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12 de março de 2013

TÊMIS —A DEUSA DA JUSTIÇA— NÃO OLHA, MAS DEVE OUVIR MUITO BEM

O julgamento de Mizael Bispo de Souza, acusado pela morte de Mércia Nakashima tem ocupado boa parte da grande mídia. Primeiro a ser totalmente liberado para rádio, televisão e Internet, ao vivo, era natural que dividisse as atenções com o noticiário do dia a dia e a eleição do novo papa.

Talvez o ineditismo do fato tenha contribuído para que se registrasse uma cena inusitada ou, pelo menos, impensável de se ver entre uma testemunha e um advogado de defesa.

Refiro-me ao bate boca travado entre Márcio Nakashima (foto à direita), irmão da vítima assassinada, e o advogado Ivon Ribeiro que defende o acusado, Bispo de Souza.

Não sei se o comportamento do advogado (que considerei inapropriado, afrontoso e prepotente) pode ser entendido como falta de decoro ao ambiente do tribunal, mas não resta dúvida de que foi uma demonstração de desrespeito à corte, ao magistrado e ao corpo de jurados. Talvez, ele não tenha resistido ao apelo da mídia e acabou exagerando na encenação. Seja como for, destoou do roteiro. 

Todos sabemos que, em nome da defesa do cliente, alguns advogados “exageram” na evidenciação de certos fatos e na supressão de outros. Suspeita-se que alguns profissionais chegam a mentir.  

Em 2006, Roberto Busato, então presidente da OAB—Ordem dos Advogados do Brasil, disse que “advocacia é estribada em rígidas regras éticas e morais e não se pode admitir nenhum tipo de procedimento que não esteja em conformidade com aqueles dispostos na ética”.

Às vezes, fica-se com a impressão de que, na prática, não é bem assim. Nesses casos, “cabe à Seccional da entidade onde está inscrito o advogado faltoso aferir e punir a falta, cabendo ao Conselho Federal da OAB intervir apenas em grau de recurso”, enfatizou Busato.

Hoje, o presidente nacional da Ordem é Marcus Vinicius Furtado Coêlho e acredito que o comportamento ético da categoria não mudou, inclusive quanto a punições ou advertências, quando couberem.

Ivon Ribeiro (na foto acima com Mizael), desafiou Márcio Nakashima em pleno tribunal. Márcio disse que o ex-namorado da irmã e acusado de assassinato, Mizael Bispo dos Santos, teria chamado Mércia de garota de programa, por causa de um colchonete encontrado no carro dela, depois de retirado da represa onde foi submerso com a vítima dentro do veículo.

O advogado, então, evocou para si a autoria do comentário. Como resposta, o irmão da vítima afirmou que era uma declaração mentirosa. Nesse ponto, Ivon Ribeiro foi, no mínimo, pérfido e sarcástico ao dizer “então me processe”, em atitude zombeteira e leviana, repito, para mim.

Diante do clima de confronto, o juiz Leandro Bittencourt Cano suspendeu temporariamente o depoimento de Márcio e interrompeu as transmissões, até que os ânimos se acalmassem. 

Espanta-me, apenas, a advertência de Cano a Márcio Nakashima, em defesa do advogado Ribeiro, ao dizer para o irmão da vítima que “não adianta nada o senhor ficar querendo denegrir a imagem de quem quer que seja.”

Denegrir a imagem de quem? Não entendi nada ou Márcio estava defendendo a reputação da irmã morta, difamada pelo comentário maldoso do advogado Ivon Ribeiro?

Ficou parecendo uma ação em defesa dos operadores da lei, mero corporativismo, sem levar em conta a implícita difamação da vítima. O advogado pode inferir comportamento desonesto à quem quer que seja? Nesse caso, a reação do irmão da vítima foi de bom tamanho. Menos para o magistrado.

Tem coisas que só mesmo o “Patropi” consegue explicar, pois “parece que não sei, viu!”

A verdade, por inteiro, talvez jamais seja conhecida. O julgamento terá o veredito com base no trabalho de defesa e acusação. Se vai ser feita Justiça plena é assunto para outra ocasião, mas deixo, aqui, minha impressão do episódio.

Certeza, neste momento, apenas uma: Têmis, a deusa grega de olhos vendados, balança e espada que simbolizam a equidade da Justiça, sem olhar à quem, pode não ver, mas deve escutar.

Que grosseria, ‘doutor’ Ivon” — ela deve ter pensado.

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O bate boca entre Márcio Nakashima e o advogado de Mizael Bispo de Souza, levou à interrupção do depoimento. Veja

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Imagens: Mércia Nakashima, a vítima – link / Márcio Nakashima, irmão da vítima – link / O advogado Ivon Ribeiro e o acusado Mizael Bispo de Souza – link / Carro sai da represa – link / Leandro Bittencourt Cano, magistrado – link / Patropi, personagem “desligado”, criado pelo humorista Orival Pessini – link / Têmis, a deusa grega que simboliza a Justiça - link