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9 de janeiro de 2013

PROTEÇÃO À CENA DO CRIME PODE AJUDAR NA FARSA DA SEGURANÇA PÚBLICA

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, baixou uma norma, proibindo que policiais militares prestem socorro a vítimas de confrontos à mão armada ou pessoas baleadas por resistência à prisão. A PM deve se limitar a comunicar a ocorrência e solicitar socorro às equipes do SAMU.

A medida, permeada pela boa intenção, provocou mal estar no âmbito policial e deixa a população apreensiva.

O mal estar deve-se à suspeita de que o secretário impôs o procedimento para coibir ações da PM, nas quais mortes ocorridas em confrontos ou casos de resistência à prisão são contestadas. A Polícia Militar não confirma, limitando-se a dizer que não dará margens a dúvidas no cumprimento da ordem. Eu acredito nisso, mas não posso ignorar que muita gente vai rir pelas costas do secretário.

A apreensão popular deve-se ao fato de que, muitas vezes, o único socorro disponível no momento é, justamente, uma viatura policial. Com a nova orientação, as vítimas, não importa se bandidos ou não, ficarão na dependência da chegada dos socorristas do SAMU.

Em uma cidade em que, por razões diversas, o socorro nem sempre chega quando se precisa dele, é de se imaginar que algumas pessoas poderão morrer antes de receber atendimento de emergência.

Por que, então, o secretário decidiu proibir a ação policial nesse sentido? Vamos por partes.

1ª) São conhecidos e, não raras vezes, controversos, os casos de morte seguida de resistência à prisão ou os confrontos à mão armada que resultam em óbito de suspeitos. As versões de amigos e parentes das vítimas costumam divergir da versão policial. Nunca faltaram acusações de que o cenário do crime foi alterado pela polícia.

2ª) A imprensa e outros profissionais que atuam no setor policial já se cansaram de ouvir histórias sobre os famosos “passeios” que viaturas da PM costumavam dar, conduzindo feridos a bala nesses confrontos para serem socorridos. Via de regra, os baleados chegaram mortos ao destino.

3ª) Muitos colegas já receberam, em off, depoimentos de policiais discordando de uma suposta orientação superior segundo a qual bandido ferido em confronto deve morrer. Se, no “passeio”, houvesse uma indicação de que a vítima poderia sobreviver, um disparo a mais colocaria um fim à questão.

Há outros motivos, mas, os três já bastam para demonstrar a boa intenção do secretário Grella Vieira. Porém, há o outro lado da moeda. Tudo estaria certo, se não fosse o fato de que o Inferno está cheio de boas intenções.

Doravante, as vítimas ficarão à mercê do SAMU. Embora os responsáveis pelo serviço digam que o novo procedimento não vai comprometer a rotina normal de socorro a vítimas, essa é uma questão duvidosa.

Vamos imaginar que o socorro seja rápido e eficaz, mas ainda resta um ponto a ser discutido. Os policiais envolvidos na ocorrência, devem preservar o local, até a chegada da perícia.

ocorrencia_pm

Aqui temos um novo problema. É comum o noticiário policial mencionar demoras que chegam a doze horas ou mais, de espera pela perícia. Enquanto isso, corpos ficam estendidos no chão, expostos à observação publica. O motivo, na maioria das vezes, é a “falta de profissionais”, coincidindo com um dia de muito movimento.

Agora, imagine o seguinte: durante o tempo em que a equipe da PM se mantiver na preservação do local da ocorrência, deixará de circular pelas ruas, no policiamento preventivo ou no combate direto ao crime. No quê isso vai melhorar a eficiência policial?

O secretário deve estar brincando se acredita, mesmo, que, com essas medidas, eventuais suspeitas de mau procedimento policial vão desaparecer. Se os maus policiais quiserem sacanear, por assim dizer, existem muitas outras formas.

Por exemplo, quem garante ao secretário que um tiroteio, não importa quem comece, será comunicado imediatamente após terminar? Fico tentado a dizer que se a vítima for um delinquente conhecido, com extensa ficha policial, demorar um pouco mais para chamar o socorro até seria bom. Mas, os inimigos do pensamento “bandido bom é bandido morto”, vão evocar direitos humanos e coisa e tal.

Então, não digo nada, mas acontece que, em muitos casos, a pessoa abatida em “confronto” não tinha antecedentes criminais e testemunhas garantem que, antes de aparecer morta, a vítima entrou com vida na viatura de polícia. Um dos casos mais recentes, denunciado pelo Fantástico, da rede Globo, certamente contribuiu para a adoção da medida pelo secretário. Abaixo, um link remete ao fato.

A foto acima, reproduz a reconstituição da morte do publicitário Ricardo Prudente de Aquino, de 39 anos, em São Paulo. A ação policial foi muito criticada. No final do post você poderá recordar o caso.

Há uma briga surda pelo poder entre as polícias, basta observar. Você pode achar que é bobagem minha, mas imagino que o PCC, por incrível que pareça, pode estar sendo usado como “bode expiatório” nessa trama. Ao que tudo indica o próprio secretário suspeita dessa possibilidade.

A população inocente, a mais prejudicada, quer pela falta de policiamento, quer pelo abuso de autoridade policial, vai continuar sendo a vítima dessa disputa?

Ou o secretário bate o pau na mesa, figurativamente falando, é claro, ou medidas paliativas como as que foram tomadas agora, servirão apenas para piorar a sensação de insegurança pública em São Paulo.

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A determinação do secretário… está aqui.

Neste link, a primeira ocorrência atendida pela PM paulista segundo a nova determinação. Clique aqui.

Relembre o caso cuja repercussão pode ter ajudado na adoção da nova norma, pelo secretário Grella Vieira. Aqui.

Aqui, a morte do publicitário Ricardo Prudente de Aquino. A PM esteve sob suspeita. Confira.

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Imagens: Fernando Grella Vieira, secretário de Segurança Pública de São Paulo – link / Samu – link / Preservando a cena do crime – fotograma do vídeo cujo link está relatado acima, primeira ocorrência / Restituição da morte de publicitário Ricardo Prudente de Aquino, de SP, pela PM - link