deslocando o cinzeiro para o lado ___ Um simples telefonema de meu cliente e essa complicação desaparecerá!

Foi aí que eu senti meu furúnculo ser espremido com alicate e a cerveja subir de vez. Puxei do arquivo a expressão... raiva serena.

___ Você está me ameaçando, seu... carcamano filho da mãe?
___ Eu sou teuto-irlandês!

___ Não me interessa se você nasceu aqui ou na Baixada Fluminense. Apenas deixe-me esclarecer uma coisa pra você e seu chefe. Se vocês pensam que eu vou me expor ao ridículo para uma corja de bandidos mafiosos estão enganados. A resposta é não!

O advogado dos Corleones olhou misteriosamente por alguns segundos para baixo e depois para mim. Havia um quê de ameaça naquele olhar, cujo número agora não me lembro. Apanhou a pasta, dobrou o sobretudo nos braços, levantou-se e estendeu-me a mão:

___ Obrigado pela noite agradável, Mr. Lewis!

___ Já vão? ___ perguntei apertando as duas mãos e considerando o quanto eu havia exagerado na bebida e na minha contida explosão. ___ Tomem mais um copo! ___ disse.

___ Não, obrigado! O senhor Corleone é um homem que gosta de receber as más notícias imediatamente! ___ e saiu!

Logo em seguida também saí... não sem antes dar uma bela medida nos backsides das garçonetes morenas. No carro, voltando pela Pleasant em direção da Hope, fui reciclando mentalmente trechos daquele excêntrico diálogo e, confesso, me amedrontei um pouco. Quem leu o livro do Mario Puzzo sabe do que eu estou falando!

*******

Naquela madrugada, meu sono foi bastante agitado por sonhos horríveis! Mas não impediu-me de acordar cedo, como sempre faço. Havia algo de estranho... a cama e meu pijama estavam molhados image (Céus... teria eu bebido tanto... que mijei na cama?) e tinha alguma coisa, de textura fria e gelatinosa, que tocava as minhas pernas por debaixo das cobertas. Ainda completamente sonado, ergui vagarosamente o edredon. O que eu vi deixou-me pasmo, sem respiração... terrível e absurdamente chocado! Goularth, o meu peixinho republicano, estava cortado em dois pedaços! Seus restos jaziam ali... como se durante a madrugada eu tivesse chamado o garçom e pedido um sashimi. Fui atacado por um terror animal! Foi como se um torpedo houvesse me atingido bem no estômago e eu comecei a sentir náuseas. Um engulho inevitável subiu-me pela garganta, fazendo-me vomitar uma golfada lancinante de cerveja morna e então gritei... gritei o grito dilacerante dos possuídos, dos endemoninhados, dos endividados... daqueles que, de repente, se vêem obrigados a se entregar a todas as circunstâncias impostas pela vida ou... pela Máfia!

(To be continued!)

image

Imagens fornecidas pelo autor. Podem ser originais de arquivo pessoal ou não. Nunca se saberá, ao certo, porque depois do porre e do choque com o triste fim de Goularth, realidade e fantasia passaram a ser uma coisa indistinta na mente de Aurélio.

Aguarde o sensacional capítulo final. Além das emoções desmedidas e inusitadas, um brinde sonoro para ficar na história. Como diria aquele locutor distraído: “não deixe de perder”…

PINÇANDO DRÁUZIO VARELLA

Países como a Suíça, que permitiam o uso livre de drogas dos mais variados tipos e causadores dos mais diferentes e terríveis efeitos em espaços públicos, abandonaram essa prática ao perceber que a mortalidade entre os usuários aumentava.

As reflexões ou até mesmo constatações do veterano repórter de polícia talvez não cale tão fundo na mente dos que, infelizmente, são presas do vício, razão porque, tomo a liberdade de pinçar alguns trechos do artigo “Craqueiros e craqueiras” do renomado médico e professor, e, agora, também apresentador de TV, dr. Dráuzio Varella.

Começa ele: “A contragosto, sou daqueles a favor da internação compulsória dos dependentes de crack”.

E prossegue: “Peço a você, leitor apressado, que me deixe explicar, antes de me xingar de fascista, de me acusar de defensor dos hospícios medievais ou de se referir à minha progenitora sem o devido respeito”.

“A epidemia de crack partiu dos grandes centros urbanos, e chegou às cidades pequenas; difícil encontrar um lugarejo livre dessa praga. Embora todos concordem que é preciso combatê-la, até aqui fomos incapazes de elaborar uma estratégia nacional destinada a recuperar os usuários e reintegrá-los à sociedade”.

“De acordo com a legislação atual, o dependente só pode ser internado por iniciativa própria. Tudo bem, parece democrático  respeitar  a  vontade  do cidadão que prefere viver na rua do que ser levado para onde não deseja ir. No caso de quem fuma crack, no entanto, o que parece certo talvez não o seja”.

E continua o dr. Dráuzio: “No crack, como em outras drogas inaladas, a absorção no interior dos alvéolos pulmonares é muito rápida: do cachimbo ao cérebro a cocaína tragada leva de seis a dez segundos. Essa ação quase instantânea provoca uma onda de prazer avassalador, mas de curta duração, combinação de características que aprisiona o usuário nas garras do traficante”.

“Como a repetição do uso de qualquer droga psicoativa induz tolerância, o barato se torna cada vez menos intenso e mais fugaz. Paradoxalmente, entretanto, os circuitos cerebrais que nos incitam à buscar as sensações agradáveis que o corpo já experimentou permanecem ativados, instigando o usuário a fumar a pedra seguinte, mesmo que a recompensa seja ínfima. Mesmo que desperte a paranoia persecutória de imaginar que os inimigos entrarão por baixo da porta”...

cracolandia

...”Veja a hipocrisia: não podemos interná-lo contra a vontade, mas devemos mandá-lo para a cadeia assim que roubar o primeiro transeunte”.

“A facção que domina a maioria dos presídios de São Paulo proíbe o uso de crack: prejudica os negócios. O preso que for surpreendido fumando apanha de pau; aquele que traficar morre. Com leis tão persuasivas, o crack foi banido: craqueiros e craqueiras presos que se curem da dependência por conta própria”.

“Não  seria  mais  sensato   construirmos   clínicas  pelo  País  inteiro  com pessoal treinado para lidar com dependentes? Não sairia mais em conta do que arcar com os custos materiais e sociais da epidemia?”

“Nós convivemos com cracolândias a céu aberto sem poder internar seus habitantes para tratá-los, mas exigimos que a Polícia os prenda quando nos incomodam. Existe estratégia mais estúpida?”

hipocrisia

E conclui seu artigo o brilhante professor e comunicador: “Faço uma pergunta a você, leitor, que discordou de tudo o que acabo de dizer: Se fosse seu filho, você o deixaria de cobertorzinho nas costas dormindo na sarjeta?”

Dráuzio Varella matou a pau. Não é a sociedade que é hipócrita. Absolutamente. Neste caso, as autoridades é que são, rigorosamente incompetentes e despreparadas, não obstante tenham milhões de reais disponibilizados para combater o mal e tratar desses doentes. Se não o fazem, só podemos ou somos levados a pensar que há quem esteja faturando altíssimo com isso.

Leia outros artigos da Coluna do Afanasio, clicando aqui.

Afanasio Jazadji – Jornalista, Advogado, Deputado Estadual por 20 anos, especialista em Segurança Pública e criador do Disque-Denúncia e do Resgate dos Bombeiros. Visite o site: www.afanasio.com.br

Imagens: drogada (link) / Dráuzio Varella (link) / usuário de crack (link) / internar ou prender? (link) / hipocrisia (link)

PALAVRAS DESCRUZADAS - EDIÇÃO Nº 9 – 04/12/2011

DISSERAM, SIM, MAS NÃO ERA BEM ISSO…

Folha.com 07/11/2011

Japão apreende pesqueiro chinês após recusar inspeção

Típica manchete com duplo sentido. O Japão aprendeu o pesqueiro após uma 'recusa de inspeção'.

Quem recusou a inspeção? O Japão, que logo em seguida apreendeu o barco chinês ou a própria embarcação chinesa?

Claro que foi o navio chinês, mas isso é percebido depois da segunda ou terceira leitura.

Não seria mais interessante dizer "Pesqueiro chinês é apreendido pelo Japão após recusar inspeção' ?

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F5 10/11/2011

"Aquele Beijo" perde para pronunciamento de Dilma no ibope

Vejam vocês...a presidente Dilma em seus discursos está com mais audiência do que as tradicionais novelas noturnas. Seu governo tem bons componentes novelescos  como  - 'desejo', 'traições', 'angústia' (nossa, claro), 'orgulho', 'cobiça', 'corrupção', entre outros ingredientes de um folhetim. Os 'atores' são eficientíssimos. Aliás, entra governo, sai governo, e as cenas dos próximos capítulos parecem que já são conhecidas, já sabemos o enredo. Deixando de lado um pouco essas duas novelas, a manchete se refere ao pronunciamento da presidente. Aonde foi o tal pronunciamento? No Ibope? Ou foi na televisão mesmo? Sim, porque o aposto (no Ibope) está lá no final da frase, meio perdido, sem vírgula.Vamos prestigiá-lo então:' "Aquele Beijo" perde para pronunciamento de Dilma, no Ibope'. Agora sim. Um bom final feliz.

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Correio Braziliense 26/11/201

Rastreabilidade de bovinos e búfalos tem nova legislação

Ratreabilidade? Geralmente o sufixo 'ilidade' é utilizado para formar substantivos de adjetivos terminados em ''ável' : durável  - durabilidade;  'amável' - amabilidade; 'confortável' - confortabilidade (um porco estranho, mas está dicionarizado, neste caso pode-se usar o 'conforto' também); 'permeável' - permeabilidade;'falível' - falibilidade. Mas essa idéia de  'rastreabilidade' não vem diretamente de 'rastreável', mas sim de rastreamento, daí a estranheza com a palavra. Isso porque não é hábito ouvirmos dizer que bovinos e búfalos são 'rastreáveis', mas sim 'monitorados por rastreamento'. Então, para ficar longe de modismos, 'Rastreamento de bovinos e búfalos tem nova legislação' seria mais adequado.

Significado de rastreabilidade: aqui.

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Correio Braziliense 26/11/2011

Dilma repete o apelo de Lula em 2008: brasileiros não tenham medo

A manchete fala sobre um apelo repetido, já feito pelo ex-presidente Lula em 2008. Mas onde estão as aspas em 'brasileiros, não tenham medo'? (e a vírgula também, pois é um vocativo, aquele apelo que se faz para alguém, como   por exemplo em  'Carlos, venha cá!' - Carlos é o vocativo).  Mas o problema não para aí. No texto da reportagem não há nenhuma citação da presidente Dilma sobre essa fala. Seria mais sensato  reescrever assim a manchete: 'Dilma repete o apelo de Lula em 2008 e diz aos brasileiros que não tenham medo'. Assim, não usamos aspas - pois não sabemos se foi essa precisamente, a fala de Dilma. E apesar disso,  o contexto não foi alterado.

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Correio Braziliense 26/11/2011

Superávit primário chega a R$ 13,9 bi em outubro e R$ 119,5 bi nos 10 meses

Outubro não é o décimo mês do ano? Então, partindo desse pressuposto, a manchete está confusa. Vejamos- o superávit primário (o resultado excedente do balanço das contas governamentais, incluindo governos  municipais, estaduais e federal, mais estatais, o que nas empresas privadas corresponde ao lucro) foi citado em duas circunstâncias que não foram bem delimitadas. O valor de R$13,9 bi corresponde a um mês apenas (outubro), já o valor de R$ 119,5 bi é o valor de 10 meses completos. Isso foi o que faltou especificar no texto. Reescrevendo-o temos: 'Superávit primário mensal chega a R$ 13,9bi em outubro e R$ 119,5 bi nos últimos 10 meses'.


Correio Braziliense 27/11/2011

Biografia de Martin Scorsese chega às livrarias, repleta de fatos pessoais

Uma biografia repleta de fatos pessoais? Qual a novidade? Só faltou acrescentar que a biografia narra os fatos pessoais do cineasta vividos no planeta Terra...

Portal ORM 27/11/2011

Macaco é fotografado bebendo lata de refrigerante em festival tailandês

Esta é a manchete de um  macaco faquir, presumimos. Porque beber  lata de refrigerante não é para qualquer macaco. Será que ele bebeu o refrigerante também? A matéria não dá o nome da espécie, mas poderia se chamar 'macaco alumínio'. Imagine os problemas que esse macaco teria se tivesse que entrar em uma agência bancária - não passaria da porta giratória!

Portal ORM 27/11/2011

Britânica perde quase 100 kg após descobrir que não cabia em assento

Ela perdeu o peso pelo susto? Não, apenas porque,  não conseguindo sentar em um assento em uma viagem de navio, resolveu que era hora de perder peso. Ninguém 'descobre' que não cabe em um assento; pode no máximo constatar que o assento é pequeno. E foi isso que aconteceu com a passageira que  teve que terminar a viagem em pé.

 Em.com.br 27/11/2011

Fora do governo, ex-ministros são alvo de investigação

Se eles são 'ex-ministros' é porque estão fora do governo, correto? Então fiquemos apenas com 'Ex-ministros são alvo de investigação' e estamos conversados (em relação à manchete, eles tem muito o que explicar!)

Diário de Natal on line 23/11/2011

Bandidos fazem arrastão imobiliária na Zona Sul

Primeiramente imaginamos tratar-se de uma variante dos crimes já comuns em grandes cidades —os arrastões em prédios residenciais —, que poderia ser chamada de 'arrastão imobiliário'. Mas o texto desmente a primeira impressão —o arrastão foi dentro de uma imobiliária de Lagoa Nova, na Zona Sul de Natal, RN. Só que esqueceram da preposição 'em' - 'Bandidos fazem arrastão em imobiliária na Zona Sul'. Que roubada!

E ACABOU!

Por hoje, a coluna terminou. Com a proximidade do fim de ano, estou torcendo para que as férias cheguem logo. Deve ser o espírito de Natal, quem sabe… Não se esqueça: ajude-nos a divulgar este trabalho passando o endereço do FG-News para os amigos e conhecidos. Até a próxima semana.

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26 de novembro de 2011

PALAVRAS DESCRUZADAS – EDIÇÃO Nº8 – 26/11/2011

DISSERAM, SIM, MAS NÃO ERA BEM ISSO…

Folha.com 16/11/2011

CHINA PROTESTA PELA AMPLIAÇÃO DE PRESENÇA MILITAR DOS EUA NA AUTRÁLIA

Barack Obama e a premiê australiana Julia Gillard o (Jason Reed/Reuters)

O dicionário Michaelis tem, entre outras, as definições para protestar:

4 Reclamar, insurgir-se, levantar-se contra alguma coisa

5 Fazer valer quando ofendido; pugnar por (veja)

Assim podemos dizer que protestamos contra algo (contra o aumento dos impostos ou da violência) ou então podemos ainda protestar por algo, lutar por algum direito, enfim, alguma coisa que traga benefício a um grupo específico: 'Os estudantes protestaram por melhores condições na escola'.

No caso da manchete acima, ela pretende dizer que a China está protestando devido à ampliação da presença militar dos americanos na Austrália e não protestando pela ampliação ('querendo a ampliação' como nos faz parecer o texto). Lendo o trecho inicial da matéria, não fica nenhuma dúvida quanto a isso:'A China demonstrou sua insatisfação com o anúncio de que os Estados Unidos vão aumentar a presença militar na Austrália,(...)' . Deste modo a manchete deveria dizer que a 'China protesta contra ampliação de presença militar dos EUA na Austrália'.

Imagem: http://veja.abril.com.br (link)

O Imparcial 10/11/2011

CRISTIANO RONALDO FAZ GESTO OFENSIVO AOS ADEPTOS BÓSNIOS

Adepto? O dicionário Michaelis define adepto como 'admirador'. Já o dicionário Priberam, de Portugal diz, entre outros significados, que adepto é  'pessoa que apoia um desportista ou um clube desportivo'. (A videofoto abaixo, extraída de um telejornal da RTP —Rádio e Televisão de Portugal, deixa claro o uso da palavra adepto, na terra de Cabral. Neste link você encontra, inclusive uma reportagem sobre a segunda partida do play-off, realizada no dia 15/11/2011, no estádio da Luz, em Lisboa, Portugal. A seleção portuguesa goleou o adversário por 6 x 2. O primeiro jogo aconteceu no dia 11, em Zenica —Bósnia e Herzegovina, com placar de 0 X 0. Para assistir à reportagem, clique aqui. O vídeo dura pouco mais de 7 minutos)

O problema aqui é que o jornal O Imparcial  utilizou-se de um texto de um jornal português —o Jornal de Notícias— e daí vem o estranhamento na leitura da manchete, que no contexto da linguagem esportiva nacional, deveria usar 'torcedores' no lugar de 'adeptos'. Esse é um dos inconvenientes da transcrição de textos em português lusitano, o que nos faz perder parte do vigor inicial do texto, além de conter trechos de difícil compreensão para leitores não habituados a 'beber diretamente na fonte de Camões'. Senão vejamos como é difícil entender o trecho na matéria em questão : "A selecção portuguesa defronta amanhã a congénere bósnia, na primeira mão do play-off de acesso ao Euro 2012, e os ânimos estão bem quentes, depois da polémica à volta das más condições do relvado." Difícil, não? Já a reescrita do texto esclarece tudo: "A seleção portuguesa enfrenta amanhã a Bósnia, no primeiro jogo das finais para o acesso à Eurocopa 2012, e os ânimos estão acirrados, depois da polêmica em relação às más condições do gramado". Uma reescrita pode mudar completamente o vigor do texto, trazendo possibilidades mais adequadas ao nosso português brasileiro.

Imagem: http://ww1.rtp.pt (link)

Folha.com 24/11/2011

É FÁCIL PARA UM BRANCO SER COMPREENSIVO COM RACISMO, DIZ MANO

É uma manchete dúbia. Primeiro vejamos o trecho da fala do técnico Mano Menezes:  "É muito fácil para pessoas de cor branca ser compreensivo com questões como esta. É fácil ser compreensivo no fim do jogo, quando eu já ofendi uma pessoa (...)'' - (veja que a Folha.com reproduziu a fala do técnico sem destacar os erros de concordância, ou seja, não colocou o 'sic', termo em latim que significa 'assim', muito usado pelo jornalismo para indicar trechos reproduzidos literalmente, sem correção de erros de sentido ou de gramática.)

Notamos que há dois erros . Um erro foi o fato de o texto da manchete não reproduzir fielmente o que o entrevistado disse. Segundo erro foi a omissão do artigo o - 'É fácil para um branco ser compreensivo com o racismo', deveria ser a manchete. Isso porque ninguém é mais ou menos compreensivo com (ou sem) racismo e sim compreensivo (ou não) em relação a esta prática. Na verdade, a palavra mais adequada aqui seria 'condescendente', pois as situações de racismo estão ligadas a sistemas de poder e condescender  é uma palavra muito recorrente no discurso dos que simpatizam com o racismo.

Imagem: www.placar.abril.com.br (link)

O Povo 22/11/2011

DATENA PARTICIPA DO “RODA VIVA” E REGISTRA MELHOR AUDIÊNCIA PARA O PROGRAMA

Duas ressalvas. A primeira é a 'febre registradora', onde tudo é registrado - 'A inflação registrou queda', 'A companhia de trânsito registrou 15km de lentidão', 'Foram registrados dos casos de catapora na cidade', 'O time registrou dois gols', entre outros registros. Será que os editores não perceberam o uso excessivo da palavra? Fica aqui o registro (opa!).

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Segunda: O itálico-irascível José Luiz Datena não foi destaque por registrar 'melhor audiência' e sim por ter proporcionado a melhor audiência para o programa desde sua reestreia no formato consagrado, onde o entrevistado fica no centro da roda de entrevistadores. Um simples artigo aqui muda completamente o sentido da manchete.

Imagem: www.mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br (link)

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Imirante.com

MULHER FICA NA MIRA DE REVÓLVER E É VÍTIMA DE SAIDINHA BANCÁRIA

A ordem dos fatores não altera o produto —na matemática. Já na língua portuguesa, isso pode dar problemas. Inverter a declaração pode fazer com que a causa vire consequência. O que fez a mulher ficar na mira do revólver? Não foi o recurso da 'saidinha bancária'? Reescrevendo a manchete temos: 'Mulher é vítima de saidinha bancária e fica na mira de revólver". Ou seja, o mesmo enredo já conhecido da falta de segurança no país...

F5 25/11/2011

ATRIZ CAROLINE FIGUEIREDO DÁ À LUZ MENINA

Luz menina? O pessoal está em algum programa de economia de artigos indefinidos? Sim, porque ali deveria ser 'Atriz Caroline Figueiredo dá à luz uma menina', concordam? Ou então que se esqueça a linguagem jornalística e se use o 'texto poético' de uma vez: 'Caroline dá à luz menina, faceira, que invade o quarto e dança com a brisa risonha da alvorada juvenil...'  Era só o que faltava, não?

O Imparcial 22/11/2011

TRAVESTIS E TRANSEXUAIS USARÃO NOME SOCIAL

Nome social? Mas todo nome não é social, utilizado como referência e identidade de determinada pessoa em determinado grupo? Eles vão, mesmo, é usar o que até bem pouco tempo atrás se denominava “nome de guerra”. Pronto, falei!

Folha.com 16/11/2011

VENDAS DE CARRO NA ZONA DO EURO MOSTRAM FRAQUEZA EM OUTUBRO

Da série 'Como redigir uma manchete imprecisa'. Só faltava acrescentar 'mostram sinais visíveis de fraqueza'. Fazendo o dever de casa: 'Zona do euro tem vendas fracas de carros, em outubro'. Melhor, não acham?

Correio Braziliense  16/11/2011

ANALFABETISMO ATINGE 28% DOS JOVENS E ADULTOS DE PEQUENAS CIDADES NO NO

O que diria o navegador Pedro Álvares Cabral, conhecedor dos mares tenebrosos e de vários  cantos do mundo, se lesse essa manchete? Confundiram o NO (noroeste) com o NE (nordeste). Ora, pois...

O Imparcial 16/11/2011

SEM ESPERAR AJUDA PALMEIRENSE, CORINTHIANS VISITA CEARÁ PELA PONTA

Não, o Timão não irá visitar o ensolarado Ceará adentrando o estado pela ponta (se é que o estado tem alguma 'ponta'). A 'ponta' que o Corinthians vislumbra é a liderança da tabela no Campeonato Brasileiro. Este é o típico texto de manchete esportiva que na tentativa de originalidade, acaba sendo ambíguo —e engraçado.

Hoje em dia 25/11/2011

GIVANILDO COMANDA COLETIVO E GANHA DÚVIDA DE ÚLTIMA HORA

Ganhar uma dúvida? E ainda por cima, 'de última hora'? Se fosse uma dúvida antecipada, seria menos preocupante? Estamos em dúvida!

E ACABOU!

Agora, sem dúvida, a coluna terminou. Desde o último fim de semana estive em rápida viagem pelo Nordeste, mais precisamente em Aracaju, visitando amigos. Passou tão rápido que foi o tempo de chegar lá e já estava de volta.

Não se esqueça: ajude-nos a divulgar este trabalho passando o nosso endereço para os amigos e conhecidos.

Até a próxima semana.

23 de novembro de 2011

AÇÕES DE SEGURANÇA INTEGRADAS

É particularmente grave a falta de integração de dados na estrutura nacional de segurança. É até inapropriado se falar em “estrutura nacional”, pois o Brasil não tem uma política unificada de segurança. Apenas esboços. (ou iniciativas isoladas, como no exemplo da foto abaixo)

Disso resulta um quadro sombrio, que estimula a corrupção policial, desoxigena ações de combate à violência, ceva a impunidade e, por decorrência, incentiva o desapreço à lei.

As impropriedades de um sistema desintegrado se avolumam em resultados inaceitáveis. Os organismos de segurança federais e estaduais não sabem quantos foragidos da Justiça se espalham pelo país e quantas pessoas estão desaparecidas, muito menos por que razões sumiram.

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Como se diz no meio, “nossas polícias não falam a mesma língua”. Não existe, por exemplo, um cadastro nacional de impressões digitais, o que abre espaço para aberrações legais como uma mesma pessoa ter 27 cédulas de identidade, uma para cada unidade da federação.

O mapa de ocorrências policiais do Ministério da Justiça planejou para 2011 ações pautadas por dados de 2008 – mesmo assim, graças a cadastros fornecidos pelo SUS – Sistema Único de Saúde.

Um juiz de São Paulo, por exemplo, pode, sem querer, mandar soltar um criminoso mesmo que ele tenha mandados de prisão em outros Estados. E por aí segue a esquizofrênica situação da nossa segurança pública.

As  consequências  dessa   falta  de   integração   são  palpáveis:  caos  na catalogação de dados que ajudem o trabalho da Polícia e da Justiça, impossibilidade de elaborar programas de ação em níveis federal e estaduais para combater a criminalidade e até mesmo dificuldades de controle na emissão de documentos, essencial para uma atuação qualificada dos postos de fiscalização de fronteiras e aeroportos.

No plano institucional, essa falta de conexão compromete, por consequência, programas estaduais de combate à criminalidade e à violência dela decorrente.

Exemplo emblemático são as investidas da Polícia paulista contra o tráfico de drogas e de armas: contabilizando vitórias importantes no combate direto, o Governo do Estado se depara com o problema da falta de controle de entrada de armamento e de entorpecentes por fronteiras desguarnecidas (jurisdição de órgãos federais de policiamento e fiscalização), o que facilita o reabastecimento de quadrilhas, mesmo que asfixiadas.

No Brasil e em outros países há exemplos bem-sucedidos de como a integração de um sistema de segurança ajuda no combate ao crime. Aqui, mais precisamente no Rio de Janeiro, tornou-se paradigmática a operação de retomada do Complexo do Alemão, em que as polícias Civil e Militar contaram com a fundamental colaboração das Forças Armadas.

Em   Nova   York,   a   implantação   de   uma   rede   de   dados   atualizada diariamente, essencial para  ditar  uma  nova  e  vitoriosa  política  de  segurança,  virou modelo para departamentos de polícia em todo o território dos Estados Unidos.

Agora, nosso Ministério da Justiça anuncia a criação de um sistema nacional de dados, juntando num software informações criminais de todos os Estados, que pode ser a base de uma real política nacional de segurança. Já se falou em algo semelhante no passado, mas é um recomeço.

À iniciativa devem se agregar outras, para o país dar, afinal, conta do desafio de combater a criminalidade para valer.

Vê-se que as autoridades de plantão ou de passagem por Brasília se incomodam nos aperfeiçoamentos tecnológicos, materiais, deixando por último, ou até mesmo, nem levando em conta, o ser humano.

Nunca se pensa na questão salarial, para valorizar aqueles que efetivamente combaterão o crime, expondo a própria vida, dedicando horas, dias e meses a investigações. Se não houver essa preocupação em melhor remunerar e reconhecer o trabalho de cada um, do agente à autoridade, dos peritos, etc., não poderemos contar com um combate efetivo à marginalidade.

Leia outros artigos da Coluna do Afanasio, clicando aqui.

Afanasio Jazadji – Jornalista, Advogado, Deputado Estadual por 20 anos, especialista em Segurança Pública e criador do Disque-Denúncia e do Resgate dos Bombeiros. Visite o site: www.afanasio.com.br

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