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11 de julho de 2014

FERREIRA MARTINS FALOU E DISSE: O LOCUTOR ESTÁ ACABANDO. ESTÁ!

Vejo no site da “adNEWS” uma postagem interessante sobre a trilha sonora na propaganda. O redator, Renato Rogenski, se refere ao gosto dos publicitários pelo rock “como inspiração criativa” e a reciprocidade do gênero musical em relação à propaganda. É um texto interessante, cuja leitura recomendo. O post se completa com vários vídeos em que o rock and roll faz a trilha musical perfeita para determinados produtos. De fato, é indiscutível o peso da trilha sonora em um filme publicitário. Uma trilha mal elaborada equivale a “condenar a peça à morte”.

petrobras Ato contínuo, refleti sobre a importância da locução na propaganda. Acabei me lembrando de uma expressão corrente no meio publicitário, há alguns anos, citada toda vez que um filme ou texto não traduzia o “espírito” do comercial.

“Não ficou legal? Chama o Ferreira pra fazer a locução.” A “fórmula” era a solução mágica para salvar um trabalho mal feito.

ferreira_martinsO Ferreira em questão é José Ferreira Martins, sem favor algum, o mais brilhante e bem sucedido locutor publicitário deste país. Um país, diga-se, que já foi pródigo em talentos vocais, o que dá uma boa ideia da importância do Ferreira no setor.

Porém, os tempos são outros. Hoje, em nome não sei bem de quê, os intervalos comerciais estão cheios de ruídos estranhos que ora se denominam trilhas, ora são chamados de locução. Sons estranhíssimos pontuam sem o menor brilho uma sucessão de imagens desconectadas da “trilha”, tornando difícil a compreensão do filme. Vozes, literalmente, roucas e abafadas, “zumbem” na tentativa inútil de se fazerem passar por locuções modernas.

Salvam-se uns poucos trabalhos que, mesmo assim, pecam na finalização como, por exemplo, a trilha do Itaú, “Mostra tua força Brasil”, feita especialmente para a Copa do Mundo.

Buscando, talvez, o máximo de naturalidade a direção musical foi cúmplice de um assassinato, o assassinato do Português. Foi praticado um “crime idiomático” ao se desrespeitar a ortoépia. A ortoépia (ou ortoepia, como preferem alguns filólogos) disciplina a pronúncia correta das palavras. É uma das normas vocabulares e gramaticais que nos ajudam a falar melhor e sermos, também, melhor compreendidos.

Na trilha, com várias interpretações, além da mistura de “tu” com “você” —que, apesar dos pesares, a liberdade poética permite— ouviram-se “chutêra”, em vez de chuteira; “intêra”, no lugar de inteira e “bandêra”, quando a pronúncia correta é bandeira. O conhecido profissional Luiz Fernando Magliocca, inclusive, chegou a tecer critica, correta, sobre esse escorregão. Nessa interpretação, os ditongos foram pronunciados defeituosamente. Em nome da naturalidade? Não era preciso.

Foi então que, ao terminar de ler o artigo a que me refiro acima e evocar o conceito de Ferreira Martins sobre “consertar” filmes ruins, me lembrei de uma opinião dele, em entrevista concedida ao programa “Reclame”, em 2011, cujo vídeo, disponível no Youtube, aparece abaixo.

Vale a pena assisti-lo inteiro —são apenas 10 minutos— pois em determinado momento, Ferreira vaticina o fim do locutor, como o conhecemos. Palavras proféticas, a julgar pelo que temos ouvido na publicidade contemporânea. E mais não digo, pois a conclusão deve ser sua.

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A entrevista com Ferreira Martins, está no vídeo abaixo. Você pode ver aqui ou clicar sobre o logo do Youtube e vê-lo no endereço original, em tela cheia. Durante a entrevista, algumas das locuções famosas e inesquecível na voz do locutor.

Fontes: adNEWS e Youtube – Imagens: Rock and roll / Fotograma de Institucional Petrobras /Ferreira Martins / Mostra tua Força / Estúdio vazio