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25 de novembro de 2013

A RÁDIO DO SEU ESPORTE É TUDO. MENOS A RÁDIO DO SEU ESPORTE

O que leva uma emissora que tem muito “lastro” e expertise, além de prestígio e fama no setor esportivo, a projetar um navio-piloto que vai à pique cerca de um ano e meio depois de lançada às águas, em vez de navegar em mar de almirante? Erro na escolha da rota? Equívoco na leitura da carta de correntes marítimas? Ou o pessoal da meteorologia se enganou e leu às avessas as condições do tempo, levando a embarcação rumo a tempestades em alto mar, em vez de águas tranquilas? É possível, sim, que tenha havido algum tropeço no planejamento. Talvez o mais provável, tenha sido apostar as fichas nas duas grandes empresas ligadas ao empreendimento. Olhando para o próprio umbigo, foram convencidas de que bastaria pronunciar seus nomes, como se fossem palavras mágicas, e o mundo dos negócios embarcaria nessa, sem questionamentos.

Você já percebeu que falo da Bradesco Esportes FM, projeto conjunto do banco Bradesco e do Grupo Bandeirantes de Comunicação. No papel, uma grandeza de assustar. Na prática, o navio seguro se revelou um Titanic. O iceberg não tardaria a cruzar o caminho do gigante, muito antes do previsto para a embarcação chegar ao porto de destino, a Copa do Mundo de 2014. E, claro, depois da parada para reabastecimento, a próxima etapa seriam os Jogos Olímpicos de 2016.

Grandes nomes foram contratados. Em termos de custo, tudo é proporcional. Não vou citar nomes pois todos são por demais conhecidos do mercado e do grande público esportivo. Mas a tripulação, composta de superstars, revelou-se incapaz de pegar no pesado e manter o gigante singrando os mares revoltos e concorridos do segmento esportivo. A pretensão de uma emissora 24 horas só com esporte, virou pesadelo. Cobrir o quê? Tudo ou só o que interessa? Tá bom, só o que interessa, mas o quê interessa? Os artistas, digo, os tripulantes, se contrariados, poderiam partir para um motim. Cada qual acreditava que a sua especialidade era a melhor, a mais bonita, a mais interessante para o ouvinte. Uma situação difícil de administrar. Tanto mais quando se trata de uma tripulação de tal envergadura. Um desafio para qualquer capitão que não estivesse habituado aos sete mares. Ah, o canto da sereia também conta. E ilude, como se sabe.

Isto posto, tome exageros. Rugby, por exemplo, é engraçadinho nos comerciais de TV, mas, ainda não caiu nas graças do torcedor brasileiro. E, por favor, pessoal do rugby, não estou responsabilizando esse esporte pelo insucesso do projeto. 

ze_carioca

É só uma questão de “liga”. Mais ou menos como o futebol americano e o beisebol. Amados por Tio Sam, aqui, na terra do Zé Carioca, não é a mesma coisa. Não basta montar uma emissora, contratar profissionais renomados, criar o slogan “A rádio do seu esporte” e sair cobrindo competições que não despertam o menor interesse do ouvinte.

Um horário ruim compromete o próximo e a quebra de segmentação custa caro, ou seja, se reflete diretamente na queda de audiência. O investidor, acostumado com a moleza do mercado financeiro, quer resultados semelhantes. Costumo dizer que, no Brasil, os bancos podem errar no atacado que ainda ganham muito no varejo, tamanha a gordura que protege o corpo da instituição. Não há, em todo o mundo, mercado mais rentável para os bancos do que o nosso. Obtendo retorno financeiro muito menor do que o esperado, o parceiro dono do dinheiro começa a notar os primeiros sinais de que o casco tem infiltrações. Aí começam os remendos. Acontece que a tripulação, a esta altura, já não é a mesma do início e, incompetente, não consegue tapar os furos. Barco que faz água, afunda. É a lógica.

Hoje, dei uma ouvida, pois anuncia-se a nova fase da “Rádio do seu esporte”: música e informação. Você já ouviu isso em algum lugar, não ouviu? Pois é. No caso da Bradesco Esportes FM, que diz ter adotado o rock and roll como base musical, a fórmula denota indisfarçavelmente o remendo grotesco que está sendo feito com o barco em velocidade de cruzeiro.

A programação soa mais amadora do que nunca. Ressalto que a equipe de profissionais encarregada de tapar os buracos e “manter o pique” no ar, está fazendo o possível, mas não dá para escapar do fiasco. Não há identidade roqueira nem esportiva por parte da apresentação. Algo sempre fica dissociado. Por outro lado, ouvinte de rádio é “profissional”, calejado, exigente e não aceita menos por mais. Lamento pelos ouvintes de São Paulo e do Rio de Janeiro. A “nova programação” da Bradesco Esportes FM, transmitida em rede, tem tudo para desagradar aos dois grandes centros. Uma pena.

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Imagens: TitanicLogo Bandeirantes - Logo Bradesco Esportes FMZé CariocaLogo com sintonia