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3 de dezembro de 2013

SOMBRAS À LUZ DA MEMÓRIA

Depois de escrever o post sobre a morte do grande jogador de futebol, Pedro Rocha, passei um tempo pensando. E, como se estivesse num cinema, rolaram imagens de fatos que compartilhei com amigos, colegas e colaboradores ao longo de 45 anos e meio no rádio e na TV. Vi muitos rostos nítidos e pelo menos uma dúzia de sombras. Elas me intrigam. É óbvio que as faces bem delineadas guardadas na memória significam que tenho lembranças inesquecíveis. E, de tão vivas, quase posso tocar cada uma. Se não soubesse que são, apenas, projeções mentais, eu seria capaz de conversar com elas.

Fiquei feliz por identificar tanta gente querida que fez parte dessa trajetória, e ainda faz, mesmo que em lembranças apenas. Muitas já partiram. É a marcha inexorável do tempo. Tempo que tem sido camarada comigo, não apenas por me preservar a vida (e já escapei de boa!), mas, também, porque tem me permitido cultivar as melhores lembranças que alguém pode ter em relação ao trabalho, aos amigos, parceiros e companheiros de jornada. Note que me limito ao plano profissional. O âmbito familiar, que prezo igualmente, não vem ao caso agora.

Voltando ao tema central, o que fazem as sombras no filme guardado em meu relicário? A primeira hipótese foi a de imaginar que seriam os desafetos feitos ao longo dos anos. Quem não os tem? Descartei essa possibilidade, imediatamente, pois conheço bem meus “inimigos”. E, para falar a verdade, não passam de três ou quatro. Se tanto. Gente poderosa e, na mesma medida, rancorosa. Para gente assim, nunca me curvei. E talvez pague o preço da “ousadia”, ainda hoje.

Sempre segui à risca, o pensamento atribuído a *Jefferson Davis, único presidente dos Estados Confederados da América. Davis teria como lema “não ser arrogante com os humildes nem humilde com os arrogantes”. Meu temperamento explosivo tornava mais difícil contar até dez, mas quando se tratava de gente mais simples que eu, ainda que aos tropeços, eu abria a contagem. Nessa condição, posso ter perdido o controle algumas vezes, mas com todas as pessoas, passado o calor do momento, fui me desculpar. E mantivemos, depois, um relacionamento profissional mais amistoso e cordial que antes. A explosão serviu para nos aproximar com respeito mútuo.

sol_a_pino

Minha franqueza, porém, ainda me causa problemas; sempre digo que “você jamais vai levar de mim um tapinha enganoso nas costas, se o caso requer um murro no nariz”. Retoricamente, é claro, eu dou o murro, nunca o tapinha. Para muita gente, a sinceridade é insuportável.

Seriam elas as sombras? Podem ser. Sombras são subprodutos da luz e, como tais, valem-se da matéria iluminada para se projetar e serem notadas. É possível que uma delas esteja bem perto de você neste momento. Previna-se. Brilhe intensamente. Como o sol a pino que não permite sombras.

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Imagens: ProjetorO tempo - Jefferson Davis - Sol a pino, adaptação -