CONTATOS, INCLUSIVE ASSESSORIAS DE IMPRENSA:
FALE CONOSCO!

Navegue à vontade

Na coluna à direita, logo abaixo das postagens preferidas do leitor, está o ZAPPING. Através dele você tem acesso direto às noticiais do dia, nacionais e internacionais, além de informações sobre quase tudo. ZAPPING. Uma central de notícias e entretenimento em que você escolhe o que quer.

28 de junho de 2014

FIM DO “ARENA”, NO SBT. TV É IMAGEM, RÁDIO É IMAGINAÇÃO

A TV nasceu do rádio.

Os primeiros profissionais dessa mídia eram, quase todos, nomes consagrados no rádio. Na foto, Mário Lago integrava o elenco de radionovelas da famosa rádio Nacional, do Rio de Janeiro. Reconhecidos pela voz, esses artistas atraíam a curiosidade do público que começava a ver televisão.

Como acontecia no próprio rádio, ao serem identificados, alguns daqueles artistas provocavam uma certa decepção. Os tipos físicos e estéticos idealizados pelo ouvinte, muitas vezes, não correspondiam à figura criada pela imaginação. Homens, mulheres e crianças ouviam rádio e a voz dos personagens despertava sonhos de paixão, aventura e heroísmo. Ao verem, na TV, os “donos” da voz do rádio, o choque era inevitável.

Ao longo do tempo, a TV contornou essa dificuldade, tentando aproximar a imagem do sonho a uma pretensa situação real.

Galãs, mocinhas e super-heróis foram ganhando a aparência glamorizada de pessoas bem sucedidas na vida e no amor. Uma das razões do sucesso das novelas está justamente no poder de provocar ilusões, quase uma fuga da realidade enfrentada pelo telespectador, no dia a dia. Pensando bem, as novelas preservam do rádio, até hoje, um dos elementos mais poderosos na construção da audiência, ou seja, a imaginação.

Além das radionovelas, os programas humorísticos também migraram para a TV, calcados nos modelos de sucesso da era de ouro do rádio. Muito antes do chato e castrador politicamente correto, os tipos físicos eram —deliberadamente— grosseiros, caricatos, malandros, ingênuos ou inocentes e, ainda, ignorantes ao extremo. Na foto, Paulo Gracindo e Brandão Filho (ambos já falecidos) representavam uma sátira social personificando os primos rico e pobre. O quadro servia, sim, como denúncia das desigualdades, mas o que importava para para o público, desde os tempos da PRK 30, do rádio, sempre foi o bom humor. A bichinha, o gordo, o careca, o preto, o pobre, o turco, o judeu, o bêbado, o gago, enfim, tipos os mais variados, eram presenças obrigatórias. Tudo para provocar riso. Para mim, no humor, o limite entre fantasia e realidade é claro, explícito e inequívoco.

Em uma novela é diferente. Alguns estereótipos da trama provocam discriminação porque fantasia e realidade podem ser —até intencionalmente— evocadas para confundir. Não pretendo polemizar, mas basta ver quem é o autor por trás de uma novela para entender a intenção de certos diálogos e cenas que, antes de esclarecer, constrangem.

Se a TV conseguiu se livrar da característica do rádio, através do cuidado com a imagem, o mesmo não aconteceu com a mídia que deu origem à televisão. Pior do que isso, o rádio simplesmente ignorou a imaginação e escancarou a realidade. A começar do fato de que, hoje, qualquer pessoa se torna “radialista” tenha ou não tenha o requisito mínimo para trabalho no rádio, ou seja, uma voz pelo menos razoável.

O sucesso do rádio, mesmo quando dedicado exclusivamente à informação (CBN, BandNews e outras do gênero) continua calcado na imaginação. A mesma notícia bem anunciada muda completamente se for mal transmitida. Vozes comuns, leitura primária, articulação defeituosa, respiração inadequada e até dislalias como a conhecida língua presa, por exemplo, são ouvidas diariamente. O rádio se “desprofissionalizou” e matou o encanto. Encanto, que pode ser traduzido por imaginação, é fundamental no rádio.Entendo que seja essa uma das razões do fracasso do programa “Arena”, do SBT. Anunciado como boa novidade, reuniu profissionais do rádio em programa esportivo-humorístico. Não deu certo.

Primeiro, foi cortado o personagem “Gavião”, vivido por Roberto Barrabás, segundo informa o xará Flávio Ricco, na coluna que mantém no UOL. No rádio, vai bem. Na TV, faltou a espontaneidade a que o ouvinte já se acostumou. Eu diria que faltou, também, o elemento que mais sustenta o personagem no rádio: imaginação. Ao “ver” o humorista, ainda que seja apenas a silhueta, o personagem vai pelo ralo da decepção. Rádio é diferente da TV exatamente por isso.

O mesmo aconteceu com o pessoal do programa “Na Geral”, da rádio Bandeirantes. Baseado no humor de Beto Hora, o programa é conduzido por Zé Paulo da Glória e Lélio Teixeira. Os dois servem de escada para o talento do humorista que, valendo-se do grande recurso vocal que possui, dá vida a diversos personagens que fazem a alegria do ouvinte. O programa é sucesso no rádio desde 2002.

beto hora_silvio santos Embalados pelos números do Ibope, tentaram a versão televisiva do programa, em abril de 2005. Não funcionou. Os personagens criados por Beto Hora ganham vida e forma na imaginação do ouvinte. Cada um “vê” o malandro “Vila” a sua maneira; o mesmo se dá com o bêbado “Moaci” e “Dona Inês”, entre outros.

Quando Beto imita “Pelé”, “Wanderlei Luxemburgo”, “Maria Bethânia”, “Cid Moreira”, “Francisco Cuoco” e vários outros, o ouvinte “cria” a melhor imagem para aquela voz. Na TV, Beto Hora tentou a caracterização com o uso de máscaras como, a de Silvio Santos, na foto, mas não é a mesma coisa. O resultado frustrou o telespectador, antes ouvinte.

TV é imagem. Rádio é imaginação. Tem gente que se esquece disso. Ou ainda não entendeu.

*** *** *** *** ***

Depois da dispensa de Gavião, agora se anuncia o fim do programa. Veja no link “Cartão vermelho: SBT vai tirar o ‘Arena’ de campo” - Fonte: Coluna do Flávio Ricco

Donos de um programa de sucesso na rádio Bandeirantes, os humoristas tentaram a sorte na TV. Recorde, no link “Sob aplausos, o Esporte Total Na Geral estreia na Band” - Fonte: Noticias.band.uol.com.br

Veja, a seguir, alguns dos personagens de Beto Hora, “construídos” para a televisão. O encanto da caricatura imaginada pelo ouvinte, certamente, não bateu com o tipo mostrado na tela. Fim da empatia. Veja no link “Beto Hora. Imitações do programa Na Geral” – Fonte: Youtube

Imagens: Mário Lago / Regina Duarte e Francisco Cuoco, em Selva de Pedra (1972) /Logo CBN / Personagens Clara e Marina, da novela “Em Família” / Participantes do Arena, do SBT / Gavião, humorista /  Beto Hora como Silvio Santos, frame de vídeo do Youtube /