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21 de fevereiro de 2014

O RÁDIO MODERNO FALA COM ELE MESMO. QUEM AGUENTA? SOCORRO, ZANCOPÉ SIMÕES

O que é preciso para que um programa de rádio obtenha sucesso? A pergunta, simples, exige um verdadeiro quebra-cabeças para encontrar a resposta. E, invariavelmente, não se consegue chegar a bom resultado. Se não fosse assim, todo programa faria sucesso. Aliás, a fórmula do sucesso não existe. O que existe, isto sim, é uma série de normas e procedimentos que podem contribuir para o êxito de qualquer empreendimento, inclusive um programa de rádio. Mesmo assim, nada é garantido.

Como toda teoria na prática é outra, parece que certos diretores de emissoras não acreditam na premissa acima e acham que qualquer coisa oferecida ao ouvinte vai emplacar. Para eles, o que interessa é “quanto a coisa vai render em propaganda”. Muitas vezes, quando descobrem o engano, é tarde. O ouvinte já migrou para outro prefixo, em busca daquilo que deseja ouvir ou que o satisfaça.

Nesta sexta-feira, dei uma passada geral nas emissoras de AM e algumas de FM. Confesso que, na condição de ouvinte, fiquei desanimado. As rádios mais populares cumprem bem seu papel de entretenimento, mas do ponto de vista informativo são uma lástima. Dirão alguns que não é função dessas emissoras informar. A tarefa compete às rádios hard news, tipo CBN e BandNews, além de Bandeirantes, Pan e Estadão, por exemplo, emissoras de São Paulo, capital, de onde escrevo. Eu não penso dessa forma, porém reconheço que sou voz solitária na imensidão do deserto. Para mim, tanto as rádios populares precisam ter um bom jornalismo como as rádios jornalísticas precisam saber “falar” com sua audiência.

No segmento popular, considero um desrespeito ao ouvinte o raciocínio de que “o povo é burro e não quer saber de informação”. No segmento jornalístico, é presunçoso e arrogante o comportamento predominante baseado na hipótese de que “ouve notícia quem não está a fim de se distrair”. Ambos os pensamentos estão baseados em formulações equivocadas, mas a segunda interpretação é mais danosa para a emissora. Ela agride a dignidade, a inteligência e a sensibilidade do ouvinte, de uma só vez.

Uma dupla de jornalistas-apresentadores, em grande emissora, tentava, nesta sexta-feira, dia 21 de fevereiro, “levar um papo descontraído” com um “chef” de cozinha, cuja especialidade é comida para ser consumida nas ruas. Era indisfarçável o deslocamento da dupla; pouco afeita ao tema, conduziu a entrevista de maneira titubeante. Na possível tentativa de dourar a pílula, um dos apresentadores insistia na denominação “chef” para identificar o entrevistado. Até que o próprio se declarou cozinheiro e fim de papo. Afinal, qual é o problema em ser cozinheiro? Uma profissão honrada e que não é para qualquer um, muito pelo contrário. Exige talento culinário, determinação e conhecimento do assunto. Mas o ponto não é este. Refiro-me ao fato de que a tentativa de revestir o entrevistado de um falso glamour soou, para o ouvinte exatamente o que era, falsa.

O apresentador deve ter pensado que se identificasse o entrevistado como cozinheiro a entrevista perderia o valor. Então, tascou “chef”, muito mais chic. Típico papo de enganar trouxa. E, não sendo trouxa, é claro que em situações semelhantes o ouvinte cai fora, muda de estação. Mas não é só isso. Há um notório distanciamento dos interesses populares na pauta de muitos programas. Como um conjunto de blues convidado a participar do programa que ouvi. Eu disse blues, sim. A uma semana do Carnaval, em ano de Copa do Mundo, que tal atacar de blues? Pega bem, não? Nada contra o estilo, mas, convenhamos, inteiramente dissociado do gosto do brasileiro comum e fora do contexto para a época. Em outro horário, talvez, mas, não, o ouvinte que se lixe, não é? E a dupla continuou falando para ela mesma, até o programa terminar.

zancope O rádio atual está um caso sério. Que saudade de Zancopé Simões, por exemplo, o apresentador demitido pela Bandeirantes, no ano passado, por contenção de despesas (tava ganhando muuuiiitooo, hein véio?). Comandante do “Bandeirantes a Caminho do Sol”, durante a madrugada, o grande Zanca conduzia o programa falando como qualquer pessoa do povo, para a parcela do povo ao qual o programa se destinava. Profissional de raro talento, sempre soube das coisas. Estava quilômetros à frente, mas fazia questão de caminhar ao lado do ouvinte. Um mérito particular, difícil de ser encontrado por aí. O que se ouve é mais ou menos a mesma coisa que descrevi acima, em todas as emissoras jornalísticas. Está faltando um toque de empatia e simplicidade a essa gente. Não dá para continuarem imaginando (e tentando demonstrar) que estão vários níveis acima do “reles ouvinte”. Depois dizem que o rádio ficou pobre. Pobre de ouvinte, naturalmente. Desse jeito, não tem como não ficar. 

A propósito, muitos leitores me perguntam sobre o paradeiro de Zancopé Simões. O amigo Rodney Brocanelli, colunista especializado em rádio, me diz que Zancopé apresenta, eventualmente, o programa “Gente que Fala”, na rádio Trianon, ao meio-dia. Habitualmente o programa é apresentado por Liliane Ventura, mas, de vez em quando Zancopé participa. Para quem quiser saber mais do colega, recomendo uma entrevista que o próprio Rodney fez com o radialista. Clique no link “Radioamantes no Ar entrevista Zancopé Simões”. Uma ótima oportunidade para matar saudade.

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Para quem quiser acessar a rádio Trianon, pela web, o endereço é http://new.radiotrianon.com.br/ No rádio, a sintonia é 730 KHZ – AM

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Imagens: No Ar  /  Dial  / Bla bla bla  /  Zancopé Simões