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24 de novembro de 2013

E SE JOSÉ DIRCEU FOSSE O SUCESSOR DE LULA?

Uma pessoa inteligente pega um texto inteligente, enxerta trechos inteligentes no texto inteligente e desaparece no anonimato. Por quê? Atos dessa natureza, por mais bem urdidos que sejam, acabam enfraquecendo a ideia central, qual seja, a de enfraquecer o personagem focado no texto. Quando descobertos, funcionam como um tiro pela culatra.

O leitor minimamente cuidadoso há de se lembrar de ter lido a coluna de Nelson Motta no jornal o Estado de São Paulo, datada de 10 de agosto de 2012. Faz pouco  mais de um ano, mas é uma eternidade se formos levar em consideração a avalanche de informações que diariamente cai sobre o cidadão, principalmente em termos de Internet. Além das notícias em circulação, a gente recebe dezenas de e-mails contendo material de todo tipo, o que inclui artigos de famosos se posicionando a respeito de determinados assuntos. É muita coisa mesmo.

A despeito desse monumental volume de textos, charges, fotos, vídeos e muito mais compartilhados na rede, alguns ficam na memória e são relembrados facilmente quando vistos de novo, ainda que maquiados. Na rede, há muita maquiagem. O território livre e universal da web favorece esse tipo de coisa.

O músico *Fernando Gamma, porém, aproveitando o momentoso episódio da prisão dos mensaleiros Dirceu e companhia, relembrou aquela coluna de Nelson Motta, mencionada linhas acima, e acrescentou pontos de vista que a tornam ainda mais saborosa, além de atualíssima. O texto ganhou vitalidade e voltou a circular na web. Não vou sugerir o que pode estar (repito, pode estar) nas entrelinhas, com o acréscimo de Gamma, pois seria desprezar a capacidade de entendimento do leitor. Assim, reproduzo o texto para os amigos da rede esperando, sinceramente, que a leitura abra a porta da reflexão.

fernando_gamma

“Se o mensalão não tivesse existido, ou se não fosse descoberto, ou se Roberto Jefferson não o denunciasse, muito provavelmente não seria Dilma, mas Zé Dirceu o ocupante do Palácio da Alvorada, de onde certamente nunca mais sairia. Roberto Jefferson tem todos os motivos para exigir seu crédito e nossa eterna gratidão por seu feito heróico: "Eu salvei o Brasil do Zé Dirceu". Em 2005, Dirceu dominava o governo e o PT, tinha Lula na mão, era o candidato natural à sua sucessão. E passaria como um trator sobre quem ousasse se opor à sua missão histórica. Sua companheira de armas Dilma Rousseff poderia ser, no máximo, sua chefe da Casa Civil, ou presidente da Petrobrás. Com uma campanha milionária comandada por João Santana, bancada por montanhas de recursos não contabilizados arrecadados pelo nosso Delúbio, e Lula com 85% de popularidade animando os palanques, massacraria Serra no primeiro turno e subiria a rampa do Planalto nos braços do povo, com o grito de guerra ecoando na esplanada: "Dirceu guerreiro/do povo brasileiro". Ufa!

A Jefferson também devemos a criação do termo "mensalão". Ele sabia que os pagamentos não eram mensais, mas a periodicidade era irrelevante. O importante era o dinheirão. Foi o seu instinto marqueteiro que o levou a cunhar o histórico apelido que popularizou a Ação Penal 470 e gerou a aviltante condição de "mensaleiro", que perseguirá para sempre até os eventuais absolvidos. O que poderia expressar melhor a idéia de uma conspiração para controlar o Estado com uma base parlamentar comprada com dinheiro público e sujo? Nem Nizan Guanaes, Duda Mendonça e Washington Olivetto, juntos, criariam uma marca mais forte e eficiente. Mas, antes de qualquer motivação política, a explosão do maior escândalo do Brasil moderno é fruto de um confronto pessoal, movido pelos instintos mais primitivos, entre Jefferson e Dirceu. Como Nina e Carminha da política, é a história de uma vingança suicida, uma metáfora da luta do mal contra o mal, num choque de titãs em que se confundem o épico e o patético, o trágico e o cômico, a coragem e a vilania. Feitos um para o outro.

 

O "chefe" sempre foi José Dirceu. Combativo, inteligente, universitário - não sei se completou o curso - fala vários idiomas, treinado em Cuba e na Antiga União Soviética, entre outras coisas. E com uma fé cega em implantar a Ditadura do Proletariado a "La Cuba". Para isso usou e abusou de várias pessoas e, a mais importante – pelos resultados alcançados - era Lula. Ignorante, iletrado, desonesto, sem ideais, mas um grande manipulador de pessoas, era o joguete ideal para o inspirado José Dirceu. Lula não tinha caráter nem ética, e até contava, entre risos, que sua família só comia carne quando seu irmão "roubava" mortadela no mercado onde trabalhava. Ou seja, o padrão ético era frágil. E ele, o Dirceu, que fizera tudo direitinho, estava na hora de colher os frutos e implantar seu sonho no país. Aí surgiu Roberto Jefferson... e deu no que deu.”

*Fernando Gamma é músico e mantém página no Facebook

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O registro da última coluna de Nelson Motta para o jornal O Estado de São Paulo é de 19 de abril deste ano. A coluna original está no link “Nina e Carminha em Brasília

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Imagens: Nelson MottaFernando Gamma