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7 de março de 2014

EDISON GUERRA: TRIBUTO A UM PASSADO INESQUECÍVEL

virada A proximidade das festas de final de ano é um convite à reflexão. As realizações, as frustrações, os amigos que se foram, as oportunidades que deixamos escapar ou que não pudemos alcançar, enfim, tudo entra na composição do “balancete anual”. O clima de nostalgia é inevitável.

A produtora “Introspectiva S/A” nos recorda imagens que, muitas vezes, tentamos esquecer. Outras, pelo contrário, procuramos identificar, em detalhes, na “tela” das lembranças mais caras. Na sucessão de cenas, de repente, notamos um rosto e um nome em especial ou sentimos a falta deles. É quando nos perguntamos: “onde estarão?”

É curioso notar que a ausência de alguns colegas nos remete à questão de nossa própria presença, colocada em perspectiva de futuro. Parece complicado, mas não é. Vou lhe dar um exemplo: em novembro de 2013, uma leitora entrou em contato comigo pelo “FALE CONOSCO!”. Tendo visto que também escrevo sobre o rádio, ela me perguntou se, de fato, Edison Guerra havia morrido e quando. Eu sabia que sim, mas ignorava a data.

guerra_guerra Lembro-me de já ter mencionado, neste blog, que conheci o Guerra em 1972, quando deixei Sorocaba, minha terra natal. Depois, trabalhei com ele durante um curto período, na rádio Bandeirantes. Isto aconteceu em 1980, quando ele assumiu a direção artística da emissora, em substituição ao inesquecível “xará”, Gualberto Curado. Nossa convivência foi de apenas poucos meses, mas o suficiente para eu saber que Edison Guerra “era do ramo”, como costumamos dizer. Saí da rádio em dezembro daquele mesmo ano para me dedicar à TV Cultura, de São Paulo. Anos mais tarde, nos vimos uma única vez em uma produtora de vídeo onde Guerra era responsável por vinhetas de passagem, abertura e encerramento de vídeos documentários, empresariais e institucionais.

Com a pergunta da leitora, decidi buscar a resposta na Internet. “Dei um Google”, como se diz, para saber mais do Guerra e descobri que há um registro muito pequeno do passado profissional dele. “Inacreditável. Como é possível?” —pensei, espantado. Diante da miséria de informações, recorri ao amigo Antônio Viviani para saber a data da morte do Guerra.

Edison Soubhia, conhecido em arte como “Edison Guerra”, morreu há 14 anos e sete meses, em 10 de agosto de 1999. Um lapso de tempo muito pequeno, em termos históricos. É difícil entender que haja um registro tão escasso sobre ele, como se o colega não tivesse representado nada na história do rádio.

bastidores_radio Além da minha própria citação, encontrei somente três outros registros em nome de “Edison Guerra”. Dois, do site “Bastidores do Rádio”. O primeiro, traz um breve histórico da carreira dele, neste link.

Chicopaes O segundo, surge na entrevista que o mesmo site realizou com o ex-diretor comercial da rádio Record, Francisco Paes de Barros, neste link. O terceiro link conduz à locução do Guerra para a abertura do programa “Linha Sertaneja Classe A”. Aqui. E só.

Considerando que a história do rádio estava sendo injusta com Edison Guerra, mandei um e-mail ao Chico Paes de Barros, atual diretor da rádio Capital, pedindo que me falasse do passado profissional do colega com quem ele trabalhou durante vários anos. Eis o relato, na íntegra:

guerra_altieris “Quando comecei a trabalhar na Rádio Record, em 1970, o Guerra era o braço direito do Paulito Machado de Carvalho. Diretor Artístico de primeira qualidade. Competente, criativo e dedicado. Criou as mais belas vinhetas da Rádio Record. Profissional de alto gabarito. Guerra acumulava funções, pois apresentava um programa. Voz lindíssima, comunicador excepcional. Profundo conhecedor da música popular brasileira. Era um sucesso. Em 1980, assumi a Direção Geral do Sistema Globo de Rádio/São Paulo. Tive a honra de convidar o Guerra para assumir a direção artística da Excelsior FM. Sua gestão foi um grande sucesso. Voltando à Rádio Record, fui buscar o Guerra novamente. Ele tinha acabado de fazer uma operação do coração. Restabelecido, mostrou sua competência fazendo um excelente trabalho. Em 1997, ajudei a relançar a Rádio 9 de Julho, que tinha sido cassada pelo Regime Militar. Lembrei-me do Guerra para apresentar um programa matinal de variedades que alcançou os primeiros lugares de audiência. Foi quando, de repente, o Guerra morreu em plena atividade, no auge de sua carreira profissional. Fiquei muito triste. O rádio perdeu, então, um dos mais geniais colaboradores. Sou gratíssimo ao Guerra, pois aprendi muito com ele. Em todas as rádios que estivemos juntos, ele marcou presença de maneira brilhante.”

A título de esclarecimento, no dia 10 de agosto de 1999, uma terça-feira, Edison Guerra encerrou o programa que apresentava na rádio “9 de Julho” e foi almoçar em um restaurante próximo à emissora. Durante a refeição, caiu morto, sem dizer uma palavra. Aparentemente, não sofreu.

viviani Depois do depoimento de Chico Paes de Barros, senti que faltavam as palavras de um amigo que tivesse convivido com Edison Guerra. Como eu disse no início, minha vivência pessoal e profissional com ele fora muito pequena. Então, confiei essa tarefa ao amigo Antônio Viviani que, mais uma vez, me socorreu de bom grado. Leia o que ele escreveu sobre Edison Guerra:

“Quando Flávio Guimarães me solicitou ajuda para reunir material sobre meu grande amigo Edison Guerra, não poderia imaginar que encontraria tanta coisa.

Contando com a ajuda de sua viúva Sueli Uchôa e seus filhos Veridiana e Daniel consegui reunir muitas fotos e recortes de jornais.

Ter sido contratado por Edison Guerra em 1982 para trabalhar na Rádio Record foi um orgulho. De Diretor Artístico a um grande amigo foi um pulo. Homem íntegro, capaz, tranquilo e um grande líder.

Já o admirava como locutor, é claro. Ganhou por duas vezes o Prêmio Roquete Pinto, o maior do rádio brasileiro.

Isso sem contar as grandes publicidades que ficaram marcadas na sua voz maravilhosa como, por exemplo, os grandes filmes de Marlboro. Sim, ele foi o primeiro locutor da enorme campanha da marca de cigarros, quando isso era permitido. Outros tempos.

Nossa amizade se fortaleceu a partir de 1984 quando, juntos, produzimos uma centena de fitas K7 e saímos por toda São Paulo distribuindo nosso repertório.

Foram meses nessa tarefa e cada dia íamos num carro.

Infelizmente nos deixou muito cedo mas, como costumo pensar, suas ideias comigo partilhadas sempre ficaram comigo.

Obrigado, Flávio, por esta oportunidade de podermos homenagear um dos maiores locutores e nomes do rádio brasileiro.

Antônio Viviani”

Além do texto acima, Viviani, com a colaboração da viúva e dos filhos de Edison Guerra, me mandou o material do álbum de fotos, a seguir. Nele, você verá, também, alguns recortes de jornais e até um currículo incompleto do radialista.

Aqui retomo minha divagação inicial, quando eu disse que a ausência de alguns colegas nos remete à questão da nossa própria presença colocada em perspectiva de futuro. Edison Guerra não merece “desaparecer” da história do rádio brasileiro em tão pouco tempo. Eu também não gostaria de ser esquecido assim. E tenho motivos reais para tal receio. Minha participação no desenvolvimento da radiofonia brasileira é, no mínimo, 1.000% menor que a de Edison Guerra, um profissional correto, talentoso, justo e competente.

Ao revelar esta preocupação, presto meu tributo ao companheiro e aos familiares dele. Em particular à viúva, Sueli, e aos filhos, Veridiana e Daniel que se desdobraram para levantar o material que ilustra este post. Com a ajuda deles, de Chico Paes de Barros e de Antônio Viviani, a gente conseguiu evocar a memória de Edison Guerra e aumentar um pouco o volume de informações existentes sobre ele, na rede. Longe de nós a pretensão de suprir uma lacuna histórica, nada disso. Espero que, de alguma forma, daqui para a frente, quando alguém ler este post, resgate a memória do inesquecível radialista Edison Guerra. Através dele, quem sabe, eu também possa “viver” um pouco mais na lembrança dos amantes do rádio, amanhã. Que assim seja.

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Imagens: Virada / Logo Bastidores / Chico Paes de Barros (reprodução) / Antônio Viviani (reprodução)

Fontes e agradecimentos: Bastidores do Rádio / Francisco Paes de Barros / Antônio Viviani / Sueli, Veridiana e Daniel.