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31 de janeiro de 2013

PEDOFILIA FAZ ROBERTO CANAZIO, DA RÁDIO GLOBO, SE DESCULPAR COM OUVINTES

gente_grande Em que idade crianças deixam de ser crianças? A resposta deveria ser única e fácil, mas é tão diversa quanto complexa.

Por infância, compreende-se a faixa que se inicia no nascimento e vai até os 12 anos de idade. Em seguida, vem a adolescência, que a medicina prefere estender até os 20 anos. E, finalmente, tem início a fase adulta. Do ponto de vista genérico é isso.

Se quisermos ser mais detalhistas, devemos dizer que entre a infância e a adolescência, existe a puberdade —período em que ocorrem as maiores transformações fisiológicas— e se prolonga até por volta dos 16 anos. Entretanto, algumas pessoas se desenvolvem mais rapidamente que as outras, o que torna essa fase variável.

Continuando com a subdivisão etária, entre os 16 e os 29 anos está compreendida a juventude. Especialistas afirmam que nesse período dá-se a transição entre adolescência e vida adulta.

A fase adulta é caracterizada pela noção das responsabilidades e o desenvolvimento da plenitude mental e intelectual. Paradoxalmente, ao atingir esta etapa o corpo humano já apresenta sintomas progressivos de decadência de algumas funções físicas.

A velhice, etapa final do ciclo da vida, começa por volta dos 70 anos em países europeus, por exemplo. No Brasil, somos considerados velhos mais cedo, a partir dos 60 anos. É quando nos tornamos sex… agenários.

Sempre, é claro, com a devida observação de que algumas pessoas —da mesma forma que outras se desenvolvem mais depressa— levam mais tempo para demonstrar sinais de envelhecimento.

Diante dessas diferenças —e apenas essas— responder à pergunta inicial do post já deixou de ser única e fácil, não é mesmo? Imagine, então, se complicar um pouco mais o cenário do desenvolvimento humano.

A complicação começa a surgir logo na fase da infância das crianças de hoje. Comparativamente, elas estão muito mais evoluídas, aos cinco anos, do que a maioria quase absoluta das crianças que tinham até dez, doze anos em 1930.  

O século XX, encerrado em 2000, já parece “pré-histórico” diante do que virá neste século 21. E cada vez mais depressa do que se supõe.

Meninos e meninas, a partir dos três anos, já se mostram desenvoltos no uso de celulares e computadores, cada vez mais precocemente. A inteligência intuitiva deles nos espantam e forçam à comparação inevitável com o que nós éramos. 

Criaturinhas que ainda não sabem ler, navegam sem cometer os erros comuns aos adultos de agora, que estão em contato com o ambiente virtual há uma década pelo menos.

Como serão as crianças dos próximos anos?

Deixe essa pergunta em perspectiva, para compreender a razão deste comentário.

Nossos pais, e antes deles, nossos avós comentavam os casamentos arranjados que eram feitos antigamente.

Com o propósito básico de aumentar fortunas, famílias prometiam meninas a partir de 12 anos para se casar com herdeiros ricos de outras famílias.

Alguns casamentos foram realizados tão logo as meninas completavam 14, 15 ou 16 anos, mas havia uniões precoces.

Muito antes dessa prática, na Roma Antiga, nos anos 445 a.C., para minimizar os efeitos da perda de fertilidade dos cidadãos, jovens a partir de 14 anos (eles) e 12 (elas) podiam se unir em matrimônio. E nem sempre havia cerimônia oficial para validar o enlace. Bastava a vida em comum, sob o mesmo teto, para caracterizar o casamento.

Daqueles tempos para cá, muita coisa mudou, é claro. A começar pela mentalidade de muitos pais, infelizmente, que gostariam de ver seus filhos transformados em artistas, da noite para o dia a qualquer custo. Em busca de uma oportunidade acabam negligenciando a vigilância, o que permite a ação de vagabundos, como o que você verá.

Somem-se a essa ânsia pela fama, reality shows que produzem celebridades instantâneas. Homens e mulheres se digladiam em uma arena televisiva onde as armas para a conquista do prêmio em disputa são a falsidade, a falta de escrúpulos e total disposição para “o que pintar”. Nada importa, senão a fama.

Agora, vamos ao comentário que motivou este post. Pedofilia é crime inafiançável, considerado hediondo e não merece apoio de ninguém em sã consciência. Vou abordar um caso ocorrido recentemente, no Rio de Janeiro.

Veja um trecho de matéria veiculada no site AdNews, especializado em assuntos de rádio, televisão, propaganda e marketing:

A Rádio Globo publicou um pedido de desculpas por um post infeliz publicado em sua página no Facebook. A mensagem veio logo após a descrição de uma notícia envolvendo um pedófilo. O jornalista Roberto Canazio, apresentador do programa Manhã da Globo, fez a seguinte pergunta: "Algumas meninas de 12 anos têm hoje corpo de mulher. Pensar 'maldade' seria pedofilia por parte dos homens?" (…)

A notícia sobre o pedófilo e o comentário de Canazio, já excluídos da página da rádio Globo no Facebook, seguem abaixo, para você ver:

canazio_RJReclamações começaram a pipocar. A Globo, imediatamente tirou o post do ar, manifestou discordância com o comentário do profissional contratado e, como era de se esperar, o jornalista/apresentador do programa “Manhã da Globo” se desculpou publicamente.

Não tenho procuração para defender o colega e, tampouco, pretendo polemizar o assunto. O que me move é a certeza de que Roberto Canazio não foi leviano ao comentar um crime indesculpável na intenção, quem sabe, de justificar a atitude do pedófilo. Jamais.

O jornalista está na estrada há muito tempo, sabe o que está fazendo e não seria com um assunto dessa natureza que ele iria errar a mão intencionalmente.

Acredito que o pensamento de Canazio foi igualzinho ao que pode ocorrer a qualquer um de nós, homens e mulheres, que temos acompanhado a precocidade da vida sexual dos jovens desta geração. Porém, nem mesmo essa evidência autoriza ou justifica o crime de pedofilia, caracterizado por torpeza e vilania máximas. Por isso imagino que o apresentador fluminense não teve a intenção de minimizar a atitude do pedófilo.

O escorregão de Roberto Canazio exigiu pronta ação da rádio Globo, o que deve ser elogiado e, serviu, também, de alerta aos pais.

Para consumar o abuso, o pedófilo se aproveita da ingenuidade que ainda está presente na criança em transição, apesar da aparente desenvoltura com que está se habituando a ver o sexo na TV e, inclusive (ou principalmente), na Internet.

Não perca seus filhos de vista, procure saber com quem eles saem e verifiquem o conteúdo daquilo que a garotada anda vendo na rede mundial de computadores. Escondido nas sombras virtuais, o perigo é uma ameaça real.

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A informação da AdNews, está aqui.

Pedofilia é crime inafiançável. Veja

Um pouco dos usos e costumes da Roma Antiga, aqui.

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Imagens: Crianças feito gente grande – link 1 e link 2 /Adultos, responsabilidade – link / Pré-história – link / Criança precoce – link /  Roma Antiga, casamento – link / Criança na rede – link / Roberto Canazio - link

30 de janeiro de 2013

INCÊNDIO NA BOATE KISS. JÁ JÁ OS MORTOS SERÃO CULPADOS

Nem negligência dos donos, nem conivência das autoridades, nem violência da segurança, nem má-fé ao sumir com a evidência. Segundo a defesa de Elissandro Spohr, um dos sócios da boate, os bombeiros “agiram de maneira desastrosa e despreparada”, durante a operação de resgate e salvamento das vítimas. Estava demorando para começar o festival de leviandades, em nome da Justiça.

Nada sobre o jogo de empurra da prefeitura sobre a situação da casa. Nada sobre uma eventual vista grossa da parte de quem autorizou o funcionamento da boate, mesmo sem condições ideais. Nada sobre o sumiço do sistema de imagens internas que comprovariam a ação desumana e irresponsável dos que impediram a saída dos frequentadores em fuga da fumaça e das chamas.

Se demorar um pouco mais para apurarem os motivos reais que culminaram na tragédia, é possível que surja uma versão informando que as vítimas erraram a saída de propósito e, diante da insistência delas em permanecer no banheiro, nada pôde ser feito.

Peço notar que a aparente grosseria do parágrafo é, na verdade, um desabafo e uma cobrança às autoridades: parem de palhaçada e cuidem do assunto com a seriedade que merece e deve ser tratado!

*** *** ***

Ameaçados pelas labaredas da apuração dos fatos, alguns personagens da tragédia tentam jogar fumaça nos olhos da nação enlutada. De concreto, até agora, mortos e feridos, embora os números não sejam definitivos. Aqui e aqui:

O jogo de empurra. Aqui

A acusação da defesa contra os bombeiros. Aqui

Prisões feitas até agora não devem ser mantidas. Quem acreditava que seriam? Aqui

Ironia ou gozação? Boate tinha duas saídas, mas para dentro. Difícil de entender? Veja

Extintores como elementos de decoração. Dono os achava feios. Defesa contesta e diz que no palco tinha extintor. Provavelmente era aquele que não funcionou. Clique aqui

E as imagens do circuito interno, onde foram parar? Alegação de que equipamento já não funcionava há três meses, agrava a irresponsabilidade dos donos da boate. Aqui

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Imagem: Escombros da boate Kiss - link

29 de janeiro de 2013

Giro na mídia – 29 de janeiro de 2013

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O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, continua repercutindo. Reuni alguns links sobre as informações mais recentes sobre o assunto e outros, que mostram um pouco do que foi o dia, hoje, em todo o Brasil:

O número de mortos no incêndio da boate foi revisado. Agora, são 234. Aqui

Detran endurece com motoristas alcoolizados. Veja

A população já esperava. Aconteceu. Gasolina tem aumento. Veja

Presidente Dilma Rousseff na mira tucana. Os detalhes

Ressonância suspeita. Pacientes morrem depois de exame. Aqui

Nem Neymar, nem Messi. O ataque mais temido, na Copa, é dos hackers. Clique aqui

Show esbarrou no politicamente incorreto, mas o cachê de Ivete Sangalo foi mantido. Veja

No Rio, os preparativos para os desfiles. O Carnaval, aqui.

Com atenções sobre a tragédia, o jogo político continua. Renam é vítima?

Situação na Líbia pode piorar com intervenção francesa no Mali. Veja

Estes são alguns dos destaques do dia.  Não deixe de ver os links relacionados. Boa leitura.

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Imagem: Tela - link

28 de janeiro de 2013

KISS – O INESPERADO BEIJO DA MORTE

O final de semana, marcado pela tragédia no Rio Grande do Sul, calou fundo na alma do cidadão brasileiro. Centenas de jovens atraídos pela promessa de um show musical alegre e descontraído na boate Kiss, no município gaúcho de Santa Maria, acabaram recebendo o inesperado beijo da morte.

A notícia logo tomou conta de todo o país. Cada nova informação, um detalhe revelado por sobreviventes do incêndio, acentuava a sensação de angústia, medo e dor.

A angústia foi causada pela expectativa de que durante os trabalhos de remoção das vítimas se descobrissem novos corpos. Inicialmente divulgados como sendo 245 mortos, ao longo do dia esse número foi reduzido para 233. Porém, como se sabe, ainda não foi declarado o saldo final desse episódio apavorante que também produziu mais de uma centena de feridos.

O medo atormentou os moradores de Santa Maria e cidades próximas, temerosos de que entre as vítimas estivesse algum parente ou conhecido. Enquanto seus entes queridos não voltaram para casa ou foram localizados a salvo, o pânico se instalou entre as famílias da região.

Por último, a dor atingiu a todos, pois a perda de vidas humanas nessa circunstância golpeia até o espírito de profissionais habituados às cena duras da vida. Era visível na fisionomia das pessoas envolvidas no resgate e socorro às vítimas, uma ponta de compaixão pelo infortúnio do próximo.

Nessa hora, é impossível não se colocar na pele de quem perdeu um filho, uma filha, um parente, um amigo. Eu, você, qualquer um de nós, poderia estar na mesma situação dessas pessoas. Isto nos faz perceber que o destino de quem amamos pode mudar de um momento para outro, sem que possamos fazer nada para impedir.

Que pai ou mãe, enfim, que pessoa imaginaria aquele desfecho para uma noite que se prenunciava tão alegre e feliz?

O incêndio em Santa Maria repercutiu através da mídia internacional. Além do saldo lamentável de mortos e feridos, revelou total despreparo na produção do show.

Sem nenhum planejamento, não se percebeu, antecipadamente, que o espetáculo pirotécnico era incompatível com as dependências da boate.

Orientados a defender apenas os interesses de seus empregadores, os seguranças foram incapazes de notar a seriedade do problema, assim que as labaredas irromperam no ambiente.

No relato de um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava no palco, ao ver as chamas um dos seguranças trouxe um extintor que, no entanto, não funcionou. E o fogo se alastrou rapidamente, depois da tentativa de apagá-lo.

Por que este segurança não alertou aos demais sobre o perigo? É provável que os  colegas não estivessem equipados com radiocomunicadores, o que contribuiria para que não se soubesse o que estava acontecendo. Tanto que, ao invés de franquear a saída aos presentes, como era de se esperar, os seguranças criaram obstáculo exigindo o pagamento das comandas em aberto.

Uma falha fatal de comunicação. Quando se deram conta da gravidade do caso, era tarde demais. Destreinados, os seguranças não orientaram as pessoas que tentaram fugir pela porta que levava aos banheiros, imaginando ser a saída de emergência. Encurraladas, as vítimas morreram umas sobre as outras, asfixiadas pela fumaça tóxica.

A origem do incêndio na boate Kiss vai ser apurada, naturalmente. Algumas pessoas poderão ser responsabilizadas, o que não significa que serão punidas.

Ainda que venham a ser condenadas à prisão ou ao pagamento de alguma indenização, de que isto adiantará para as famílias enlutadas? É preciso agir depressa e com rigor para que fatos como este não se repitam.

No entanto, a noção da insensatez e falibilidade humana nos faz elevar a voz, em súplica, diante da tragédia deste domingo:

— Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós… acolhei as vítimas dessa irresponsabilidade e levai conforto aos corações dilacerados.

*** *** ***

Integrante da banda conta como o fogo começou. Extintor, trazido por segurança, não funcionou. Aqui.

Fica difícil enquadrar casas de espetáculos e afins. Não existe uma lei nacional que discipline normas de proteção contra incêndio. Aqui.

A perspectiva, infelizmente, é a de que o número final de mortos ainda aumente. Cerca de 80 feridos encontram-se em estado grave. Aqui.

Evitei postar fotos de vítimas ou de familiares destas. Os portais de notícia tem dedicado amplo espaço para as informações sobre o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Siga os links relacionados e veja a cobertura total sobre o assunto.

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Imagens: Fachada boate Kiss – link / Apresentadores Globo News – link / Mídia Internacional – link / Músicos – link / Profissionais endurecidos – link / Responsáveis - link

27 de janeiro de 2013

*TRAGÉDIA EM BOATE MATA, PELO MENOS, 245 PESSOAS, NO RIO GRANDE DO SUL

boate_lutoAtualização: 27 de janeiro, 21h39 

Domingo de pânico, dor e tristeza. Até agora, foram contados 245 mortos em decorrência de incêndio em boate de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O número pode aumentar, pois há feridos em estado grave.

*No final do dia, as autoridades que cuidam do caso reduziram o número de mortos para 233. Os feridos somavam 127 pessoas, entre homens e mulheres.

A tragédia coloca em xeque o descaso de empresários na organização de eventos, preocupados, ao que tudo indica, mais com o faturamento, menos com a segurança dos frequentadores.

boate_bombeiros

Neste quesito, é fundamental apurar versões de que os seguranças da boate trancaram as saídas de emergência, para impedir que as pessoas saíssem do local sem pagar pelo consumo. Um absurdo, a ser verdadeira a informação.

Sem saída, muita gente morreu asfixiada pela fumaça produzida por materiais altamente tóxicos utilizados na decoração e isolamento acústico da boate.

dilma_antecipa_volta

Abalada, a presidente Dilma Rousseff deixou o Chile, onde estava em visita oficial, para acompanhar os trabalhos de resgate e assistência às vítimas do incêndio.

Dilma é mineira, nascida em Belo Horizonte. Após a fase tumultuada da juventude, em que foi militante ativa de organizações guerrilheiras na luta armada contra o regime militar, reconstituiu a vida no Rio Grande do Sul e tem grande apreço pelo povo gaúcho.

Este fato, por si só, deve ser suficiente para que haja extremo rigor na apuração dos fatos e no indiciamento dos responsáveis pela tragédia. Porém, acima de tudo, está o dever de evitar que ocorrências dessa natureza se repitam. Chega de “contabilizar” vidas humanas como lucros.

*** *** ***

Acompanhe tudo sobre a tragédia. Siga, inclusive, os links relacionados. Há vários vídeos de cobertura jornalística do incêndio. Aqui.

Seguranças da boate teriam trancado saídas de emergência, para que as pessoas não deixassem o local sem pagar o consumo. Isto precisa ser devidamente apurado. Aqui.

A presidente Dilma Rousseff cancelou agenda, no Chile, antecipa retorno ao país e promete visita à Santa Maria. Aqui.

O incêndio ganhou manchetes da imprensa internacional. Nem poderia ser diferente. Aqui.

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Imagens: Presidente Dilma Rousseff, fotograma extraído de vídeo da Globo News disponível neste link / Bombeiros apagam fogo – link / Resgate - link

26 de janeiro de 2013

EM TEMPO DE ANIVERSÁRIOS, MINHA PASSAGEM PELO RÁDIO SANTISTA

Depois de comemorar o aniversário de São Paulo, hoje, 26 de janeiro, é aniversário de Santos, SP: 467 anos!

Morei e trabalhei nessa cidade, de 1972 a 1977. Ao chegar, fui para a rádio “Atlântica”, do grupo “A Tribuna”. Entrava às seis da manhã, saía ao meio-dia.

Das seis às sete, a emissora tocava músicas regionais nordestinas, destinadas à grande parte da população residente na baixada santista, originária do norte/nordeste brasileiro.

Às sete, eu saía do estúdio da “Atlântica” e entrava no estúdio da rádio “A Tribuna”, no mesmo andar, onde dividia microfones com Dedé Gomes na apresentação de um radiojornal, até as oito horas.ed_galeria Quando me casei, em setembro de 1975 (faz tempo, hein?) eu estava na Sociedade Rádio Cultura São Vicente, de Paulo Jorge Mansur, ex-deputado federal, morto em 2007, aos 91 anos de idade. Os estúdios ficavam em Santos, na praça da Independência. Na foto acima, a seta, em amarelo, aponta o local.

Eu e minha mulher fomos morar em uma quitinete mobiliada, em São Vicente, município vizinho. “Mobiliada” é modo de dizer, mas, enfim, o minúsculo apartamento ficava de frente para a praia do Gonzaguinha, em São Vicente, cujo aniversário de fundação transcorreu no último dia 22 de janeiro.

Até setembro de 1977 moramos ali graças a Paulo Mansur, meu fiador no contrato de aluguel. Trabalhar em rádio, naqueles tempos, não era visto com bons olhos, mas o “aval” do patrão mudava tudo. Sempre fui grato a ele, por isso.

Abaixo, foto capturada do Google Maps. Embora eu a tenha copiado hoje, a imagem é de fevereiro de 2011. Precisei “quebrar a cabeça” para encontrar um ângulo que favorecesse a descrição, mas dá para se ter uma boa ideia do lugar. Com algum esforço, você vê (à direita) o número 34 do edifício Costa Atlântica, onde morei. À esquerda, a praia. Nota-se que o local continua bonito.gonzaguinha

Na rádio Cultura conheci um menino, ainda, cerca de 16, 17 anos, que já despontava como um talento para negócios e, também, diante do microfone. Lembro-me do “status quo” do garoto, imbatível corretor de anúncios da rádio. Pedro Emílio Ruiz Baldez, de quem fiquei amigo em pouco tempo. Pena que o destino, às vezes, nos separa de pessoas que admiramos.

pedro_emilio_ssz

“Pedrinho” (à esquerda, já nem tão menino assim), jornalista, hoje é empresário do setor de comunicação. Ora em Santos, ora em Minas, não sei aonde estará neste momento.

Depois que saí da rádio Cultura de São Vicente, em 1977, vim para São Paulo, capital.

Nunca mais vi a nenhum dos filhos de Paulo, mas, claro, soube que Beto Mansur seguiu os passos do pai, na radiodifusão e na política.

Depois de ser eleito e reeleito para a prefeitura municipal de Santos —de 1997 a 2004—,  agora exerce mandato de deputado federal.

Beto e Gil (mais este), administram as rádios AM e FM e a emissora de televisão, afiliada ao SBT. Tenho um amigo, Júlio Cesar Aredes Theodoro, que mora em Santos atualmente e grava chamadas para a TV dos Mansur.

Do rádio santista guardo boas lembranças profissionais e pessoais, acumuladas ao longo da carreira. Os ouvintes mantinham relação de amizade com os apresentadores; em alguns casos, éramos “de casa”.

Puxando pela memória eu teria muitas histórias para contar; quem sabe, em outra ocasião. Hoje, quis apenas registrar os aniversários de Santos e, embora tardiamente, de São Vicente, município considerado a Cellula Mater da Nacionalidade.

*** *** ***

Conheça a origem da expressão Cellula Mater da Nacionalidade, pela qual São Vicente/SP é conhecida. Aqui.

Meu amigo mais antigo, do meio radiofônico, conheci em Santos. Uma amizade de 40 anos, completados em novembro de 2012. Aqui.

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 Imagens: Santos,. SP – link / Praça da Independência, Santos, SP – link / Praia do Gonzaguinha, São Vicente, SP, obtida através do Google Maps – link / Pedro Emílio Ruiz Baldez - link

24 de janeiro de 2013

SÃO PAULO, 459 ANOS. HAJA SANDUÍCHE DE MORTADELA!

São Paulo, a maior cidade do país, uma das maiores do mundo, completa 459 anos de fundação neste sábado, 25 de janeiro de 2013.

Não vou alinhavar, aqui, as razões pelas quais São Paulo ocupa papel de destaque nos cenários nacional e internacional. Tudo o que eu dissesse seria repetição do já vem sendo dito do estado mais poderoso da nação. Para abordar os aspectos histórico, geográfico, político, social e econômico que determinam a dimensão paulista há gente muito mais qualificada do que eu.

Contento-me em dizer que tenho sido feliz nesta cidade. Ainda que, hoje, eu não encontre motivos para alegrias, no geral, o saldo é positivo. Cheguei a São Paulo em 1977 e nunca mais saí desta cidade. Aqui nasceram meus filhos, todos três.

Sempre adiei “para o ano que vem” a provável volta às origens. Retornar à terra natal, Sorocaba/SP, passou a ser uma hipótese acalentada, mas cada vez mais remota.   

Para dar a mim mesmo a impressão de que “agora é pra valer”, de vez em quando pensava numa cidadezinha qualquer para onde eu gostaria de me mudar. E passei a imaginar como seria boa a vida pacata do interior, num ponto isolado deste país. Mas, qual! Continuo por aqui. A razão, para isso, talvez esteja na esperança de dias melhores.

Em busca de um lugar ao sol muitos, como eu fiz um dia, continuam vindo para a cidade grande. Chegam, surpreendem-se com o gigantismo de tudo (São Paulo é muito maior do que a imaginamos) e projetam possibilidades sem fim.

Sempre ouvi dizer que, em São Paulo, as pessoas perdem a identidade. De certa forma, isso acontece. Aos poucos, os forasteiros caem na real, sentem-se sufocados pela crueza do dia a dia e vão se tornando mais um no meio da multidão que caminha apressada. São Paulo não pode parar.

Por isso, meu desassossego, neste 25 de janeiro, se dirige ao rádio. Para comemorar o aniversário da cidade, o rádio vai fazer… o de sempre: realizar shows musicais com artistas populares; registrar a presença da população em parques públicos; transmitir programas “incríveis” do mercadão municipal; os apresentadores se “assustarão” diante dos sanduíches generosamente recheados e, por fim, a reportagem deve colher promessas de autoridades “preocupadas em melhorar a vida na cidade”. Promessas que vão ecoar, até serem devidamente esquecidas ou repetidas no próximo ano.

Quanto às promessas não cumpridas, o rádio —se quiser— poderá  cobrá-las.

Desde que não repita a mesmice avassaladora que o tem caracterizado não apenas durante a programação comemorativa de datas importantes, anos a fio.

São Paulo não pode parar e o rádio tem o dever de melhorar.

Ou, então, haja sanduíche de mortadela!

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Panorâmica Parque Ibirapuera e cidade ao fundo – link / Soltando balão, em arte Naif – autor Airton das Neves – link / Mercado Municipal de São Paulo – link /  Sanduíche de mortadela – link /

21 de janeiro de 2013

NÃO SE ARRISQUE COM PNEU RISCADO. UM RISCO MAL CALCULADO

pneu_perigoso

De vez em quando, cedo espaço no blog para a publicação de artigos de terceiros. Ou, mais raramente, replico o post de alguém. Basta que eu goste da abordagem ou do tema, imaginando que você também vai gostar. Costumo proceder assim quando se trata de assunto específico. Um especialista em determinada área escreve melhor que um leigo e isso faz toda a diferença.

Em geral, quando escolho a segunda hipótese redijo uma apresentação, explico o motivo para utilizar o recurso e deixo claro que o texto não é meu. É o caso da postagem que você vai ler, abaixo.

Conheci o engenheiro Jorge Almada através da Internet. Ele visitou o FG-News em 19 de  maio de 2012 e deixou um comentário no artigo NOSSOS INSEGUROS VEÍCULOS, publicado em 14 de dezembro de 2011. O  texto fora escrito por um ex-colaborador do blog, Cleber de Oliveira Santos.

Gostei do posicionamento de Almada e fiz contato. Em seguida, ele proporcionou a postagem É FOGO! SEU CARRO PODE VIRAR CINZAS EM MINUTOS, publicado em 29 de maio de 2012. Como se nota, a área de interesse de Almada é a segurança automotiva.

pneus_riscados

Mais uma vez, Jorge Almada me envia uma colaboração visando evitar acidentes fatais. Desta feita, o engenheiro destaca o uso  de pneus riscados, uma prática bastante comum, infelizmente.

Muitos proprietários de veículos, de motos inclusive, são atraídos pela opção barata, mas perigosa.

Para não ficar a impressão de que estamos acusando borracheiros de agirem desonestamente, enganando o consumidor, é preciso dizer que o comprador tem consciência de estar adquirindo um pneu riscado.

Mesmo assim, em nome da economia, se submete ao perigo. Trata-se de uma prática irresponsável, tanto de borracheiros quanto dos próprios consumidores. Todo cuidado é pouco! Os motivos do alerta, o próprio Jorge explica. Boa leitura.

PNEU RISCADO QUANTO VALE?

Borracharias localizadas em beira de estradas podem estar comprometendo a segurança de usuários de rodovias. Recentemente tive que fazer um conserto em um pneu novo, marca conceituada no mercado. O pneu estava com menos de 3.000 quilômetros rodados e furou devido à penetração de um prego. Ao parar na borracharia observei que havia vários clientes trocando os pneus desgastados pelos riscados ou frisados.  Questionei o borracheiro: você vende muitos pneus riscados? A resposta foi que 90% de suas vendas são de pneus riscados.

A técnica de frisagem ou riscagem de pneus consiste em dar uma aparência de novo a um produto já velho, utilizando uma máquina (manual) para refazer os sulcos desgastados, vide foto abaixo;  o processo não acrescenta uma nova camada de borracha. (pelo contrário, uma lâmina aquecida eletricamente penetra na pouca borracha que resta sobre a carcaça do pneu)

Para frisar um pneu, um borracheiro leva cerca de 10 minutos. O custo varia conforme o modelo. Para caminhões, o valor vai de R$ 20,00 a R$ 40,00.

Antes de comentar o risco que os motoristas impõem a si e aos outros  vamos entender um pouco da tecnologia da fabricação dos pneus.

Os frisos existentes nos pneus são estudados rigorosamente no que tange à profundidade, ângulos , e geração de atrito. Os frisos próximos à lateral do pneu tem a função de eliminar parte da água junto ao solo.

Os frisos do pneu são obtidos através de moldes durante a fabricação, pelo processo de vulcanização. Desse modo, a parte frisada  não apresenta microfissuras que poderiam comprometer a resistência do pneu.

danos_pneu_riscado

Já no pneu riscado, a profundidade dos riscos fica comprometida, visto que o pneu já apresenta desgaste da camada de borracha. Durante a frisagem aparecem microfissuras que podem, com o uso, se ampliar causando danos irreversíveis ao produto.

Ocorre que a borracha vai endurecendo com o passar do tempo, facilitando a ampliação das microfissuras que levam ao rompimento total da camada de borracha e dos fios de aço que compõem a estrutura do pneu.

Qual é a saída para acabar com o uso de Pneu Frisado?

Se houver ações governamentais, em termos de fiscalização das borracharias e redução de impostos para os fabricantes, os preços poderiam cair a ponto de levarem o dono do veículo a comprar pneus novos. Os pneus custam muito caro no Brasil.

Para cada problema sempre existe uma solução. Basta cobrarmos uma atitude das autoridades, visto que podemos ser vítimas de acidentes causados pela irresponsabilidades de outros.”

Colaboração de Jorge Almada - Engenheiro químico  

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A polícia rodoviária multa e apreende veículos com pneus riscados. Aqui.

*Atualização: link acrescentado em 24 de janeiro.

Veja como um borracheiro frisa pneus que não deveriam mais rodar. Tudo no improviso, sem nenhum critério técnico.

O vídeo tem pouco mais de oito minutos, mas não é preciso ver inteiro. Em poucos segundos, você vai entender o tamanho da encrenca.

Ao “cavocar” a borracha desgastada de um pneu careca, a lâmina quente da maquininha produz microfissuras, imperceptíveis a olho nu.

Conforme o pneu vai rodando, as microfissuras dilatam rapidamente e o pneu pode estourar, provocando acidentes fatais.

Não se deixe enganar. Todo cuidado é pouco.

Para assistir em tela cheia, clique no logo do Youtube.

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Imagens: Pneus riscados – link / Pneus carecas – link / Pneu depois de riscado – link / Pneus carecas parecem novos – link / Riscando pneu – link / Carcaça – link

20 de janeiro de 2013

ZZP-2 – O TESTE DE AFERIÇÃO DE FREQUÊNCIAS NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS

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Estava pensando longe, sem me fixar em nada especialmente. Num estalo, me veio à lembrança a época em que as emissoras de rádio precisavam fazer um teste de aferição de frequência, de tempos em tempos. Imediatamente me lembrei do ZZP-2.

— “Poxa!” —exclamei, com a voz interior— “Como é que fui me lembrar disso agora?”

São tantos os momentos vividos e compartilhados ao longo dos anos, que algumas passagens ficam sepultadas sob montanhas de imagens acumuladas pelo tempo.

Às vezes, me pego revivendo fatos que já julgava esquecidos. E me surpreendo com a riqueza de detalhes que vão brotando durante a recordação. Em alguns casos, tão vivos como se estivessem acontecendo agora mesmo. No entanto, ficaram anos empilhados num canto escondido da memória. É bastante uma palavra ou um pensamento, para que as lembranças jorrem como cascata formada por águas de aluvião.

Pois foi exatamente assim que brotou, do passado, a expressão ZZP-2.

O que é isso?

Eu explico: há muitos anos, as emissoras precisavam ter a frequência aferida pelo órgão controlador responsável por manter cada rádio operando na posição que lhe cabia no dial. Nem se cogitavam rádios piratas. O propósito era manter a ordem e a organização das “estações”.

De seis em seis meses, mas em alguns casos o intervalo chegava a ser  maior, havia um teste para verificar se o transmissor estava calibrado. O teste consistia em chamar o controlador, no ar, até que o sinal da rádio fosse captado em São Paulo, capital.  

Era o ZZP-2, “Centro de Controle de Emissões Radiofônicas e Radielétricas”, de São Paulo, divisão subordinada à “Empresa de Correios e Telégrafos”, que supervisionava o serviço de transmissão radiofônica, antes da “Embratel”, hoje “Anatel”.

Na data marcada para o teste, após o encerramento das transmissões normais, geralmente à meia-noite, dava-se um tempo de cinco a dez minutos e um locutor fazia uma chamada no ar. Presumia-se que os ouvintes não estariam sintonizando uma rádio cuja programação já se havia encerrado.

Eu mesmo cheguei a participar disso, nos idos de 1968, 1969 e 1970, quando trabalhava na Rádio Vanguarda, de Sorocaba. O proprietário,  Salomão Pavlovsky, já falecido (direita), meu primeiro patrão, comparecia aos estúdios, na rua Dr. Braguinha, 79 (esquina com rua Maylasky) para acompanhar o teste.

Geralmente havia um texto a ser lido, mais ou menos assim:

“Alô, ZZP-2… rádio Vanguarda, de Sorocaba, chamando para aferição de frequência. Responda, ZZP-2. Aqui, ZYI-8, onda média de 192,3 metros, operando em 1560 quilociclos, chamando para aferição. Na escuta, ZZP-2? Confirme o sinal da rádio Vanguarda.”

O texto sofria pequenas variações, ao sabor da imaginação ou do entusiasmo do locutor que estivesse escalado para o teste, mas basicamente era isso. O sorocabano mais atento pode estranhar a frequência, em 1560 KHZ, mas era essa na época dos fatos aqui narrados. Anos mais tarde, Salomão conseguiu a troca, no dial, para os 1210 atuais. O prefixo, ZYI-8, não sei se permanece o mesmo.

Retomando, para o sucesso da empreitada o órgão fiscalizador determinava que todas as emissoras autorizadas a operar na mesma frequência ou muito próximo dela, em outras localidades, ficassem fora do ar durante o período de teste.  

emissoras_zzp2Naquele tempo, a maioria encerrava os trabalhos por volta de meia-noite, o que facilitava tudo. Poucas iam até uma hora, já no início da madrugada. A exceção ficava à cargo das potentes emissoras dos grandes centros urbanos. Essas, operavam ininterruptamente.

Se estivesse tudo em ordem o teste era concluído poucos minutos. Caso contrário, o ZZP-2 passava instruções, por telefone, para que fossem feitos ajustes no cristal que mantinha a frequência da rádio no lugar exato.

Na hipótese de haver grave irregularidade, a rádio poderia ter o transmissor lacrado e ficar fora do ar até que fosse feita a correção. Por isso, o teste era levado a sério. Geralmente, não havia problema.

Em Sorocaba, contava-se uma história, nascida, segundo se dizia, de um desses testes.

Ouvintes desinformados, acabaram sintonizando a emissora depois do encerramento das transmissões e ouviram os apelos do locutor ao ZZP-2. Acreditando tratar-se de uma tentativa da emissora para orientar alguma aeronave perdida sobre o céu da cidade, acabaram alertando amigos, vizinhos e conhecidos. Todos ligaram o rádio e se convenceram que era mesmo um avião em perigo, cujo piloto estava desorientado.  pouso_emergencia

Na base do boca a boca, quem tinha automóvel foi para o aeroporto local, na Vila Barão. Localizado em região isolada, sem iluminação, pista de terra e pouca ou nenhuma vigilância, não teria sido difícil para os motoristas se alinharem ao longo da pista precária, com faróis acesos para sinalizar um provável pouso que o “piloto” pudesse fazer.

Até que a confusão chegasse ao conhecimento da rádio e fosse desfeita, dezenas de veículos teriam ido ao aeroporto em solidariedade ao desesperado aviador.”

Essa era a história. No ar, durante os testes, cheguei a me lembrar dela e a desejar que pudesse acontecer novamente. No fundo, eu bem que gostaria de ver o aeroporto da Vila Barão cercado por automóveis de moradores da cidade. Fui movido por um espírito de aventura evocado, certamente, pelos fatos que contei acima. Seria, eu pensava, um feito e tanto para o locutor que conseguisse repetir a comoção popular.

Na verdade, nunca encontrei alguém na cidade que tivesse participado dessa passagem. Pelo contrário, já em São Paulo, ouvi e li relatos idênticos que teriam se passado em outros locais do Brasil.

Hoje, encontrei, como você vê abaixo, um fato verídico que faz parte da história do Aeroporto Internacional de Viracopos, de Campinas, SP, cujo parágrafo pode ser lido em um dos links apontados abaixo.

Por essa versão, tudo aconteceu entre 1946 e 1950, bem antes da época em que situo meu relato, final dos anos 1960.

É bem provável que esta situação possa ter inspirado a “lenda” sorocabana. Ou não. O rádio sempre foi território livre da imaginação. Nada mais natural do que imaginar.

viracopos  *** *** ***

  • Pesquisando pelo termo, encontrei uma referência ao site catarinense “Caros Ouvintes” que costumo ler, em que confio. Veja o artigo de Carlos Braga Mueller, publicado em agosto de 2008, quatro anos antes de eu ter descoberto o site, em 2012. Leia, também, os comentários que acompanham o post. Várias informações curiosas foram resgatadas por leitores e colegas contemporâneos da época do ZZP-2. Em especial, a radioamadora Carla Cascaes, cujo depoimento ajuda a formar a imagem de como era o rádio de ontem. Aqui.
  • A seguir, o link da página do Aeroporto Internacional de Viracopos, Campinas/SP, onde encontrei história semelhante à que circulava como se tivesse acontecido em Sorocaba, também no estado de São Paulo. Clique aqui.

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Imagens: Charge ZZP2 – link / Antigo transmissor valvulado Collins 20V-3 – link / Salomão Pavlovsky – link / Torres com sinais na mesma frequência – link / Pouso noturno (base para montagem) – link / Recorte de página – link /

18 de janeiro de 2013

FUTEBOL NA RÁDIO ESTADÃO: OS GÊNIOS ESTÃO À SOLTA

Não costumo criticar colegas, mas atitudes. Como, invariavelmente, atitudes fazem parte da personalidade das pessoas, a crítica, por extensão, atinge o profissional e respinga sobre o pessoal.

Via de regra, os atingidos se ofendem, partem para o desaforo e, “indignados” —termo da moda— tentam “provar” por A mais B que são competentíssimos e sabem muito bem o que estão fazendo. Tanto que alardeiam “sou citado por este ou aquele veículo e bla, bla, bla…” Normalmente, são veículos que cometem o mesmo tipo de imprudência, ou seja, transcrevem releases, não checam as informações.

Claro que a “técnica” da transcrição é mais simples, mas é sujeita à desinformação e, pior, à manipulação. Manipuladores se aproveitam da ingenuidade alheia, como se sabe. Apanhados nessa condição, os manipulados se irritam, claro. O curioso é que normalmente dirigem sua ira contra aqueles que apontam o ato falho. Na falta de melhor argumento, responsabilizam as fontes. Essa é a pior maneira de tentar se livrar da responsabilidade.

É o caso dos colunistas especializados que preferem transcrever releases, sem se darem ao trabalho de checar informações. Informação equivocada é fácil de ser corrigida com pequena pesquisa. Afirmar que não viveu esta ou aquela época é pior ainda. Principalmente quando se tratam de fatos históricos. Ignorá-los é imperdoável.

Endossar o equívoco é chamar para si uma parcela de culpa por erros que poderiam ser evitados. O melhor é ter em mente a possibilidade de erro e apurar a técnica. O saldo, com certeza, será o aumento da credibilidade. Isto é o que todo profissional deve manter, a qualquer custo. Vamos concordar que apurar informação nem é tão custoso assim.

rd_estadao_AM_FM

Hoje, quero recomendar a leitura de uma entrevista que Anderson Cheni e Anderson Scardoelli fizeram com Acácio Luiz Costa, diretor executivo das rádios do Grupo Estado.

No post “AGORA JÁ NÃO É BOATO. O RÁDIO REGIONAL VOLTARÁ A SER FORTE” (acessível depois este comentário) mencionei a criação da rádio ESTADÃO, após o término da parceria com o grupo ESPN. Lembro-me bem de ter prognosticado um trabalho de cinco a dez anos de maturação para o novo projeto emplacar perante o público e citei o porquê.

Ao ler a entrevista com Acácio, encontrei o motivo que explica a sucessão de equívocos que temos visto ao longo dos últimos anos, no setor radiofônico: os erros de ontem não têm servido para evitar os erros de hoje e, provavelmente, vão se repetir amanhã.

Acácio Luiz Costa dá um show de desconhecimento da área. Talvez ele me responda, rancorosamente, que é mestre disto e daquilo, pós-mais-alguma-coisa e que estou velho e ultrapassado. É fundamental esclarecer que os estudiosos da área merecem de mim o maior respeito, pela dedicação e seriedade com que, alguns, tratam o tema, mas, apesar dos títulos, é evidente que o dirigente da emissora dos Mesquita não conhece o rádio como deveria.

O trecho em que Acácio explica o novo formato para transmissões esportivas que a rádio Estadão fará é um primor de bobagens. A começar pela justificativa de que, hoje, 98% dos lares brasileiros dispõem de televisão.

A narração off-tube vem de algum tempo e tem sido recorrente nas emissoras de rádio e TV, na maioria das vezes por razões econômicas. Em campeonatos nacionais e internacionais, o corte das despesas de locomoção, estadia e alimentação é tentador.

E não apenas no futebol, diga-se. A foto ao lado mostra o narrador Luiz Roberto, a convidada Márcia Fú e o comentarista Tande, os dois últimos ex-jogadores de vôlei. O trio transmitiu do estúdio a partida pelo Campeonato Mundial Feminino da modalidade, em 2010. O Brasil venceu Cuba por três sets a zero.

No rádio, o expediente é cada vez mais utilizado. Essa, também, é uma das razões para a queda de audiência radiofônica das transmissões esportivas. O rádio sempre fez a diferença, ao narrar o que a TV não mostrava.

A justificativa de Acácio, porém, é espantosa. O executivo afirma não fazer sentido o locutor, no estádio, dizer que não foi gol, quando todos, em casa, terão visto que foi. Assim, acredito que o público-alvo da rádio Estadão, serão os torcedores do estádio.

Em casa, com 98% dos lares dotados de televisão, o público vai preferir a TV. É óbvio. Ninguém precisa dizer para o ouvinte do rádio o que a TV está mostrando. Acreditar na viabilidade dessa “ponte” é pensamento infantil.  

Acrescente-se que, no estádio, os torcedores estarão divididos entre as emissoras que transmitem o mesmo jogo. Levando-se em conta a queda progressiva de rendas, portanto de público, quantos poderão ser os ouvintes da rádio Estadão, durante eventos esportivos?

Para referendar o acerto da proposta da rádio para o esporte, o executivo diz que dois anunciantes já compraram cotas de patrocínio para o novo formato. Vender sob o prestígio do Grupo Estado “é a maior moleza” —como diria Milton Neves. Não foi o novo formato, a ser criado, o que atraiu o anunciante. Pior ainda, Acácio afirma que audiência não é o item mais importante da iniciativa. Conversa mole para boi dormir.

cheni_scardoelliÉ melhor você ir direto à fonte e conferir. Diferentemente de outras informações que Anderson Cheni costuma divulgar —algumas das quais já critiquei—, a entrevista com Acácio Luiz Costa foi realizada pessoalmente, na sede do Grupo Estado, na capital paulista, sem intermediários. Ou seja, o texto que você vai ler não foi produzido por terceiros e apenas transcrito para o veículo que o reproduz.  

É disso que falo, quando critico. Não me preocupa a possível reação raivosa à critica. Faz parte de meu trabalho. O elogio, porque já critiquei, não é palavra riscada de meu vocabulário e o faço prazerosamente quando noto evolução.

Ligado na pauta, conhecedor do meio em que atua, Cheni cutuca na medida certa. Em dobradinha com o xará Scardeolli, consegue desenhar para o leitor o perfil do entrevistado.

Fica fácil notar a razão das acusações que pesam sobre Acácio, de não gostar de esporte. Notadamente de futebol. Ele nega, é claro.

O narrador Éder Luiz, talvez o maior vendedor de cotas de patrocínio esportivo da atualidade,  hoje na Rede Transamérica, conhece a fama de Acácio.

O “10 do futebol” já provou desse remédio. Para sorte dele, o “tratamento” não produziu o efeito desejado e o paciente não morreu.

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O link para a entrevista está aqui.

Se você não leu meu comentário anterior, AGORA JÁ NÃO É BOATO. O RÁDIO REGIONAL VOLTARÁ A SER FORTE, clique sobre o título.

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Imagens: Crítica – link / Globo transmite off-tube. Foto de Tuca Américo, de Baurú, SP, feita através de celular – link / Logo rádio Estadão – link / Jorge Vinícius narra em off-tube – link / Montagem: Anderson Cheni com Ronaldo – link e Anderson Scardoelli – link / Eder Luiz - link