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17 de março de 2014

NOITE DE INSÔNIA COM CHACRINHA, SILVIO SANTOS, SÉRGIO BOCCA, ANTÔNIO VIVIANI…

Com raras exceções, todos nós já passamos algumas horas acordados pensando na vida, sem conseguir dormir. Vira de um lado para o outro, procura um jeito mais confortável na cama, ajeita as cobertas e nada de sono. Não adiantam chá e leite quentes, contar carneirinhos e toda aquelas coisas que dizem ser “tiro e queda” para curar a insônia. O sono demora a chegar. Até que, vencidos pelo cansaço, “capotamos”. Para a maioria de nós, esse acontecimento é ocasional e depende de quão agitado ou preocupado foi o nosso dia. Mas existem aquelas pessoas que convivem com a insônia rotineiramente. Dormir, para elas, é algo tão difícil quanto ardentemente desejado, todas as noites.

 

ligiaNossa amiga e leitora Ligia Tebcherani é uma dessas pessoas. Ao contrário dos insones tradicionais, Ligia é bem humorada, simpática, tem muitos amigos e se mostra sempre de bem com a vida. Como, para ela, dormir pouco é uma rotina, Ligia se ocupa, até que o sono apareça, pensando e escrevendo. Numa dessas noites, ela começou a pensar no passado e fez algumas comparações ao relacionar coisas que mudaram ao longo do tempo. As mudanças são inevitáveis e surge a dúvida: “para melhor ou para pior?” Costumo dizer que isso depende do quanto cada pessoa já viveu e o que espera da vida para si mesma em relação ao futuro.

Neste caso, isso não importa. O que vale é o texto que nasceu da insônia. Pensamentos que podem ocorrem a mim, a você, a qualquer um de nós. Sou mencionado no comentário, o que, de saída, já me deixa numa situação desconfortável. Fica parecendo mero oportunismo para me autopromover, mas outros dois colegas de rádio do meu tempo também foram citados, o que me “alivia” a barra. 

Vamos ao pensamento. Acho que você vai gostar.

O VALOR DA INSÔNIA

Ligia Tebcherani

“Minha insônia, apesar de me presentear com longas noites solitárias, não é, de todo, ruim.

Costumo ir, com meus pensamentos, dos primeiros anos de minha vida, até aos que ainda nem vivi, mas anseio, como todos, naturalmente.

Numa dessas noites, incomodada com tudo o que havia ouvido e visto, durante o dia (refiro-me aos comentários sobre TV, rádio, artistas em geral, política, consumos, enfim...), pensei no porquê de estarmos vivendo dias tão descartáveis, tão desinteressantes, eu diria. Dias que não tenho certeza que ficarão na memória, que não teremos saudades, que não serão dignos de serem referidos com frases como: “naquele tempo é que era bom”.

Pensei na TV... passei de um entretenimento a outro, tentando encontrar algo que eu pudesse constatar que fosse interessante, educativo, ou de um humor puro, gostoso de saborear, do começo ao fim. Não encontrei.

Fui para o passado... difícil relatar um só programa, um só noticiário, um só humorístico. Muita coisa ruim também nos assombrava, obviamente, mas a maioria, ótimos, os encobria.

Tínhamos na TV, o “figuraça” Chacrinha, Sílvio Santos desde sempre, mas com quadros menos apelativos, mais inocentes e com convidados que faziam jus à audiência esmagadora.

Sílvio Santos mereceria um capítulo à parte, como dizem. Nesses programas, podíamos ver e ouvir cantores que, até hoje, não consegui ver quem os superasse em voz, criatividade, postura de palco, inteligência, conteúdo. Tanto que, até hoje, muitos ainda estão na ativa e só não em evidência, exatamente pela triste condição a que nossa cultura foi e é guiada.

Tínhamos os noticiários, que embora, sem os recursos da internet, eram tão mais interessantes, os jornalistas pareciam estar a par do que falavam, sentíamos credibilidade, eram jornalistas de verdade, não ex-BBBs da vida, informando notícias prontas, retiradas da rede.

A verdade é que, à parte de ser uma saudosista, eu penso e tenho saudades de tudo, simplesmente por que era bom.

No rádio, aquelas músicas, que até hoje, são consideradas as melhores. E eram. E são!

Hoje em dia, qualquer um é locutor, ou pelo menos, acha que é. O rádio não tem aquele sabor. Nós tínhamos locutores que nos levavam para dentro do rádio, com seus dinamismos, suas vozes envolventes, seus conhecimentos de música, e isso sem contar, que eles realmente amavam o que faziam e nós sentíamos isso.

Tínhamos as maravilhosas  emissoras de rádio, como: Rádio Cidade, Excelsior, Difusora... que eram brilhantemente representadas por  radialistas de verdade.

Tínhamos Flávio Guimarães, um locutor maravilhoso, voz linda, jornalista completo, inteligentíssimo e que faz muita falta nos telejornais, e, hoje em dia, ainda nos presenteia com seus posts sempre deliciosos e pertinentes em seu blog, mas que deveria estar no rádio, na TV, em ambos.

Tínhamos o Antônio Viviani, com aquele vozeirão e alegria contagiantes e que embora,hoje, acompanhemos seu talento nas locuções de rádio e TV, faz muita, mas muita falta no rádio.

Sérgio Bocca, com suas traduções inesquecíveis, fazendo os corações mais durões se derreterem em sonhos e paixões. Eles sabiam e sabem fazer Rádio e simplesmente não estão mais lá. Ao contrário, lá se encontram pessoas que chegam, conversam, mostram que tem um pequeno dom para falar alguma besteira e pronto... são donos do microfone... e o pior, sinto que não tem a mínima ideia da responsabilidade que isso representa.

E eu continuo, pela noite, pensando... Vou para os relacionamentos.

Que pena que hoje em dia, para um casal se conhecer, não passem por algumas etapas tão especiais... aquele olhar que provoca uma dor de estômago imediata e o desviar dos olhos...

E aquela pergunta para os amigos.. “quem é”?  Sem os recursos de hoje, completávamos com: “Não sei nada sobre essa pessoa, preciso saber.” E depois, um recado, um bilhete, uma demonstração de interesse mútuo, ou não...mas, uma “história” para se contar.

Pensei nos jovens da minha família. Eles contarão: nos conhecemos no “WhatsApp”, saímos, conversamos, ficamos e casamos? Poderá ser em outro lugar, mas o fim será o mesmo? Ficamos e casamos.

Eu sempre tive fama de “moça velha”... mas que culpa tenho eu, se vivi esses anos lindos e deles vejo que tão pouco sobrou? Além do que trago aqui dentro, claro...

Minha insônia não é bem vinda, mas me traz esses momentos, esses amigos, essas pessoas de volta. Assim, eu acabo a esperando com certa simpatia e quando percebo sua presença, quase digo: “entrem”, por favor...”

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Ligia Tebcherani, reprodução FB /Insônia / Chacrinha / Silvio Santos /Antônio Viviani / Sérgio Bocca / Porta dos Sonhos