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4 de janeiro de 2013

COICES E RELINCHOS: INCOMPETENTES TRANSFORMAM VIRTUDE EM DEFEITO

incompetentes

Nota do editor: Sou da geração de profissionais do rádio e da televisão que sempre reconheceram o talento dos colegas e utilizaram essa constatação para melhorar. No fundo, a consciência de que outros podem estar melhor preparados que você alavanca, obrigatoriamente, sua necessidade de melhorar sempre. Competitividade. Eis a palavra-chave, alicerçada sobre uma base sólida de lealdade e respeito ao semelhante. Se melhorei, não sei, mas tenho tentado com honestidade.

coice

Infelizmente, hoje, o que se vê é a iniciativa açodada, ingênua e, ao mesmo tempo, pérfida, covarde, traiçoeira e idiota de desqualificar qualquer um, repito, qualquer um que se interponha no caminho profissional de quem, na falta de talento e competência, usa desse estratagema para “limpar a área”. E tudo sob os olhares cúmplices de certos energúmenos que ocupam postos importantes em veículos de comunicação. Para estas pessoas, umas e outras, sugiro a leitura do artigo “COICES E RELINCHOS”, de Nelson Motta, em O Globo, reproduzido abaixo.

Se, depois, alguém precisar de esclarecimentos — por não ter entendido o propósito, o que é bem possível — me escreva, que eu “desenharei” com o maior prazer.

Você que me lê agora e não se enquadra na categoria inferior dos useiros e vezeiros aos quais me refiro, mantenha a calma, pois esta crítica não lhe é endereçada como tal. Solicito, porém, que também leia o artigo para captar o porquê de certas coisas absurdas que acontecem e, às vezes, a gente não entende.

O que Motta diz se aplica a tudo na vida embora, no caso em questão, trate da ideologia político-partidária. Afinal, política, com defeitos e virtudes, é o retrato da própria vida. Ou não?

“Nelson Motta

A maneira mais estúpida, autoritária e desonesta de responder a alguma crítica é tentar desqualificar quem critica, porque revela a incapacidade de rebatê-la com argumentos e fatos, ideias e inteligência. A prática dos coices e relinchos verbais serve para esconder sentimentos de inferioridade e mascarar erros e intenções, mas é uma das mais populares e nefastas na atual discussão politica no Brasil.

A outra é responder acusando o adversário de já ter feito o mesmo, ou pior, e ter ficado impune. São formas primitivas e grosseiras de expressão na luta pelo poder, nivelando pela baixaria, e vai perder tempo quem tentar impor alguma racionalidade e educação ao debate digital.

Nem nos mais passionais bate-bocas sobre futebol alguém apela para a desqualificação pessoal, por inutilidade. Ser conservador ou liberal, gay ou hetero, honesto ou ladrão, preto ou branco, petista ou tucano, não vai fazer o gol não ser em impedimento, ser ou não ser pênalti. Numa metáfora de sabor lulístico, a politica é que está virando um Fla x Flu movido pelos instintos mais primitivos.

Na semana passada, Ferreira Gullar, considerado quase unanimemente o maior poeta vivo do Brasil, publicou na “Folha de S.Paulo” uma crônica criticando o mito Lula com dureza e argumentos, mas sem ofensas nem mentiras. Reproduzida em um “site progressista”, com o habitual patrocínio estatal, a crônica foi escoiceada pela militância digital.

Ler os cento e poucos comentários, a maioria das mesmas pessoas, escondidas sob nomes diferentes, exigiria uma máscara contra gases e adicional de insalubridade, mas uma pequena parte basta para revelar o todo. Acusavam Gullar, ex-comunista, de ter se vendido, porque alguém só pode mudar de ideia se levar dinheiro, relinchavam sobre a sua idade, sua saúde, sua virilidade, sua aparência, sua inteligência, e até a sua poesia. E ninguém respondia a um só de seus argumentos.

Mas quem os lê? Só eles mesmos e seus companheiros de seita. E eu, em missão de pesquisa antropológica. Coitados, esses pobres diabos vão morrer sem ter lido um só verso de Gullar, sem saber o que perderam.”

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O artigo original de Nelson Motta, em O Globo, está aqui e foi replicado por vários outros veículos.

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Imagens: Maledicente – link / Coice – link / Nelson Motta – link