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15 de agosto de 2014

EDUARDO CAMPOS. ACIDENTE AÉREO DERRUBA O BOM SENSO DE ALGUMAS EMISSORAS

O infausto acidente que vitimou o presidenciável Eduardo Campos e mais seis pessoas que integravam o staff do candidato foi, sem dúvida, o fato mais importante, embora triste e lamentável, que circulou no noticiário nacional nesta semana. A notícia também repercutiu em diversos países, sobretudo diante da promessa política que o candidato do PSB representava para a história contemporânea e futura da sociedade brasileira. Vencendo ou perdendo as eleições presidenciais, Campos já estava inscrito no rol das personalidades da vida pública nacional como um de seus novos e grandes expoentes.

Os desdobramentos, análises e projeções, a partir do fato, ocupam a imprensa nacional, em todas as mídias, além de sugerir versões de vários tipos para explicar o acidente. De trágica fatalidade a planos mirabolantes que tentam tornar críveis as mais estapafúrdias teorias de conspiração, tudo tem sido dito, escrito e veiculado nas várias plataformas de mídia disponíveis. O filtro mais poderoso e importante, nesta hora, deve ser o equilíbrio emocional. Se formos acreditar em tudo o que ouvimos, lemos e vemos em pouco tempo a nossa capacidade de raciocínio será inevitavelmente atingida e prejudicada. Bom senso, portanto, é fundamental.

Falando nisso, acompanhei pela Internet, jornais, revistas, rádio e televisão um pouco de tudo o que foi divulgado sobre o acidente. A TV, em especial, mostrou o seu lado mais frágil e perigoso exatamente na hora em que, graças à agilidade que hoje possui, deveria ser mais ponderada e menos sensacionalista. As imagens do acidente aéreo, eloquentes por si mesmas, dispensavam e continuam dispensando a verborragia frenética e até irresponsável usada em alguns canais de TV na busca por pontos de “ibope”. Talvez assustadas com fotos de mau gosto, de pedaços de corpos, veiculadas na Internet, algumas emissoras apelaram para o sensacionalismo na tentativa de “furar a rival”. A simples retirada de um cordão de isolamento ou a chegada de uma viatura da Defesa Civil mereceu a distinção de “imagem exclusiva”, dita com a respiração ofegante e voz trêmula como se repórteres estivessem presenciando algo espetacular, inédito.

Foi espantoso verificar que alguns profissionais, que se dizem experimentados, incorreram em erros primários e condenáveis jornalisticamente. Acidentes aéreos são, por sua natureza, chocantes—diante dos estragos causados na aeronave, nas vítimas e nos imóveis atingidos quando cai um avião em área urbana. As causas do acidente não podem ser explicadas apenas por dedução. Ouvi, inclusive, hipótese aventando a possibilidade de um atentado, praticado a partir do solo, que teria atingido o Cessna provocando a queda do aparelho.

A comparação com o cenário de guerra, evocada pelo volume de estragos, é compreensível. A sugestão, porém, de que um míssil ou qualquer outro artefato bélico tenha atingido o avião de Eduardo Campos é condenável e merece ser devidamente repreendida.

A hora é de expectativa e o melhor a fazer é acompanhar o mais estreitamente possível o desdobramento de tudo o que vem por aí. Levantamentos periciais, exames de DNA, de arcadas dentárias, do instrumental da aeronave (ou do que restou dela), a abertura da caixa-preta, o registro dos diálogos entre torre e tripulação do Cessna e mais o que for preciso para elucidar as condições que levaram à tragédia e permitam a identificação das vítimas são a prioridade. Tudo o mais vem depois.

Não há, pelo menos por enquanto, nenhuma evidência de que o avião em que Eduardo Campos se encontrava possa ter sido sabotado. A informação da FAB, hoje, de que uma gravação de áudio encontrada na caixa-preta da aeronave não é do voo fatídico de Campos, não pode ser interpretada como tentativa de manipulação da opinião pública para esconder as verdadeiras causas do acidente. É um dado técnico, que será devidamente apurado.

O sensacionalismo desinforma, pois distorce fatos. O que a nação brasileira quer e merece é a apuração séria, integral e honesta do que aconteceu. Afinal, entre as virtudes do bom jornalismo, a verdade está em primeiro lugar.

Imagens: Eduardo Campos / PeríciaDestruição / Imagens de guerra / Caixa-preta