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19 de março de 2014

ROLANDO BOLDRIN: UMA LIÇÃO DE VIDA AO ESTILO DO HOMEM DO CAMPO

No início dos anos 1990, idealizei um projeto de programas de rádio com personalidades da televisão brasileira. Relacionei artistas que poderiam render boa audiência e parti para os contatos. Falei com muita gente e a receptividade à ideia foi animadora. Porém, faltou o pilar de sustentação financeira ao projeto, ou seja, o patrocínio. Os planos ficaram no papel.

Vou me permitir não relacionar os artistas contatados naquela ocasião, com exceção de um. Não posso deixar de falar dele porque guardo, até hoje, a história que passo a lhes contar. Uma autêntica lição de vida.

sergio_d'antino Procurei o escritório do advogado Sérgio Famá D’Antino, que me assistia juridicamente em uma ação por direitos conexos contra a TV Cultura, de São Paulo, administrada pela Fundação Padre Anchieta. Pedi a ele que fizesse a intermediação entre mim e alguns dos artistas relacionados ao projeto radiofônico. D’Antino assessorava, e ainda assessora, vários artistas do meio televiso. Entre eles, estava Rolando Boldrin.

O apresentador, que mantinha um certo isolamento do meio artístico depois de ter saído da rede Globo, em 1984, aceitou conversar comigo para conhecer os detalhes da ideia.

Depois de inteirado do assunto, a conversa profissional adquiriu um tom mais pessoal quando, então, Boldrin me contou que vivia amargurado. E me expôs as razões. Sinto-me à vontade para revelar a história porque ele mesmo já deu esse depoimento para diversos veículos, após aquele nosso encontro. Assim, estou livre para falar sobre a conversa sem o risco de parecer indiscreto.

toquinho_boldrin Como já mencionei, o contrato de Rolando Boldrin com a rede Globo, onde apresentava o “Som Brasil”, não fora renovado. Depois do sucesso alcançado na maior emissora do país, Boldrin sabia que seria difícil voltar a ter o mesmo êxito em outra TV. Deprimido, o artista se recolheu em solidão. E passou a viver amargurado. Mudou-se para uma cidade do interior paulista e de lá quase não saía. De quando em quando, via um programa na televisão e se perguntava: “como é que essa pessoa está na mídia e eu não estou?” Nessas ocasiões, Boldrin ficava revoltado com o que considerava ser uma injustiça.

O tempo foi produzindo um grau cada vez maior de mágoa e ressentimento. Passou a ser rotina criticar colegas “muito piores que ele”, mas que estavam na televisão. Depois de uma dessas ocasiões, Boldrin decidiu que era hora de parar com aquilo. Afinal, as críticas faziam mal a ele mesmo, pois as pessoas alvos da crítica nunca tomariam conhecimento disso. Se continuasse com aquele procedimento, estaria se “envenenando” cada vez mais.

Rolando Boldrin acabou retomando a carreira na televisão e, hoje, faz sucesso na TV Cultura com o programa “Sr. Brasil” em que ele representa o próprio personagem-título da atração.

Ao vê-lo feliz, senhor absoluto do palco, fazendo o que gosta, me lembro da história que acabei de contar. E, de certa forma, encontro nela um lenitivo.

Afinal, o exemplo de Rolando Boldrin tem me impedido de adotar o ressentimento para justificar minhas aflições.

O futuro não me pertence, mas é possível que ele ainda me reserve um espaço, a exemplo da história de Rolando Boldrin.

Não sou um bom contador de “causos”, como o “Sr. Brasil”, mas tenho aprendido, pelo menos, a confiar em finais felizes. Está demonstrado, claramente, que eles existem.

Não sei se Boldrin vai ler este depoimento (creio que não). Se o fizer, com certeza, vai se lembrar do que acabei de contar. Calejado, não deixará de esboçar o sorriso matreiro de quem aprendeu, com o homem simples, do campo, que “é no andar do carro de boi que as abóboras se acomodam”. Não é verdade, “cumpadi”?

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Imagens: Anos 1990 / Sérgio D’Antino / Toquinho e Rolando Boldrin / Rolando Boldrin, ao violão / Boldrin, “matreiro”