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18 de janeiro de 2013

FUTEBOL NA RÁDIO ESTADÃO: OS GÊNIOS ESTÃO À SOLTA

Não costumo criticar colegas, mas atitudes. Como, invariavelmente, atitudes fazem parte da personalidade das pessoas, a crítica, por extensão, atinge o profissional e respinga sobre o pessoal.

Via de regra, os atingidos se ofendem, partem para o desaforo e, “indignados” —termo da moda— tentam “provar” por A mais B que são competentíssimos e sabem muito bem o que estão fazendo. Tanto que alardeiam “sou citado por este ou aquele veículo e bla, bla, bla…” Normalmente, são veículos que cometem o mesmo tipo de imprudência, ou seja, transcrevem releases, não checam as informações.

Claro que a “técnica” da transcrição é mais simples, mas é sujeita à desinformação e, pior, à manipulação. Manipuladores se aproveitam da ingenuidade alheia, como se sabe. Apanhados nessa condição, os manipulados se irritam, claro. O curioso é que normalmente dirigem sua ira contra aqueles que apontam o ato falho. Na falta de melhor argumento, responsabilizam as fontes. Essa é a pior maneira de tentar se livrar da responsabilidade.

É o caso dos colunistas especializados que preferem transcrever releases, sem se darem ao trabalho de checar informações. Informação equivocada é fácil de ser corrigida com pequena pesquisa. Afirmar que não viveu esta ou aquela época é pior ainda. Principalmente quando se tratam de fatos históricos. Ignorá-los é imperdoável.

Endossar o equívoco é chamar para si uma parcela de culpa por erros que poderiam ser evitados. O melhor é ter em mente a possibilidade de erro e apurar a técnica. O saldo, com certeza, será o aumento da credibilidade. Isto é o que todo profissional deve manter, a qualquer custo. Vamos concordar que apurar informação nem é tão custoso assim.

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Hoje, quero recomendar a leitura de uma entrevista que Anderson Cheni e Anderson Scardoelli fizeram com Acácio Luiz Costa, diretor executivo das rádios do Grupo Estado.

No post “AGORA JÁ NÃO É BOATO. O RÁDIO REGIONAL VOLTARÁ A SER FORTE” (acessível depois este comentário) mencionei a criação da rádio ESTADÃO, após o término da parceria com o grupo ESPN. Lembro-me bem de ter prognosticado um trabalho de cinco a dez anos de maturação para o novo projeto emplacar perante o público e citei o porquê.

Ao ler a entrevista com Acácio, encontrei o motivo que explica a sucessão de equívocos que temos visto ao longo dos últimos anos, no setor radiofônico: os erros de ontem não têm servido para evitar os erros de hoje e, provavelmente, vão se repetir amanhã.

Acácio Luiz Costa dá um show de desconhecimento da área. Talvez ele me responda, rancorosamente, que é mestre disto e daquilo, pós-mais-alguma-coisa e que estou velho e ultrapassado. É fundamental esclarecer que os estudiosos da área merecem de mim o maior respeito, pela dedicação e seriedade com que, alguns, tratam o tema, mas, apesar dos títulos, é evidente que o dirigente da emissora dos Mesquita não conhece o rádio como deveria.

O trecho em que Acácio explica o novo formato para transmissões esportivas que a rádio Estadão fará é um primor de bobagens. A começar pela justificativa de que, hoje, 98% dos lares brasileiros dispõem de televisão.

A narração off-tube vem de algum tempo e tem sido recorrente nas emissoras de rádio e TV, na maioria das vezes por razões econômicas. Em campeonatos nacionais e internacionais, o corte das despesas de locomoção, estadia e alimentação é tentador.

E não apenas no futebol, diga-se. A foto ao lado mostra o narrador Luiz Roberto, a convidada Márcia Fú e o comentarista Tande, os dois últimos ex-jogadores de vôlei. O trio transmitiu do estúdio a partida pelo Campeonato Mundial Feminino da modalidade, em 2010. O Brasil venceu Cuba por três sets a zero.

No rádio, o expediente é cada vez mais utilizado. Essa, também, é uma das razões para a queda de audiência radiofônica das transmissões esportivas. O rádio sempre fez a diferença, ao narrar o que a TV não mostrava.

A justificativa de Acácio, porém, é espantosa. O executivo afirma não fazer sentido o locutor, no estádio, dizer que não foi gol, quando todos, em casa, terão visto que foi. Assim, acredito que o público-alvo da rádio Estadão, serão os torcedores do estádio.

Em casa, com 98% dos lares dotados de televisão, o público vai preferir a TV. É óbvio. Ninguém precisa dizer para o ouvinte do rádio o que a TV está mostrando. Acreditar na viabilidade dessa “ponte” é pensamento infantil.  

Acrescente-se que, no estádio, os torcedores estarão divididos entre as emissoras que transmitem o mesmo jogo. Levando-se em conta a queda progressiva de rendas, portanto de público, quantos poderão ser os ouvintes da rádio Estadão, durante eventos esportivos?

Para referendar o acerto da proposta da rádio para o esporte, o executivo diz que dois anunciantes já compraram cotas de patrocínio para o novo formato. Vender sob o prestígio do Grupo Estado “é a maior moleza” —como diria Milton Neves. Não foi o novo formato, a ser criado, o que atraiu o anunciante. Pior ainda, Acácio afirma que audiência não é o item mais importante da iniciativa. Conversa mole para boi dormir.

cheni_scardoelliÉ melhor você ir direto à fonte e conferir. Diferentemente de outras informações que Anderson Cheni costuma divulgar —algumas das quais já critiquei—, a entrevista com Acácio Luiz Costa foi realizada pessoalmente, na sede do Grupo Estado, na capital paulista, sem intermediários. Ou seja, o texto que você vai ler não foi produzido por terceiros e apenas transcrito para o veículo que o reproduz.  

É disso que falo, quando critico. Não me preocupa a possível reação raivosa à critica. Faz parte de meu trabalho. O elogio, porque já critiquei, não é palavra riscada de meu vocabulário e o faço prazerosamente quando noto evolução.

Ligado na pauta, conhecedor do meio em que atua, Cheni cutuca na medida certa. Em dobradinha com o xará Scardeolli, consegue desenhar para o leitor o perfil do entrevistado.

Fica fácil notar a razão das acusações que pesam sobre Acácio, de não gostar de esporte. Notadamente de futebol. Ele nega, é claro.

O narrador Éder Luiz, talvez o maior vendedor de cotas de patrocínio esportivo da atualidade,  hoje na Rede Transamérica, conhece a fama de Acácio.

O “10 do futebol” já provou desse remédio. Para sorte dele, o “tratamento” não produziu o efeito desejado e o paciente não morreu.

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O link para a entrevista está aqui.

Se você não leu meu comentário anterior, AGORA JÁ NÃO É BOATO. O RÁDIO REGIONAL VOLTARÁ A SER FORTE, clique sobre o título.

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Imagens: Crítica – link / Globo transmite off-tube. Foto de Tuca Américo, de Baurú, SP, feita através de celular – link / Logo rádio Estadão – link / Jorge Vinícius narra em off-tube – link / Montagem: Anderson Cheni com Ronaldo – link e Anderson Scardoelli – link / Eder Luiz - link