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29 de novembro de 2012

JOELMIR BETING. FIM DE UMA ERA INIGUALÁVEL

Morreu Joelmir Beting. O melhor que consigo fazer, nesta hora, é lamentar. O rádio, o jornal, a televisão, enfim, a comunicação perde não apenas uma referência, mas um talento insubstituível. Pai da atual geração de comentaristas de economia, Joelmir teve o mérito de descobrir o caminho das pedras e aproximar da população o tema, considerado árido, tornando-o agradável.  Cronista esportivo, no início da carreira, encontrou no rádio o veículo perfeito para transmitir o “be-a-bá” da economia, fugindo do economês, terminologia complicada, acessível apenas aos iniciados. Por isso, chegou a ser chamado de Chacrinha da Economia, denominação jocosa (e invejosa) dos profissionais do setor, que não se conformavam com o sucesso de Joelmir Beting junto ao povo. “Falo para a empregada doméstica, não para a patroa”, justificava-se, com orgulho.

Veja no link da Folha Online material jornalístico que mostra um pouco (muito mais do que eu poderia mostrar) de Joelmir Beting. Durante os anos em que trabalhei na Bandeirantes, Joelmir esteve na Globo. Não cheguei a conhece-lo pessoalmente, senão no aniversário de 80 anos de Salomão Ésper, em 2009. Gentil, educado, até mesmo carinhoso com os que dele se aproximavam, Joelmir impressionava não apenas pela aparência humilde e generosa. Bastavam dois minutos de prosa para ele nos conquistar, para sempre, graças à aura que distingue os escolhidos. Além da inteligência, notória, uma dose impressionante de bom humor era suficiente para arrebatar fãs e colegas.

Atualmente, Joelmir Beting era contratado do Grupo Bandeirantes de Comunicação que, certamente, deve sentir de maneira profunda o golpe da perda do imenso profissional.

Joelmir, você verá, daqui a pouco, foi o inventor da *expressão “gol de placa”, quando comentarista esportivo, a sugerir que o autor de um golaço seria merecedor de uma placa para perpetuar o feito. Pois fica, aqui, a sugestão implícita à Bandeirantes.

No portal da Folha, a informação de que Joelmir deixa a esposa, Lucila, com quem era casado desde 1963, e os filhos Gianfranco (especialista em aeronáutica) e Mauro (o consagrado Mauro Beting, comentarista esportivo multimídia), aos quais apresentamos nossas profundas condolências.

Acesse o portal da Folha Online, aqui.

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* Durante uma entrevista, em 2011, Joelmir esclareceu que não criou a frase “gol de placa”, mas foi o autor da “placa do gol” ao sugerir que o gol de Pelé contra o Fluminense, em 1961, fosse lembrado eternamente com uma placa no Maracanã. Veja, aqui.

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Imagem: Joelmir Beting 1 – link / Joelmir Beting 2 - link

28 de novembro de 2012

DO JEITO QUE VAI, CHOCOLATE SÓ VAI TER NO FUTEBOL E OLHE LÁ…

 

Vamos combinar que, nos últimos tempos, não tem sido fácil manter o bom humor. Apesar dos esforços do Super Joaquim, o “time do mal” tem muitos “atletas” jogando sujo, para usar uma linguagem futebolística em tempos de planejamento de Copa do Mundo.

Falando nisso, Felipão na seleção é coisa tão ultrapassada e sem sentido que não convém esticar o papo. Embora o contrapeso seja respeitável, Carlos Alberto Parreira, o saldo não chega a ser positivo.

Respeito quem goste da indicação do gaúcho (nada contra a naturalidade do ex-becão de fazenda), mas Muricy Ramalho, para mim, era “o cara” para assumir a deformada seleção de Mano Menezes.  

Antes que você me aponte o dedo e diga “puxando brasa para a sua sardinha, hein?” saiba que não sou santista. Para falar a verdade, apesar de gostar muito de futebol, atualmente não estou torcendo para time nenhum. A maré está em baixa total. O futebol brasileiro, em particular. Tanto é verdade que Pep Guardiola quase quase vira unanimidade nacional. Aí, seria o fim. Desmoralização total.

A coisa está tão feia que a bola, aqui, virou Brazuca (com Z e tudo) e o mascote, um animal genuinamente brasileiro, virou Fuleco. Justificativa: gringo não consegue enrolar a língua para falar Gorduchinha e Tatu-Bola. Problema dos gringos, pô! Que aprendam a falar ou que enrolem a língua, mas não nos aborreçam!

Falou mais alto a subserviência. “Dona” Fifa chegou mandando em tudo. Nossos dirigentes (todos, inclusive — ou principalmente — políticos) apenas disseram “amém”. A começar pela presença da cerveja nos estádios. Sou cervejeiro, mas vamos botar ordem no galinheiro. Afinal, pode ou não pode? Se pode na Copa, pode antes também e tem que poder depois dela. No melhor estilo Silvio Luiz, “pelo amor dos meus filhinhos”.

Com tanta coisa ruim acontecendo para azedar o humor da gente, que tal mudar de assunto e falar de uma coisa mais doce? Chocolate, por exemplo? Gostou? Mas vá com calma, não se anime. A notícia não é boa.

Energético, calórico, aromático, saboroso e, dizem, até afrodisíaco, o chocolate pode estar com os dias contados. Problema com o solo africano. O cacau deteriora a qualidade da terra e a produção futura tende a cair cada vez mais. A África responde por mais de 70% da produção cacaueira e, por lá, o chão já está a caminho do esgotamento produtivo. O Brasil é só o sexto maior produtor mundial. Em vinte anos uma barra de chocolate pode custar tanto quanto caviar e ser difícil de encontrar.

Caramba! — você há de exclamar — “mas, então, o negócio é plantar cacau no Brasil. Terra, aqui, não falta”.

É? Do jeito que todo mundo dá palpites aqui dentro e com aquela velha conversa de que a Amazônia, por exemplo, é patrimônio mundial, precisa ver se os “donos do mundo” vão deixar, não é mesmo? Até agora o negócio deles, por aqui, tem sido plantar mandioca, digamos assim.

Eu não falei que não tem sido fácil manter o bom humor, ultimamente?

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A notícia de Felipão na seleção está aqui e em qualquer site da Internet.

E a previsão pessimista em relação ao chocolate está aqui.

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Imagens: Chocolate – link / Luiz Felipe Scolari – link / Muricy Ramalho – link /  Fuleco – link / Tatu-bola – link / Colher – link

27 de novembro de 2012

AH, SE NÃO FOSSE O SONHO…

Se o que temos visto e ouvido é apenas a ponta do iceberg, como tudo indica, estamos perdidos. Que país é este? Confesso que, às vezes, bate o desânimo. Não fosse pela fé inquebrantável de que, um dia, teremos o Brasil dos sonhos não valeria a pena insistir na luta. Mas, se desistirmos, eles terão vencido.

A charge de Paulo Caruso, acima, é tristemente perfeita. Os fatos estão diante de todos. Os nomes, ainda que não pronunciados abertamente (por quanto tempo mais?) ferem o ouvido mouco da consciência nacional. 

Acesse o link a seguir e, depois vá clicando nos assuntos relacionados que você encontrar, enquanto o seu estômago aguentar. O mau cheiro é insuportável e revela a podridão dos bastidores institucionais. Mas, como dizem, repito, é apenas o começo. Que Deus nos ajude se, de fato, Ele é brasileiro. Clique aqui para dar o começo. O final será determinado pelo limite de sua indignação.

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Imagem: Charge de Paulo Caruso - link

26 de novembro de 2012

O BICO DURO DO PICA PAU FUROU O REI NA BARRIGA DE MEIRELLES

Ao deixar um comentário no post ESPN TEM DUAS EMISSORAS, POR FALTA DE UMA, PARA COBRIR A RÁDIO ESTADÃO o amigo e leitor Marcos Vinícius Gomes, ex-colaborador do “FG-News”, mencionou a atitude idiota de Mário Meirelles, diretor do programa “TV Xuxa”, na Globo.

Meirelles, inconformado, ao ver que a atração dirigida por ele perdia no Ibope para o desenho do “Pica Pau”, na Record, encheu-se de revolta e usou o Twitter para criticar o telespectador da emissora concorrente.

Achando-se o dono do mundo, foi curto (como exige o Twitter) e grosso (com não se deve ser) ao redigir (?) o microtexto: "Atenção retardados que estão assistindo Pica-Pau, começou a TV Xuxa".

Claro que a mensagem teve repercussão negativa e passou a ser criticada pelos tuiteiros de plantão. Foi o que bastou para o referido diretor, ferido em brios, detonar outras mensagens, igualmente ofensivas, revelando um desequilíbrio emocional inadmissível para quem dirige programas na maior e mais poderosa emissora do país.

Vinícius me indicou um link (veja, abaixo) em que o episódio em pauta foi narrado. Era evidente que o exagero de Meirelles não passaria em brancas nuvens. Até porque entre as acusações feitas pelo inconformado diretor estava a de que “a massa burra” — como ele identificou o telespectador — “gosta de ser manipulada”.

Logo um profissional da Globo, acusando a concorrência de manipulação, quem diria! A Record também não é santa, mas esse assunto é da competência do bispo Macedo e não era o tema da discussão entre Meirelles e os tuiteiros.

Sobrou para o lado fraco da corda, claro. Hoje, um constrangido Mário Meirelles veio a público para se desculpar pelo excesso. Como dizem, manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Para finalizar, o telespectador assiste ao que gosta. Portanto, antes de querer impor o “TV Xuxa”, que tal se esse diretor global, que pensa ter o rei na barriga, se dedicasse a melhorar a qualidade do programa da ex-rainha dos baixinhos?

Porque, sinceramente, tanta “realeza” cansa nossa beleza.

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O link indicado por Vinícius, está aqui.

Neste outro, a retratação do diretor global que se acha a última cocada do tabuleiro da baiana. Aqui.

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Imagens: Pica Pau/Record – link /  Xuxa/Pica Pau – link / Meirelles/ Xuxa / link

25 de novembro de 2012

BLACK FRIDAY: O ME ENGANA QUE EU GOSTO, MADE IN BRAZIL

O evento da sexta-feira, 23 de novembro, intitulado Black Friday, superou as vendas online registradas em 2011. A primeira experiência do gênero, no país, aconteceu em 2010. Importada dos Estados Unidos, a Black Friday sempre é realizada na quarta sexta-feira do mês de novembro. No final deste post há um link através do qual é possível saber um pouco mais dessa modalidade promocional de vendas a varejo.

Nos Estados Unidos, hoje, o evento marca a abertura da temporada de vendas natalinas, mas serve, também, para o comércio lojista se desfazer das mercadorias que sobraram em estoque durante o ano e que não interessam ao varejista manter em exposição. Por isso, os descontos acabam sendo tão generosos.

Na maioria dos casos, os produtos são repassados ao consumidor pelo preço de custo e, às vezes, até por menos, pois o grande objetivo é abrir espaço para os produtos novos que as fábricas estão acabando de produzir com vistas ao Natal. Os descontos são verdadeiros e atraem multidões às lojas, como mostra a foto de clientes aglomerados diante da Macy’s, loja de departamentos, de Nova York, neste 23 de novembro. Ganha o comércio, ganha a população.

Atenta às boas ideias, a propaganda brasileira importou o modelo de vendas e o adaptou aos costumes locais. Porém, já começam a surgir indícios de que o comerciante tupiniquim gosta da perspectiva de atrair a clientela, mas joga sujo na hora de reduzir preços. O problema já apareceu na versão de 2011, mas agora, em 2012, as queixas se avolumaram.

De que se queixam os consumidores? Da “esperteza” de algumas lojas que aumentaram ardilosamente os preços originais dos produtos. Sobre os preços majorados, aplicaram “descontos fantásticos”. Tudo na base do “me engana, que eu gosto”.

Na prática, diversas mercadorias foram oferecidas pelo preço convencional, ou seja, com a maior cara de pau do mundo essas lojas aplicaram o famoso 171  na clientela. Algo bem parecido com uma pegadinha do Mallandro que, diga-se com inteira justiça, não teve nada a ver com a malandragem comercial em questão.

Tudo isso, sem contar os erros atribuídos à “desatenção de funcionários”, como este cartaz. Repare: a “oferta imperdível” torna três unidades do bombom mais caras do que se você comprasse uma unidade de cada vez. Eta “esperteza” safada. Além de tudo, ainda acham que o consumidor é burro.

O artigo 171 do Código Penal brasileiro,  diz que é crime “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento. E estipula a penalidade: “reclusão, de um a cinco anos, e multa.”

— “Brasileirro é taaão bonzinhouu…” já dizia, muitos anos atrás a atriz e cantora Kate Lyra, personificando uma americana “encantada” com o que ela considerava ser uma gentileza, mas que, na verdade, era pura enganação dos patrícios nacionais. O tempo passou, mas, como vemos no episódio Black Friday, a malandragem não se ajustou.

Boas ideias acabam sendo sepultadas quando prevalece a má índole. Coisas de um país em ascensão, de olho no desenvolvimento, mas com a cabeça voltada para conceitos arcaicos e mal intencionados.

Aliás, nesse departamento, podem-se enquadrar, também, os “recalls” que, insisto, nada mais são do que uma falha gritante de produção que resulta em dano para a mercadoria produzida.

Desde o advento do sistema “just in time” o problema tem se acentuado, notadamente na indústria automobilística. Originado do Inglês, o termo significa que “nada será produzido, transportado ou adquirido antes da hora certa”.

Por exemplo, as montadoras não mantêm mais estoques de peças e componentes usados na linha de montagem. A logística se encarrega de fazer chegar, a tempo, tudo o que é preciso para a produção dos veículos.

Dessa forma, o controle de qualidade da produção terceirizada passou a ser dos próprios fabricantes. Pressionados por um cronograma rígido e apertado, alguns cuidados acabam sendo negligenciados. Como resultado, as falhas são inevitáveis.  

Você deve se lembrar que, em 2010, Akio Toyoda,  presidente mundial da montadora japonesa Toyota, se desculpou publicamente perante os consumidores. O pedido de desculpas foi feito quando houve a divulgação de que cerca de oito milhões de veículos da marca teriam que passar por recall, para reparar um defeito que deveria ter sido detectado ainda na fábrica.

No Brasil, o que fizeram as montadoras após sucessivos e cansativos anúncios de recall? Além de transformarem a própria falha por omissão em conceito de responsabilidade (viu como são honestos? — mérito da propaganda) conseguiram repassar para o comprador do bem defeituoso a responsabilidade que é delas! Hoje, quem não responder a um recall automobilístico pode até não conseguir renovar o licenciamento do veículo.

Tamanha cara de pau encontra eco em muita gente importante que diz “o proprietário de veículo convocado para recall  precisa atender ao pedido ou será chamado à responsabilidade, em caso de acidente”.

Não discordo da responsabilidade inerente ao proprietário do veículo, mas, no fim das contas, a bucha sobra apenas para ele que, na verdade, é o maior prejudicado.

Como é? Da montadora, que colocou no mercado um produto sujeito a riscos advindos de falhas de produção, ninguém fala nada? Pois é… nós estamos no Brasil. O consumidor que se lixe.

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Leia mais sobre a origem do Black Friday. Aqui.

O pedido de desculpas do presidente da Toyota, está aqui.

As queixas contra os “descontos” do varejo estão aqui e em vários outros endereços da web.

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Imagens: Black Friday – link / Macy’s – link / Sérgio Mallandro – link / Oferta imperdível – link / Kate Lyra – link / Recall – link / Logo Toyota – link / Montadora não identificada - link

24 de novembro de 2012

ESPN TEM DUAS EMISSORAS, POR FALTA DE UMA, PARA COBRIR A RÁDIO ESTADÃO

Veja como são as coisas. Neste sábado, lá pelas 19 horas, “falando” pelo Facebook com uma “velha” amiga, mais amiga que velha — né, Lígia? — contei a ela que Sorocaba, minha terra natal, tem tradição histórica.

No caso, eu me referia à feira de muares realizada rotineiramente pelos gaúchos em território sorocabano.

Ainda no rastro do desbravamento, séculos XVII e XVIII, Sorocaba, SP, inaugurava o Tropeirismo.

Além disso, havia a partida de  entradas e bandeiras que se dirigiam para o interior do país, em busca de pedras e metais preciosos e o tráfico de mão de obra indígena, a nódoa da História.  

Formavam-se grandes caravanas para atravessar as terras brasileiras. Burros e mulas de carga eram indispensáveis. De olho nas oportunidades, os irmãos do Sul fizeram de Sorocaba uma referência nesse tipo de comércio animal.

A imagem, à esquerda, reproduz quadro de Jean-Baptiste Debret, de 1827, inspirado em Sorocaba de então. E a tela à direita, Tropa de Mulas, do mesmo autor, mostra o transporte da época.

Em tom de brincadeira, claro, eu disse à Lígia Tebcherani que, por causa desse capítulo da história do Brasil, Sorocaba, sob influência sulina, acabou se especializando na produção de churrasqueiros (todo gaúcho é um churrasqueiro por excelência) e… não churrasqueiros. O que você pensou que seriam? Burros, por acaso? Devagar com o andor, que o santo é de barro… rsrsrsrs

Cerca de duas horas depois de minha “conversa” com Lígia entrei no site Bastidores do Rádio, que leio com relativa frequência. Em destaque, a manchete dava conta de que a “ESPN pode fechar parceria com duas emissoras de rádio”.  

Para quem não se lembra ou não é de São Paulo, o grupo esportivo tem um acordo operacional com o grupo O Estado de São Paulo, através do qual se incumbe da programação esportiva (o forte da ESPN) pela antiga rádio Eldorado, emissora dos Mesquita. Por causa do acordo operacional, a Eldorado foi “sepultada” e passou a se chamar ESTADÃO-ESPN. Ocorre que a parceria está chegando ao fim e acaba no último dia de 2012.

O grupo editorial O Estado de São Paulo decidiu desfazer a fusão com o grupo esportivo e passará a denominar a atual emissora de Rádio Estadão. O esporte não emplacou na marginal Tietê, sede do jornal paulista e paulistano.

No fim da história, a rádio Eldoradofoi para a cucuia”, como se diz das coisas que acabam e fim de papo. Aliás, você se lembra, naturalmente, que no final de outubro o grupo o Estado de São Paulo descontinuou, também, o Jornal da Tarde, publicação que chegou a se tornar um símbolo da luta contra a ditadura, mas essa já é outra história.

pintor

O fato é que sem o acordo, o grupo ESPN ficou como o tal pintor de paredes de quem tiraram a escada e o coitado acabou pendurado no ar, com a brocha na mão (tipo de pincel, certo?).

Imagino que para os profissionais do setor esportivo, cujos pontos altos na modalidade serão a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016, ambos no Brasil, o fim da parceria é quase uma tragédia comparável ao desastre do Titanic. Todos devem estar se desdobrando para encontrar um substituto operacional e evitar o naufrágio de tudo o que já deve estar em andamento com vistas aos dois eventos que acabei de citar. Nessa hora, todo cuidado é pouco. Inclusive com a língua.

Pois o que li no Bastidores (que cita outra fonte) é algo que beira o ridículo, salvo algum equívoco de informação. O grupo ESPN estaria anunciando que, por falta de um, está prestes a fechar acordo com dois parceiros para dar continuidade aos planos previamente traçados.

gabola

E para deixar claro que não se trata de gabolice (ou tentativa de dourar a pílula), afirma que um dos parceiros tem “forte tradição na cobertura esportiva”.

Ora, façam-me o favor… Qualquer emissora com “forte tradição na cobertura esportiva” não teria porquê firmar parceria com um grupo que, na verdade, faria concorrência com o que já se faz. Até por causa da “forte tradição”. Afinal, supõem-se que uma emissora com tradição no segmento é, também, forte e não precisa de nenhum parceiro que venha fazer o mesmo do mesmo.

Ou será que apesar de ter dito à Lígia que sou bom churrasqueiro, com base na tradição sorocabana influenciada pelos gaúchos, eu estaria, no fundo, enquadrado no setor de muares? É possível, pois, confesso, não entendi qual é a do grupo ESPN.

Reitero — porque não acredito que João Palomino seja chegado à cretinice desse tamanho — que o equívoco talvez esteja na fonte. Nunca se sabe.

Por via das dúvidas — e para não perder a prática — acho que vou acabar fazendo churrasco neste domingo. Confesso que “queimar uma carne” é bem mais fácil que entender certas informações.

E não me venham com gracinhas, típicas de egos chamuscados, pois vou ficar com o espeto na mão e muita brasa “no ponto”.

— Barbaridade, tchê!

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O fim do acordo ESTADÃO/ESPN. Aqui.

A fonte que se baseou na fonte. Aqui.

Se você quiser ler um pouco mais sobre as feiras de muares sorocabanas, clique aqui.

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Imagens: Churrasco brasileiro – link / Sorocaba, em 1827 – link / Tropa de Mulas – link / Logo Estado/Espn – link / Logo da ex-rádio Eldorado – link / Pintor de paredes – link / Gabola – link / João Palomino – link /

22 de novembro de 2012

O QUE PEDIR A PAPAI NOEL? QUE TAL MAIS SEGURANÇA?

Olá, amigos da rede! Depois de uma breve pausa, estou de volta.

Volto e vejo São Paulo trocando o secretário de Segurança Pública. Há tempos Antonio Ferreira Pinto vinha se mantendo no cargo mais pelo apoio dos governadores Geraldo Alckmin e, antes dele, José Serra. Mas era evidente o desgaste do titular da pasta perante as polícias civil e, mais visivelmente, militar.

O novo secretário,  Fernando Grella Vieira, é ex-procurador-geral do Estado e está no Ministério Público Estadual desde 1984. Já foi secretário da Procuradoria de Justiça Cível, secretário-geral da Confederação Nacional do MP e membro do Conselho Superior da instituição. Entre 2008 e março desse ano, exerceu o cargo de procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo. Pelas credenciais, o homem é do ramo, mas, neste caso, é o que menos importa.

Ferreira Pinto já era página virada e a história ficou para trás. O novo capítulo da segurança pública pedia mudanças e assim foi feito. Não adianta entrarmos no mérito da questão, pois este interessa aos organismos policiais. Estamos interessados na segurança do cidadão. Sob esse ponto de vista, creio, as chacinas devem diminuir. Isso é o que importa.

Lamentamos pelos policiais que acabaram vitimados pela violência — organizada ou não pela facção criminosa que alarma São Paulo —, mas a parte mais pesada da fatura recaiu sobre a população.

Arriscar a vida no exercício da função faz parte da atividade policial e cabe ao Estado garantir meios para evitar baixas de pessoal. O que inclui severa vigilância dos criminosos condenados e total controle das atividades dos presidiários confinados em penitenciárias de segurança máxima. cidade_alerta_encapuzado

Se o Estado se revela incapaz de impedir o crime planejado e deflagrado de dentro dos presídios, alguma coisa muito séria deve estar havendo.

E, cá entre nós, iludir a população com a transferência de “perigosos meliantes” para penitenciárias de outros estados foi uma encenação ridícula.

Além do mais, por que “transferir” presos encapuzados? Nessa hora, mais do que nunca, o povo deveria “ver” a cara do condenado.

Quem garante que, por baixo do capuz, não estava um zemané qualquer fazendo de conta que era um “perigosíssimo bandido”?

O povo não admite esse tipo de passa-moleques. Continuar com aquilo seria perda de tempo e de credibilidade! Ninguém mais acredita em Papai Noel.

papai_noel_bauduccoPara mudar de assunto e porque falamos em Papai Noel, dá para perceber que o clima de Natal já está no ar. As pessoas, principalmente no comércio, estão sorridentes (caixinha, obrigado), as ruas têm mais gente, as lojas começam a ficar cheias. Com a primeira parcela do décimo-terceiro nas mãos, quem pode antecipa as compras. 

Para dar uma pausa no corre-corre, indico um link interessante que me foi indicado por uma de minhas primas, Sueli Guilherme. Trata-se de uma ação de marketing da Bauducco, tradicional indústria de produtos natalinos, especialmente o panetone.

Olha, eu sei que você não acredita mais em Papai Noel, mas vale a pena dar uma passadinha no site da Bauducco, para ver um filminho interessante. Nada de explicar como funciona, pois, afinal, o que vale é a magia de Natal.

A primeira parte do filme é bem legal e até gente grande pode se divertir uns minutinhos com o bom velhinho. Depois, vêm as brincadeiras. Entre elas, você pode escrever uma cartinha para Papai Noel!

Antes de se irritar comigo, pense bem: que tal pedir a segurança que a população de todo o Brasil reclama e merece ter? Pode não funcionar, mas nunca se sabe.

de_olho

Vai que, numa dessas, o pessoal da Bauducco se impressiona com os pedidos e remete as “cartinhas” ao governador do seu estado e à presidente Dilma Rousseff, não é?

Assim, eles ficarão sabendo que o povo não acredita mais em Papai Noel, mas está de olho no que essa turma anda fazendo. Ou deixando de fazer.

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A encenação da transferência de “bandidos perigosos”, está aqui.

Para entrar no clima de Natal, clique aqui.

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Imagens: Fernando Grella Vieira – link / Transferência – fotograma de vídeo – link / Papai Noel (site Bauducco) / De olho - link

14 de novembro de 2012

O FERIADÃO, INFELIZMENTE, NÃO É PARA TODOS

Volto na quarta-feira, 21 de novembro. Não sei se vou postar alguma coisa enquanto estiver fora, mas farei o possível.

Para se atualizar sobre outros assuntos através do blog, leve o cursor do mouse para a lateral direita da página inicial (Só funciona quando esta página está fechada. Portanto, memorize os passos a seguir).

Passe o cursor sobre a barra preta vertical ali existente. Isso vai abrir um menu oculto. O primeiro item é o ZAPPING. Clique sobre ele para abrir o submenu em que você vai encontrar links para os seguintes assuntos:

HORÓSCOPO – MÚSICA – CINEMA – TELEVISÃO – NOVELAS – INTERNET – TECNOLOGIA – ECONOMIA – BOLSA DE VALORES – COMMODITIES – COTAÇÕES DE MOEDAS e PETRÓLEO.

Os links do ZAPPING abrem, sempre, uma nova página. Caso você não goste do conteúdo acessado, basta clicar na aba original do blog e consultar outro assunto.

Ah, se você tiver um tempinho, desça o cursor do mouse até o terceiro item e junte-se aos amigos da rede. Será um prazer contar com a sua presença. O processo é simples e rápido. Para quem tem cadastro no Google, Twitter e Yahoo, entre outros, é mais fácil ainda. Como diziam os mascates de antigamente, “não requer prática nem habilidade”. Antecipadamente, obrigado.FG_tp

Desejo a você um ótimo feriadão. Aproveite-o, inclusive, para descansar se for o caso. É o que pretendo fazer.

Lamento, apenas, que o Dia da Consciência Negra não caia na segunda-feira. Muita gente não poderá emendar tudo. “Matar” a sexta-feira já foi duro, não é mesmo?

Sem saída, quem está nessa situação vai encarar o batente no dia 19, parar de novo — no dia 20 — e  voltar, com cara de quem comeu e não gostou, na quarta-feira.

Abração e até breve.

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Imagens: Feriadão – link / FG - arquivo

13 de novembro de 2012

DEZ MILHÕES DE BRASILEIROS TÊM DIABETES. MUITOS NEM SABEM

logo_DMDNo Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro, a informação de que, no Brasil, cerca de 10 milhões de pessoas são portadoras da doença dos tipos 1 e  2 é de assustar. Os números são do Ministério da Saúde.

O diabetes se caracteriza pelo aumento do nível de açúcar no sangue. Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da doença que, se não tratada, predispõe para “infarto, derrame, doenças nos rins, danos aos nervos e perda de visão”, segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade — SBMFC, Dr. Nulvio Lermen Jr.

diabetes_DM

Embora a população da terceira idade seja a que mais sofre com o diabetes, é preciso deixar claro que a estimativa do Ministério da Saúde engloba a população brasileira a partir dos 18 anos de idade. Isto significa dizer que os cuidados com a doença começam praticamente na adolescência.

Além da medicina preventiva, uma das formas de se manter saudável é através de atividades físicas. Mesmo quem não gosta de malhar forte, puxar ferro (exercícios com peso) ou correr, pode se garantir com uma simples caminhada diária.

Como ensinam os fisiculturistas é preciso se exercitar pelo menos três vezes por semana durante, no mínimo, por 30 minutos de cada vez para se obterem bons resultados.

Se você acha que não é o caso de se preocupar, ainda, sua leitura terminou.

No entanto, se você sabe que prevenir é melhor do que remediar, clique no link da Sociedade Brasileira de Diabetes onde existem informações detalhadas e diversificadas sobre a doença e saiba mais. Aqui.

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Fontes:

Informações à imprensa: RS Press
(11) 3868-2505 / (11) 3672-4197 / (11) 7839-4977
Dimayma Belloni –
dimaymabelloni@rspress.com.br

Sociedade Brasileira de Diabetes – www.diabetes.org.br 
Rua Afonso Braz, 579, salas 72/74 - Vila Nova Conceição
CEP: 04511-011 - São Paulo – SP – Telefone (11) 3846-0729

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Imagens: Logo Dia Mundial do Diabetes – link /  Prevenção – link /

QUANDO A POLÍCIA É O PERIGO

Como o povo se sente diante da criminalidade?

A sociedade pode confiar na proteção policial?

De quem o cidadão tem mais medo?

Essas três perguntas traduzem a inquietação popular em todo o país. As respostas são óbvias.

O povo sente-se assustado e desprotegido. Em casa, nas ruas, no trabalho.

Tome como exemplo a onda de violência que se registra em São Paulo, onde o Primeiro Comando da Capital tem colocado a polícia de sobressalto e mostrado ao cidadão que ninguém está a salvo.  

A polícia também não colabora, pois, ao contrário, tem dados mostras de arbitrariedades que resultam em mortes a serem devidamente apuradas. Pelo bem da corporação policial e para a manutenção da ordem pública. implora e morre

Veja o caso mais recente, em que perdeu a vida o servente Paulo Batista do Nascimento, de 25 anos.

Cinco policiais militares estão presos, administrativamente. O boletim de ocorrência, registrado pelos PMs afirma que a morte do servente se deu após uma perseguição a três homens que atiraram contra a viatura.

Teria ficado nisso, se não surgissem imagens feitas por um cinegrafista amador, desmentindo a versão policial. Exibidas pela TV Globo, no Fantástico, as imagens não deixam dúvida: Nascimento foi executado quando se preparava para entrar na viatura, em frente à casa em que morava, pedindo clemência.

Não é a primeira vez que a palavra de um policial é contestada por imagens ou por testemunhas oculares que contradizem a “versão oficial”.

Em julho, o empresário paulistano Ricardo Prudente de Aquino, de 39 anos, foi morto a tiros quando voltava para casa.

Os policiais que o mataram disseram que houve resistência à prisão, fuga e perseguição. Aquino foi baleado dentro do automóvel dele.

Um dos PMs afirmou ter se confundido, ao imaginar que o celular nas mãos do empresário fosse uma arma. Que polícia é essa, despreparada, nas ruas? Ela deveria proteger o cidadão, mas, antes, o mata. 

Você deve se lembrar da mulher que, em 04 de abril de 2011, presenciou uma execução dentro de um cemitério, em Ferraz de Vasconcelos, Grande São Paulo.

Assustada, denunciou o fato pelo 190 — o telefone de emergência da polícia. A atendente quis saber o prefixo da viatura em que os policiais militares estavam.

Na tentativa de verificar o número, a mulher foi notada pelos dois PMs. Um deles desceu e caminhou até ela.

Embora temendo pela própria vida, a mulher questionou o policial assassino, enquanto mantinha o celular em linha direta com o Centro de Operações da Polícia Militar, COPOM. O policial tentou enganar a testemunha, dizendo que estava socorrendo a vitima, mas a morte aconteceu porque a pessoa “reagiu”. Se não fosse a valentia dessa mulher, a ocorrência teria entrado para a série de “resistência à prisão, seguida de morte”.

É bom que se diga que a bandidagem não facilita. O policial trabalha em regime de tensão total. Basta um gesto brusco, um tom de voz mais exaltado e tudo pode acontecer.

Se você pensa que o Primeiro Comando da Capital não tem a periculosidade que lhe atribuem, não se engane. No final deste post, vou repetir um vídeo que circula na rede há bem mais de ano. Eu mesmo já o veiculei no blog.

A cena mostra um criminoso, trazido a São Paulo para depor. Irritado com as perguntas do juiz, o bandido demonstra impaciência. Para deixar claro que não se incomodava com os crimes de que era acusado, declarou ser do PCC, “inimigo número 1 de vocês, rapaz!”

Mesmo algemado e na presença de dois policiais (um militar, outro civil), o marginal não se intimida e “mete bronca”. Surpreendido pelo atrevimento do marginal, o “rapaz”, digo, sua excelência, o juiz, balbucia alguma coisa.

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Caso você ainda não tenha se convencido de que o crime não amolece para a lei, dou outro exemplo.

O juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, que atuou no processo de Carlinhos Cachoeira, pediu afastamento do caso. Com medo, quis deixar o país para preservar a própria integridade física e dar proteção à família dele.

Se com magistrados o comportamento dos fora-da-lei chega a tal ponto, imagine qual será o nosso destino  diante de um deles!

Pedir socorro à polícia, infelizmente, pode não ser uma boa ideia.  

Na era dos celulares que fotografam e filmam, abusos de poder e truculência são registrados e/ou desmascarados cada vez mais, ajudando a combater desvios de comportamento policial. No caso do servente Paulo Batista do Nascimento, graças ao vídeo, os policiais envolvidos não conseguiram sustentar a versão de tiroteio seguido de morte. Veja.

Porém, na alegada fuga e perseguição ao empresário que foi morto em São Paulo, as péssimas imagens da câmera de vigilância de um prédio próximo ao local da abordagem policial não esclareceram dúvidas importantes. Veja, também, links relacionados à notícia. Aqui.

A notícia da mulher que denunciou os policiais militares por execução em cemitério, está aqui.

O caso do juiz que pediu afastamento do processo de Carlinhos Cachoeira está aqui.

Para encerrar, o vídeo que é um tapa na cara da sociedade. Na teoria, com os principais chefes do crime encarcerados, seria fácil controlar as quadrilhas. No entanto, o crime planeja e comanda, de dentro das prisões, todo tipo de ação criminosa. Impunemente. A comunicação de dentro para fora (e vice-versa) é livre e incontrolável, inclusive nas penitenciárias consideradas de segurança máxima. Uma derrota que o Estado não admite, mas é obrigado a engolir. A pergunta que fica no ar é: “Por quê?”

Se você ainda não viu o vídeo abaixo, acredite, é difícil manter a tranquilidade depois de assistir a uma das mais frias e arrogantes demonstrações de pouco caso da Justiça.

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Imagens: Criminalidade – link / Implora e morre, fotograma de vídeo da Rede Globo. Fantástico, aos 28” – link / Ricardo Prudente de Aquino – link / Carro Ricardo – link / Slide – link /  Paulo Augusto M. Lima – fotograma Rede Globo, JN aos 9” – link /

9 de novembro de 2012

A ESCALADA DA VIOLÊNCIA EM SÃO PAULO, AO LONGO DE CINCO DÉCADAS

Sob o título “EPIDEMIA” o portal do Estadão (jornal O Estado de São Paulo) faz um levantamento da escalada da violência paulista e paulistana, ao longo de cinco décadas.

O tema, pesado,  não é o que se desejaria para um final de semana, mas, diante das circunstâncias, é um ponto de partida para quem procura entender o absurdo a que chegamos no confronto entre o bem e o mal, por assim dizer.

As chacinas se sucedem e ninguém sabe, ao certo, se resultam de ações organizadas pelas facções criminosas ou se insufladores do caos (suspeita-se, inclusive, de policiais), aproveitam o clima de aparente impunidade para engrossar a estatística do crime ou simplesmente vingar a morte de colegas.

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O que está acontecendo com a lei e a ordem? Na luta envolvendo policiais e bandidos, o saldo de mortes preocupa e atinge, principalmente, a população das regiões periféricas.

Policiais, assustados, sacam suas armas e disparam à menor suspeita. Às vezes, fazem vítimas inocentes. O caso mais recente, da menina Amanda Ferrão Martinho, de apenas 10 anos, choca e exige providências.

Uma coisa é certa: como em qualquer epidemia, a escalada da violência precisa ser combatida com rigor, para evitar um contágio ainda maior.

A morte da menina está aqui e aqui.

Para acessar a série do Estadão, clique aqui.

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Imagens: Escalada da violência – link / Vidro traseiro, fotograma de vídeo do G1, aos 57 segundos – link

8 de novembro de 2012

A VIRGEM LEILOADA: DEPOIS, DIZEM QUE MINEIRO É QUEM COMPRA BONDE

A Internet talvez seja a ferramenta moderna que mais contribui para ampliar o nível de conhecimento do ser humano. Através dela, é possível se obter um grau de informação nunca, antes, imaginado. Também há muito lixo circulando na rede e não ser enganado ou cair em arapucas depende, muito, de quem navega na rede. É preciso estar com o “desconfiômetro” 24 horas ligado.

Veja que observação interessante faz AMÉRICO MARQUES FERREIRA, Consultor Sênior do Instituto MVC, em artigo intitulado “AGULHA NO PALHEIRO”, veiculado no site do Instituto, em outubro:

“No Século 21 todos nós estamos sendo bombardeados, diariamente, por um volume imenso de dados e informações, gerando um déficit de atenção. Dois exemplos que ilustram esta constatação:

  • Ao longo de todo o século 16 foram publicados apenas 200 livros. Atualmente, existem no mundo quase 130 milhões (estimativa feita por Leonid Taycher, que trabalha no projeto Google Books)

  • Uma pessoa que tivesse vivido 70 anos no século 19 teria acumulado um volume de informações correspondente a uma única edição atual de domingo do New York Times.”

Diante de tal volume de informações, dá para entender como alguém pode se enganar, mesmo com a ajuda da Internet. É o tal déficit de atenção. Não dá para processar tudo.

As pessoas de boa-fé sempre foram ludibriadas por espertalhões. São inúmeras as histórias em que vigaristas fizeram vítimas, especialmente nas grandes cidades. Em São Paulo, por exemplo, há uma série de relatos, nem sempre verdadeiros, mas que dão boa ideia da “criatividade” dos pilantras.

Entre os golpes mais conhecidos estão o bilhete premiado; a máquina de fazer dinheiro; o equipamento caríssimo, importado, vendido baratinho diante de uma emergência financeira;  o cheque adulterado (hoje mais difícil, pois cheque está em desuso); cota de consórcio contemplada, cujo dono a repassa por qualquer preço; aplicações financeiras milagrosas, enfim, a relação é grande. O propósito, sempre, é tirar o dinheiro de incautos.

Em alguns casos, a vítima se julga muito “esperta” e vê uma chance de ganhar dinheiro fácil às custas de um “bocó de molas” —  expressão cujo significado é pessoa boba — que o vigarista finge ser.

Ao descobrir ter entrado em uma fria, a vítima fica sem ação e, muitas vezes, não dá queixa à polícia porque, no fundo, sabe que “dançou” porque foi desonesta em princípio.

São famosos, também, os casos de um “vendedor”, golpista, que se aproveita da ingenuidade de um comprador e vende coisas que não lhe pertencem.

Na lista dos golpes folclóricos, estão a venda do edifício Martinelli (um dos primeiros prédios de São Paulo), do viaduto do Chá e dos velhos bondes que circulavam na capital paulista.

Teria origem numa trapaça dessas, nunca comprovada, a expressão de que “mineiro compra bonde”.

Isto posto, vamos ao que interessa.

Como é possível, hoje — com a popularização da Internet, que divulga para o mundo todo, em tempo real as histórias mais incríveis — uma pessoa se deixar enganar por casos mirabolantes e absurdos?

Nessa categoria, está a venda da virgindade da mocinha catarinense, em leilão. O arrematante seria um japonês endinheirado.

Pela “bagatela” de  780 mil dólares, o equivalente a um milhão e meio de reais, o milionário oriental terá (será?) o direito de ser o “primeirão”!

Com certificado de garantia e tudo, emitido por um ginecologista a escolher.

A mocinha que, depois da “primeira vez”, vai estrelar um documentário, ficou “famosa” da noite para o dia.

Repare na ironia do título: “Procuram-se virgens!” —  ela própria não vai responder ao chamado, para todos os efeitos.

Gozando (opa!) da rápida celebridade, a catarinense foi ao programa televisivo de Ana Maria Braga, “Mais Você”, e jurou: “eu sou virgem ainda”.

Pode ser. E pode não ser.

A favor da mocinha, convenhamos, um “atestado de garantia” é algo, no mínimo, ridículo. Ademais, qualquer cidadão paulistano compra, na Praça da Sé, o atestado que mais lhe convier.

Claro que não estou colocando em dúvida a idoneidade do ginecologista que vai colar o selo de qualidade na mercadoria, mas a coisa é um tanto vaga…

Contra a pureza da leiloada existe, por exemplo, o depoimento de Oscar Maroni, dono da ex-boate Bahamas, que garante: “o produto já me foi oferecido, antes, por 100 mil reais. Não paguei, porque esse negócio de virgindade é do tempo do meu bisavô.”

Diz a nota que você vai acessar, no link abaixo, que na noite em que a mocinha fez a oferta, os dois subiram ao quarto do hotel, de mãos dadas, mas que comer, mesmo, Maroni só comeu no restaurante, pouco antes. Visto que o homem em pauta não é nenhum anjo de candura, dá para acreditar ou você prefere acreditar sem dar?

Outra coisa: note que a catarinense tem 20 anos, hoje. Dois anos atrás, pouco mais, sei lá, ela poderia ter menos de 18 aninhos. Oscar Maroni tem má fama, eu sei, mas não de “trouxa”.

Se dissesse que papou a donzela e, de repente, ao se fazer as contas, alguém chegasse à conclusão de que a menina era “de menor”, Maroni seria acusado de pedofilia. Ninguém pode acusá-lo de ingenuidade, certo?

Claro que tudo o que dissemos até agora é mera suposição. Mas não é disso que estamos falando? Pois, então!

No programa da Ana Maria, nesta quinta-feira, com ares de ofendida, o “prêmio” não aceitou o rótulo de prostituta.

Ensinando a diferença entre a mercantilização do sexo, como fazem as garotas de programa, e o dinheiro que vai receber por um ideal, foi didática.

“Prostituição é algo muito mais amplo: por exemplo, sair nua em revista, fazer filme pornô, fazer sexo sem afeto, fazer sexo por um cargo melhor ou outro tipo de coisa, entendeu?”

— Não, madame, digo, mademoiselle — ou sei lá, entende? — não entendi. Tentei, mas não consegui, entendeu? Na mera diferenciação, acima, há pelo menos dois casos em que o seu “leilão” se encaixa.

Aliás, “outro tipo de coisa” é bem abrangente, mas não vamos complicar. Para nós, o que resta basta, ou seja, o que foi dito explicou tudo. Perdão, quase tudo. mineirinho

Se tem algo que não consegui entender é como o “japonês” sortudo entrou numa dessas. Depois, quem leva a fama é o mineiro.

— Ô vida injusta, sô!

(Não sei, não, mas eu conheço esse sotaque…)

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Veja a história de Oscar Maroni sobre a oferta da catarinense, dois anos atrás, por “módicos” 100 mil reais. Clique aqui.

As explicações da mocinha sobre a diferença entre prostituição e leilão, estão aqui.

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Imagens: Ingrid Migliorini – link / Américo Marques Ferreira – link / Bilhete premiado – link / Bonde, em São Paulo – link / Certificado de Garantia – link /  Virgins Wanted – link /  Oscar Maroni – link / Ingrid, olhe o dedinho – link / Mineirinho - link