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29 de novembro de 2013

BRADESCO ESPORTES FM. QUANDO O PRÊMIO NÃO REFLETE O DESEMPENHO

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Sempre disse que sou avesso a premiações por desempenho. “Melhor do Ano”, “Destaque”, “Revelação” e outros que tais não passam, a meu ver, de lisonjas —muitas vezes falsas— que geralmente objetivam fortalecer relações comerciais e de mercado. No fundo, são ações de marketing que tanto podem premiar um jogador de futebol, um automóvel, uma empresa prestadora de serviços, um profissional qualquer, um contrafilé da Friboi e o que mais a imaginação permitir. Tudo é motivo para premiação. Misturam-se alhos com bugalhos que passam a ter o  mesmo peso. Em torno disso, celebram-se conquistas nem sempre verdadeiras. Por essa razão, como diz um locutor que conheço, “prefiro minha parte em dinheiro”.

Veja como um prêmio nem sempre representa a realidade. Vamos tomar como exemplo a rádio Bradesco Esportes FM. A emissora vive um dos momentos mais delicados desde sua estreia, há menos de dois anos. Os modelos propostos para manter uma rádio falando de esportes 24 horas, desde logo se revelaram inadequados. Equipes inteiras de profissionais contratados para sustentar a programação foram desfeitas e demitidas. Tentaram-se alternativas e todas tiveram o mesmo destino das anteriores: lixo. Na última segunda-feira, 25 de novembro, foi colocada em prática talvez a última e desesperada tentativa de acertar o rumo da emissora. Em razão disso, novas dispensas.

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Para esquentar ainda mais o clima de bastidores, mas, agora, com maior ressonância no mercado, José Carlos Araújo declara, no Rio, que pretende continuar na Bradesco Esportes FM. Ele tem contrato até 2015 e fim de papo. Com todo o respeito pela dimensão profissional do “garotinho” e equipe, é muito pouco para manter o horizonte da rádio livre das intempéries. A permanência dele pode funcionar no Rio, mas a incógnita é São Paulo.

O grupo financeiro Bradesco é o detentor do “naming rights”, um tipo de patrocínio que exige grande aporte de verba, mas que permite ao patrocinador dar nome ao objeto patrocinado. Exemplos de “naming rights” são a rádio “SulAmérica Trânsito”, a rádio “Mitsubishi FM” —que não deu certo, casas de espetáculos musicais, como a “Credicard Hall”, e os estádios de futebol, agora chamados de “arenas”.

O Bradesco, claro, esperava um retorno publicitário correspondente ao valor do investimento. Pelas mexidas tantas que já foram feitas é evidente que o retorno tem sido muito aquém do desejável. O que vai acontecer, ninguém se arrisca a dizer.

colunistas

Pois no meio do cenário que está mais para tragédia, vem a Associação Brasileira dos Colunistas de Marketing e Propaganda —Abracomp— promotora do Prêmio Colunistas, premiar a “Bradesco Esportes FM” como Destaque do ano de 2013. Destaque em quê? Só se for Destaque Negativo. De outro, não se pode falar.

Viu como essa coisa de prêmio é muito relativa?

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Demais premiados pela Abracomp estão no link “Colunistas São Paulo reúne vencedores

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Imagens: Prêmio ColunistasPrêmios futebolGarotinho e equipe

28 de novembro de 2013

A IMPORTÂNCIA DAS RELAÇÕES PESSOAIS NO AMBIENTE PROFISSIONAL

liderNavegando pela web é comum me deparar com textos interessantes que, via de regra, indico ao leitor. Quando não, amigos da rede me enviam e-mails e, dentre eles, sempre vem alguma coisa que desperta minha atenção. É o caso do texto abaixo. Recebi do amigo DJ Zé Paulo, de São Paulo, capital. Escrito por Max Gehringer, narra uma daquelas histórias de sucesso de profissionais que, à primeira vista, não deveriam ocupar os cargos que ocupam. Quase sempre são pessoas comuns, sem muito brilho, mas que acabam se dando bem na carreira. A maledicência costuma dizer que “existe alguma coisa por trás disso”, como a explicar a “razão” do sucesso. Gehringer usa um desses casos para mostrar que a razão pode ser muito simples. Tão simples que, às vezes, passam despercebidas pela maioria de nós, preocupados em decifrar tais “mistérios”. Leia o texto abaixo e tire sua própria conclusão.

 “O verdadeiro líder        

Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente.

Figuras sem um vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal. Figuras como o Raul.

Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade. Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio.

         Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho. Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho com tinta nanquim.

         Já o Raul nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só: apoiar o Pena. Qualquer coisa de que o Pena precisasse, o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase.

         Deu no que deu. O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma. E o resto de nós passou meio na carona do Pena que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas.

         No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de 'paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino'. E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo.

         Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional. Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos.

         E quem era o chefe do Pena?

         O Raul. E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição? Ninguém na empresa sabia explicar direito.

         O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação.

         Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na escola: ele apoiava. Alguém tinha um problema? Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito.

         Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa. Quando conversou comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite. Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta.

         E eu perguntei ao Raul qual era a função dele. Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta. O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer.

         Foi quando, num evento em São Paulo, eu conheci o Vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul. E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável: ele entendia de gente. Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais produtivos.

         E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima: ‘Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo'.

         Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as relações entre as pessoas. Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert, e todo pintor comum, um gênio. Essa era a principal competência dele.

         Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos.

         Mas, o verdadeiro Grande Homem é aquele que faz com que todos se sintam Grandes."

Autor: Max Gehringer

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Fontes: Dj Zé Paulo: http://www.djzepaulo.com.br/Google Docs - Imagens: LiderançaMax Gehringer

PARA TROCAR DE EMPREGO O SALÁRIO CONTA MAIS?

e_agora Eu já tive a oportunidade, neste FG-News, de falar sobre escolhas individuais em torno da carreira profissional. Cada caso é um caso e o que dá certo para alguém pode não funcionar para outra pessoa. Muitos colegas já me pediram opinião sobre o caminho a seguir, em determinados momentos da vida. É difícil falar sobre o que alguém deve fazer, pois ninguém melhor que a própria pessoa pode saber o que mais lhe convém. São muitos fatores a se considerar; entre eles a família, a qualidade de vida, a integração social, o crescimento profissional e a ambição de cada um em relação à carreira. Em casos assim, sempre pedi que o colega pensasse nos pontos positivos e negativos da mudança, sem se incomodar com o que os outros poderiam pensar a respeito da atitude a ser tomada. E que esta atitude representasse, pelo menos, o meio termo entre o racional e o emocional.

Se você disser que agindo dessa forma eu negava ajuda ao colega vou respeitar sua opinião, mas nunca me julguei capacitado para decidir o que é melhor para outra pessoa. Porém, sempre fiz questão de deixar claro: não troque de emprego pensando apenas no dinheiro que você pode ganhar.

O dinheiro é consequência de uma carreira bem sucedida. E uma carreira bem sucedida pressupõe satisfação pessoal e profissional, em todos os sentidos.

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Pois bem, hoje, navegando pela rede, Encontrei um post em que um jovem engenheiro, de 30 anos, colocou as dúvidas que o acometiam no momento profissional que ele atravessava, em 09 de fevereiro de 2011. O post tem dois anos e dez meses, mas continua atual e serve de bússola para profissionais que, porventura, estejam vivendo os mesmos dilemas: mudar ou não de emprego? Enfrentar a corda bamba do desconhecido ou acomodar-se no conforto de sempre?

A leitura me remeteu ao site www.manualdeingenuidades.com.br mantido por Adriano Silva. O perfil do autor do site mostra que Silva é sócio diretor da Damnworks Brand Content e Social Media - Fundador da Spicy Media - Publisher que trouxe o Gizmodo, o Jalopnik e o Kotaku ao Brasil - chefe de Redação do Fantástico, TV Globo - Diretor do Núcleo Jovem, Editora Abril - Diretor de redação da Superinteressante - Editor-sênior da Exame - Diretor de marketing do Grupo Exame - MBA, Universidade de Kyoto, Japão - Graduação em Comunicação Social, UFRGS - Autor de três livros: "Homem sem Nome", "E Agora, O Que É Que Eu Faço?" e "Tudo O Que Eu Aprendi Sobre o Mundo dos Negócios" e, também, dá palestra sobre os temas: Carreira, Vida Executiva e Mercado Digital.

Como se vê, Adriano Silva é um profissional de ponta dentro das áreas em que atua. No site, exerce a função de consultor de carreiras (coaching), aconselhando e apontando caminhos. Era a indicação do caminho a seguir que o engenheiro pedia ao consultor. Resumidamente, o jovem disse que, antes, trabalhou em uma multinacional chinesa, saiu e veio a São Paulo em busca de novos horizontes. Acontece que foi convidado a retornar à empresa anterior e “balançou”. Justificando, relacionou outros pontos da questão. Num trecho da consulta, o engenheiro afirmou que por uma condição salarial mais atraente voltaria ao antigo emprego. Destaco o trecho em que o consulente disse ter a sensação de que na empresa atual (em 2011), apesar de haver novos desafios e oportunidades de crescimento, ele se sentia apenas mais um entre os demais, ao contrário da multinacional chinesa, onde era um dos elementos mais importantes da empresa. 

Veja a resposta que Adriano Silva deu a esta observação: (…) “Meu sentimento, nesse ponto, é contrário ao seu. É muito melhor ser o rabo da baleia do que a cabeça do camarão. É muito mais produtivo ser o pior dos melhores do que o melhor dos piores. Com gente boa, brilhante, melhor que você, você crescerá, terá incentivo diário para melhorar, para se manter afiado. Com gente média, acomodada, pior do que você, o atalho para a estagnação e para a mediocridade aparecerá para você como uma tentação diária.”

Senti um alívio e certo conforto. Afinal, aquilo que a percepção pessoal me mostrou ao longo dos anos vai diretamente ao encontro do que disse o consultor ao consulente, aí em cima. A experiência me ensinou que trabalhar com os melhores de nossa área talvez seja a principal condição de crescimento, em qualquer empresa, de qualquer natureza. Ênfase para a observação: “É muito mais produtivo ser o pior dos melhores do que o melhor dos piores”.

Não resta dúvida de que estando entre os bons, sua permanência vai depender de sua própria evolução profissional. Ao contrário, sentir-se com o “rei na barriga”, dono da situação, superior aos demais, leva ao descuido, ao relaxamento e, fatalmente, à obsolescência na função. E quando isso acontecer, ganhando bem ou mal, você estará fora. 

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Veja, na íntegra, a orientação de Adriano Silva ao profissional que o consultou. Clique no link “Nunca aceite um emprego pensando primeiro no dinheiro

imagens: Satisfação - Corda bambaAdriano SilvaDúvida (montagem)

26 de novembro de 2013

PRÊMIO EMMY INTERNACIONAL SOB SUSPEITA DE FAVORECER REDE GLOBO

Digamos que uma montadora de automóveis patrocine um programa de televisão especializado em automobilismo. Tudo a ver, teríamos que dizer. Agora imagine que, nesse programa, é feito um concurso para escolher os melhores automóveis do mundo e os escolhidos são modelos fabricados pela patrocinadora do programa. Fica estranho, não fica? Por mais isenta que a escolha possa ter sido feita, sempre resta uma certa suspeição no ar. São os chamados conflitos de interesse, que interferem diretamente no raciocínio do telespectador e, de maneira geral, se espalha no mercado.

Pois é mais ou menos isso o que está acontecendo em relação ao prêmio Emmy Internacional que elege os melhores produtos entre shows, novelas, filmes e seriados exibidos na televisão mundial. Desde 2005 a Rede Globo de Televisão é uma das patrocinadoras do evento e, ao mesmo tempo, concorre ao prêmio com seus produtos. A emissora já foi indicada seis vezes ao prêmio e venceu em três oportunidades. Em 2011 faturou outro prêmio, em parceria com a SIC, de Portugal. Nesta terça-feira, a emissora recebeu os Emmys de melhor telenovela, por “Lado a Lado”, e atriz, conferido à Fernanda Montenegro.

Essa situação desperta estranheza na concorrência que suspeita da credibilidade da premiação. A Rede Globo diz confiar na isenção da academia responsável pelo julgamento, mas as demais emissoras pensam de outra forma. Tanto que a mexicana Televisa se nega a inscrever suas produções no tal concurso. Até a Rede Record já ficou de fora, por suspeitar do prêmio Emmy Internacional.

E você, o que pensa? Dá para acreditar que o melhor carro é fabricado exatamente pela patrocinadora do programa que o elegeu como o melhor? Por outro lado, como negar o evidente talento de uma atriz como Fernanda Montenegro? Eis o dilema.

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Para saber mais, clique no link “Concorrentes da Globo questionam credibilidade do Emmy

Imagens: Fernanda MontenegroPrêmio Emmy Internacional

25 de novembro de 2013

E O CACHORRO NEM ERA FRIBOI

Não posso falar da série “A Mulher do Prefeito” porque não a conheço, mas, pelo Ibope, a coisa não esteve nada boa para os lados de Tony Ramos, o ator global queridinho de nove entre dez telespectadoras de todo o Brasil. A audiência do episódio exibido no dia 22 de novembro, sexta-feira passada, foi tão baixa que derrubou o Jornal da Globo, logo após.

Com irrisórios 10,7 pontos, baixos para o padrão global, o capítulo da série prejudicou a audiência do jornalístico que chegou a bater no fundo do poço, com míseros 6,9 pontos e perdeu para o SBT, que teve 8,8 pontos com o filme Spot: Um Cão da Pesada, feito em 2001.

O cachorro eu não conheço, mas o moleque da foto é Angus T. Jones, que hoje, na série “Dois Homens e Meio”, é Jake, o filho já adolescente do aproveitador Alan, vivido por Jon Cryer.

Dizem que nos lados da Anhanguera, ao saber da derrota do seriado global, alguém gritou, eufórico: e o nosso cão nem é da Friboi.

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“A Mulher do prefeito”, a série da Globo, aqui

“Spot, o cão da pesada”, filme de 2001, aqui

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Imagens: Toni RamosSpot e Angus T. JonesAngus, hoje

A RÁDIO DO SEU ESPORTE É TUDO. MENOS A RÁDIO DO SEU ESPORTE

O que leva uma emissora que tem muito “lastro” e expertise, além de prestígio e fama no setor esportivo, a projetar um navio-piloto que vai à pique cerca de um ano e meio depois de lançada às águas, em vez de navegar em mar de almirante? Erro na escolha da rota? Equívoco na leitura da carta de correntes marítimas? Ou o pessoal da meteorologia se enganou e leu às avessas as condições do tempo, levando a embarcação rumo a tempestades em alto mar, em vez de águas tranquilas? É possível, sim, que tenha havido algum tropeço no planejamento. Talvez o mais provável, tenha sido apostar as fichas nas duas grandes empresas ligadas ao empreendimento. Olhando para o próprio umbigo, foram convencidas de que bastaria pronunciar seus nomes, como se fossem palavras mágicas, e o mundo dos negócios embarcaria nessa, sem questionamentos.

Você já percebeu que falo da Bradesco Esportes FM, projeto conjunto do banco Bradesco e do Grupo Bandeirantes de Comunicação. No papel, uma grandeza de assustar. Na prática, o navio seguro se revelou um Titanic. O iceberg não tardaria a cruzar o caminho do gigante, muito antes do previsto para a embarcação chegar ao porto de destino, a Copa do Mundo de 2014. E, claro, depois da parada para reabastecimento, a próxima etapa seriam os Jogos Olímpicos de 2016.

Grandes nomes foram contratados. Em termos de custo, tudo é proporcional. Não vou citar nomes pois todos são por demais conhecidos do mercado e do grande público esportivo. Mas a tripulação, composta de superstars, revelou-se incapaz de pegar no pesado e manter o gigante singrando os mares revoltos e concorridos do segmento esportivo. A pretensão de uma emissora 24 horas só com esporte, virou pesadelo. Cobrir o quê? Tudo ou só o que interessa? Tá bom, só o que interessa, mas o quê interessa? Os artistas, digo, os tripulantes, se contrariados, poderiam partir para um motim. Cada qual acreditava que a sua especialidade era a melhor, a mais bonita, a mais interessante para o ouvinte. Uma situação difícil de administrar. Tanto mais quando se trata de uma tripulação de tal envergadura. Um desafio para qualquer capitão que não estivesse habituado aos sete mares. Ah, o canto da sereia também conta. E ilude, como se sabe.

Isto posto, tome exageros. Rugby, por exemplo, é engraçadinho nos comerciais de TV, mas, ainda não caiu nas graças do torcedor brasileiro. E, por favor, pessoal do rugby, não estou responsabilizando esse esporte pelo insucesso do projeto. 

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É só uma questão de “liga”. Mais ou menos como o futebol americano e o beisebol. Amados por Tio Sam, aqui, na terra do Zé Carioca, não é a mesma coisa. Não basta montar uma emissora, contratar profissionais renomados, criar o slogan “A rádio do seu esporte” e sair cobrindo competições que não despertam o menor interesse do ouvinte.

Um horário ruim compromete o próximo e a quebra de segmentação custa caro, ou seja, se reflete diretamente na queda de audiência. O investidor, acostumado com a moleza do mercado financeiro, quer resultados semelhantes. Costumo dizer que, no Brasil, os bancos podem errar no atacado que ainda ganham muito no varejo, tamanha a gordura que protege o corpo da instituição. Não há, em todo o mundo, mercado mais rentável para os bancos do que o nosso. Obtendo retorno financeiro muito menor do que o esperado, o parceiro dono do dinheiro começa a notar os primeiros sinais de que o casco tem infiltrações. Aí começam os remendos. Acontece que a tripulação, a esta altura, já não é a mesma do início e, incompetente, não consegue tapar os furos. Barco que faz água, afunda. É a lógica.

Hoje, dei uma ouvida, pois anuncia-se a nova fase da “Rádio do seu esporte”: música e informação. Você já ouviu isso em algum lugar, não ouviu? Pois é. No caso da Bradesco Esportes FM, que diz ter adotado o rock and roll como base musical, a fórmula denota indisfarçavelmente o remendo grotesco que está sendo feito com o barco em velocidade de cruzeiro.

A programação soa mais amadora do que nunca. Ressalto que a equipe de profissionais encarregada de tapar os buracos e “manter o pique” no ar, está fazendo o possível, mas não dá para escapar do fiasco. Não há identidade roqueira nem esportiva por parte da apresentação. Algo sempre fica dissociado. Por outro lado, ouvinte de rádio é “profissional”, calejado, exigente e não aceita menos por mais. Lamento pelos ouvintes de São Paulo e do Rio de Janeiro. A “nova programação” da Bradesco Esportes FM, transmitida em rede, tem tudo para desagradar aos dois grandes centros. Uma pena.

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Imagens: TitanicLogo Bandeirantes - Logo Bradesco Esportes FMZé CariocaLogo com sintonia

24 de novembro de 2013

E SE JOSÉ DIRCEU FOSSE O SUCESSOR DE LULA?

Uma pessoa inteligente pega um texto inteligente, enxerta trechos inteligentes no texto inteligente e desaparece no anonimato. Por quê? Atos dessa natureza, por mais bem urdidos que sejam, acabam enfraquecendo a ideia central, qual seja, a de enfraquecer o personagem focado no texto. Quando descobertos, funcionam como um tiro pela culatra.

O leitor minimamente cuidadoso há de se lembrar de ter lido a coluna de Nelson Motta no jornal o Estado de São Paulo, datada de 10 de agosto de 2012. Faz pouco  mais de um ano, mas é uma eternidade se formos levar em consideração a avalanche de informações que diariamente cai sobre o cidadão, principalmente em termos de Internet. Além das notícias em circulação, a gente recebe dezenas de e-mails contendo material de todo tipo, o que inclui artigos de famosos se posicionando a respeito de determinados assuntos. É muita coisa mesmo.

A despeito desse monumental volume de textos, charges, fotos, vídeos e muito mais compartilhados na rede, alguns ficam na memória e são relembrados facilmente quando vistos de novo, ainda que maquiados. Na rede, há muita maquiagem. O território livre e universal da web favorece esse tipo de coisa.

O músico *Fernando Gamma, porém, aproveitando o momentoso episódio da prisão dos mensaleiros Dirceu e companhia, relembrou aquela coluna de Nelson Motta, mencionada linhas acima, e acrescentou pontos de vista que a tornam ainda mais saborosa, além de atualíssima. O texto ganhou vitalidade e voltou a circular na web. Não vou sugerir o que pode estar (repito, pode estar) nas entrelinhas, com o acréscimo de Gamma, pois seria desprezar a capacidade de entendimento do leitor. Assim, reproduzo o texto para os amigos da rede esperando, sinceramente, que a leitura abra a porta da reflexão.

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“Se o mensalão não tivesse existido, ou se não fosse descoberto, ou se Roberto Jefferson não o denunciasse, muito provavelmente não seria Dilma, mas Zé Dirceu o ocupante do Palácio da Alvorada, de onde certamente nunca mais sairia. Roberto Jefferson tem todos os motivos para exigir seu crédito e nossa eterna gratidão por seu feito heróico: "Eu salvei o Brasil do Zé Dirceu". Em 2005, Dirceu dominava o governo e o PT, tinha Lula na mão, era o candidato natural à sua sucessão. E passaria como um trator sobre quem ousasse se opor à sua missão histórica. Sua companheira de armas Dilma Rousseff poderia ser, no máximo, sua chefe da Casa Civil, ou presidente da Petrobrás. Com uma campanha milionária comandada por João Santana, bancada por montanhas de recursos não contabilizados arrecadados pelo nosso Delúbio, e Lula com 85% de popularidade animando os palanques, massacraria Serra no primeiro turno e subiria a rampa do Planalto nos braços do povo, com o grito de guerra ecoando na esplanada: "Dirceu guerreiro/do povo brasileiro". Ufa!

A Jefferson também devemos a criação do termo "mensalão". Ele sabia que os pagamentos não eram mensais, mas a periodicidade era irrelevante. O importante era o dinheirão. Foi o seu instinto marqueteiro que o levou a cunhar o histórico apelido que popularizou a Ação Penal 470 e gerou a aviltante condição de "mensaleiro", que perseguirá para sempre até os eventuais absolvidos. O que poderia expressar melhor a idéia de uma conspiração para controlar o Estado com uma base parlamentar comprada com dinheiro público e sujo? Nem Nizan Guanaes, Duda Mendonça e Washington Olivetto, juntos, criariam uma marca mais forte e eficiente. Mas, antes de qualquer motivação política, a explosão do maior escândalo do Brasil moderno é fruto de um confronto pessoal, movido pelos instintos mais primitivos, entre Jefferson e Dirceu. Como Nina e Carminha da política, é a história de uma vingança suicida, uma metáfora da luta do mal contra o mal, num choque de titãs em que se confundem o épico e o patético, o trágico e o cômico, a coragem e a vilania. Feitos um para o outro.

 

O "chefe" sempre foi José Dirceu. Combativo, inteligente, universitário - não sei se completou o curso - fala vários idiomas, treinado em Cuba e na Antiga União Soviética, entre outras coisas. E com uma fé cega em implantar a Ditadura do Proletariado a "La Cuba". Para isso usou e abusou de várias pessoas e, a mais importante – pelos resultados alcançados - era Lula. Ignorante, iletrado, desonesto, sem ideais, mas um grande manipulador de pessoas, era o joguete ideal para o inspirado José Dirceu. Lula não tinha caráter nem ética, e até contava, entre risos, que sua família só comia carne quando seu irmão "roubava" mortadela no mercado onde trabalhava. Ou seja, o padrão ético era frágil. E ele, o Dirceu, que fizera tudo direitinho, estava na hora de colher os frutos e implantar seu sonho no país. Aí surgiu Roberto Jefferson... e deu no que deu.”

*Fernando Gamma é músico e mantém página no Facebook

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O registro da última coluna de Nelson Motta para o jornal O Estado de São Paulo é de 19 de abril deste ano. A coluna original está no link “Nina e Carminha em Brasília

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Imagens: Nelson MottaFernando Gamma

23 de novembro de 2013

PRISÃO DOS MENSALEIROS: O SHOW DEVE CONTINUAR

O humor, em todas as formas, é um dos melhores instrumentos de crítica moral, social, política, profissional, enfim, qualquer coisa. Feito com inteligência e sutileza, revela sem piedade e com justa razão, comportamentos completamente fora de propósito. É o caso dos mensaleiros, cuja “prisão” tem mostrado distorções passíveis das maiores críticas. Prisioneiros sendo tratados com cortesia e gentileza (sem algemas) não permitidas a delinquentes comuns. Dizem que a lei é igual para todos. Pode ser, mas algumas pessoas são mais iguais que outras. É o que os traços de *Moesio Fiuza revelam.

O show midiático resultante da ordem de prisão de José Dirceu, Genoíno, Delúbio e outros integrantes da gang é de alto custo. A estrutura montada para a prisão, policiais mobilizados, transporte (aviões para lá e para cá) acomodação dos detidos, tudo enfim, é pago com dinheiro do contribuinte. Dá para imaginar quando foi gasto até agora com toda a parafernália utilizada nesse show? Considerando-se que tudo está muito longe de acabar, dá até calafrios de pensar na “conta”. Falar em recuperar a grana desviada, ninguém fala.

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*Saiba mais de Moesio Fiuza

22 de novembro de 2013

COMANDANTE DA PM PAULISTA AMEAÇA PROCESSAR JORNALISTAS

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Chico Pinheiro e Rodrigo Bocardi insinuaram durante o telejornal Bom Dia Brasil, de ontem, 21 de novembro, que a PM só é eficiente quando recebe “agradinhos”. Após reportagem que abordou roubos praticados contra padarias em São Paulo, capital, e Bauru, no interior do estado, os apresentadores reclamaram da situação de insegurança. Nunca é demais lembrar que, nesta semana, uma padaria da Vila Matilde, na capital paulista, foi assaltada pela 50ª vez. Isso mesmo, 50 vezes; e não é expressão hiperbólica, mas espelha a dura realidade. Na troca de impressões Chico e Rodrigo mantiveram o seguinte diálogo:

Rodrigo Bocardi: “—Vai ver que os donos dessas padarias não estão dando o cafezinho e o pão com manteiga".

Chico Pinheiro: “—É, inclusive foi uma coisa seríssima né? Não é possível que esses estabelecimentos tenham que fazer agrados a policiais para que o trabalho funcione, isso não é tolerável, isso não é admissível".

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Em resumo, o “papo” foi esse. Tomando as dores da corporação, o comandante-geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Benedito Roberto Meira, quer processar os dois jornalistas, por difamação. Segundo ele, os comentários levianos foram uma desconsideração e atingem a credibilidade da polícia militar.

Separando ato por ato, os comentários de Chico Pinheiro e Rodrigo Bocardi espelham o que pensa a população de São Paulo. E não passou a pensar assim porque os dois jornalistas manifestaram, publicamente, a opinião deles. É voz corrente que a polícia tem especial cuidado no patrulhamento de determinadas regiões. Por coincidência, são aquelas em que podem ser vistas viaturas policiais estacionadas em frente de estabelecimentos comerciais. Um dos militares fica de guarda, fora da viatura, encostado na parede, enquanto os outros vão para o balcão e tomam café ou fazem refeições. Esta cena faz parte do cotidiano da cidade grande. Todos já a viram, com certeza.

Ninguém se atreve a dizer claramente o que Chico e Rodrigo tiveram a oportunidade de falar. Um cidadão de bem, se manifestar seu pensamento, apanha dos policiais e pode até ser baleado e morto sob o argumento de “resistência à prisão”, como costuma acontecer.

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Se o comandante não gostou do que foi dito, deve, primeiro, acabar com esse tipo de procedimento que dá asas à imaginação e, depois, cobrar eventuais comentários levianos que possam comprometer a honra da corporação policial militar. O que não pode é intimidar profissionais no exercício de sua função. Afinal, jornalistas são, também, porta-vozes dos anseios populares. E os jornalistas da Globo cumpriram com o papel que deles se espera.

A Polícia Militar, embora compreendamos a situação do comandante Benedito Roberto Meira, precisa ser transparente aos olhos do povo. Chega de abusos contra a população e, pior ainda, de tolerância com a criminalidade.

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Veja detalhes dos motivos que originaram o protesto da Polícia Militar. Clique no link “Comandante da PM de SP ameaça processar jornalistas da Globo

Conheça a padaria campeã de assaltos, na Vila Matilde, São Paulo, SP. Clique no link “Padaria na Zona Leste foi assaltada mais de 50 vezes, diz proprietário

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Fontes: http://televisao.uol.com.brhttp://www1.folha.uol.com.br / Imagens: Chico PinheiroRodrigo BocardiCom. Benedito R. MeiraRotina de assaltos

21 de novembro de 2013

AVANÇO TECNOLÓGICO DO RÁDIO DECRETA O FIM DO LOCUTOR

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Pensando sobre o futuro do rádio, obrigatoriamente sou levado a buscar no passado razões que determinaram o presente. Só depois de comparar ontem e hoje é possível fazer uma projeção sobre o rádio de amanhã. Lembro-me que em 16 de dezembro de 1988 fui a Santos/SP prestigiar uma nova turma de radialistas formados pelo Senac, entre eles, um sobrinho, Nelson Lamarca, hoje também jornalista. Eu já trabalhara em Santos, entre 1972 e 1977.

Além de mim, compareceu o então presidente do sindicato da categoria, *Francisco de Campos Pacheco Neto, o Chiquinho. Nós dois dirigimos algumas palavras aos novatos. Chiquinho fez referência ao fato de que no rádio não existe apenas o locutor, o personagem que “aparece” para o público. O que o rádio transmite é resultado do trabalho de uma grande equipe, na maioria das vezes anônima. Ela é que dá sustentação ao profissional que está no ar. Nesse sentido o setor administrativo, como um todo, é fundamental. Pensando nisso, não pude deixar de notar que, hoje, mais ainda que em 1988, praticamente todos que entram no rádio acabam sendo locutores. E a razão nem mesmo está ligada ao ego, como se poderia imaginar.

Para não voltarmos ao tempo em que o rádio dispunha de grandes elencos de artistas de radionovelas, orquestras e cantores, vamos recuar somente até os anos 1970 para traçarmos um paralelo com os dias atuais. Naquela época, o rádio tinha até zelador da torre de transmissão. Via de regra, ele também ligava e desligava o equipamento, no caso das emissoras que não operavam 24 horas. Aquelas que transmitiam diuturnamente, além do responsável pelas instalações da torre, tinham operadores do transmissor em turnos diários. Hoje, com o crescimento maciço do FM e o sistema de transmissão que dispensa os radiantes em terrenos úmidos, a torre e o transmissor geralmente ficam no mesmo prédio da rádio. Não existem mais o zelador nem os operadores de transmissor. Quando é preciso desligar ou alterar o sistema de transmissão, o próprio locutor, que também é operador, faz a manobra. Isto, se a operação não for computadorizada. 

No prédio da emissora, as equipes eram numerosas. Na central técnica da rádio Bandeirantes, por exemplo, havia 27 profissionais. Eles trabalhavam em equipes de 7 operadores por turno —às vezes até mais— atendendo à demanda de repórteres, setoristas, correspondentes e outros profissionais que atuavam no campo (fora da emissora) e que precisavam entrar no ar, ao vivo, ou gravar seus boletins para determinados horários. Todo o material era equalizado antes de gravar e editado antes de ir ao ar. Um trabalho exaustivo e que exigia muita dedicação do pessoal, para não haver furo. A foto que ilustra este post, porém, não é da Bandeirantes, mas da rádio portuguesa “EN”. A central do Morumbi era praticamente o dobro desta. Atualmente, talvez tenha a metade, ou menos do que a da foto.

Além desse pessoal, havia motoristas, produtores, redatores, repórteres, coordenadores, programadores, discotecários, operadores da mesa, auxiliares de produção, auxiliares de coordenação, fiscais de estúdio e um “pelotão” de office boys que davam suporte às equipes encarregando-se do trânsito do material interno da emissora, abastecendo os estúdios durante os programas não só jornalísticos, inclusive os musicais.

Nas redações não existe mais a figura do redator apenas. Ele é, ao mesmo tempo, redator, editor (inclusive de áudio) e, não raras vezes, vai para o estúdio e fala também. Foram limados, por baixo, três postos de trabalho. São as virtudes multiplataformas, entende? Os estúdios para produção comercial e de chamadas eram disputados e lotados. Naturalmente, exigiam mão de obra especializada. Pelo menos três equipes, de três pessoas: o técnico de gravação, o técnico de edição (na base da gilete e do splice) e o auxiliar. Hoje, sentado diante do computador um só profissional edita chamadas e comerciais, num único turno.

Na parte esportiva, havia os narradores, comentaristas, repórteres, plantonistas, rádio-escutas (no jornalismo diário também), produtores, redatores e equipe de 13 técnicos voltados para o setor. Na foto, Fiori Gigliotti narra jogo no Morumbi. O uso do “off tube” afastou o narrador dos estádios, cortou custos e mão de obra. As emissoras que, ainda hoje, se dedicam ao esporte e jornalismo conjuntamente mantêm departamentos distintos, mas, exatamente por serem as que ainda empregam, ditam regras e salários. Sobrecarregados, os funcionários trabalham em dobro ou triplo e ganham menos. Não se pode esquecer que, hoje, 80% dos cargos jornalísticos, esporte incluso, são ocupados por prestadores de serviços, ou seja, são Pessoas Jurídicas. Dão nota fiscal no fim do mês. Podem ser desligados a qualquer momento, sem ônus para o empregador.

Se, antes, o “batalhão” era de quatrocentas pessoas ou mais cobrindo todos os turnos e setores de uma emissora, hoje o quadro não passa de 50 ou 60 profissionais. Estou sendo otimista, pois na maioria das emissoras musicais esse número talvez não chegue a 20, incluídos cargos administrativos. E olhe lá.

Os Djs, por exemplo, operam a mesa, são discotecários, programadores, coordenam redes, disparam breaks comerciais e o que for preciso. Com isto, lá se foram para o espaço mais alguns cargos antes ocupados por diferentes profissionais. Antes que você imagine o contrário, não sou contra a modernização do rádio. O que eu quero demonstrar é que, paradoxalmente, a evolução tecnológica está reduzindo o mercado de trabalho. Em tempos de versatilidade digital, o profissional trabalha para Rádio, TV e Internet simultaneamente. Se quiser entrar ou permanecer no mercado, é claro.

Já de algum tempo, o padrão de locução vem se modificando. Tudo em nome da naturalidade. “Pessoas falam como pessoas, não como locutores”, dizem os esfuziantes e moderninhos diretores artísticos com ares de quem acabou de descobrir a pólvora. Então, hoje, qualquer pessoa faz locução. Qualquer uma mesmo. E se o ouvinte aceita isso, ele é quem manda. Ao constatar essa realidade, não pude deixar de me lembrar do alerta de Chiquinho, há quase 25 anos. Hoje todos querem ser locutores porque não há mais cargos disponíveis.

Vai chegar o dia em que os locutores serão desnecessários numa emissora. Há muito eles perderam o traço mais característico da função, que era o de identificar um prefixo e fortalecer o elo com o ouvinte. Pelas vozes, você sabia qual era a rádio sintonizada. Isso acabou. Agora, o ouvinte não se importa com quem está no ar. Ele ouve o que quer e parte para outra, digamos assim. O elo da audiência cativa se rompeu e só se fala de audiência rotativa. Pelo jeito, mais importante que a anterior, pois em nome dessa rotatividade, o rádio torra, sem constrangimento, a paciência do ouvinte que se atreve a ficar em sintonia.

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A mesma informação veiculada de manhã é repetida de tarde, de noite e, se abusar, até na madrugada seguinte. Novos tempos.

Em breve, uma voz sampleada e digitalizada nos mais diversos timbres vai “falar” com o ouvinte. Se é que haverá “ouvinte”. Nos termos que a gente conhece, pelo menos.

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*Identificado pelo Sindicato dos Radialistas de São Paulo/SP / Imagens: Rádio antigoTorre e casaRedatoresCentral TécnicaFiori GigliottiDJ no arElo partido - Montagem, Alguém aí?

Assessoria: Nelson Lamarca e Luciano Amaral

19 de novembro de 2013

A TRADICIONAL ANTENA DE TELEVISÃO VAI SUMIR DOS TELHADOS

As velhas e conhecidas antenas de TV estão com os dias contados. Existirá uma sobrevida às parabólicas, comuns nas regiões mais distantes dos grandes centros, onde os cabos e a fibra ótica ainda não chegaram por uma questão de custo.

Nesses locais, deve sobressair o sistema semelhante à Sky e DirecTV cuja tecnologia dispensa cabos e recebe sinal de satélite através das pequenas parabólicas codificadas. Razões mercadológicas e promocionais farão a diferença entre as concorrentes Net, Vivo, Claro, Oi, Vivo, GVT e demais, mas o certo é que as TVs por assinatura vão prevalecer sobre o sistema convencional de captação por antenas. O apagão analógico, ainda previsto para 2015, mas pode atrasar, acabará de vez com as antenas tubulares.

Com a digitalização, que na TV segue avançando, haverá cada vez mais serviços interativos oferecidos ao assinante. O mais recente levantamento da Anatel—Agência Nacional de Telecomunicações, revela que existem 55 milhões e 700 mil assinantes em todo o país; o número está em franco crescimento. Deixando de lado as vantagens adicionais da TV digital, que também custam pagamentos adicionais (pay per view, on demand e outros) o fato é que depois de experimentar som e imagem de ótima qualidade não dá mais para ver imagem captada por antena comum.

Está na hora, pois, de se reestudar a exibição de comerciais nos canais fechados. Hoje, em alguns deles, os intervalos exigem muita paciência do assinante para terminar de assistir algum filme ou programa. Um abuso que já deveria estar no rol das providências urgentes da Anatel. Por enquanto, ela só está fazendo a contagem do número de assinantes. É preciso fazer mais como, por exemplo, defender os interesses de quem paga para fugir dos conhecidos inconvenientes da TV aberta e, agora, mesmo arcando com mensalidades salgadas, começa a ter cada vez mais problemas para se livrar da propaganda excessiva.

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Veja no link “TV paga chega a 56 milhões, mas perde velocidade de crescimento

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Imagens: Antena tradicionalSkyServiçosIntervalos comerciais

VEM AÍ O BLACK FRIDAY. ANTES DE COMEMORAR VAMOS PENSAR

Amigos da rede, eu andei muito entusiasmado com a minha sorte. Como se não bastassem os avisos diários de que ganhei somas inacreditáveis, mesmo sem ter jogado em nenhuma loteria (é muita sorte, não é?), agora outra nuvem resolveu chover em minha horta. Acabei me convencendo de que minha fada madrinha pirou de vez e quer me ver maluco de felicidade. Só pode ser.

De repente, passei a receber ofertas de dinheiro para comprar o que eu quiser. Uns, me oferecendo míseros 30 reais. Outros, mais generosos, dando 200 reais. Teve um doido (deve ser muito fã meu) que me deu 990 reais para eu comprar o que quiser na loja virtual dele. Todos demonstram total confiança em mim. Basta que eu compre qualquer produto e use o dinheiro que me deram.

Para funcionar, tem que ser assim: eu compro alguma coisa de, digamos, 300 reais e uso os 30 para abater em minha dívida. Um espetáculo. E todos os demais descontos seguem o mesmo mecanismo. Fantástico!

Mas, espere! —como diziam os antigos anúncios das facas Ginsu— o melhor de tudo são os descontos porcentuais na compra de vários artigos. Até 70% OFF (como eles gostam de chamar descontos) só para eu comprar nas lojas deles. Esse pessoal nem me conhece direito e gosta de mim a ponto de me oferecer coisas assim. Que gente boa!

Nesta segunda-feira, resolvi calcular os descontos porcentuais que eu poderia obter, além dos valores pré-fixados que me concederam nas várias lojas boazinhas: a soma deu incríveis 3.780 reais. Para atingir o total, eu só precisaria gastar uns 30 mil reais. É ou não é para aproveitar essa moleza? Afinal, dezembro está chegando e Papai Noel entra em cartaz, em breve.

Munido de caneta e papel, comecei a pesquisar ofertas de coisas que hipoteticamente eu poderia comprar. Foi quando descobri uma coisinha elementar. Fazendo comparações de preços, nesses sites de buscas (tipo Buscapé) fui vendo que um par de tênis que, por aí, custa de 250 a 270 reais, é oferecido, nos sites que me dão descontos, por valores que oscilam entre 400 e 500 reais. Os demais produtos, de roupa a eletroeletrônicos, seguem a curiosa tendência de custarem muito mais do que o preço de mercado. Mesmo com os “fabulosos” descontos a gente vai acabar gastando uma nota preta. black_friday_2013

Comecei a ficar meio desconfortável. Mas como? A bondade não passa de isca para pescar distraídos ou gente, como eu, que acredita ser bafejado pela sorte? Não, não pode ser! Então, me lembrei que no próximo dia 29 haverá o “Black Friday”, aquele dia de descontos “monstruosos” para renovar estoques.

Você se lembra do ano passado? Produtos anunciados por 2.100 reais eram vendidos por apenas 1.300. Em alguns casos, o preço normal ultrapassava a 5.000 reais, mas com o “descontão” era reduzido para algo em torno de 2.500. Tanta generosidade, faria Narcisa Tamborindeguy exclamar “ai, que loucura!”

O problema é que um dia antes, o mesmo produto era vendido naquela mesma loja por… adivinha… 2.500 reais. O cliente pagava o mesmo preço do dia anterior, que não era o “Black Friday”. Ou seja, o preço “normal” anunciado era falso e o desconto não existia. Típica propaganda enganosa que este ano deve prejudicar a promoção. Afinal, até os mais crédulos, como eu, uma hora descobrem que esse negócio de sorte exagerada e vantagens absurdas deve ser tratado com muito cuidado. Pensando bem, acho que minha sorte não anda lá essas coisas…

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 Imagens: Trevo - Facas Ginsu - Montagem Black Friday frame 1frame 2Narcisa -

18 de novembro de 2013

SILVIO SANTOS X SBT NOTÍCIAS: COMO ERA DE SE ESPERAR O HOMEM MANDOU PARAR

*Atualização, às 19h40: veja, abaixo

** Nova atualização, 19h24, de 19 de novembro de 2013

A gente lamenta a falta de visão artística de Silvio Santos, dono do SBT. O maior apresentador de programas de auditório, de todos os tempos (e ainda hoje), desde o advento da televisão no Brasil, não revela o mesmo talento no comando artístico da emissora. Age feito doidivanas e coloca em risco o maior patrimônio da empresa, seus profissionais. O jeito inconsequente de Silvio, mais uma vez, deu com os burros n’água. A vítima da vez era bola cantada desde o início, o SBT Notícias. O jornalístico deixa a grade de programação da emissora a partir desta segunda-feira, dia 18 de novembro. Um desgaste desnecessário. Não apenas para a imagem institucional da emissora, mas, principalmente, neste caso, para Marcelo Parada, diretor de jornalismo da casa; para Neila Medeiros, apresentadora que veio de Brasília onde era querida e respeitada, e as demais pessoas da equipe. É quase certo que haverá cortes. O “furacão” Silvio Santos, mais uma vez, provoca estragos de monta contra o próprio negócio. Aos oitenta e tantos anos, já deveria ter percebido que misturar alhos com bugalhos, definitivamente, não dá certo. Sorte dele que não precisa prestar contas para o patrão, mas ao telespectador, Silvio Santos deve respeitar acima de tudo. Não dá para ficar brincando de fazer televisão, abusando da paciência de quem está do outro lado da telinha.

*Hoje, no horário, o substituto do SBT Notícias é o seriado “Eu, a patroa e as crianças”, mas já existe um movimento, na web, pedindo a volta de “Chaves”. Não dá para apostar em nada, pois da cabeça de Silvio Santos é melhor não esperar boa coisa.

** Como era especulado, 21 profissionais que integrava a equipe do extinto SBT Notícias serão dispensados no final do mês. Neila Medeiros deve ser mantida na emissora, à espera de outro projeto. A experiência mal sucedida deve exigir algum tempo até que ela volte a “botar a cara na tela”. Veja no link “SBT demite funcionários do SBT Notícias, extinto por Silvio Santos

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Mais informações no link “Com baixa audiência, Silvio Santos tira o telejornal "SBT Notícias" do ar

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Fonte: Flávio Ricco http://televisao.uol.com.br – Imagem: Silvio Santos

EXUMAÇÃO DE JANGO: PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA VIRA SHOW DE HUMOR NEGRO

fiasco_jangoDesenterrar o passado, de olho no futuro. A fórmula “maquinada” pela ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, pode ter sido um belo tiro pela culatra. Em manobra de fundo nitidamente eleiçoeiro a ministra tinha em mente fazer um certo estardalhaço e capitalizar espaço na mídia. Objetivo: lançar o próprio nome ao Senado, em 2014. Ela nega, mas os indícios apontam claramente para isso. O espaço pretendido a ministra ganhou, mas com o desenrolar do “espetáculo”, a exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart (Jango, deposto pelo golpe militar de 31 de março de 1964) se transformou em grotesco show de humor negro. Tudo pago com verba pública. O fiasco está na rede. Alertado por e-mail do jornalista Moacir Japiassu, bastou um “google” para encontrar detalhes. O link “Desenterraram dois corpos errados antes de chegar ao de Jango; Maria do Rosário montou um palanque em São Borja; até empresa de eventos foi contratada” conduz ao blog de Reinaldo Azevedo, de Veja, e traz o texto do jornalista gaúcho Políbio Braga sobre o assunto. 

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Fontes: Moacir Japiassu - http://veja.abril.com.br / Imagem: Exumação

16 de novembro de 2013

MENSALEIROS: A HORA DOS INDIGNADOS TORNA O FERIADÃO AINDA MAIS APRAZÍVEL

gestos_comunistasFim de semana do mais alto lazer para os brasileiros. Se não bastasse a coincidência do feriado de 15 de novembro com a sexta-feira, prolongando o fim de semana, o país comemora também a prisão dos mensaleiros. Ainda que temporária e, até, sujeita a reviravoltas, pois é possível se esperar tudo, o que vale é o gostinho de ver os quadrilheiros passarem pelo vexame moral de serem conduzidos à prisão. No entanto, os “escolados” cabeças dos acusados usaram gestos comunistas para caracterizar o ato como sendo político. Agindo dessa forma, procuram desqualificar o crime de corrupção e formação de quadrilha, para se transformar em vítimas ideológicas, pobres coitados. Como as nuvens, que tentam ofuscar o brilho do sol, sem sucesso, militantes “indignados” formam o coro do desagravo. O que só aumenta a felicidade geral da nação. Historicamente, já tivemos o Dia do Fico, quando D. Pedro I, em 9 de janeiro de 1822, respondendo aos anseios nacionais proclamou a célebre frase: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, digam ao povo que fico”. Era a semente da Independência, lançada no solo da liberdade, que iria florir em 7 de setembro daquele mesmo ano. joaquim_deodoroO próximo passo, seria dado quase sete décadas depois, pelo Marechal Deodoro da Fonseca, com a proclamação da república, em 15 de novembro de 1889. 

Quem sabe, agora, o Supremo Tribunal Federal, através de seu presidente, o ministro Joaquim Barbosa, esteja escrevendo uma nova página na História brasileira decretando: “se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, botem os canalhas na prisão”. Coincidentemente —ou não?— no dia 15 de novembro, data da proclamação da república. Simbologia por simbologia, sou mais esta.

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Agora são 11 os mensaleiros presos. Veja no link “Delúbio Soares se entrega à Polícia Federal em Brasília

Pelo sim, pelo não ex-diretor do Banco do Brasil deu no pé há pelo menos 45 dias. Veja no link “Pizzolato foge para a Itália e diz que apelará por novo julgamento

A simbologia do punho fechado e braço levantado, no link “PERGUNTAR NÃO OFENDE: sobre o punho levantado de José Dirceu, rumo à carceragem

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Imagens: GenoinoDirceuCharge Joaquim Barbosa

14 de novembro de 2013

ANA PAULA OLIVEIRA ME FEZ “INCORPORAR” JOEL SANTANA

Honestamente, às vezes, só mesmo partindo para a gozação, no bom e conhecido estilo de Joel Santana.

No dia 11 passado, estive no lançamento do livro de Milton Neves, “o jornalista esportivo mais polêmico do Brasil”, como ele mesmo se intitula. Entrei na fila do gargarejo, puxei cerca de 50 minutos (pareceram muitos mais) ziguezagueando naqueles balaústres com fitas que “organizam” filas e, pacientemente, aguardei minha vez. Como era natural, entre uma folheada e outra, do livro, batia os olhos, também, nas pessoas presentes à noite de autógrafos. Havia muita gente em circulação. Portanto, parado na fila, não faltava o que olhar.

Numa dessas, vi Ana Paula Oliveira sendo entrevistada pelo repórter-humorista —ou seria o contrário?— Felipe Andreoli, do CQC, atração da Band. Ela estava simplesmente arrasadora, sob a luz da câmera. Impossível não notar. Eu e mais dezenas de pessoas que, aglomeradas, também acompanhavam a entrevista. Assim, fechei o livro e fiquei espiando, de longe, no meio da fila serpenteante, o visual da entrevistada. Aquela, era a primeira vez que eu me deparava com Ana Paula, “ao vivo”. E pensava “aonde ela foi parar?”, pois fazia algum tempo que não a via.

Se não estou enganado, a última vez foi na festa de despedida do goleiro Marcos, do Palmeiras, jogo transmitido pela TV. Ana Paula Oliveira foi “escalada” para aquela partida. As aspas, naturalmente, são brincalhonas, pois alguém me disse, na fila, que Ana Paula Oliveira não pertence mais aos quadros oficiais de arbitragem e não poderia ser escalada. Acredito que tenha sido escolhida pelo próprio Marcos para o jogo-despedida.

Acabou a entrevista, Ana Paula desapareceu e continuei a ler trechos do livro e ver as fotos que o ilustram. Chegou minha vez, Milton Neves autografou meu exemplar. Depois, André Rosemberg —o jornalista que escreveu, de fato, a biografia— também assinou e me afastei da mesa de autógrafos. Não sem antes, derrubar uma taça de champanhe que alguém deixou na beira da mesa. Ao pegar o livro de volta, das mãos de André, bati na taça e escutei o barulho dela se espatifando no chão. Fiquei mais um pouco no ambiente, conversei com algumas pessoas e fui embora.

No dia seguinte, véspera do jogo Vitória X Cruzeiro, ao digitar no Google algo sobre a partida, um dos links apontou a TV Alterosa, de Belo Horizonte, Minas Gerais. Cliquei e dei de cara com Ana Paula Oliveira. Eu não sabia que ela estava por lá. Em seguida, localizei o site oficial, o Twitter e o Facebook de Ana Paula.

site_ana_paula

No Twitter, cliquei para me tornar mais um dos quase 19 mil seguidores que ela tem. Para minha surpresa, algum tempo depois, recebi uma mensagem, provavelmente automática, indicando que ela passava também a me seguir.

Eu contei tudo isso para dizer o seguinte: o pessoal do Twitter tenta organizar grupos por afinidades pessoais, profissionais e artísticas ou de pessoas interessadas na mesma área e mesmos assuntos. Este é o ponto. Acabo de receber do Twitter uma sugestão que, me fez dar uma boa gargalhada. Você vai concordar comigo, certamente. Veja a reprodução, abaixo:

twitter_para_mim

Depois de ler a mensagem, não pude deixar de me lembrar de Joel Santana e, “incorporado” tasquei um sonoro: “Pô, you tá de brinqueichon uite me, cara?”

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Onde encontrar Ana Paula Oliveira: TV Alterosa - SiteTwitterFacebook / Imagens: Capa livro - Trio de arbitragem - Capa site Ana Paula – Montagem com elementos próprios do Twitter - Joel Santana -