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22 de outubro de 2013

SÃO PAULO, A CIDADE QUE NÃO PODE PARAR, ESTÁ NO LIMITE

IV_centenario

“São Paulo, a cidade que não pode parar”. O slogan, conhecido em todo o país e no mundo, data de um pouco antes de 1954, quando a cidade, originada do colégio fundado por jesuítas, comemorou o IV Centenário. Ainda hoje São Paulo gera riquezas dia e noite. Uma multidão se reveza 24 horas para não deixar a peteca cair e manter a tradição, mas o crescimento da capital paulista já não é o mesmo dos anos dourados. A descentralização industrial levou para o interior do estado e outras cidades brasileiras grande parte da pujança que ditava o ritmo de vida do paulistano. O perfil da indústria foi cedendo contorno para a prestação de serviços e negócios o que, hoje, coloca a cidade no rol dos grandes centros mundiais de comércio e um dos maiores da América Latina nas duas categorias.

A população estimada pelo IBGE para 2013 é de 11.821.873 pessoas que se locomovem através de uma área total de 1.522,986 km² utilizando-se de motocicletas, automóveis, caminhões, ônibus, trens e metrô. A mobilidade urbana é tema dos mais importantes, pois o trânsito de São Paulo nunca esteve tão à beira do caos como agora. Especialistas debatem e buscam alternativas para sair do sufoco. O transporte individual, de bicicleta, é apontado como boa solução tanto para evitar o estresse como para condicionar o físico e melhorar a saúde. Mas ainda não há ciclofaixas e ciclovias suficientes a ponto de atrair a simpatia da população.

O futuro depende de muitos fatores, que demandam grandes investimentos pelo poder público. Depois de privilegiar, por décadas, os veículos automotores hoje são esses veículos o maior transtorno para a cidade. Problema sem solução a médio prazo, sequer, pois não há opções razoáveis capazes de fazer o público que usa o transporte individual mudar para o transporte de massa. Ônibus, trens da CPTM—Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e o Metrô deveriam responder pelo deslocamento rápido, seguro e econômico da população, mas estamos muito longe de alcançar um estágio razoável no setor.

Em quase 40 anos de existência o Metrô tem menos de 80 quilômetros de trilhos, túneis e trechos elevados. A demanda superlota as composições em horários de pico, fazendo com que o Metrô de São Paulo seja dos que apresentam uma das maiores concentrações de passageiros por m² em todo o mundo. Em 2011 chegou a incríveis dez passageiros apertados no espaço de um metro quadrado. A entrada em funcionamento de novas estações e pequenos trechos de linhas de interligação aliviou muito pouco essa concentração. Somada aos constantes problemas técnicos e operacionais—como apagões de energia, panes, desgaste de material e descarrilamentos está claro que falta muito a ser feito nessa área.  

Situação mais dramática está reservada aos usuários dos trens da CPTM, vindos de vários municípios da grande São Paulo. Além dos problemas semelhantes aos do Metrô, muitas vezes os passageiros são obrigados a caminhar sobre trilhos, por causa das panes.

Para piorar, enfrentam o alto grau de criminalidade, comércio ilegal e assédio sexual no interior dos vagões apinhados. E se tudo isso não bastasse, os atos de violência praticados pelos seguranças das estações, vivem se transformando em manchetes policiais no dia a dia.

Os consórcios de transporte urbano, por ônibus, são mais fontes de problemas que de soluções. Do lado empresarial, as queixas são de baixa remuneração. Para o passageiro sobram tarifas elevadas, itinerários ridículos, intervalos absurdos entre um ônibus e outro, superlotação, péssima conservação da frota, piora das condições de trabalho e de salários do quadro funcional que transformam o setor em dor de cabeça constante para a administração pública.

Incapaz de oferecer uma solução técnica inteligente, o prefeito Fernando Haddad optou pela saída mais fácil, rápida e barata: pintar faixas de ônibus pela cidade. Todo dia há novos trechos pintados. Cada faixa estrangula o fluxo de carros particulares, utilitários, vans, veículos urbanos de carga, táxis em busca de passageiros, além do batalhão de motoboys e donos de moto particulares brigando por um espaço que, se já não existia, agora desapareceu de vez.

Ufanando-se da “ideia maravilhosa” de pintar o chão, o prefeito determinou a aplicação de milhares de multas mensais aos infratores produzindo dinheiro extra para os cofres municipais. Aparentemente, é o que conta. Falando nisso, ninguém sabe ao certo o tamanho da conta que a indústria da multa é capaz de gerar.

Tanta tinta gasta nas ruas e avenidas tem consequências. A começar pelo óbvio aumento da poluição do ar. Motores funcionando por muito mais tempo do que deveriam, lançam toneladas extras de poluentes na atmosfera, todos os dias, aumentando o risco da população contrair doenças, especialmente respiratórias. Outro problema tem sido a criação de gargalos que impedem a fluidez do trânsito pesado da cidade. Diante desse “efeito colateral” o prefeito não tem hesitado em diminuir a velocidade nas principais artérias e vias de ligação da cidade. Nos locais onde se tentava trafegar a 70 km por hora (fora dos horários de pico), a velocidade vem sendo reduzida para 60, 50 e até 40. Não dá para “andar mais” porque o trânsito está ficando cada vez mais amarrado, o dia inteiro.

Acredito que o próximo desafio de Fernando Haddad será demonstrar, na prática, que o antigo slogan da cidade nunca esteve tão ultrapassado. São Paulo, não demora muito, vai parar. Nunca, antes, na história deste país, progresso deixou de significar avanço para se consolidar como retrocesso. O privilégio só podia ser do trapalhão-mor do PT. Saudações.

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Trafegando com maior dificuldade, o motorista, em São Paulo, se desloca mais lentamente pela cidade. Veja no link, Velocidade na Avenida Paulista cairá para 50 km/h até novembro

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Fontes: http://www.cidades.ibge.gov.br - http://www.estadao.com.br / Imagens: IV Centenário - Ciclista no trânsito - CPTMPonto de ônibus - Gargalo