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29 de março de 2012

A ENCRUZILHADA DO RÁDIO

encruzilhada

O rádio está em uma encruzilhada. Escolher o caminho a seguir é questão de sucesso ou fracasso.

Proliferando feito coelhos, alguns prefixos acabam nas mãos de empresários que “ouviram falar que rádio é bom negócio” e se lançam no ramo.

Acertadamente, o ministério das Comunicações adota uma série de procedimentos burocráticos de quem se candidata a uma concessão.

E exige a observância de alguns pontos essenciais para o funcionamento da emissora. Depois de feita a outorga, não verifica se o compromisso assumido pelo outorgado é cumprido.

Pequenas emissoras surgem de um dia para o outro com novas propostas de programação e da mesma forma, dia um dia para o outro, desaparecem para ressurgir como templos eletrônicos, em sua maioria. Há quem diga que o processo faz parte de um esquema para não chamar a atenção. Não acredito nisso, mas tudo é possível. Ninguém desconhece que os governos, todos, adoram os chamados cultores da fé, todos, cujos rebanhos são ótimos currais eleitorais. Quando não, são políticos que montam emissoras locais e até redes estrategicamente direcionadas, de acordo com os interesses de cada um.

Outra variante, são as incorporações de novas emissoras a redes nacionais de rádio. Uma forma fácil, barata e lucrativa de burlar a legislação do setor que estipula número máximo (deslize a barra lateral até o trecho, reproduzido abaixo) de emissoras próprias de um único dono e finge ignorar que a maioria dos prefixos integrantes da rede são meros repetidores de sinal. Os detentores de uma outorga alugam-na ao operador da rede, recebem a parte mensal que lhes cabem e estamos conversados.

limite de outorgas Não seria nada de mais, se não existissem os inconvenientes do sistema, já abordados por mim neste blog em matéria específica que pode ser lida aqui, por exemplo. (se preferir, leia depois para não interromper o raciocínio, ok?)

Além disso, na prática, a burla consiste em agregar emissoras que operam como se fossem mais uma concessão do grupo que constitui a rede. Legalmente, as emissoras não lhes pertence. No papel, os proprietários são outros. É o uso descarado do modelão “me engana, que eu gosto”.

Mas não é esse o foco do artigo. O fato que desejo destacar é a irresponsabilidade de alguns empresários perante o veículo, o ouvinte e o mercado. Alguém recebe uma concessão, decide montar uma rede e pronto. A maioria não sobrevive a dois anos de atividades, se tanto, e é desarticulada.

As emissoras que aderem ao pool veem-se, de novo, de um dia para o outro, mais perdidas que o conhecido cachorro que caiu da mudança, coitado. Toda a promessa inicial deixa de ser cumprida e fim de papo. E, com isso, o ouvinte também fica à deriva. Você pode imaginar qual acaba sendo o destino de cada uma dessas emissoras.

eventos esportivos

A nova tendência, visto que nos próximos anos o Brasil será palco de grandes eventos esportivos, são as redes de emissoras dedicadas exclusivamente ao esporte. Há grandes grupos corporativos associados a novos projetos, o que lhes dá uma aparente garantia de sucesso. Mas por quanto tempo? A médio prazo, digamos, cinco ou seis anos, boa parte dessas redes não existirá mais, tão logo seja cumprido o calendário que lhes deu origem.

O futuro é sombrio. Habituados, como estão ficando, a não fazer força para faturar, os “arrempresários” (aqueles que arrendam suas emissoras para terceiros) vão se envolver em sérias dificuldades para permanecer no ar com emissoras sem identidade, sem ouvintes e sem conteúdo, quando o onda passar.

“Ora, Flávio” —me dirão—, “não seja pessimista. Essa é apenas uma hipótese, nada mais.” Pois eu digo que o cenário não é hipotético.

O caso mais recente, que remete ao quadro acima descrito, pode ser lembrado com o desaparecimento da rádio Mitsubishi ou, simplesmente, Mit FM, criada em São Paulo pelo grupo Bandeirantes para a montadora Mitsubishi adotando o modelo de rádio customizada, que já está caindo pelas tabelas.

“Ah… tá vendo? Esse é um fato isolado, de UMA emissora”—dirão também.

É verdade, mas não é só. No final de 2011, a rede Oi FM, instalada em vários estados, seguiu o mesmo caminho. Sumiu mais do que o sinal gerado pela operadora de telefonia que a patrocinava. A notícia foi divulgada pelo site Tudo Rádio, especializado em informações do setor radiofônico. Veja aqui.

Findo o contrato, o cliente não teve interesse na renovação e tudo acabou. Mas e os ouvintes, como ficaram? Ora, os ouvintes que se danem, devem ter dito os “responsáveis” pelos projetos. Simples e fácil assim. Não há como criticar o anunciante. A responsabilidade pela manutenção da emissora e da rede mencionadas nos exemplos acima não é de quem anuncia. Ele pode —e deve— procurar a melhor alternativa de investimento publicitário. Por outro lado, as emissoras não podem —jamais— fraudar as expectativas do ouvinte. Ou tanto faz?

Quanto ao não cumprimento das obrigações originais que compete aos detentores das outorgas é problema deles, mas ninguém lhes cobra nada. E “segue o jogo”, como diria Milton Leite, um dos narradores do Sportv.

Estamos falando de grupos grandes, fortes e consagrados. O que dizer do processo em que os envolvidos são pequenos, fracos e ainda não inteiramente acreditados pelo mercado? “Isso não existe, Flávio” —dirão os insistentes.

Outro engano. Para matar a cobra e mostrar o pau, veja a nota também publicada pelo site Tudo Rádio. Clique aqui. (agora convém ler a nota e voltar a este ponto)

 As razões que levaram os irmãos goianos Gleison Cabrini e Júnior Cabrini a interromper a rede pouco menos de um ano de sua criação (leia aqui) não vêm ao caso. O que interessa ver é que, à semelhança de outros tantos episódios ocorridos no Brasil, mais uma vez, o ouvinte vai ficar sem entender nada. De uma coisa não há dúvida, o rádio está em uma encruzilhada.

Agora pode ver o artigo que indiquei, no meio deste texto. Para não ter que voltar a página, clique aqui. E boa leitura.

Imagens: Encruzilhada: link / Burocracia: link Rede: link / Outorga: link (você precisa buscar o trecho) / Malandro: link / Copa e Olimpíada: link / Vidente: link / Logo Mit FM: link / Oi FM: link /Milton Leite: link / Logo D+FM: link

27 de março de 2012

CACHOEIRA DE CORRUPÇÃO PODE ACABAR EM CASCATA

A mais recente denúncia que envolve o meio jornalístico nacional é protagonizado por Luís Nassif. Depois das reportagens do Fantástico, da Rede Globo, sobre os casos de propinas em concorrências públicas, esta semana o foco se volta para a revista Veja.

policarpo_jr

Nassif não aponta diretamente para a revista, porém, o denunciado é um dos redatores-chefes da publicação e chefe da sucursal, em Brasília. Logo a Veja, que sempre denuncia, agora se espreme sob o peso da denúncia. A acusação envolve Policarpo Júnior (à esquerda). Luís Nassif o acusa de ter trocado mais de 200 telefonemas com o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o “Carlinhos Cachoeira”. Não há como dissociar Policarpo da Veja. Assim como não foi possível ao senador Demóstenes Torres (DEM-GO) continuar como líder do DEM no Senado após denúncias de envolvimento com o caudaloso Carlinhos. Na tarde desta terça-feira, 27, o senador pediu afastamento da liderança partidária naquela casa.

Nesse jogo perigoso das relações entre veículos de informação e o poder ninguém é santo. Cada qual, movido por razões ou interesses próprios tem lá seus motivos para se esforçar ao máximo e “ficar bem na fita” oficial. Como se sabe, a Casas Bahia rompe a cifra do bilhão anual em verbas publicitárias e é considerada a maior anunciante do Brasil. Leia matéria da revista Exame, datada de julho de 2011, mas que continua sendo um espelho do mercado. Porém, a Casas Bahia é o maior anunciante brasileiro do setor privado. No total de verbas publicitárias torradas com veículos de comunicação (incluindo todas as mídias) o império montado por Samuel Klein é o segundo maior. Vem depois do governo, claro, o primeiro colocado incontestável. Isso basta para mostrar que a luta é feroz (e, dizem, muito desleal) entre a concorrência, para ficar com uma bela fatia do bolo. Esse apetite voraz leva, inevitavelmente, a “excessos à mesa”.

Luiz Nassif, por outro lado, é acusado por desafetos de ser pau-mandado do PT. Assim, de quando em quando, é detonado pela ala contrária com insinuações, inclusive, de que o jornalista ganha para esculachar os opositores do governo. Ainda em 2010, Nassif foi apontado por receber privilégios da TV Brasil, estatal. Divulgada a informação de que o jornalista recebeu mais de 1,2 milhão de reais daquela emissora, Nassif se defendeu dizendo que a soma era compatível com a “notória especialização” dele.

“Por quê, diabos, apesar de ‘minha notória especialização’, nunca recebi nenhuma verba, de governo nenhum?” —você, famoso, dedicado e especializado em sua atividade profissional —deve estar se perguntando. Eu, acrescentaria: boa pergunta!

corrupção

Seja o que for que esteja por trás desse jogo de cena uma coisa é certa: existe sinalização suficiente para que a gente fique de olhos bem abertos. No entanto, é importante destacar que nem o volume de corruptos e corruptores corresponde ao imenso potencial deste país nem, tampouco, a mídia é tão isenta como quer parecer.

Havia, anos atrás, um programa humorístico em que um dos personagens sempre se envolvia em casos obscuros que sugeriam corrupção, desmandos, favorecimentos e outros tipos de “marmelada” na área. Na final da esquete, o personagem, único acusado como responsável por tudo, perguntava: “Só eu? Cadê os outros?”

capa_veja_23_março

Pois é. As denúncias são importantes e necessárias. No mínimo, apontam um caminho a ser percorrido pelas investigações. Segundo matéria de Veja, distribuída em 23 de março, a corrupção devora uma soma que chegaria a 82 bilhões de reais por ano, mas pode ser maior. Dinheiro que faz muita falta ao orçamento do governo e, por consequência, à população, privada de benefícios que a corrupção não deixa implantar.

Somando-se os valores pagos às empresas acusadas pelo Fantástico, em contratos fraudados ou não, chega-se, com muito boa vontade, a 1 bilhão de reais. É muito dinheiro, sim, mas tomando-se o valor estimado de 85 bilhões de reais engolidos pela corrupção, ainda falta relacionar muita gente. 

Durante anos, até 1999, fui locutor das chamadas de capa da revista semanal mais importante do país. Já naquela época, a Editora Abril utilizava o slogan “Veja, indispensável”. A acusação de Nassif, apesar de dirigida a Policarpo, pesa muito mais em função da credibilidade adquirida pela revista ao longo do tempo.

Claro que identificar corruptos e corruptores não é tarefa para se atribuir, apenas, à Veja ou à Globo, mas é preciso tapar esse ralo da verba pública, que lesa a pátria e a população. O momento é agora.

Senão, a cachoeira da corrupção pode acabar em cascata.

Luís Nassif: link / Policarpo Júnior: link / TV Brasil: link / Gráfico: link / Capa de Veja: link

24 de março de 2012

TRAGÉDIA NA TELEVISÃO BRASILEIRA: 209 MORTOS!

De uma só tacada, 209 pessoas morreram tragicamente na tarde de 23 de março no Hospital Samaritano do Rio de Janeiro. Todas elas habitavam, há muito anos, o privilegiado cérebro do mais talentoso e criativo artista já surgido na televisão brasileira: Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho ou, simplesmente, Chico Anysio.

Aliás, ao me referir a Chico Anysio, é muito difícil escrever “simplesmente”... porque sua arte, enquanto humorista, ator, dublador, escritor, compositor e pintor, era completa, complexa e, não raro, atingia as raias da perfeição.

Ao remexer os destroços dessa tragédia, vamos encontrando, uma a uma, essas figuras impagáveis que fizeram rir e divertir pelo menos duas gerações de brasileiros.

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O primeiro que nos surge é o reconhecido ator Alberto Roberto que, se vivo estivesse, se recusaria a gravar uma entrevista.

“Não ga-ra-vo!” diria ele “Mas devo te dizer pra você que, como eu, ele era um símbalo sescual. Também... com aquela penca de filhos...”

O radialista e apresentador de TV Roberval Taylor, outra vítima desse triste acontecimento, talvez começasse anunciando: “Morreu, pela primeira vez,... e depois terminasse usando o seu bordão: “Roberrrrrrrrval Taylor”!

Outra vítima, Salomé, a velhinha de Passo Fundo, a essas horas já está tomando um chimarrão com seu amigo pessoal General Figueiredo.

Já Pantaleão inventaria mais uma mentira deslavada sobre esse desastre e completaria:

“É mentira, Terta?”

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Coalhada, o craque fajuto, não saberia o que aconteceu e diria: “Joguei mal até no banco de reservas...”

Seu Popó, Coronel Limoeiro, Qüem-Qüem, Azambuja, Lingote, o deputado Justo Veríssimo, Bento Carneiro... 

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Agora lá vão eles... em fila, em direção da eternidade, atrás de seu patriarca, do verdadeiro mestre do humor, da piada pura e da gargalhada fácil. O primeiro da fila talvez seja o “amado guru”, o “inefável mestre” Professor Raimundo que, certamente e para alegria dos anjos, abrirá sua escola no céu.

Bem disse Jô Soares: Dizem que ninguém é insubstituível... mas Chico Anysio desmente esse aforismo!”

É verdade... dificilmente surgirá no cenário artístico nacional alguém como Chico Anysio. Era um orgulho nosso, um patrimônio, que nos deixa de luto e órfãos do verdadeiro humorismo!

AURÉLIO DE OLIVEIRA

jornalista-publicitário-escritor-videomaker

e faz um molho a bolonhesa que é coisa de cinema!

Imagens: Hospital Samaritano: link / Chico Anysio: link / Alberto Roberto: link / Roberval Taylor: link / Salomé: link / Pantaleão: link / Coalhada: link / “Seo” Popó: link / Coronel Limoeiro: link / Quem Quem: link / Azambuja: link / Lingote: link / Justo Veríssimo: link / Bento Carneiro: link / Prof. Raimundo: link /

23 de março de 2012

A MAIOR PIADA DE CHICO ANYSIO, O INSUBSTITUÍVEL

Muito se falou, se fala hoje e se falará eternamente de Chico Anysio. Laudas, páginas e páginas de texto vão ser escritas na tentativa de mensurar a grandeza de Chico. A obra do mestre do humor brasileiro, porém, não requer que ninguém fale nada além do que já foi dito e mostrado. Que tal, então, deixar o próprio Chico falar?

O vídeo que selecionei para você, com cerca de 8 minutos (que passarão voando, acredite), é um depoimento de Chico Anysio sobre a própria trajetória de vida. Já alquebrado pelo peso dos anos, maltratado pelos castigos impostos pela doença que o derrubou, ainda assim, Chico projetou uma vida até os 100 anos.

Dotado de um extraordinário senso de humor, imediatamente após ter manifestado o desejo de viver um século, Chico Anysio tratou de “consertar” a frase.

O maior humorista brasileiro de todos os tempos é insubstituível como, aliás, ele sempre disse que os humoristas são (e o reafirma no vídeo). Quem mais, além de Chico, ousaria fazer a maior piada de todos os tempos, como autor e personagem ao mesmo tempo? 

Imaginando que sou lido por um público adulto, pois a garotada não se liga em meu estilo, vou “traduzir”, sem rodeios, o roteiro que boa parte das pessoas pode não ter percebido, mas estava à vista de todos.

Em 1992 Chico Anysio se casou com Zélia Cardoso de Melo e com ela teve dois filhos, um casal. Evidências suficientes para que acreditemos em um caso genuíno de amor e paixão, claro. Mas, para mim, a natureza cômica do talentoso cearense não deixaria passar em brancas nuvens a oportunidade que estava ali, na frente dele, de graça.

E foi com extrema graça que o contexto criou a maior piada que Chico Anysio concebeu. Casando-se com Zélia, a ministra que, em 1991, confiscou a poupança e fodeu com a grana da população, Chico foi à forra e fodeu com ela, em nome do povo brasileiro. Grande sacada, Chico, grande sacada!

Ninguém, jamais, saberá se a piada foi intencional, mas nem precisa. Você acha que um humorista tão diferenciado e perspicaz quanto Chico Anysio perderia esta chance?

Agora, veja o vídeo. É Chico Anysio, de um jeito que você nunca viu.

Imagens de Chico Anysio: link e Youtube – créditos no próprio vídeo

21 de março de 2012

SBT: O TITANIC PODE AFUNDAR NOVAMENTE

Tudo indica que não bastaram as experiências desastrosas que, rotineiramente, têm singrado os mares territoriais de Silvio Santos no campo jornalístico, para nos atermos apenas a esta área.

O departamento de jornalismo do SBT agita-se novamente, com a contratação de Marcelo Parada para pilotar a nau-sem-rumo que tira o sono do dono da rede de televisão que já teve a pretensão de ser a segunda no país. Como sabemos, ficou só na pretensão.

Infelizmente, o pessoal da Anhanguera insiste na fórmula de trocar as moscas. Até quando? A fórmula, desgastada, de tirar apresentadores de outras emissoras na vã expectativa de que resolvam os problemas de audiência deste ou daquele canal já se provou ineficaz.

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Os exemplos estão aí e são bastante conhecidos do mercado. Ana Paula Padrão, Celso Freitas e Heródoto Barbeiro —todos na Record— não foram suficientes para produzir o milagre que o dono da Igreja Universal pretendia operar. No campo televisivo, os deuses seriam menos complacentes? O fato é que, no jornalismo, “poderes” espirituais não funcionam.

Com o SBT não tem sido diferente. Das mudanças implantadas na Anhanguera nos últimos anos, a única contratação valorosa e positiva talvez tenha sido a de Carlos Nascimento. Este, no entanto, se deixou seduzir pela perspectiva de receber salários elevados, sem fazer muita força.

Nascimento, aliás, perdeu a maior chance profissional até então recebida, quando trocou a Bandeirantes pelo SBT. No reduto dos Saad, Nascimento era rei e atingiu, seguramente, o maior patamar de credibilidade que jamais foi conferido a ele, nem nos tempos de Globo.

De excelente repórter que sempre foi, Nascimento passou a apresentador da Vênus Platinada, mas ficou estagnado no telejornal Hoje e nada mais.

Quando foi para o grupo Bandeirantes de Comunicação, além do canal aberto ele teve à disposição a Band News TV, a Band News FM, a rádio Bandeirantes AM/FM, o canal rural Terra Viva, o canal 21—que ainda não havia sido arrendado pelo fazendeiro Valdemiro, apóstolo nas horas vagas—, além de expandir horizontes sobre o jornal Metro, também do grupo.

Ali, Carlos Nascimento encontrou o terreno fértil do jornalismo cuidado por “homens do campo” hábeis, competentes e, acima de tudo, dotados de grande credibilidade. Esse conjunto de fatores foi ao encontro do inegável talento do ex-global e não demorou para que chamasse a atenção da concorrência. As safras que Nascimento colheria—permanecendo no grupo—seriam fartas e incalculáveis, mas a possiblidade de enriquecer materialmente, de maneira rápida, falou mais alto.

Atraído pelos cifrões que Silvio Santos ofereceu, o moço de Dois Córregos resolveu “amarrar o burro na sombra”. Até hoje acho que o burro da história não foi, exatamente, o protagonista da expressão popular. Creio que o próprio Nascimento se deu conta disso, quando apagaram-se as luzes que fizeram cintilar a cobiça diante dele. O mal, porém, já estava feito.

Na Band, Ricardo Boechat logo ocupou, com méritos inegáveis, a lacuna deixada pelo candidato a rico. Simpático, inteligente, às vezes irreverente, talentoso e capaz “matou” a eventual saudade que o telespectador poderia vir a ter de Nascimento.

Nos domínios de Silvio Santos, a coisa foi diferente. Além de não ocorrer a explosão que se esperava, pois sozinho ninguém faz nada, Carlos Nascimento foi perdendo a aura que atribuíram a ele, na esperança de que o “santo iria realizar milagres nunca dantes imaginados”. Não apenas não fez milagre, como perdeu prestígio. Afastado do SBT Brasil, principal produto jornalístico da casa, teve, recentemente, um profundo corte de salário. Ou aceitava as regras do ex-dono do Baú (rico e esperto como nunca) ou caía fora. Sem alternativa, permaneceu na Anhanguera.

A chegada de Marcelo Parada ao SBT pode representar a redenção de Nascimento, se derem liberdade de ação ao novo dirigente. Para isso, é preciso que mudem mais coisas, além das tradicionais moscas que voam em círculos e não vislumbram o horizonte.

Que o novo diretor de jornalismo da emissora de Silvio Santos não se iluda, contudo. A tarefa mais difícil será a de convencer o próprio dono do sorriso televisivo mais famoso do país de que o tempo das bajulações gratuitas já passou. Hoje, cantarolar bordões para personalidades políticas atribuindo-lhes o carimbo pseudo-carinhoso de “coisa nossa” não funciona.

A imprensa especializada divulgou que a contratação de Marcelo Parada tem a função de aproximar o SBT do poder central, em Brasília. A princípio, isso é uma pena, pois eu gostaria muito mais de saber que a missão de Marcelo seria a de resgatar a credibilidade jornalística que deixou de existir naquela emissora desde a ida de Boris Casoy para a Record.

Enquanto teve espaço e liberdade, Casoy também brilhou nos domínios do bispo. A conturbada saída do jornalista daquela emissora cavou um fosso profundo no qual o dono do bordão “isso é uma vergonha” foi lançado e quase esquecido.

O desfecho da história todos conhecem. Boris Casoy, depois de anos desempregado, hoje está na Bandeirantes, mas nunca mais foi o mesmo. Salvo algum engano (motivado por fato que desconheço), é possível que o peso dos anos tenha sido fundamental para a nova postura profissional de Casoy. A escolha é um direito dele, mas o público brasileiro esperava mais, muito mais.

Resta saber se, no SBT, Carlos Nascimento poderá emergir das ondas ou se Marcelo Parada será apenas mais um grumete que tenta reconduzir o navio a uma rota segura. Conseguirá ou o choque com o iceberg é inevitável?

Imagens: Titanic: link / Ana Paula Padrão: link / Celso Freitas: link / Heródoto Barbeiro: link / Carlos Nascimento: link / Ricardo Boechat: link / Marcelo Parada: link / Boris Casoy: link

9 de março de 2012

NÃO LEVO MEUS NETOS PARA VER ESSE FUTEBOL

Nota do editor: Aqui está um texto que eu gostaria de ter escrito. Não o escrevi, por falta de competência mesmo, mas o transcrevo com orgulho e prazer. Normalmente ilustro meus posts com fotos. Esta crônica, no entanto, dispensa fotografias. Ela própria é uma estonteante imagem que revela o estágio atual do futebol brasileiro. Assim, o espaço que seria ocupado com as ilustrações será utilizado para identificar o autor do texto que você vai ler. Um golaço! Um gol de placa!

Ignácio de Loyola Brandão - O Estado de S.Paulo

09 de março de 2012 |

“Sei que o mundo mudou e, se querem minha opinião, ficou chato. Sei que o futebol mudou e se posso opinar, ficou muito chato. Não sou cronista esportivo, nunca fui. Também não sou daqueles que olham um jogo e ficam sabendo que os zagueiros deveriam avançar, que a tática usada foi 4.3.3 ou 5. 2.4 ou 1.9. 1. Vou ao campo ver a bola correr, ver dribles, defesas, gols, lançamentos, passes, grande jogadas, beleza. Quando leio ou ouço os comentaristas descreverem as partidas, fico com a sensação de que vi outro jogo e me sinto humilhado pela minha falta de conhecimentos. Será que por causa de minha ignorância estou achando tudo entediante, monótono, aborrecido, rotineiro? Ou o futebol definhou?

Eu ficava abismado quando, décadas atrás, ouvia ou lia que Tostão jogava esplendidamente sem bola. O que é jogar sem bola? Correr? Enganar o adversário? Fazer que vai, mas não vai e o seu marcador fica com cara de bobo? Humildemente tentei ler sobre técnicas, táticas, tentei olhar o jogo com sumidades, especialistas e confesso meu fracasso.

Tudo o que sei é que os jogos estão chatos, sem emoção, grandes lances, algo que me leve a aplaudir de pé. Não mexem mais comigo. Não fico ansioso para ir ao estádio. Neste campeonato paulista não entendo quando as torcidas se rejubilam com uma goleada de 5 ou de 6. Sobre qual adversário? Sobre times que não se mantêm nas pernas. Há um mundo de times jogando. Para quê? Que futebol exibem que justifique o sacrifício de comprar um ingresso, enfrentar fila (se bem que há muito não há filas), ficar na arquibancada ao sol de verão?

Vale algum sacrifício ir ver o Adriano, o Valdivia, o Luís Fabiano, o Lucas, e outros celebrados em campo? Por Deus! Por mais que procure, e procurei até em livros de filosofia, de física quântica, de lógica e, vejam só, até em teologia, e juro que não entendi por que se contrata a peso de ouro certos "craques". Por que meu time foi buscar esse imperador? Qual é o império dele? Não o de Júlio César, nem o de Alexandre, nem o de Gêngis Khan. Pagam a esse moço a quantia de R$ 400 mil para quê? Quantos jogos ele jogou? Com esses 400 mil poderíamos acertar a minha Ferroviária lá em Araraquara, à qual permaneço fiel, ainda que a veja flácida, sem músculos, sofrendo de Alzheimer, sem forças, como a maioria dos times do interior.

E esse Corinthians líder que agora é humilhado por todos que brincam, zoam, gozam com suas goleadas "arrasadoras" de 1 x 0? Acabou o orgulho, o destemor, o querer dar espetáculo. Sabe por que não dão espetáculo? Porque não têm talento. O futebol que já foi Cirque Du Soleil hoje é um barracão coberto por lona podre, furada. Qualquer um que entre em campo e passe o pé sobre a bola três vezes é um craque procurado por empresários, agentes, assessores, treinadores, dirigentes, e um mundo de gente que quer fazer dinheiro.

Sei que o tempo mudou, mas como esquecer a ânsia com que as populações do interior esperavam os jogos com os grandes? Havia caravanas que se deslocavam de uma cidade para outra e enchiam os (verdade que pequenos) estádios. Via-se o Corinthians, o Palmeiras, o São Paulo, o Santos, a Portuguesa, duas vezes ao ano. No turno e no retorno. E bastava. Agora se vê todos os dias. Se vê pela televisão, se vê plays e replays, se grava e se vê. Ficou igual a mulher nua em revista, em filmes, em novelas. Tudo que é demais satura. Banalizaram o futebol, assim como banalizaram a nudez, a sensualidade. Está chato, insosso. Digam: qual foi o grande jogo, a partida eletrizante deste capenga, chocho campeonato paulista?

Os técnicos são as grandes estrelas. Só que se juntarmos todos em campo, orientando uma partida, não darão a estatura de um Guardiola. Pegue o dedo do Scolari, o joelho do Mano Meneses, a boca do Leão, a arrogância do Luxemburgo, a apatia do Tite, a mudez do Muricy e tentem formar um técnico Frankenstein (este é para quem conhece literatura e cinema, tem certa cultura). Esse técnico não ganhará de ninguém. Está aí a seleção brasileira, inglória, sem provocar orgulho, sem nos fazer bater no peito. Batemos, sim, de raiva.

Sinto, não levei meus netos a um só jogo. Nem vou levar. Não tem por quê. Não quero deformá-los. Adoraria que crescessem dizendo: meu avô me mostrou a beleza do futebol! Não darei esse legado a Pedro, Lucas e Felipe, infelizmente. Ver o futebol que está aí é o mesmo que assistir ao BBB, A Fazenda, Mulheres Ricas, Zorra Total e pensar que se está vendo televisão. Nem esse campeonato é futebol nem esses programas e muitos outros são televisão pelo baixo nível, pela indigência, ausência de talentos, categoria, inteligência. São arremedos. E basta.”