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2 de setembro de 2014

JOSÉ SILVÉRIO, JOSÉ CARLOS ARAÚJO E ALGUMAS EMISSORAS PROCURAM TALENTOS, MAS…

Dias atrás, exatamente em 27 de agosto, o colunista Rodney Brocanelli, especializado na cobertura do setor radiofônico, publicou no blog “Radioamantes” que José Silvério (imagem), narrador esportivo da rádio Bandeirantes/SP, está em processo de renovação contratual com a emissora. Este fato, em si mesmo, não me chamaria a atenção. É natural e desde que “o mundo é mundo”, as negociações entre contratantes e contratados acontecem e, nem por isso, são notícia. No entanto, um fato curioso merece registro e não escapou à perspicácia do colunista.

Silvério participou do programa Estádio 97, na rádio 97 FM, de São Paulo, ocasião em que falou sobre a fase de negociações com o Grupo Bandeirantes e fez uma revelação surpreendente. O “pai do gol”, slogan criado por Milton Neves para o narrador esportivo, contou que sentia-se fracassado por não ter conseguido encontrar novos narradores no rádio atual. Fonte: Radioamantes O comentário de José Silvério causou estranheza ao colunista que lançou uma pergunta no ar: “Será que ele procurou nos lugares certos?”

Em outros tempos, a pergunta seria mais procedente. Havia menor número de emissoras de rádio e, em consequência, bem menos profissionais que atuam no esporte. Num “universo” esportivo muito menor, as chances de encontrar um novo talento, embora fossem menores, não passavam despercebidas.

Hoje, com o crescimento do número de emissoras outorgadas e a proliferação das web radios, que prescindem de autorização para funcionar, contam-se às centenas os narradores esportivos. (imagem)

Dentre eles, até existem jovens talentos que, bem trabalhados, poderão se tornar bons profissionais, mas com um detalhe que, a meu ver, justifica a frustração de José Silvério.

Em sua esmagadora maioria, os locutores esportivos que surgem são réplicas de veteranos ainda em atividade. Isto é fácil de ser explicado, pois todo novato se inspira em modelos consagrados e, mesmo inconscientemente, passa a narrar “em cima” do ídolo. Assim, como cópia é cópia e não permite que façamos juízo de valor sobre ela, fica difícil avaliar se o trabalho do narrador que copia outro é fruto de talento inato ou, apenas, habilidade para imitação. Tom Cavalcante seria bom narrador esportivo? Esse é o caso. (imagem)

O que se ouve por aí continua reproduzindo o padrão narrativo dos locutores esportivos de sempre. É bem possível —seria bobagem afirmar o contrário— que existam jovens promissores e até com estilo próprio já definido entre os aspirantes a narradores atuais, mas, convenhamos, é impossível ouvir o “sem número” de emissoras na Internet que transmitem futebol. Daí, é fácil notar que a constatação de Silvério pode estar equivocada, mas, entre os novatos conhecidos, o “pai do gol” tem razão.

desdenhando Muitos, estão determinados a mostrar que “os velhos” são ultrapassados; dedicam seu tempo a fazer gracinhas e a dar indiretas no sentido de minimizar o bom conceito que os veteranos desfrutam junto ao torcedor. (imagem – editada)

Bom conceito que não ocorre apenas em São Paulo, mas em todo o Brasil. Basta verificar que, com raras exceções, os grandes nomes do rádio esportivo são profissionais com mais de 65 anos de idade e, seguramente, superam 40 anos de atividades como locutores esportivos.

Se você se lembra, a renovação do setor era o sonho principal, por exemplo, de José Carlos Araújo, o famoso “Garotinho”, ídolo no Rio de Janeiro, com todos os méritos. (imagem)

Ao ser contratado pela Bradesco Esportes, “Garotinho” disse que tinha como missão encontrar sangue novo para desenvolver o setor.

Como Silvério, o narrador fluminense não teve êxito.

Algumas grandes emissoras, como a rádio Globo e os canais Sportv —igualmente da Globo— lançam concursos com o propósito de descobrir talentos, inclusive femininos, mas a tarefa não tem sido das mais fáceis. Fonte: Rádio de Verdade - (Imagem 1) (Imagem 2-montagem)

concurso_sportvPor quê? A resposta, talvez, exija refazer a pergunta de Rodney Brocanelli. Eu sugiro esta formulação: “O que estão fazendo, de fato, os jovens narradores, enquanto desperdiçam a chance de mostrar serviço?”

Em vez de ridicularizar, que tal trabalhar com seriedade, dedicação e originalidade? O caminho que leva a bom destino, geralmente começa com o viajante abastecendo a mochila com um razoável estoque dessas virtudes. Sem elas o caminho torna-se longo, cansativo e, quase sempre, leva a lugar nenhum.

Existe outra razão para aumentar a dificuldade de renovação e deve ser debitada na conta de alguns veículos. Eles exigem da equipe esportiva, particularmente do titular de esportes, uma carteira recheada de clientes, sem o que as portas não se abrem. No caso de um jovem talento, essa condição é impossível de ser atendida. Assim, os veteranos, já conhecidos do mercado e com a tal carteira, ocupam os espaços disponíveis indefinidamente. (imagem)

A situação se transforma em círculo vicioso e inverte funções. Departamentos comerciais inoperantes, repassam a responsabilidade da venda de publicidade para terceiros e, assim, não há renovação.

Um dos mais recentes casos de locutor bem sucedido comercialmente é o de Éder Luiz, da rede Transamérica. (imagem) Não se pode dizer que Éder seja um novato, não é mesmo?

Que outro nome despontou, nos últimos anos, capaz de preencher as “condições” impostas pelos veículos?

lady_kate Com o tempo, a obrigação de levar uma bela carteira comercial para a emissora acabou sendo estendida a todos os departamentos. Entretenimento e jornalismo não escaparam disso. Hoje, alguns programas estão no ar porque seus titulares levam cotas de anúncios para as emissoras e compram os horários que ocupam. Nesse caso, nem precisam ser bons. Estão pagando, como lembra o bordão de Lady Kate, personagem do Zorra Total! (imagem)

Para concluir, sugiro que os novatos não se preocupem muito com talento vocal, mas que procurem aprimorar sua técnica comercial.

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