CONTATOS, INCLUSIVE ASSESSORIAS DE IMPRENSA:
FALE CONOSCO!

Navegue à vontade

Na coluna à direita, logo abaixo das postagens preferidas do leitor, está o ZAPPING. Através dele você tem acesso direto às noticiais do dia, nacionais e internacionais, além de informações sobre quase tudo. ZAPPING. Uma central de notícias e entretenimento em que você escolhe o que quer.

31 de julho de 2013

NO DOS OUTROS É REFRESCO, MAS NÃO ADIANTA CHORAR PELO LEITE DERRAMADO

Ex-jogadores podem ser comentaristas de futebol?

À primeira vista, a pergunta parecerá sem propósito, pois já faz tempo que a mídia impressa, assim como o rádio e a televisão, conta com a presença de ex-jogadores exercendo a função de comentaristas. A prática não se limita ao futebol. Ex-atletas fazem comentários durante a transmissão de partidas de vôlei e basquete, além de provas de natação, ginástica e de outras modalidades esportivas.

Particularmente, defendo a presença de todo especialista na mídia, independentemente do fato de ser jornalista ou não. A regra não vale para todos, mas, em geral, quem praticou uma determinada modalidade atlético-esportiva tem muito mais condições de fazer comentários pertinentes e esclarecedores para o leitor, ouvinte ou telespectador. Nada garante que um jornalista, apenas por ser jornalista, fará comentários mais precisos, coerentes e satisfatórios.

Da mesma forma como se discute, ainda, a presença de jornalistas diplomados ao lado de colegas formados no exercício da profissão, a figura do atleta-comentarista volta a ser questionada. Pura bobagem. Fala-se muito em meritocracia para justificar o “direito” deste ou daquele ocupar tal lugar ou desempenhar tal função, mas o mérito, na esmagadora maioria dos casos, repousa somente no fato de fulano, cicrano ou beltrano terem diploma.

Serei breve, para não ficar repisando argumentos. Diploma habilita, sim, mas nem sempre capacita. A figura que me parece mais apropriada para estabelecer a diferença entre uma coisa e outra é a carteira de motorista. Em tese, todo motorista aprovado no exame de trânsito está habilitado a dirigir. Na prática, leva alguns anos para que o motorista esteja “capacitado” a dirigir bem. Mesmo assim, alguns motoristas nunca conduzirão um veículo de maneira correta e segura.

No jornalismo, lamentavelmente, essa incapacidade para o exercício pleno da profissão também se verifica. Em 2010, na TV Cultura, de São Paulo, o então presidente da Fundação Padre Anchieta destituiu, do cargo de chefe de jornalismo, um colega que havia sido nomeado uma semana antes. É isso mesmo: a permanência foi de apenas uma semana. Justificativa: o jornalista “seria um bom teórico, mas um jornalista com pouca prática em televisão”. O gozado, nisso tudo, é que o “chefe-relâmpago” era igualmente veloz na crítica a colegas, quando tinha uma coluna na Folha de S.Paulo e criticava, sem conhecimento de causa (agora se vê) colegas que “metiam a mão na massa”. No dos outros é refresco, não é?

Também pelo exemplo acima, fica claro que o diploma, por si só, não capacita ninguém, embora “habilite” para o exercício profissional. O que, aliás, acontece em toda e qualquer área de atuação. O diferencial sempre será o conhecimento aliado à capacidade. O estudo é fundamental e indispensável, mas, para garantir o aprendizado, é preciso haver qualidade de ensino. O problema, como vemos, começa muito antes de o profissional pretender um lugar ao sol, na mídia.

Por essa razão, considero que o jornalista aspirante à função de comentarista, sentindo-se prejudicado com a “usurpação” do cargo por um ex-atleta, seja superior ao oponente. Não adianta chorar pelo leite derramado. Mostre que é melhor, mais bem preparado, e use o conhecimento com sabedoria e profissionalismo para vencer.

Agora mesmo vem à tona uma discussão que acontece entre um ex-jogador de futebol (com programa de esportes na TV) e um jornalista. Segundo nota de site especializado em notícias do rádio e da televisão, ambos têm partido para ofensas mútuas. O colunista não cita nomes, mas é fácil saber que o ex-jogador é o craque Neto. Não sei quem é o jornalista.

Com aquele jeito simples (marketing ou autêntico?) Neto vai falando e conquistando público. A empresa que o contrata não cogita tirar o ex-jogador e trazer para o lugar um jornalista. Nem deve, mesmo. Neto faz no programa o que se espera dele e ponto. O resto é briga estéril, não vai dar em nada; apenas serve para acentuar o corporativismo. E espírito de corpo é condenável.

Veja o exemplo atual dos médicos, empenhados em proibir a vinda de profissionais estrangeiros para suprir a carência, notória, do sistema público de saúde. Tanta rebelião tem como pano de fundo a reserva de mercado. Não querem que outros “invadam” um mercado que é deles (pode?). Todo o resto é conversa mole. Dos médicos que, insensíveis às necessidades da população, defendem o próprio bolso. Do governo, que ganha tempo ao fazer de conta que os médicos estrangeiros já estão chegando. Enquanto isso, empurram o problema com a barriga esperando por 2014 e a propaganda eleitoral gratuita. Como se sabe, nesse período vale tudo. A própria Justiça Eleitoral reconhece que o candidato tem o direito de prometer, mesmo sabendo que não vai cumprir.

Se coisas mais sérias —como essa— são levadas no bico então a resposta para a pergunta inicial é podem, podem sim. Ex-jogadores de futebol podem ser ótimos comentaristas.

*** *** *** *** ***

A fonte, aqui

O teórico sem prática,  aqui

__________________

Imagens: Leite derramado – link / Mascarado – link / Neto, comentarista - link

29 de julho de 2013

MADONNA NA TELA DA GLOBO (NEWS) INTERROMPE ENTREVISTA DO PAPA FRANCISCO

gerson_camarotti

Acompanhei a chegada do papa Francisco ao Brasil, na segunda-feira, 22 de julho, pelos canais abertos de televisão e algumas emissoras de rádio. Da chegada, ressalto o  vexatório do “engarrafamento papal” (notícia negativa no mundo inteiro) e a participação positiva da TV Record na cobertura. Tão isenta quanto possível, a emissora de Edir Macedo, líder da igreja Universal, de orientação evangélico-neopentecostal, fez o registro jornalístico do fato com absoluta correção.

Ao longo da semana, escolhi a Globo News —canal por assinatura— para ver um pouco da Jornada Mundial da Juventude. Braço noticioso das Organizações Globo, o canal demonstrou boa estrutura técnica e profissional no cumprimento da tarefa de informar ao assinante. As pequenas falhas foram motivadas por erros operacionais, poucos, e demonstrações até infantis de apresentadores e repórteres que, no entusiasmo dos trabalhos, caíram na tentação ingênua de “explicar” o que som e imagem deixavam claro ao telespectador. E nem mesmo a hipótese de tradução cabia, pois o papa estava se exprimindo em Português. Os pequenos momentos de “portunhol” em que o papa incorreu não comprometeram, nem de longe, a inteligibilidade da mensagem. Portanto, as “explicações” só foram motivadas pela inexperiência profissional de quem as cometeu. O deslize vai servir de alerta e aprendizado para o futuro.De maneira geral, a Globo News deu claros sinais de competência, direção, planejamento, produção e logística. Digamos que tudo funcionou em torno de 80% de acerto.

A cereja do bolo, sem dúvida, foi a entrevista do repórter Gerson Camarotti com o papa que preferiu, neste caso, falar em espanhol. O trabalho contou, também, com apoio do jornalista Felipe Awi e o repórter cinematográfico Fernando Calixto, ambos da Globo. Exibida primeiro no Fantástico, a entrevista foi legendada tanto na Globo —em sinal aberto— quanto na Globo News, rotulada como “na íntegra”, para assinantes. Eu vi as duas versões. Exceto pela edição, mais elaborada no Fantástico, a entrevista foi a mesma. Uma frase e outra, talvez, tenham sido suprimidas na Globo, mas o teor do depoimento foi mantido intacto.

Há de se ressaltar um ponto indiscutível em favor do Fantástico. A entrevista do papa foi transmitida sem pausa enquanto que, na Globo News, houve dois ou três intervalos. Para mim, desnecessários. A começar pelo primeiro, que se constituiu em visíveis grosseria e deselegância —considerados o conteúdo da entrevista e a personalidade entrevistada.

madonna_gnews

O break abriu com a chamada do programa “Arquivo N”, a ser exibido pelo canal, em agosto, sobre Madonna. Imagens provocantes e lascivas, da cantora, contrastaram frontalmente com o papa e o momento da entrevista.

Fiquei com a impressão de que alguém, na Globo News, quis dar um recado de liberdade editorial. Decisão descabida e inoportuna. Em tempos de Boni e Roberto Marinho o fato teria rendido um severo puxão de orelhas para o responsável pelo descuido. Hoje, tudo tão mudado, não sei se custou alguma coisa à alguém.

Em 2017, o simpático, humilde e sorridente chefe da Igreja Católica deve voltar ao país. Ele mesmo disse que virá para o evento comemorativo dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Algumas das mudanças quanto aos rumos da Igreja, sinalizadas na entrevista de Camarotti, talvez estejam implantadas ou, pelo menos, iniciadas.

Até a volta, papa Francisco. Nós o esperamos de braços abertos.

*** *** *** *** ***

Se você não viu a entrevista, clique aqui

 

Créditos: O vídeo da chamada de Madonna, na Globo News, está aqui. Fotogramas acima, da artista, extraídos de dois momentos do vídeo.

Fotos: Papa Francisco e Gerson Camarotti – link / Papa Francisco acena - link

24 de julho de 2013

DJALMA SANTOS, DOMINGUINHOS E HÉLIO RIBEIRO. ÍDOLOS PARA SEMPRE

O post de hoje não é um necrológio, mas um tributo ao talento de homens que marcaram sua passagem pela vida. Três pessoas, três estilos, três áreas de atuação, mas, igualmente, três apaixonados pela profissão que escolheram.

O primeiro destaque vai para o ex-lateral direito Djalma Santos. Sem me alongar com as razões que justificam a menção, basta dizer que ele pode ser apontado, sem a menor chance de erro, como o mais brilhante dos jogadores que já atuaram naquele setor do gramado no Palmeiras e na seleção brasileira. Os adversários de Djalma sempre reconheceram nele um lateral difícil de ser vencido. E, apesar de se mostrar um marcador implacável, nunca abusou dos ponta-pés e entradas desleais. Disciplinado, jamais foi expulso de campo. Sabia das limitações que tinha com a bola (embora pudesse, às vezes, fazer uma jogada de classe), mas virava um gigante quando se colocava no caminho de um atacante em busca do gol. Os arremessos laterais vigorosos e precisos, normalmente endereçado para dentro da  pequena área, não exigiam de Djalma nenhum esforço. A bola, muitas vezes chutada violentamente na disputa entre o lateral e um atacante, sabia que devia confiar nas mãos dele. E se entregava, na certeza de que seria lançada em direção a um centroavante que a faria balançar as redes e encher de alegria o coração do torcedor. Homem de brio e princípios, Djalma Santos daria um “bico” em oportunistas de plantão — sei que você me entende.

 Meu segundo destaque é para Dominguinhos, o sanfoneiro que dedilhava o teclado do instrumento com o carinho de um pai ao afagar o filho. Aliás, essa relação de pai e filho foi algo que o marcou, de certa forma, da juventude até o último show que pôde fazer. Acontece que um dia, muito tempo atrás, Dominguinhos caiu nas graças do “véio” Lua, o grande Luiz Gonzaga. O apelido, “Neném”, logo foi descartado pelo Rei do Baião que sugeriu ao rapaz o nome de Dominguinhos. “Neném não vai pegar”, sentenciou Gonzagão. Dominguinhos, como todos sabem, virou o maior sanfoneiro deste país, depois que Luiz Gonzaga partiu. A longa internação hospitalar, desde dezembro de 2012, apresentou momentos de muita apreensão e outros de alegria, quando havia uma reação positiva no estado de saúde do artista. Lamentavelmente, não deu. Os sucessos de Dominguinhos recheiam a História da música popular brasileira e vão continuar tocando no rádio, além de fazerem parte da trilha sonora de muitos casos de amor. Como sempre fizeram, pois música de qualidade não perde a graça e o encanto com o o passar do tempo.

HR_78_anos

O terceiro destaque vai para Hélio Ribeiro.

— Ué, —você pode exclamar— vai falar do homem assim, sem nenhum adjetivo?

Hélio Ribeiro nunca precisou ser adjetivado. Os elogios, a admiração, o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo mais brilhante homem do rádio contemporâneo eram reações espontâneas que prescindiam de adjetivação. O emprego deles, porém, era inevitável. Falar de Hélio Ribeiro sem adjetivar era e ainda é impossível.

Tidos por muitos como irascível, Hélio era a essência da própria sensibilidade. Capaz de, num instante, chegar ao limite da irritação porque alguém não fez o que deveria ser feito e, noutro, emocionar-se como criança com as cores de uma borboleta. Era duro quando precisava ser, mas, jamais, deixou de derramar uma lágrima num momento de ternura.

No rádio, tinha o timing de quem conhecia o veículo como poucos e pulsava no mesmo ciclo das ondas hertzianas. 

Aliás, Washington Olivetto, ao dar um depoimento sobre Hélio Ribeiro disse, um dia, que “se Hélio não tivesse nascido gente teria nascido rádio”. Preciso falar mais?

Ao fazer este registro deixo o meu reconhecimento ao talento do mais admirável homem do rádio que conheci e manifesto minha saudade do ídolo que se foi.  Hélio Ribeiro faria 78 anos hoje, se estivesse vivo.

Morto em 06 de outubro de 2000, Hélio deixou de ter a idade contada em anos para se transformar em lembrança eterna, e grata, do rádio brasileiro.

O mesmo deve acontecer com Djalma Santos e Dominguinhos. Afinal, ídolos são para sempre.

*** *** *** *** ***

Para saber mais de Djalma Santos recomendo o artigo de Álvaro José, que está batendo um bolão no portal R7. Clique aqui

Quem puxa bem o fole da informação sobre Dominguinhos é o portal G1, aqui

O Memorial Hélio Ribeiro mostra porque nunca houve um artista do rádio tão especial. Aqui

A opinião de Washington Olivetto sobre Hélio Ribeiro está aqui

_________________

Créditos: Djalma Santos – link /  Dominguinhos – link / Hélio Ribeiro – link / Washington Olivetto – link /

 

22 de julho de 2013

JOSÉ ALBERTO MUJICA CORDANO, PRESIDENTE DO URUGUAI: EXEMPLO LIMITADO A FABULAS

 

jose_mujica_honra e humildade

José Alberto Mujica Cordano, conhecido como o presidente mais pobre do mundo, não para de surpreender. A história de vida deste incomparável homem público parece inacreditável, mas, felizmente, é real. Se, a princípio, você não ligou o nome ao personagem, José Mujica é o atual presidente do Uruguai. Agora, com certeza, você sabe de quem se trata e já leu, viu ou ouviu falar sobre o motivo que o torna tão especial. Chamado pela população uruguaia de Pepe Mujica, este senhor, de 78 anos, é um exemplo que deveria ser seguido por todos os mandatários do mundo, ressalvadas as condições de segurança máxima a que alguns homens públicos precisam se submeter. Quanto ao restante, seria espetacular se o copiassem. Para falar a verdade, o desprendimento de Pepe Mujica é uma lição que todos deveríamos absorver e praticar. No final do post, aponto links que revelam mais deste homem singular. Ateu confesso, se procurasse, José Alberto Mujica Cordano encontraria um versículo bíblico perfeito para descrever a personalidade que o transforma em alvo de admiração e respeito mundiais: “Na frente da honra vai a humildade”.

A propósito, me deparei na rede com a parábola que mostro a seguir. Não costumo replicar na íntegra textos de terceiros. Por questão ética, me refiro a eles e os indico ao leitor através de links. No entanto, a navegação neste FG-News anda tão ruim que, por receio de você clicar no link e não conseguir voltar, faço a exceção.

Identificado como Alberto SL, o autor da parábola mora em Praia Grande, município litorâneo a cerca de 80 quilômetros da capital paulista. Alberto fez boa adaptação da realidade ao narrar a fábula de um rei muito pobre e duas rainhas muito ricas. O texto foi enviado para o site Recanto das Letras, onde o descobri. Não vou me atrever a lhe explicar quem é quem, na fábula. Você iria me xingar, por desrespeitar sua inteligência. Veja:

“O REI POBRE E AS RAINHAS RICAS”

jose_mujica“Era uma vez numa terra distante um pequeno reino de cupins, cujo rei era considerado o mais pobre de que se tinha notícia. Um rei que não habitava o palácio real. Dispensava serviços de criadagem, condutores de carruagens oficiais, seguranças palacianas, assessores. O rei sabia de muitos dos seus súditos com necessidades diversa, motivo que o fez abrir mão de 90% do seu salário, doando para obras de moradia a favor dos cupins. Ele tinha uma casa simples, com inúmeras melhorias por fazer. Mas para ele, lá era o seu palácio de verdade. Quanto ao palácio real, as portas eram abertas no inverno para abrigar os cupins menos favorecidos. O rei tinha vendido uma casa de veraneio do governo para investir em habitação. Como toda nobreza precisa de uma plebe, nesse reino havia uma linhagem inferior, classe necessitada, formada por operários cuja responsabilidade era procurar água e alimentos para a sobrevivência do reino. O rei Mu não queria que a pobreza se transformasse em paisagem. Era seu desejo fazer seu povo feliz, sem queixas na hora de dormir, queria motivos para sorrir...

O reino de Mu estava localizado entre dois grandes formigueiros. Ao norte o reino da Rainha Di, ao sul a Rainha Cri. A primeira rainha empenhava-se na produção de superávit de ovos. Outro investimento do governo era a armazenagem de maquiagens importadas, para maquiar a economia. Gastou bilhões na construção de arenas esportivas, deixando de promover serviços sociais, educação e saúde para as formigas. Seu temor era um formigueiro culto e bem informado. Foi uma ameaça à realeza quando formigas interagiram na internet combinando passeatas no reino inteiro. Protestaram com vários cartazes e palavras de ordem contra a má gestão. Enquanto isso, a rainha cheia de saliva preocupava-se em lamber os ovos que a cercavam, inventando Ministérios para obter apoio político. Toda a corte ficou atônita, completamente perdida, vendo as jovens formigas espalhadas em todos os caminhos do reino. Virou notícia nas mais longínquas terras. A montanha de impostos estava servindo simplesmente para sustentar o poder embriagado com corrupção e as falácias oportunistas.

Ao sul, o reino da rainha Cri vivia mergulhado em inflação, numa crise sem fim. O grito das formigas se fazia ouvir através de panelaços. A preocupação da rainha Cri era coibir a manifestação da imprensa. Exercia pressão sobre um grupo de comunicação. Contava com a determinação de um juiz federal para implementar uma intervenção na diretoria da empresa. A rainha ficou possuída quando o jornal publicou diversos casos de corrupção na alta cúpula do seu governo. A rainha era mais adepta do "terrorismo simbólico de Estado" do que governar para a classe trabalhadora. Outra das principais preocupações da rainha Cri, era a armazenagem de Botox. A suavização das linhas e rugas de expressão para a sua aparência jovial era um dos grandes projetos do seu governo. Outro desejo era prolongar-se no poder indicando a sucessora de um formigueiro que estava indo a falência.

Enquanto as duas rainhas preocupavam-se com as aparências e o poder, o rei Mu comprou um trator para trabalhar na lavoura do seu sítio. Ele reinava com simplicidade e sabia que nenhum poder é para sempre. Tinha uma frase que ele não esquecia: ‘na frente da honra vai a humildade’.”


*** *** *** *** ***

Conheça a residência oficial do presidente uruguaio. Aqui

Transporte presidencial. Aqui

Com o papa Francisco. Respeito mútuo. Aqui

Perfil de José Alberto Mujica Cordano. Aqui 

 

Créditos

Fotos: José Mujica, presidente do Uruguai  – link / José Mujica caminha no sítio com cães – link 2 / Alberto SL – link

A publicação original do conto acima se encontra neste link: http://www.recantodasletras.com.br/contos/4396731

21 de julho de 2013

FIM DAS FÉRIAS PARA OS PÉS COM RIDER. TAMBÉM NA PUBLICIDADE NEM TUDO SÃO FLORES

viviani_chinelos
Neste domingo, 21 de julho, vejo no Facebook uma postagem curiosa de Antônio Viviani, colega locutor de merecida fama. Retratando o descanso do guerreiro, a foto ao lado. O texto é direto e bem humorado. Dele, destaco a frase: “Dia de descansar a voz”. Os chinelos foram presenteados a Viviani pela produtora “A Voz do Brasil”, cujo nome me remete à lembrança dos saudosos Tico Terpins e Zé Rodrix.
Ao mesmo tempo, a foto recapitula, inevitavelmente, o maior mico que já paguei em locução publicitária. Eu só, não. A agência, a produtora e o próprio anunciante envolvidos no episódio me fizeram companhia nessa história, com certeza.
Corria o ano de 1990. Eu havia acabado de conhecer a produtora de comerciais ABA Filmes, de Andres Bukowinski. Fizera algumas locuções para os chinelos Rider, da Grendene, cujo slogan, criado pela W/Brasil, de Washington Olivetto, era “Use Rider. E dê férias para os seus pés”.
Havia uma ótima perspectiva de trabalho na produtora. O anunciante planejava realizar uma grande série de filmes para a TV. Falavam-se em dezenas. Não tenho certeza se naquele tempo já havia versões para o cinema, mas acho que sim. Entraria uma bela soma para todos os envolvidos na produção. Combinamos um preço especial, diante do volume de trabalho iminente e tudo parecia correr às mil maravilhas.
O imprevisto, que nenhum de nós esperava (como, aliás, todo o povo brasileiro), foi o pacote econômico do então presidente Collor. Anunciado em 16 de março de 1990, um dia após a posse da nova equipe governamental, arrasou o mercado. Sem entrar em detalhes, o fato é que a ministra Zélia Cardoso de Mello, confiscou a poupança do povo, o overnight e deixou um valor mínimo depositado nas contas correntes. De um dia para o outro, todo mundo tinha 50 mil cruzeiros, moeda que substituiu os cruzados novos. E nada mais.
Sem dinheiro na praça, não restou alternativa; o trabalho da Rider foi cancelado. Fim das férias para os pés. Afinal, também na publicidade, nem tudo são flores.
*** *** *** *** ***
Abaixo, parte da série para Rider. Haveria muitos outros, se não fosse o plano econômico. O primeiro lote tinha gente conhecida do grande público como Cristiana de Oliveira, Giulia Gam, Diogo Vilela, Jorge Benjor, Roberto Rivelino, Sergio Mallandro e até Ronald Golias. No final de cada filme é possível escolher outro personagem. Faz tanto tempo, que até eu me estranhei na assinatura, muito cheia de “esses” para o meu gosto. Devia ser a “moda” da época.
O link remete a portfólio da Aba Filmes, à disposição do mercado, no Youtube.

19 de julho de 2013

PORTAIS INFORMATIVOS BLOQUEIAM LEITOR NA INTERNET E DESTROEM A RAZÃO DE SER DA PROPAGANDA

radio e tv_web

A Internet é imaginada, por nós consumidores de informação, como uma espécie de rádio e TV que você sintoniza e acompanha o que rola no mundo naquele instante.

A mídia impressa vai noticiar os fatos no dia seguinte, com cara de pão amanhecido.

O jornal paulistano "Agora SP", na tentativa de criar um elo entre os dois universos, começou a publicar uma página com os destaques da rede. Parecia boa ideia.

Na edição do dia seguinte, os principais temas da web (do dia anterior, não se esqueça) eram sugeridos ao leitor que, eventualmente, não tivesse visto o fato na mídia virtual.

Não sei se o volume de informações da rede superou rapidamente o espaço disponibilizado pelo jornal, uma página, ou se algum editor começou a selecionar o que "é bom" e o que "não é". Resultado: agora já se notam, no jornal, assuntos que foram destaque na rede três a quatro dias atrás. É informação embolorada. Assim não dá.

A defasagem temporal entre a Internet e a mídia impressa é uma das causas da crise sentida pelo setor. Existem outros motivos, que passam pela mão de obra empregada nas redações. Essa é outra história, embora importante.

Os portais são atraentes por causa da atualização constante das informações. Busco temas para o blog, como todo mundo, com base no que está circulando na rede. Se aproveito alguma pauta, discorro sobre o tema com texto próprio e indico as fontes originais, através de links colocados no post, até para atestar a veracidade da informação. Ademais, os créditos garantem a propriedade intelectual das fontes sobre os originais. Nada me impede, porém, de comentar qualquer notícia divulgada por qualquer veículo jornalístico.

Blogueiros como eu direcionam leitores aos portais. Isoladamente, nós (boa parte de nós, pelo menos) não somos nada, mas, coletivamente representamos um considerável volume de acessos direcionados a eles.

Há pouco tempo, os grandes portais se insurgiram contra a cobrança imposta pelo Google e demais buscadores de conteúdo por indicar as fontes de notícia ao internauta. Em contrapartida, durante certo período, ao digitarmos um assunto para pesquisa, os buscadores deixaram de nos indicar os portais. Muita gente não reparou, mas aconteceu.

Daí, os "gênios" decidiram criar dispositivos para forçar o leitor a pagar mensalidades em troca de acesso, contrariando a ideia de liberdade que o consumidor tem da Internet.

folha_sp

Assim que surgiu a divergência entre os portais e os buscadores de conteúdo, a Folha deu início ao plano de assinaturas para a versão digital do jornal e passou a bloquear o acesso de não assinantes. Como concessão, permitiu a leitura de algumas notícias, gratuitamente. Direito dela, mas parei de acessar o portal, direito meu.

Pouco depois, o "Estadão", seguindo o mesmo esquema, botou a foto de uma oriental com cara de quem "comeu e não gostou” e expressão arrogante para nos lembrar do estouro da cota. Também deixei de "zapear" por lá. Dia desses, voltei a navegar pelo "Estadão", levado pela força do hábito. Não sei se o pessoal acabou com o esquema nipobloqueante, mas faz algum tempo que a "japonesinha desaforada" não aparece em meu monitor.

o globo

Atualmente, o jornal "O Globo" está vetando o usuário das redes, após um número "xis" de acessos. Outros portais jornalísticos, seguindo o exemplo dos grandes, tendem a adotar a mesma coisa.

A razão para isso, me parece uma só. Incapazes de seduzir patrocinadores para investirem na mídia virtual os portais estão penalizando o leitor, exatamente aquele que seria a razão do investimento publicitário. Rejeitados pelo anunciante, os portais tentam gerar renda na base da assinatura, fórmula suicida. Alguém está pensando com o rabo do cachorro.

Não vejo opção para rentabilizar a atividade informativa, que não passe pela publicidade. O bolso do leitor é muito pequeno para satisfazer o apetite voraz dos editores. Temo pela “solução” de se aproximar das fontes oficiais à procura de verbas. Comprometimento venal é inimigo da transparência informativa.  

As ideias “geniais” que temos visto, para mexer no bolso do leitor, mostram que a situação da mídia impressa tende a piorar. E, se nada for feito para acabar com o pedágio cibernético, o caldo vai engrossar no ambiente virtual também.

*** *** *** *** ***

Créditos: Rádio e TV na Web – link / Mídia impressa – link / http – link / Logo Folha de S.Paulo – link / Logo Estadão – link / Logo O Globo – link / /

18 de julho de 2013

GLOBO, CAPITAL OU NENHUMA DAS HIPÓTESES? O RÁDIO PAULISTANO DÁ O QUE PENSAR

B_thyrs_rdglobo

O “clima” ainda é de especulação, mas sente-se que, de fato, algo está por acontecer no dial das emissoras FM sintonizadas em São Paulo, capital.

Ninguém ignora que os domínios globais têm grande interesse em uma frequência em FM. Dizem que é para replicar a programação do AM, prática que vem se tornando comum entre algumas emissoras. Bruno Thyrs, diretor-geral, desconversa, mas não nega.

Como a digitalização do rádio é um tema cuja consistência equivale às gelatinas, a gente se lembra das variantes que surgem, de quando em quando, dando como certa a transferência das atuais AMs para o FM. As FMs é que iriam para o padrão digital. Mas tudo isto é apenas hipótese remota. Ninguém sabe, ao certo, o que vai rolar. Nem mesmo (ou muito menos?) o Ministério das Comunicações. 

Recentemente, durante a divulgação do início da parceria entre a rádio Capital AM e o grupo esportivo da ESPN, um colunista especializado no setor chegou a antecipar que a emissora de Morizono, dirigida por Chico Paes de Barros, estava para conseguir uma FM. A notícia foi corrigida logo após, mas não desmentida. Paes de Barros deixou claro que, se entrar uma FM na parada, haverá outro acerto com o grupo Disney. Nada mais justo. E, assim, a possibilidade passou a ser real.

Hoje, o site Tudo Rádio, menciona as experiências de uma emissora da baixada, litoral sul paulista, na tentativa de ser melhor sintonizada em São Paulo, capital. A concessão original era para 91,9 Mhz, mas, para escapar de interferências, particularmente da “SulAmérica Trânsito” (92,1), passou a operar em 91,7 e adotou o nome de “Paradiso”. Curiosamente,  “SulAmérica Paradiso” é o naming rigths da uma FM musical do Rio de Janeiro, voltada para o público adulto, bancada pelo grupo Sul América, óbvio.

Pois a dita cuja emissora da baixada, cuja concessão é de São Vicente/SP (segundo o Tudo Rádio), nos últimos meses deixou de usar o nome Paradiso e, atualmente, informa apenas a frequência. Típica manobra que antecede mudanças.

A princípio, a nota do Tudo Rádio dá a entender que os testes terminaram sem sucesso, mas uma errata conclui que o sinal da 91,7 não teve a potência reduzida, como se informava e pode ser sintonizada em vários pontos da capital de São Paulo. Daí, é possível deduzir algumas coisas.

p_abreu

Primeira: os testes deram certo e a rádio está chegando bem na capital paulista;

Segunda: tanta desenvoltura na mudança da concessão original e a entrada em operação em outra frequência, denunciam que por trás dos testes está Paulo Abreu, dono das Tupis AM e FM paulistas, além de mais uma dúzia de rádios. Uma prodigalidade de espantar;

Terceira: vem aí, ao que tudo indica, uma nova AM replicada em FM.

Resta saber se a sorte vai sorrir para a rua das Palmeiras ou para os lados do Paraíso. Chico Paes de Barros é católico fervoroso e o papa vem aí. Pode ser que a devoção religiosa pese a balança em favor desse dirigente.

Pode ser, sim, mas não dá para ignorar o peso das Organizações Globo. Num planeta em que o poder econômico continua falando mais alto, inclusive no reino das coisas etéreas (vide a força das igrejas), nunca se sabe, ao certo, o que vai acontecer.

*** *** *** *** ***

Fontes:

Chico Paes de Barros corrige informação. Aqui

A nota do Tudo Rádio. Aqui

Globo paulista tem interessem em FM. Aqui

A Paradiso fluminense. Aqui

______________

Créditos:

Francisco (Chico) Paes de Barros, rádio Capital – link / Bruno Thyrs, rádio Globo – link / Logo Tudo Rádio – link / Paulo Abreu (recorte) – rede Mundial - link

16 de julho de 2013

RÁDIO ESPORTIVO DE SÃO PAULO SÓ TEM PARA COMEMORAR OS 5O ANOS DE CARREIRA DE JOSÉ SILVÉRIO

pacaembu_vazio

O esporte não é minha área específica, mas é impossível ignorar os números do rádio esportivo em São Paulo. Vendo a pesquisa do Ibope relativa ao trimestre março/abril/maio de 2013 (antes da Copa das Confederações, portanto) não pude conter o espanto com o cenário de audiência das principais emissoras AM da capital paulista.

capital_espn

A disputa pau-a-pau entre Globo e Capital já é conhecida. A cada pesquisa, a diferença entre ambas diminui um pouco. Aliás, a audiência geral das duas emissoras tem mostrado ligeiro recuo global e o correspondente avanço da rádio dirigida por Francisco Paes de Barros. A parceria esportiva com a ESPN deve melhorar, em breve, a situação da Capital.

Não que a equipe anterior não fosse boa de bola; prova disso são os números expressivos obtidos por um “time” diminuto dotado de muito talento, mas o poderio econômico, aliado à inegável competência de alguns profissionais do grupo Disney, certamente vai fazer diferença.

A audiência do rádio esportivo durante a Copa das Confederações, cujos números não estão disponíveis ainda, é um episódio à parte. Para a rádio Capital, principalmente, a parceria com a Tupi, do Rio, foi um salto no escuro em termos de audiência, embora comercialmente deva ter compensado. Chico Paes de Barros não carrega, entre os adjetivos que o definem, o estigma de burro.  

Voltando ao Ibope do trimestre anterior, a grande surpresa é a posição da rádio Bandeirantes. O terceiro lugar não é espantoso, apesar do bólido José Silvério, mas a pontuação sim.

Na jornada esportiva de domingo, entre 14 e 21 horas, a emissora do Morumbi fica com menos de 50% do índice obtido pela emissora líder.  Salva-se no domingo, entre 16 e 18 horas, horário dos jogos principais da rodada, mas, mesmo assim, raspando no travessão.

“É fogo, torcida brasileira!”— bradaria, Fiori Gigliotti, se estivesse vivo.

No FM, então, a lavada é ainda maior. A Bandeirantes ocupa apenas a quinta colocação. Muito pouco para quem já foi responsável pelo eco mais abrangente da história do rádio esportivo brasileiro. A Cadeia Verde-Amarela, refeita para a Copa das Confederações, levava os gritos de gol do Scratch do Rádio para todo o país. Ou, pelo menos, para a maior parte dele, onde se ouvia rádio.

Em números, o contraste é de embasbacar: a campeã do dial, rádio 105 FM, marca 0,78% de audiência durante as jornadas esportivas, enquanto a Bandeirantes fica com raquíticos 0,06%. Antes que você ache que meus dedos se equivocaram e, em vez de digitar 0,60 digitaram 0,06%, saiba que não há equívoco algum. A audiência da equipe esportiva dos Saad, no FM, é essa coisa “extraordinária” que aparece aqui. Pode ficar de boca aberta. Eu também fiquei de queixo caído.

osmar_e_edemar

Para não dizer que não falei das flores, a Jovem Pan, que já teve Osmar Santos, o “pai da matéria”, Edemar Annuseck e o atual primeiro-narrador da Bandeirantes, José Silvério, hoje rasteja entre os escombros do que já foi e consegue frágeis 0,06 a 0,11% (a melhor marca, aos domingos, entre 15 e 21 horas).

O filhotinho global, CBN, é digno de pena. Tanta pompa para quase nada: os números variam de 0,02 a 0,03% do quadro geral de audiência. Comercialmente deve dar lucro, ao menos como emissora em que se descarregam as bonificações para o anunciante master. Caso contrário, o rolo compressor da Globo já teria passado por cima do departamento esportivo da rádio que toca notícia e não deixaria trave sobre trave.

Em meio a tudo isso, José Silvério —que Milton Neves chama acertadamente de “pai do gol”— completa 50 anos de carreira, no sábado, dia 20 de julho.

O fôlego já não é o mesmo, claro; o grito  de gol costuma falhar no meio da empolgação, mas isso confere respeitabilidade ao narrador cuja voz tremula, no final de frases, como as bandeiras nas arquibancadas, no meio da torcida em festa. E quem liga para o resto? 

Ao cumprimentar o narrador mais explosivo do rádio esportivo de São Paulo, atualmente, fico pensando: quem será o substituto de Silvério, um dia? Não cito nomes, mas no Morumbi deve haver gente de peso para cumprir a missão. Porém, decisões de diretoria são como urna e fralda de neném, dizem. Há, sempre, uma surpresa no bolso do colete.

Os 50 anos de carreira do narrador-aniversariante colocam na mesa uma questão: o rádio tem mudado, e muito, ao longo dessas cinco décadas. A narração esportiva, por outro lado, continua igual, embora os cabelos de muita gente tenha também mudado (parafraseando a velha propaganda de xampu).

A ESPN ainda insiste em mudar a “linguagem” do futebol, mas, a exemplo de muitos narradores, se atrapalha com a vertente mais popular da narração esportiva. Aquela que coloca em cada rádio um arremedo de José Silvério, hoje, o modelo dos demais.

Será que a superdosagem está matando o paciente?

*** *** *** *** ***

Os números do rádio esportivo AM estão aqui

Neste link, você encontra número também do FM. Clique aqui

______________

Créditos:`Pacaembu, estádio-símbolo do futebol paulista – link / Logo Capital/ESPN – link / Logo IBOPE – link / José Silvério link / Fiori Gigliotti (in memoriam) – link / Osmar Santos – link / Edemar Annuseck – link / Milton Neves – link / Bandeira – link

Fontes: www.bastidoresdoradio.com e http://www.cheninocampo.blogspot.com.br/ 

15 de julho de 2013

AMIGOS OCULTOS SÓ NAS FESTAS DE FIM DE ANO. E OLHE LÁ…

espiando

Hoje o post é curto e em causa própria. Principalmente por isso, vou ser rápido e rasteiro.

As redes sociais vêm se firmando, a cada dia, como instrumento de relações pessoais e/ou profissionais. Através delas, inclusive, muitos amigos que se “desgarraram” de nós ao longo dos anos, podem ser reencontrados, para nossa alegria.

Eu, particularmente, sempre aceitei a todos os convites de amizade que recebo. Penso que ter amigos, ainda que virtuais, é um privilégio.

No entanto, tenho notado que muitos pedidos são feitos através de convites que não trazem nada além do nome (que na maioria das vezes não reconheço) ou, muitas vezes, apenas um pseudônimo.

Não há nenhuma informação sobre a cidade onde a pessoa reside ou trabalha, profissão e qualquer outro dado que nos possibilite identificar, pelo menos, um traço de afinidade. Parece que essa gente se esconde. Além disso, pode ser um vírus. Já tive problemas com minha conta no Twitter. Deu um trabalhão, pois o vírus se espalhou através da minha base de endereços. Perdi muitos seguidores; alguns, porque ficaram com medo de continuar me seguindo e ter o computador infectado de novo.

Sendo assim, de hoje em diante, convites sem identificação serão desconsiderados. Ainda bem, são minoria.

________________

Créditos: Espião – link / Vírus - link

12 de julho de 2013

NOVE ENTRE DEZ CRIATIVOS BRASILEIRO IGNORAM O RÁDIO E SONHAM TER UM FILME NA GLOBO

ibope_media

Segundo o IBOPE Media, 73% dos brasileiros ouvem rádio, nas principais capitais e regiões metropolitanas do país.

A serem verdadeiros os números, o que está errado quando se acusa o rádio de não ter penetração junto ao povo? Qual a razão de, conforme afirmam as emissoras, as verbas para o veículo terem minguado tanto nos últimos anos?

Eu aponto, sem a menor dúvida, que a razão está na vaidade.

“Cuma?” —perguntaria aquele Trapalhão, Didi Mocó (o resto do nome eu não me lembro), sem entender a ligação de uma coisa com a outra. Simples. Falo da vaidade dos “criativos” nacionais, que consideram menos nobre produzir para o rádio.

Eu afirmo, também sem a menor dúvida, que eles não sabem criar para o veículo. Apenas isso. Não dominam a linguagem e fogem do rádio como o diabo foge da cruz. Os jingles ainda se salvam, mas os spots, alguns deles, poderiam alimentar a fogueira na qual se deveria jogar (profissionalmente, claro) o incompetente que redigiu o texto. Os outros, entre os que não precisam ir para as labaredas, são do tipo “não-cheira-nem-fede”. Basta deixá-los em qualquer canto, pois serão esquecidos com a rapidez dos relâmpagos. 

Além da incapacidade crônica, existe um detalhe singular: ter um filme na Globo é o sonho de consumo de nove entre dez gênios da publicidade tupiniquim. Os redatores que cresceram com o rádio já se aposentaram ou, infelizmente, morreram. Essa nova geração (se bem que alguns dos “novos” não têm mais idade para o deslumbramento) tem na TV como que um espelho onde podem mirar-se e alimentar o ego. Como se sabe, a imagem, para Narciso, é tudo.

Então, resta uma pergunta a ser feita:

—Afinal, quem paga a propaganda?

Não, por favor, não precisa me responder.

O que eu gostaria, mesmo de saber, é o que fazem os anunciantes longe do rádio?

*** *** *** *** ***

Dois colunistas especializados na cobertura do meio rádio mostram o resultado da pesquisa IBOPE Media. Aqui e aqui

______________

Créditos: Logo IBOPE Media – link / Logo Globo – link / Castigo - link

11 de julho de 2013

TREINADOR-BARATO E JOGADOR-ESTRELA. FÓRMULA PERFEITA PARA O DESASTRE EM CAMPO

autuori_spaulo

Clubes brasileiros começam a se preocupar com altos salários. É bom dizer, logo, que os altos salários questionados referem-se à remuneração dos técnicos. A questão se tornou mais clara após a dispensa de Ney Franco, pelo São Paulo Futebol Clube.

Os candidatos a substituto logo foram apontados: Paulo Autuori e Muricy Ramalho, ambos com passagens anteriores pelo clube do Morumbi. Autouri ganhou a simpatia da direção —apesar dos apelos da torcida, pró Muricy— e assina hoje com o tricolor paulista.

A razão para a preferência diretiva pelo ex-treinador do Vasco da Gama é simples. O salário dele é mais apropriado ao patamar estabelecido pelo clube. Muricy estaria pedindo 700 mil reais por mês, o mesmo que recebia no Santos até recentemente. Fico imaginando o clima de festa entre os jogadores (explico adiante) e a sensação desagradável de Autuori por saber que está assumindo por ser barato.

Ao sentir que seu nome estava sendo usado como base de uma campanha contra a remuneração dos profissionais que representa, Muricy se manifestou publicamente. Disse que não foi convidado pelo São Paulo para o lugar de Ney Franco. A indicação de seu nome partiu da própria torcida, o que o deixava mais feliz, por entender que seu trabalho no tricolor é reconhecido pelo torcedor.

E para cortar a propagação da onda de redução salarial dos “professores”, afirmou que, se ganhasse os 700 mil reais que lhe atribuem, já teria dinheiro suficiente para se aposentar e ficar bem longe dos gramados.

muricy_salarioA questão dos altos salários, inclusive para o jogador de futebol (eu diria principalmente), vem ganhando corpo entre especialistas do esporte. Num pais em que o salário médio do trabalhador fica em torno de R$ 2.000,00 (dois mil reais) chega a ser ultrajante anunciar que um atleta recém saído das categorias de base passou a ganhar entre 60 mil e 200 mil reais por mês depois de ser integrado ao elenco profissional. Um salto estratosférico, de dia um dia para o outro, impossível à maioria esmagadora das profissões.

Dirão os fanáticos, que “o jogador é a estrela do espetáculo e nada mais justo que ganhe bem”. Ganhar bem é uma coisa. Outra, bem diferente, é o que temos visto. Jogadores que, num passado nem tão distante, seriam considerados “medianos”, para não dizermos “pernas-de-pau” mesmo, ganham manchetes como se fossem uma das sete maravilhas do mundo. 

Sei que o torcedor são paulino não vai gostar, mas Lucas, vendido ao Paris Saint-Germain, da França, por 45 milhões de euros (coisa de 108 milhões de reais, na época) tem futebol para mostrar, em campo, o que os números financeiros traduzem? Lucas não é um perna-de-pau, mas, daí, a valer tanto é outra história.

Falando nisso, pinçando uma declaração aqui, outra ali, de atletas, dirigentes de clubes e treinadores, fica-se com a impressão de que os valores declarados nem sempre correspondem à realidade. Já ouvi de colegas que entendem do assunto (e acredito neles) que tais declarações não passam de pirotecnia verbal. São feitas apenas para constar e impressionar. Na realidade, os valores são muito menores. O clube alardeia grandes somas para “valorizar” o atleta; este concorda com a encenação, diante da possibilidade de ganhar uma bolada se for negociado com o passe valorizado. Neste cenário, os empresários de atletas deitam e rolam, felizes como porcos na lama. Seria o caso de perguntar quem está enganando quem?

fama_dinheiro O problema é que os treinadores não fazem parte do patrimônio do clube. Quando se transferem para outra agremiação, não rendem dividendos para o clube que estão deixando, ao contrário do que ocorre com os jogadores. E todos sabem que quanto mais valorizado o atleta, mais caro é o passe. 

Como se chega ao “valor” do jogador de futebol? Um dos parâmetros é o salário. Não por outra razão os clubes tratam, rapidinho, de reajustar os vencimentos de suas “estrelas”. E pesar a mão na multa contratual. Oficialmente, os diretores dizem que é uma forma de segurar os talentos no clube. Você entra nessa? Claro que não. A estratégia visa valorizar o jogador, quando surgir um clube interessado. Depois, é aquela choradeira (lágrimas de crocodilo): “não conseguimos segurar fulano, cicrano ou beltrano”.            

Resta saber como o treinador-barato Paulo Autuori vai mostrar desenvoltura, disciplina e personalidade para tratar com o esquadrão de estrelas, cheias de não-me-toques despertados pela vaidade incentivada pela direção. O jogador não é bobo; sabe que entre ele e o treinador o clube vai ficar, sempre, com o jogador. Agora, com a entrada em cena dos “professores” baratos, imagine só o final de história.

*** *** *** *** ***

São Paulo Futebol Clube confirma acerto com Paulo Autuori. Aqui

Muricy Ramalho se apressou em dizer: não ganho a fortuna que dizem. Morumbi ainda negociava com Autuori. Aqui

______________

Créditos: Paulo Autuori, treinador – link / Muricy Ramalho, treinador – link / Lucas, do Paris Saint-Germain – link / Fama e dinheiro - link

A TARTARUGA EM CIMA DO POSTE

Recebi do amigo Gilberto Ferraz de Arruda Veiga, advogado daqueles que todos deveriam ter, uma fábula já conhecida que volta a ser transmitida via e-mail, contrariando a tradição oral que manteve vivos alguns dos mais interessantes contos do passado, geração após geração, por milênios.

A força das redes sociais se encarrega de espalhar pelos mundo afora as fábulas modernas. A renovação cíclica e crescente da “população internáutica” deve se encarregar de perpetuá-las, a exemplo do que acontece com as correntes e os incontáveis virais que superlotam nossas caixas de entrada de e-mails. Embora eu seja especialmente contra o pedido de divulgação dessas correntes, neste caso acho que passar para a frente será apropriado e poderá livrar gerações futuras de conhecerem, na vida real, a repetição da história.

Vou omitir o nome da personagem central desta fábula, para evitar insinuações de que estou difamando A, B ou C. Assim, o nome que aflorar à mente de cada leitor será produto, exclusivamente, da imaginação pessoal. Não tenho nada com isso, certo?

Então, vamos lá.

tartaruga_no_poste

“A TARTARUGA EM CIMA DO POSTE

Enquanto dava pontos num corte na mão de um velho gari, o médico conversava com o paciente sobre o clima, o país, o povo e o governo.

Em determinado momento, o gari ponderou:

—Bom, o senhor sabe, doutor, que certos governos são como uma tartaruga em cima do poste...

Surpreso, sem saber o que o gari quis dizer com a frase, o médico falou que não tinha entendido.

Tranquilo, o paciente respondeu:

—Imagine que alguém vai seguindo por uma estradinha e, de repente, vê um poste. Em cima dele, uma tartaruga tenta se equilibrar. Foi isso o que eu disse.

Diante da cara de interrogação do médico, o velho gari acrescentou:

—A pessoa não entende como a tartaruga chegou lá; sabe que ela não subiu sozinha; acredita que ela não deveria nem poderia estar lá em cima; nota que ela não vai fazer absolutamente nada enquanto estiver naquela situação e, por fim, não entende o porquê de a terem colocado lá.

—Bem, mas, então, se ela não consegue fazer nada é preciso tirá-la de lá —balbuciou o médico que, para dar ênfase à frase, ficou com a mão que segurava a agulha, parada no ar, como se empunhasse uma espada.

—Exatamente, concordou o gari. Nesse ponto é muito importante ajudar a tartaruga a descer e providenciar para que ela nunca mais suba no poste, pois, definitivamente, lá em cima não é o lugar dela.

Os pontos terminaram. Feito o curativo, o médico liberou o gari que ganhou dispensa do trabalho no dia seguinte. Para os dois, a vida seguia.

No caminho de casa, o gari pensava que seria bom se as pessoas não jogassem cacos de vidro no lixo sem acondicioná-los convenientemente. Afinal, um pouco mais de atenção evita acidentes. Não é mesmo?

*** *** *** *** ***

O amigo Gilberto me lembra que se contarmos esta fabulazinha para os amigos e estes a contarem para os amigos deles, isso vai evitar, definitivamente, que uma tartaruga desça do poste e outra, parecida, seja colocada no lugar.

Porém, tenho que fazer uma confissão. Depois de ler a fábula acima, fiquei com aquela sensação de que já ouvi essa história e, até melhor que isso, já vi uma tartaruga em cima do poste. Só não consigo me lembrar aonde foi. Você, por acaso, se lembra?

_______________

Créditos: Tartaruga no poste – link

8 de julho de 2013

GOVERNO PROMETE ENDURECER AINDA MAIS CONTRA MÉDICOS. O POVO QUE SE PREPARE

medicos_protestos

Se o quadro da saúde pública no Brasil já não é bom, imagine como pode ficar caso o confronto entre governo e entidades médicas venha a se prolongar. A intenção de trazer profissionais estrangeiros para trabalharem na periferia dos grandes centros populacionais e nos mais distantes rincões do país, deflagrou uma série de protestos da categoria.

Agora, as informações de que o governo pretende ampliar de seis para oito anos os cursos de medicina e tornar obrigatória a prestação de serviços do recém-formado em hospitais do SUS, durante dois anos, prometem cavar mais fundo o fosso que separa o profissional da saúde do serviço público.

Pontos de vista à parte (o governo visa gerar factóides para garantir-se em 2014 e as entidades médicas tentam salvaguardar os interesses corporativistas da categoria), o fato concreto é que o grande prejudicado será, mais ainda, o povo brasileiro.

A situação da saúde pública, em todos os níveis e em todo o território nacional é alarmante. Algo precisa ser feito, depressa. Não dá mais para suportar tanta desfaçatez oficial e, por outro lado, a insensibilidade daqueles que fizeram o juramento de Hipócrates que, acima de tudo, coloca a vida do paciente como bem maior a ser preservado.

Nada contra o médico que não quer trabalhar para o governo nem, tampouco, nas regiões periféricas, pobres e distantes dos grandes centros sob a justificativa de que, sem recursos, não é possível praticar boa medicina. No entanto, à simples promessa de abrir o mercado a médicos estrangeiros, para que atuem nas regiões que os nossos profissionais desprezam, a categoria se revolta e manifesta temor pela redução do mercado de trabalho. Afinal, estamos falando de quê?  

A presumir-se que a vida do ser humano está em primeiro lugar, o mercado de trabalho para o médico brasileiro que se dane. Se ele quiser trabalhar, tudo bem. Que encare a “missão” aonde for necessário. Se não quiser, que aceite substitutos para fazer aquilo que ele dispensa. Simples, não é mesmo?

A seguir, alguns links que ajudam a esclarecer o assunto.

Protestos contra a vinda de médicos estrangeiros aumentam. Aqui

Governo quer aumentar a duração dos cursos de medicina. Aqui

Alunos serão obrigados a trabalhar dois anos para o SUS. Aqui

Entidades médicas escancaram intenção do governo e apontam falhas no plano. Aqui

____________________

Créditos: Médicos protestam – link / Médicos protestam 2 – link / Doutora na passeata - link