CONTATOS, INCLUSIVE ASSESSORIAS DE IMPRENSA:
FALE CONOSCO!

Navegue à vontade

Na coluna à direita, logo abaixo das postagens preferidas do leitor, está o ZAPPING. Através dele você tem acesso direto às noticiais do dia, nacionais e internacionais, além de informações sobre quase tudo. ZAPPING. Uma central de notícias e entretenimento em que você escolhe o que quer.

30 de agosto de 2012

CHICO PAES DE BARROS X ADRIANO BARBIERO: LIÇÃO DE VIDA

chico_capital Como curiosidade, menciono neste post a conduta de Francisco Paes de Barros, diretor geral da rádio Capital, de São Paulo, em relação a Adriano Barbiero, funcionário da emissora e editor do site Bastidores do Rádio.

Um caso sui generis, que sai do intramuros para o conhecimento geral, por iniciativa do diretor, através de uma carta acompanhada do pedido de publicação no Bastidores.

Faço apenas um comentário, que considero necessário e justo. Chico Paes de Barros mostra, com a atitude inusitada, que é um dos poucos dirigentes empresariais a não agir do alto do cargo. Hierarquicamente, chefe é chefe e subordinado é subordinado.

O gesto de Chico Paes de Barros é um genial tapa com luvas de pelica.

Na carta travestida de queixa, o diretor esclarece, com delicadeza incomum, que mantém o jovem talento nos quadros da emissora devido ao valor profissional e à boa conduta de Adriano, filho de Altieris Barbiero, meu amigo.

Outro, no lugar de Chico Paes de Barros, teria dito uma única palavra para encerrar o caso: rua! Chico preferiu usar o episódio e dar ao jovem radialista uma lição de vida e, também, devida.

Agora, veja o motivo deste meu comentário. Aqui.

___________________________________

Imagens: Adriano Barbiero – link / Chico Paes de Barros (editada) - link

29 de agosto de 2012

OS JOGOS PARAOLÍMPICOS MUDARAM E VOCÊ JÁ DEVE DEVE OUVIDO

Você já deve ter reparado que os telejornais, programas esportivos do rádio, alguns jornais impressos e até portais na web passaram a utilizar a palavra ‘paralimpíada” ao se referirem aos tradicionais Jogos Paraolímpicos.

Normalmente realizados após a Olimpíada, neste ano houve uma inovação. Nenhuma modalidade atlética foi adicionada ou retirada dessa bela competição que contempla o esforço e o sucesso do ser humano em superar barreiras e deficiências de toda ordem.

Na foto, abaixo, o nadador brasileiro Daniel Dias (dir) cumprimenta o ucraniano Dmytro Kryzhanovskyy, após chegar em segundo na prova de 50 m livre, na categoria S5, para nadadores com limitação físico-motora, durante os Jogos Paralímpicos de Pequim, em 2008. Naquele ano, Daniel faturou quatro medalhas de ouro, quatro de prata e uma de bronze. Um feito fantástico!

A grande mudança é mais percebida pelo ouvido que pelos olhos. Veja porquê: com a unificação do idioma nos países de língua portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) o termo Paraolimpíadas se transformou em Paralimpíadas e Jogos Paraolímpicos passaram a ser grafados Jogos Paralímpicos.

Embora Portugal não tenha, ainda, aderido efetivamente ao novo Acordo Ortográfico, o Comitê Paralímpico Internacional solicitou a alteração. Portugal é signatário do acordo, mas, por lá, as diferenças entre o nosso Português e o deles continuam em pleno vigor.

Depois de explicado, preste atenção ao ouvir a expressão Jogos Paralímpicos. Tem-se a impressão de ouvir Jogos Paralíticos, o que assusta um pouco.  

O que ocorre é falta de treino da audição. Por não reconhecermos, imediatamente, a nova palavra, surge a falsa impressão de ouvirmos outra coisa. É somente questão de tempo, portanto, para as novas grafia e pronúncia serem completamente assimiladas.

Menos mal. Desta vez não se trata de nenhuma mudança por conta de achismos pseudointelectuais a nível de ‘inteligências’ capazes de contradizer, por exemplo, uma expressão consagrada há séculos pela *última flor do Lácio, como risco de vida. (veja nota, embaixo)

Com o ego inflado e entumecido pelo pedantismo ostensivo dos ignorantes pretensamente ilustrados, dizem, com caras e bocas, que “ninguém corre o risco de viver, mas de morrer”. Então, concluem, risco de vida está errado. O certo, para esses imbecis, é risco de morte.

Risco de vida significa, literalmente, colocar ou estar com a vida em risco. Nada a ver com a ‘interpretação’ dos defensores do risco de morte.

A forma risco de morrer é admissível, porque correta, mas risco de morte em lugar de risco de vida é demonstração de burrice crassa e pretensão ilimitadas.

Aliás, esse tipo de pensamento obtuso (e absurdo) é capaz de criar obstáculos nada atléticos para a adoção do termo paralímpico no Brasil.

sabido

Como, no original, em Inglês, a palavra resulta da união de paraplegic e olimpics é capaz de que, logo, alguns boçais venham a sugerir que paralímpico seja exterminado, pois, derivando de paraplégico, não serve por ser politicamente incorreto e ofensivo. Pode uma coisa dessas?

Veja nota, com vídeo em que o termo paralímpico é utilizado, no portal EBC—Empresa Brasil de Comunicação. Aqui.

* Olavo Bilac, representado de monóculo na imagem acima, à esquerda, é o autor do soneto Língua Portuguesa que o poeta chama de A Última Flor do Lácio. Ele aludiu ao fato de o Português ser conhecido como a última língua derivada do Latim vulgar, falado pelos soldados da região do Lácio, na Itália. Veja.

___________________________________________

Imagens: Paralimpíadas – link / Prova paralímpica de nado – link / Ouvindo mal – link / Olavo Bilac – link / Sabichão - link

A MÁQUINA DO SOM: LEMBRANÇAS INESQUECÍVEIS

Eu estava dando uma geral na correspondência eletrônica, antes de ir para a cama.

Foi quando vi uma mensagem de e-mail, encaminhada pelo Facebook, por Rosinha Monkees Viegas.

Rosinha era ouvinte da rádio Excelsior— a Máquina do Som, São Paulo/SP, em 1978. A mensagem é esta:

“Rosinha Monkees Viegas

Especialmente para Cesar Foffá, Flávio Guimarães e Antonio Celso Cipolla para provar que eu sou mesmo fã desses caras desde sempre! Olhem o que eu achei no meio das minhas cadernetas escolares... e a fita K-7? Essa é a raridade que minha mãe guarda até hoje com carinho: a primeira fita que ela ganhou na vida com a música que ela mais ama, "Fascinação" de Elis Regina (e ainda funciona!!!). Meninos, falem a verdade: existe fã mais fã que eu? hehehehe Beijos e obrigada por fazerem parte da trilha sonora da minha vida!”

Rosinha, como você deve ter notado, acrescentou Monkees ao próprio nome por adorar o grupo. Ela sempre foi fã dos rapazes. Recentemente, Rosinha me contou, também pelo Facebook, que os conheceu pessoalmente e assistiu a vários shows do grupo norte-americano.

Aliás, aqui está ela, em Nova Iorque, no camarim, ao lado de Davy Jones, ex-vocalista dos Monkees, após um show. Davy, infelizmente, morreu no início deste ano, vítima de um ataque cardíaco. Veja.

Pois essa Rosinha fez uma montagem especial com algumas coisas que ela e a mãe guardaram daquela época de Excelsior.  Aí, não tive dúvida: deixei o sono para mais tarde e resolvi escrever este post.

Na foto, estão uma fita K-7 do programa que apresentei na Máquina, um recorte de jornal ou revista da época (com Antônio Celso sem barba), um recadinho de Cesar Foffá (o endereço que aparece no papelzinho, se não estou enganado, é do Sesc Vila Nova, mas não imagino por que está anotado ali) e uma dedicatória que fiz à querida ouvinte: “Pra que você não se esqueça da gente, Rosa.” Veja:

excelsior

Ela não apenas não se esqueceu, como também guardou tudo. Quase não acreditei ao ver a imagem dessas coisas, tão simples, mas profundamente marcantes. Tratei de copiar a foto e arquivá-la para, em reciprocidade, não me esquecer da ouvinte carinhosa.

 

Obrigado, Rosinha Monkees Viegas. Dê um beijo em sua mãe. Certamente, esse cuidado de manter, guardadas, algumas lembranças do passado você herdou dela.

Quisera ter feito isso, ao longo da vida. Nunca me preocupei em documentar minha trajetória profissional e sinto um certo arrependimento, pelo descuido. Hoje, no entanto, ganhei um prêmio especial. Reparou na data dos bilhetinhos?  No último dia 22 de agosto, completaram-se 34 anos que os escrevemos, eu e Foffá.

Era uma vez, na rua das Palmeiras, uma rádio chamada Excelsior e tantos sonhos no ar! Obrigado, Rosinha. O seu gesto resgatou lembranças —tão vivas!— que eu julgava perdidas no amontoado de recordações que o tempo vai acumulando pela vida afora. Meu coração bateu mais forte, acredite! Aceite um grande abraço e, novamente, obrigado, Rosinha Monkees Viegas!

Agora vou dormir, talvez sonhar*. Mais um pouquinho.

______________________________________________

Imagens: Capa de Lp – link / “Roubei, da página de Rosinha, no Facebook / Talvez sonhar - link¨/  * Hamlet – William Shakespeare - link

27 de agosto de 2012

E, ENTÃO, GOSTOU? ATÉ AQUI, FOI BOM PRA VOCÊ?

Desde o começo, a tentativa foi a de agradar. Tendo em mente experiências pessoais, passei a me ligar em detalhes.

Quantas vezes, em vez de terminar logo, preferi tentar algo novo, me esforçando pelo tempo que fosse preciso, antes de dar a coisa por encerrada. 

Esse tipo de preocupação interfere na produtividade, mas nunca me incomodei. “É preferível a qualidade à quantidade”, diz a voz da sabedoria.

Optar pela qualidade tem compensações. Os bons resultados, quase sempre satisfatórios para mim, foram me estimulando na busca pelo gostinho de fazer bem feito. Depois de gastar tempo e esforço, surge uma onda de prazer que acaba nos levando — até inconscientemente — a repetir a dose.

Algo parecido com o que ocorre com a prática de exercícios físicos. A descarga de endorfina provoca um estado de euforia que leva a pessoa a querer se exercitar sempre mais. Uma, duas, três, trinta, cem vezes. Além disso, existe uma  chance de se destacar na multidão, o que não é fácil.

A sensação é muito boa, mas começa a pintar a curiosidade. A dúvida aparece. A gente faz de tudo para não deixar que interfira. Porém, seiscentas e cinquenta e uma vezes depois, você conclui que está na hora de saber. Diante disso, vou deixar a vergonha de lado e perguntar agora, ao publicar o post de número 652: você está gostando do jeito como escrevo os posts do blog?

A maioria das postagens, na rede, privilegia o texto e pouco utiliza imagens para reforçar a ideia. Quando faz uso dela, o formato mais comum é o de foto única, no alto do post. Desde o início, optei por narrar os fatos reforçados por imagens relacionadas ao assunto. Mesmo que, às vezes, demore muito para encontrar a imagem que imagino ser a melhor para um determinado trecho do texto. Talvez seja influência de minha fase como narrador de documentários para a televisão. Na telinha, imagem e texto se complementam e funcionam bem. No blog, não sei.

Os indicadores disponibilizados pelo Blogger sinalizam algumas coisas, mas não todas, quando se trata de aferir a popularidade do blog. É pior ainda quando a gente quer saber o que pensam os leitores sobre os artigos publicados. As visitas diárias ao FG-News aumentaram entre cinco e sete vezes, na comparação com o começo. Hoje, estão na casa de 1.200 / 1.300 por dia. Às vezes, há picos de dois mil e poucos acessos. No sentido oposto, não tem caído abaixo de mil acessos. Os comentários, que já não eram muitos, diminuíram. A queda se acentuou depois que mudei o visual do blog.

Se, por lado, ficou indiscutivelmente mais bonito de ver, por outro lado, me pareceu ter ficado mais difícil navegar por ele. Os menus criados desde o lançamento do FG-News desapareceram quando o visual do blog mudou. No entanto, todos os dias tem havido leitura de postagens antigas em bom número, o que não acontecia. Passada a atualidade do post, ele era relegado ao mais completo esquecimento com duas ou três exceções. Agora, tenho me surpreendido com o bom acesso de leitores a publicações de 2010, 2011 e início deste ano.

Algumas possibilidades poderiam explicar essa tendência. Talvez, hoje, o FG-News esteja sendo apontado mais frequentemente pelos buscadores da web. Essa é a primeira hipótese e a mais provável. Nesse caso, a capacidade de o blog atrair leitores fica comprometida. Muita gente pode estar procurando onde comprar veneno de rato e vir parar aqui por causa de uma TAG de um post qualquer sobre política, certo? Uma explicação otimista é a de que os leitores talvez estejam se sentindo mais à vontade e, familiarizados com o atual mecanismo de navegação, passaram à pesquisar as páginas internas do blog. 

Depois destas observações, agora são pelo menos três perguntas que eu preciso fazer a você:

1ª) Devo manter a calma e a paciência ou é melhor acompanhar a maioria e partir para as rapidinhas (postagens)?

2ª) Você tem navegado internamente pelo blog ou, muito pelo contrário, cai fora quando clica sobre o link de uma postagem e não volta ao blog depois de sair dele? O problema dos links me aborrece muito e não encontrei solução para ele, ainda.

3ª) Esta é a pergunta mais importante e a resposta sugere quatro alternativas, abaixo. Como é que você descobriu o FG-News?

a) através da indicação de amigos;

b) por acaso, ao procurar uma notícia na rede;

c) depois de digitar alguma coisa no Google, mas, ao verificar, não tinha nada a ver;

d) e, por último, foi bom ou tem sido bom pra você? 

Para responder, só tem um jeito: deixe um comentário.

Diferentemente daquelas gravações de espera telefônica que insistem no aviso “nossos atendentes estão todos ocupados no momento, mas iremos atendê-lo, em breve” e nos deixam pendurados na linha, aqui basta clicar na frase “Add a comment”, aí embaixo, e pronto.

Eu não queria ser repetitivo, mas, neste caso, sou levado a dizer que “sua ligaç…, digo, sua opinião é muito importante para nós”. Obrigado.

______________________________________________

Imagens: Multidão – link / Dúvida – link / Indicadores – link / Buscadores – link / Múltipla escolha – link

 

TUPI, DO RIO, E CAPITAL, DE SÃO PAULO, PENSAM NAS COPAS COM A CABEÇA

capital_tupi

Recebi release de Sérgio Monte Alegre, assessor de imprensa que atende à rádio Capital, paulistana. O primeiro parágrafo do texto diz: “A Rádio Capital AM, de São Paulo, fechou acordo com a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, para a transmissão dos jogos da Copa das Confederações, em 2013, e da Copa do Mundo, em 2014.”

A informação que interessa ao ouvinte está completa. Essa é uma das principais características do rádio e de quem trabalha nele ou para ele: ir direto ao ponto.

copas_2013_14

Parabéns aos dirigentes da Tupi, Alfredo Raymundo, e da Capital,  Chico Paes de Barros, pelo acerto da estratégia. A parceria entre as duas emissoras eminentemente populares é uma ótima jogada, em benefício do esporte. No caso do futebol, ainda mais, pois a força do rádio na divulgação dessa modalidade esportiva é tradicional e exerce grande influência sobre o torcedor.

Novas parcerias, entre outras emissoras, já estão ocorrendo. Cada contrato fechado, agrega maior valor aos dois eventos. Coisa que a Record não conseguiu enxergar, ao tornar inviável o repasse da transmissão da Olimpíada.

O recente e malfadado episódio dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 mostrou que é preciso pensar com a cabeça no planejamento de grandes eventos. A redundância da frase chama a atenção sobre a “gula” financeira, que prejudicou o raciocínio da Record. Pensando em tirar a barriga da miséria errou a mão no “sal” e estragou o prato principal.

Sozinha na parada, a Record não teve forças para divulgar os jogos olímpicos e manteve a audiência habitual na programação da emissora. Em alguns casos, até ridículos, perdeu para produtos antigos, repetidos à exaustão, como Chaves do SBT. As razões que culminaram com o que se viu e ouviu durante as competições olímpicas são conhecidas do meio e dispensam mais comentários. Fico feliz em ver que o bom senso está de volta.

Veja a derrota da Record para o enlatado mexicano, Chaves, aqui.

Para quem quiser saber mais sobre os motivos que levaram ao fracasso da transmissão dos jogos olímpicos, a leitura do artigo de Daniel Starck, do site Tudo Rádio, é esclarecedora. Aqui.

Leia, também, meu comentário anterior sobre o equívoco da Record, aqui.

_______________________________________

Fonte: Sérgio Monte Alegre - THE WINNER PRESS SERVICE - FONE: (11) 3502-2919 / smalegre@uol.com.br

Imagens: Algumas, foram editadas. Logo Capital SP – link /Tupi RJ – link / Logo Confederações – link / Logo Copa – link  / Encerramento, Londres 2012 - link

MILTON NEVES FAZ JUSTIÇA A FÉLIX, TRICAMPEÃO DE 70, E REVELA A DOR DA INGRATIDÃO

Uma das coisas que faço prazerosamente, na vida, é divulgar a terra em que nasci. Sempre que posso ou surge a oportunidade, dou um jeito de encaixar Sorocaba no relato de minhas lembranças.

Localizada a cerca de 90 quilômetros da capital de paulista região sudeste do estado, Sorocaba tem aproximadamente 600 mil habitantes. Uma cidade como algumas dezenas, iguais no tamanho, em todo o Brasil. Única e inigualável, para mim, em todos os sentidos.

Outra coisa que faço, recorrentemente, é identificar personagens que o destino colocou em meu caminho. Muitos, foram pontos de partida e rumo a seguir pelos caminhos que o destino me reservou.

O amor à terra é o sentimento, que todos temos, pelo chão que nos acolheu quando enchemos os pulmões pela primeira vez e, quem sabe, nos acolherá quando o sopro da vida se esvair.

Citar as pessoas, porém, é o reconhecimento da ajuda e orientação que todas me prestaram ao longo da estrada. Mesmo àquelas que ainda hoje estão na categoria de calhordas, reconheço como pessoas que me ajudaram a ver e entender melhor a própria vida.

O tempo é o senhor da razão. Ao lançar luz onde, antes, havia trevas tenho descoberto que a maioria dos fantasmas só existe, mesmo, na escuridão. Libertando-os ganho vitalidade, sem o peso morto das forças negativas que roubam tanta energia.

Graças a Deus, tenho conseguido tirar da masmorra escura da alma personagens que estavam na lista dos “imperdoáveis”. Mas preciso me aperfeiçoar muito mais e uma das melhores formas de aperfeiçoamento é o exercício constante da gratidão.

Tenho muito o que e à quem agradecer, ainda. Espero ter vida longa e oportunidade suficientes para não deixar ninguém de fora da lista de reconhecimentos ou aprisionada em minh’alma.

Acabei me decidindo a falar sobre a gratidão, depois de ler, no jornal Agora São Paulo, deste domingo, 26 de agosto, a coluna de Milton Neves.

Na coluna, me deparei com a homenagem que ele fez ao ex-goleiro Félix Miélli Venerando, ou simplesmente, Félix, tricampeão do mundo em 1970.

Milton Neves é um dos jornalistas esportivos mais conhecidos e admirados do Brasil; trabalha em rádio AM e FM, televisão, escreve em jornais, revistas, sites e blogs. Para resumir, o homem está em todas as mídias.

Apaixonado por futebol, dono de uma memória fabulosa, começou a construir, no rádio, a carreira brilhante que o tornou rico, dizem que milionário. O Terceiro Tempo, nome do programa que nasceu para ser apresentado no final das jornadas esportivas, ganhou força, prestígio, virou agência de propaganda, foi para a tevê e consagrou o jornalista em definitivo.

Não foi a primeira vez, neste domingo, que vi a declaração de Milton Neves sobre gratidão. Em várias outras oportunidades, antes, li e ouvi Milton dizer que deve ao jogador de futebol tudo o que a vida deu a ele na profissão. Enaltecer o atleta e, principalmente, o ex-atleta, era o jeito que ele tinha de mostrar o quanto era grato aos profissionais da bola que o projetaram para a fama. A fortuna foi consequência.

Milton Neves é muito diferente de mim, embora sejamos da mesma geração e, quase, da mesma idade. Tenho cerca de ano e meio mais do que ele e, naturalmente, muito dinheiro a menos. Inteligente e bem humorado, diverte-se com a fama de “pé-frio”, que ele jura não ser, e com a “bronca” das torcidas de times pelos quais afirma torcer. Dizem elas que o fato de Milton Neves torcer por seus times é fator de preocupação. Claro, ele ri mais ainda.

Apesar de brincalhão e diferente de mim em muitos aspectos, de uma coisa tenho certeza: tanto quanto eu, ele detesta puxa-sacos. Isto posto, eu não faria com ele o que detestaria que fizessem comigo. Esta referência a Milton Neves deve-se à gratidão que ele, humildemente, tem sido capaz de revelar sem hesitação.

Como, por exemplo, na crônica escrita para marcar o adeus ao ex-arqueiro do Nacional, do Juventus e da Portuguesa de Desportos, em São Paulo; do Fluminense, do Rio de Janeiro, e da seleção brasileira.

Milton Neves espalha aos quatro ventos que foi “um excelente” jogador de futebol em Muzambinho, Minas Gerais que, por sinal, ele gosta de divulgar.

Amigos daquela época e moradores da cidade dizem que é “papo de boleiro frustrado” e que “o cabeção” foi um tremendo “perna de pau”.  

Não o conheço a tal ponto, mas, no lance do Félix, o mineiro deixou a marca indiscutível de “craque” e fez um gol de placa.

Do tipo que obrigaria a torcida a sair do estádio e comprar ingresso, de novo, para aplaudir.

A crônica está no Blog do Milton Neves, onde você vai encontrar, também, vídeos e áudio sobre “Félix, o Barbosa, 20 anos depois!” Aqui

__________________________________________

Imagens: Sorocaba – link /  Masmorra – link /  Félix no Fluminense – link / Milton Neves –  link / Felix na seleção tricampeã, de 1970 – link / “o craque” - link

25 de agosto de 2012

SOCORRO, MÁRCIA: UM PROBLEMA DELICADO PARA IRMÃO DE DEPUTADO

amigos

Você deve ter lido, no cabeçalho aí em cima, que este blog é meu e dos amigos da rede. Sempre que possível, e quando me enviam alguma colaboração, o blog publica artigos, charges, piadas e vídeos que o editor considere bons e interessantes. Você deve saber, também, que o editor sou eu mesmo e admito que o critério usado na seleção do material se baseia, sempre, em meu estado de espírito. Por isso, os mais prejudicados, também sempre, são os amigos da rede que me enviam material humorístico. Neste ponto, a culpa pelo fato de nem sempre eu estar a fim de rir não é minha e, menos ainda, dos amigos da rede ou da qualidade do material. Num país como este em que vivemos, terminar o dia profundamente irritado não é difícil e acontece com todos, inclusive com você.

escala_humorHoje acordei animado e decidi publicar o artigo abaixo para não correr o risco de, ao longo do dia, perder o pique, começar a ver tudo cinza-chumbo e o texto ir para o “beleléu” (expressão usada pelos amigos de minha geração, que significa “detonado, muito ruim” como se diz atualmente, “tá ligado?”). Recebi a mensagem abaixo, do amigo Rivail dos Santos Pasquivis.

A situação é imaginária e caiu na Internet já tem algum tempo. Está na “boca do povo”, o que, antes, tinha outro significado, mas que não vem ao caso. Bem, o texto simula a participação de um telespectador no *programa de Márcia Goldschmidt, conselheira sentimental.

Trata-se de um drama pessoal difícil de resolver e o consulente não teve dúvida: confiando na  profundíssima experiência de Márcia, pergunta a ela o que fazer. Leia. Você vai concordar que a vida, às vezes, é muito dura com algumas pessoas.

“Prezada Márcia Goldschmidt! marcia

Recorro a você para pedir conselho num dilema muito sério.
Eu tenho uma namorada à quem amo intensamente e quero me casar com ela. O meu problema tem a ver com a minha família, eu tenho receio que a minha gata não se identifique e isso gere conflitos no nosso relacionamento.
Papai é chefe do tráfico e tem atuação muito forte aqui no Rio. Ele conheceu a minha mãe numa casa de tolerância e conseguiu tirá-la dessa vida. Hoje ela tem sua própria zona com mais de duzentas mulheres e homens, e não precisa mais exercer esse trabalho pessoalmente, só de vez em quando pra se manter sempre por dentro das tendências do mercado.

Tenho três irmãos e duas irmãs que eu conheço pessoalmente. O mais velho é deputado federal. O segundo tinha problema, mas mudou muito de vida depois que cumpriu a pena por sequestro e estupro e hoje é bispo da Igreja Universal da Glória de Jesus. Já ressuscitou mais de catorze mortos e curou mais de 3.000 aidéticos e vive bem com a graça de Deus com suas quatro esposas em Jurerê Internacional.

Meu terceiro irmão abandonou a milícia que ele comandava no Complexo do Alemão, se arrependeu dos presuntos que tem no currículo, saiu do armário faz uns oito meses e hoje é travesti e trabalha na rua do Jóquei em São Paulo.

Mas ele faz só ativo. Apesar de ter virado a casaca e largado o Fluzão pra virar Mengão por causa do Ronaldinho Gaúcho, ele é bom menino  e não causa preocupação na família. A gente vê que ele tá bem encaminhado.

o_amor

Minha irmã mais velha se casou com o avô da ex-namorada dela, num ato de extrema bondade. O velho está em estado vegetativo, por causa de um derrame que ele teve quando o bicho pegou na época do mensalão. O coitado não tinha ninguém e minha irmã decidiu cuidar dele. E tá cuidando direitinho. Ela abriu uma empresa em parceria com um sindicato, um despachante e um cartório e hoje vende autopeças procedentes de veículos desaparecidos de outros Estados.

E a minha irmã caçulinha trabalha de dia como atriz nas Brasileirinhas e de noite ajuda a mamãe, Por enquanto, está na fase do atendimento direto ao cliente, pra poder pegar o know-how do ramo, a partir da base. Mamãe garante que a maninha tem talento e dá para o negócio.

Bom, Márcia, depois de abrir meu coração, minha pergunta é a seguinte: você acha que eu devo revelar de uma vez ou é melhor ir contando, pouco a pouco, pra minha namorada, “que eu tenho um irmão deputado?”

Viu, que dureza?!

*** *** *** *** ***

*Esclarecimento: Márcia Goldschmidt nem está mais na grade da Band. Hoje, vive em Portugal, onde é casada com um empresário local. Dizem que Márcia ainda ganha salário da emissora do Morumbi, mesmo fora da telinha. leao_lobo

Alguns, afirmam que é para manter a concorrência afastada da profissional. Outros, mais venenosos, garantem que a Band acha preferível deixar a mulher longe do vídeo e do país, onde costuma promover barracos incríveis e detonar os índices de audiência.

Existe uma terceira corrente, sugerindo que o pagamento é rateado entre as emissoras nacionais, na tentativa de fazer com que Márcia perca a mania de ser artista e fique por lá mesmo, cuidando da vida. arrependidoPessoalmente, acho que esta versão é coisa de fofoqueiros de celebridades, como meu querido Leão Lobo, aí ao lado, com cara de quem diz “Eeeuuuuu?”.

Os fofoqueiros garantem também que o “terceiro irmão” do missivista deixou de torcer para o Mengão depois que Ronaldinho Gaúcho foi para o Galo mineiro e, desiludido, virou gambá, digo, corintiano, em São Paulo.

Com a volta do “Imperador” Adriano ao ninho da urubuzada, o rapaz (?) entrou em depressão e não sabe o que fazer.

O que você acha? 

Outras informações sobre Márcia Goldschimidt, aqui. Quanto ao salário, a situação pode ter mudado, masaté o início do ano ela continuava recebendo, sem trabalhar. Sorte dela, por sinal. Aqui.  

______________________________________

Links onde se encontram as imagens utilizadas neste post, algumas editadas: Rede de amigos – link (original) /  Leão Lobo – link / Caricatura Márcia – link Charge Corintiano – link, Ronaldinho - link e Adriano – link / Armário – link /  Montagem charge velhinho – link 1 e link 2

JUIZ DE GRAMADO ESCAPA DE PEDÁGIO, MAS MORADOR TEM QUE “PASTAR”

Esta eu escrevo pensando no quanto vai “espumar de raiva” o colega jornalista Eduardo Homem de Carvalho, do Rio de Janeiro. Carvalho, à quem trato de Homem, mantém um blog  que leva o próprio nome (acima), neste endereço.

Opositor ferrenho de autoritarismos e comportamentos, no mínimo, recrimináveis de alguns magistrados (e não da Justiça, óbvio), em qualquer oportunidade Homem desce o sarrafo, como se diz “no popular”. Os leitores que o acompanham sabem disso.

Essa, digamos, fixação do colega já custou a ele muita dor de cabeça e alguns empregos. Pressionados pelos atingidos (entendam-se os juízes retratados nos textos do “hómi”), os patrões não resistem e dão ao indigitado, feroz digitador, o temido “bilhete azul”.

Até um colega famoso, dono de site jornalístico e que também atua na TV, não teve complacência e meteu o “pé no traseiro” “do” Homem. (o próprio Homem conta essa passagem, neste post)

“Ossos do ofício”, diria meu colega carioca. É o preço para se manter a dignidade, eu digo. Cabeça erguida, Homem, e  *dedos pra que vos quero. (dica, no fim)

Bem, mas o que eu quero usar como provocação ao Homem é a notícia de que no Rio Grande do Sul, a Justiça concedeu liminar a um magistrado que, dessa forma, ficou livre de pagar pedágio para ir trabalhar. O juiz em questão mora em uma cidade  e trabalha em outra, a cerca de 30 quilômetros.

O despacho (andamento ao processo) afirma que o gasto diário de R$ 15 é altíssimo. Por enquanto, Vancarlo André Anacleto, o favorecido, não está pagando para transitar pela rodovia. Instalaram chip no carro dele, semelhante ao  “Sem Parar”, usado aqui em São Paulo, mas a concessionária Brita Rodovias, que explora o serviço naquele trecho de estrada, vai recorrer e cobrar retroativamente o que o juiz deixar de pagar.

Não quero fazer fofoca, mas tomando por base os escândalos recentes dos salários dos juízes do Rio de Janeiro, fiquei pensando... Segundo o site de notícias jurídicas JusBrasil, além do salário, os magistrados recebem auxílio (benefício em dinheiro) para quase tudo. Na lista, está o auxílio-locomoção. fofoca

Em nome da isonomia, princípio assegurado pela Constituição, segundo o qual todos são iguais perante a lei, não podendo haver nenhuma distinção em relação a pessoas que estejam na mesma situação (Aulete Digital), Anacleto também deve receber o tal auxílio. Será que, com a liminar, o respeitável representante da Justiça está devolvendo o dinheiro ao Estado?

E, outra coisa: se o juiz, que recebe o reembolso pelo que gasta, considera um absurdo o preço do pedágio, o que deve achar o cidadão brasileiro que não tem privilégios e “morre” com uma bela soma por mês, sem choro nem vela?

Para encerrar, peço que você observe dois detalhes curiosos: o juiz Anacleto mora em Gramado/RS, mas não vai “pastar” no posto de pedágio, ao contrário dos demais moradores da cidade.

Eu disse dois detalhes, não disse? Pois é, o segundo detalhe é que a cidade onde trabalha o juiz é Igrejinha/RS. Desde o princípio eu desconfiei, mesmo, que isso era coisa de “igrejinha”.

—Excelência, assim não dá! Assim, não é possível! Desse jeito, meu colega Homem vai bater com as dez, pô!

A informação é da Agência de Notícias Jornal Floripa, aqui.

                                            *** *** *** *** *** ***

*Dica: Adaptei a frase “pernas, pra que te quero” quando sugeri ao colega Homem que continue a escrever como gosta e me lembrei de uma dica de Português.

Segundo o professor Pasquale Cipro Neto, não se pode misturar o substantivo feminino “pernas”, no plural, com o pronome pessoal do caso oblíquo “te”, da segunda pessoa do singular.

Dessa forma, o correto é “pernas, pra que vos quero”. Decidi acatar o mestre e cheguei a uma conclusão. Pode ser correto, sim, mas é muito estranho, não?

Dita do jeito popular, “pernas, pra que te quero” soa melhor. Pernas, pra que vos quero, não dá. A amazona, acima, que o diga. O uso do cachimbo já fez a boca torta. Arre, égua!

___________________________________

Imagens: Barra do cabeçalho – link / Na cabeça – link / Pé no traseiro – link / Auxílios – link / Bronca – link / Pernas, pra que… - link

23 de agosto de 2012

ONDE ESTÁ O TRUQUE? NÃO PERGUNTE AO LEWANDOWSKI

Tem coisas que a gente não entende. Quase sempre a reação admirada do público é o que se espera no fim de um espetáculo de ilusionismo, por exemplo. A plateia vê — ou pensa que vê — o que o ilusionista (quase sempre um mágico) faz, mas não consegue entender qual é o truque.  

Eu já passei por isso. Você já passou por isso. Muita gente já passou por isso. Não deveríamos mais ficar espantados com as “traquinagens” dos prestidigitadores (ô nominho, hein?), mas é impossível. Sempre há um truque novo, mais ousado. Não há limites para a criatividade.

À cada inovação, repetimos e repetimos e repetimos a consagrada expressão: —Oh!

Está nos faltando criatividade, não parece? Talvez, mas ocorre que, às vezes, a surpresa é tão grande que, “abestados” (como diria aquele palhaço), não temos outra reação.

É mais ou menos assim que ficamos, nesta quinta-feira, ao sabermos do voto do revisor do mensalão, ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal,  que “rejeitou a acusação e pela primeira vez se posicionou a favor da absolvição de João Paulo Cunha, Marcos Valério e seu sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz”, como escreveram Flávia D’Angelo, João Coscelli e Ricardo Britto no Radar Político do Estadão.

De cara, vou dizer que o truque é difícil de entender, mas, se você quiser tentar, leia o Radar. O link está lá embaixo.

Falando em truques, valendo-me do fato de que o público da Internet se renova a cada dia, indico uma apresentação do septeto austríaco Mnozil Brass, de instrumentos de sopro — ou metais, se você preferir. Aliando música, humor e magia, o espetáculo está na lista das coisas quase inacreditáveis. Tipo assim, um ministro Lewandowski, entende?

Apresento duas versões do mesmo vídeo. A primeira, é editada, dura cerca de três minutos, mas a parte do truque foi mantida original.

A segunda,  apresenta o mesmo truque, mas o vídeo inclui toda a preparação do número. Para pessoas mais detalhistas, digamos assim.

Uma coisa eu garanto: caso você ainda não tenha visto o espetáculo, observando bem, prestando atenção aos detalhes, repetindo as cenas mais surpreendentes, checando cada movimento talvez —e somente talvez— você consiga decifrar esse truque.

Já o do Lewandowski…

O link do Radar Político está aqui.

______________________________________________

Número de mágica de Issao Imamura – link – Visite o site / David Copperfield – link – Visite o site / Ricardo Lewandowski – link  / Vídeos Mnozil Brass – Youtube – os próprios videos remetem aos links

COPA 2014 E RIO 2016 UM PRATO CHEIO PARA O ESPIRITO GOZADOR BRASILEIRO

Encerrados os Jogos Olímpicos de Londres 2012, as atenções voltam-se para a Olimpíada Rio 2016. Se, por um lado, existe a dúvida de que faremos um bom papel na realização dos Jogos, por outro lado, não há dúvida nenhuma de que o brasileiro é descontraído e, até certo ponto, desapegado à tradição. Haja vista o oba-oba no transporte e na chegada da bandeira olímpica, revelando total falta de cuidado em seu manuseio. Confeccionada em seda asiática, só deve ser manuseada com luvas, diz o protocolo estabelecido pelo COI – Comitê Olímpico Internacional.

Não foi o que se viu, desde os primeiros momentos em que o pavilhão olímpico passou às mãos, literalmente, dos brasileiros.

Ainda em território francês, o prefeito do Rio, Eduardo Paes e os irmãos Esquiva, Falcão e Yamaguchi, botaram “a mão na massa”, numa boa.

bandeira1_coi

Na chegada ao Rio, segunda-feira, 13 de agosto, a bandeira surgiu na escada do avião empunhada pelo mastro em que foi colocada para ser exibida.

“Até aí tudo bem”, dirão alguns, mas o protocolo alerta que a danadinha não pode sair da caixa em passeios ao ar livre, nem ser desfraldada. Ora, o protocolo. Quem liga pra isso, não é mesmo?

No dia seguinte, 14/08, a honraria de tocar a bandeira foi concedida à presidente Dilma Rousseff, em Brasília. Outra vez sem constrangimento, pelo contrário, sorridentes, todos “meteram a mão na seda chinesa”. Brasileiro é assim mesmo, sabe como é… gosta de pegar, sentir a textura, essas coisas.

bandeira2_coi

Para completar, na quarta-feira, dia 15 de agosto, a bandeira olímpica foi levada ao complexo do Alemão. Outra festa e, claro, a população “chegou junto”, como se diz. Na foto, crianças dão aquela passadinha básica de mão no tecido da bandeirona. Criança é tão inocente, que belezinha.

A ironia não se dirige às crianças, naturalmente, mas aos grandões que fizeram de conta que não viram. E chega mais, pois, se criança não vota, os pais votam e já passou o tempo em que mandatários odiavam *o cheiro de povo.

pegadinha

Teve muito mais gente que “acariciou” o símbolo recém-chegado à cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016, mas, a esta altura do texto, qualquer menção nesse sentido passa a ser mera repetição irritante. Então, não se fala mais nisso. Se nem o COI se manifestou, quem somos nós para “cair matando?”

Todo esse papo aí de cima foi só para revelar o outro lado do brasileiro: a criatividade, com muito bom humor. Já estão circulando piadas sobre os dois maiores eventos mundiais em termos esportivos a serem sediados pelo Brasil, em 2014 e 2014.  

Sobre a Copa do Mundo, a moçada começa dando uma bicuda na bola. Parodiando a Jabulani, estrela na África do Sul, em 2010, a sugestão tupiniquim (de olho no superfaturamento) foi “matadora”.

Tem mais: o bordão de maior sucesso, ouvido em todos os cantos, quando se deseja criticar ou fazer um paralelo entre a situação atual e a daqui dois anos é “imagine isso na Copa!”. A expressão foi consagrada no vídeo abaixo, intitulado “O Jeitinho Carioca”, em que várias situações do dia a dia são reproduzidas e colocadas em perspectiva para a Copa do Mundo.

Completando a pequena mostra do bom humor nacional, segue uma série de charges sobre os Jogos Olímpicos. Podemos até não ter muito jeito para a rigidez protocolar, mas, neste país, a gente ri à vontade. Inclusive da própria desgraça, como convém.

 

*Como esclarecimento final, em 1978, o então presidente João Figueiredo, quinto general a ocupar o ciclo de governo militar pós 1964, declarou preferir o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo. Veja, aqui.

Agradeço ao amigo Edemar Annuseck. Ele me enviou um e-mail com as charges acima. Daí para a ideia de fazer este post foi mais fácil do que dar o nome à bola da Copa, que veio junto com as charges.

Eu ainda prefiro Gorduchinha, em homenagem ao grande Osmar Santos, mas…

_______________________________

Imagens: Logo Rio 2016 – link - Bandeira 1 – link (aos 44 segundos) / Bandeira 2 – link / Pegadinha – link / Nome da bola - link

22 de agosto de 2012

PROPAGANDA ELEITORAL GRATUITA? A MENTIRA COMEÇA PELO NOME

A propaganda política no rádio e na televisão começou ontem, 21 de agosto. O período sempre foi erroneamente identificado como horário eleitoral gratuito. De gratuito não tem nada. As emissoras de rádio e televisão são remuneradas para abrir espaço em sua programação, a despeito de insinuarem que a cessão é gratuita.

Através de benefícios fiscais, as emissoras abatem do lucro líquido obtido no exercício a parcela que teriam deixado de faturar no mercado publicitário. E não estamos falando de pouca coisa. Só em 2010, por exemplo, o ressarcimento fiscal superou a casa de 851 milhões de reais (veja link, no final).

Na TV, principalmente, é comum o apresentador fazer uma cara de revoltadinho e, até certo ponto, enojado ao dizer “interrompemos a programação para transmitir a propaganda eleitoral…” e blá, blá, blá.  Falsidade. prejuizo

Para as emissoras, exceto pelo possível risco de queda de audiência durante a propaganda política, o horário eleitoral é um negócio da China. Elas não investem um centavo para produzir a programação de uma hora, diariamente. Como “cara-de-pau” pouca é bobagem, algumas chegam ao requinte de sugerir prejuízos financeiros com  horário eleitoral. Mentira.

O material veiculado é produzido pelos partidos, com verba que recebem do Tribunal Superior Eleitoral. E mais: aqueles anúncios chatos e mal feitos que invadem a programação ao longo do dia, nos intervalos comerciais, são remunerados a preço de tabela, sem desconto. É uma beleza. Menos para o contribuinte, que arca com todos os custos.

Sendo assim, deveria haver um *Conar eleitoral para garantir a qualidade e o conteúdo dos “anúncios” de candidatos e partidos. No horário eleitoral e na propaganda partidária eles dizem o que bem entendem, sem o menor compromisso com a realidade e, menos ainda, com a obrigatoriedade de cumprir qualquer tipo de promessa.

Promessa de campanha é apenas promessa de campanha”, dizem marqueteiros, com ares de profundos entendedores do assunto, como se essa reles opinião explicasse tudo ou qualquer coisa.

Resta ao telespectador/ouvinte/eleitor, felizmente, a opção de desligar o rádio e a TV ou mudar para um canal por assinatura que não seja operado por um órgão do governo, em qualquer nível.  

Para dar à escolha um quê de “rebeldia”, é aconselhável repetir o bordão de Lady Kate, a personagem do humorístico Zorra Total que exclama, ao final de cada quadro:  “To pagando!”

Conheça a sistemática da compensação fiscal a que as emissoras têm direito. Aqui.

Veja a previsão de valores para as eleições passadas, 2010, feita pelo Senado Federal. Aqui.

*Conar é a sigla do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, órgão que regula, disciplina e impõe limites para a propaganda no Brasil. Visite o site do Conar. Aqui.

 ________________________________________

Imagens: Tela Horário Eleitoral – link / Lady Kate – link / Gráfico - link