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5 de março de 2014

ALÔ, ALÔ… NÃO ERA KING KONG. ERA ANTÔNIO VIVIANI, AO CELULAR. NÃO MUDOU NADA

Lembro-me, como se fosse agora, da alegria quando consegui alugar um celular Motorola, do Walter, que tinha estúdio na Capote Valente. O “tijolão”, grande e pesado como o apelido sugeria, era a “moderna” e necessária ferramenta para quem precisava estar acessível aonde estivesse. Havia o Bip Intelco, serviço de pager, quase obrigatório para nove entre dez pessoas. Médicos, enfermeiros, massagistas, motoristas de táxi, motoboys e uma grande série de outros profissionais, eram assinantes do serviço. Naturalmente, entre eles, estavam também os locutores publicitários. Quando o Bip tocava, corria-se ao telefone mais próximo, para pegar o recado. Em seguida, o contato era feito com quem nos havia chamado. Como nem sempre tínhamos um telefone à mão, muitas vezes o recurso era ligar dos orelhões. Por causa disso, as fichas telefônicas eram de porte obrigatório para quem prestava serviços. Os cartões magnéticos viriam a se tornar populares um pouco mais tarde. Estávamos nos idos de 1993/1994/1995, por aí. Meu “tijolão” alugado fervia em ligações que durassem mais de três minutos. Não havia orelha que aguentasse. A temperatura do aparelho, porém, não era o único problema.

Vinte anos atrás, as antenas repetidoras de sinal (as células) não eram tão numerosas. Em muitos “cantos” da cidade a cobertura dos celulares era sofrível, quase nenhuma. Denominadas “zonas de sombra”, quando estávamos em uma delas, ou próximos, ouvir e falar se transformavam em penoso exercício. Se dávamos sorte, a conversa era completada, mas quase nunca éramos tão afortunados. O normal era a queda do sinal e a ligação também caía. Novamente, os orelhões quebravam o galho.

Hoje, os celulares evoluíram. Mandam torpedos, e-mails, navegam na Internet vias G1, G2, G3 e G4, enviam e recebem fotos, filmes, documentos digitalizados e quase tudo que você imaginar. As antenas, de tantas que estão espalhadas por todos os bairros da cidade, são acusadas de poluir visualmente o cenário urbano. Sem contar que, agora, paira também a dúvida se a emissão de ondas de rádio, chamadas de radiofrequência ou identificadas pela sigla RF, causam câncer. Ora a Ciência diz que sim, ora diz que não ou que não é bem assim. Não importa. O que realmente quero destacar, hoje, é a grande variedade de serviços que o celular oferece. Há vinte anos, ninguém ousaria imaginar tanta presteza, não é mesmo? O mesmo se aplica aos modelos e marcas disponíveis. É de deixar qualquer pessoa em dúvida, na hora de escolher um aparelho. Pois é, mas em uma coisa o celular atual continua lembrando muito os tijolões que o precederam. Eles continuam sendo um caso sério para realizar uma ligação telefônica com boa qualidade sonora. Foi o que notei, nesta tarde de quarta-feira de cinzas. Às 15h19, na região do Pacaembu/SP, capital, recebi um chamado.

—Alô… alô? Alô? – perguntei

Ouvi um zumbindo que parecia alguma coisa entre o King Kong, rosnando, enquanto tentava pegar o avião, no alto do prédio (lembra?), e uma folha de zinco balançando no ar, como os sonoplastas de antigamente faziam quando simulavam uma ventania.

Alô… alô… quem é? - insisti

Uma voz inumana, tentava se anunciar. Em vão.

De um lado, seguiam minhas tentativas para identificar quem falava. Do outro lado, o esforço era para ser ouvido.

viviani_mic Depois de um certo tempo, consegui entender que era o colega Antônio Viviani quem me ligara. Falamos apenas o essencial e desligamos.

O celular, no Brasil, apesar de todo o progresso descrito acima, vinte anos depois continua igualzinho ao que era quando foi lançado. Não se consegue falar bem através dele.

Não dava pra melhorar, não?

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Imagens: “Congestionamento” de antenas / King Kong / Antônio Viviani (reprodução Facebook)