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13 de setembro de 2014

LEMBRA DA DIGITALIZAÇÃO DO RÁDIO? DURANTE A PRÓXIMA DÉCADA, ESQUEÇA

Olá, amigos da rede.

Como prometido, na última quinta-feira, hoje vou falar sobre o “esquecido” processo de digitalização do rádio. (imagem)

Anunciado como revolucionário, acenava com a vantagem da multifrequência (ou multibandas) e qualidade de som superior ao FM. (imagem)

A princípio, a digitalização gerou entusiasmo diante da perspectiva de operar até quatro bandas diferentes permitindo à emissora diversificar a programação.

4 em 1Seria possível, por exemplo, dedicar uma banda para “all news”, outra só para esporte, mais uma para música e uma voltada para política, meio ambiente ou qualquer segmento escolhido.

O “4 em 1” despertou o imediato apetite dos empresários do setor, entusiasmados com a ideia de, numa só mudança, passarem a ter “quatro” emissoras. (imagem- montada)

O então ministro das Comunicações, Hélio Costa, empunhou a bandeira da modernidade e passou a sugerir as tecnologias norte-americanas Iboc ou HD, tidas como as mais aperfeiçoadas do mundo, adequadas ao Brasil. (imagem)

De meados de 2005 a dezembro de 2008 não se falava em outra coisa. Os testes para a implantação do sistema eram cogitados para breve, mas sempre adiados.

Ocorre que, desde 2006, os técnicos especializados em radiodifusão começaram a pressionar contra a sugestão ministerial devido a um fato inquestionável. Naquela época, como ainda hoje, não existia uma tecnologia digital isenta de problemas, inviabilizando sua implantação no Brasil. Tal argumento, somado ao custo elevado para a instalação de transmissores digitais e demais equipamentos, despertou os empresários do setor. Do sonho para a realidade, não houve mais dúvida e o rádio digital passou a ser questionado.

Note-se que a digitalização iria obrigar, indistintamente, a mudança de padrão de transmissão para todas as emissoras nacionais em AM ou FM. Embora fosse possível implantar quatro bandas simultâneas de transmissão, como enfatizei acima, para as FMs a melhora qualidade de som era insignificante, na prática.

A brasileira Transamérica, que aqui opera em FM, anunciou, em janeiro deste ano, a primeira franqueada nos Estados Unidos. Sediada em Boston, Massachussets, a Transamérica de lá *operava em AM, na frequência de 1570 Khz, com ótima qualidade sonora. Fonte: adNEWS  - *O site da Transamérica, atualmente, não informa sobre a franqueada norte-americana, daí eu ter usado o verbo no passado. É possível que a parceria tenha sido desfeita (imagem)

Se para o FM a digitalização mudaria pouco (exceto pelas multibandas que, porém, exigiriam mais investimento), o AM teria um benefício imediato com o salto em qualidade sonora e recepção, atualmente prejudicadas pela saturação de sinais que circulam na atmosfera.

Além desses aspectos, é preciso dizer que no território norte-americanos, hoje, apenas **15% das emissoras de rádio AM e FM, são digitalizados. (imagem) Os demais, continuam operando em seus sistemas originais.  A digitalização, para as FMs, significava contar com a concorrência imediata de todas as emissoras AMs. Um “inimigo” que o FM não queria enfrentar, a partir da melhora tecnológica do rádio digital.

A gota d’água viria a seguir. A ideia das multrifrequências, aplaudida no início, implicava custos adicionais com produção e operação independentes. Essa constatação foi argumento mais que suficiente para a inversão automática do quadro, antes favorável ao processo de digitalização. 

Com o apoio da Abert, entidade que representa o setor brasileiro de rádio e televisão, o ministro Costa cedeu. No final de dezembro de 2008, anunciou oficialmente a suspensão dos testes e o abandono das tecnologias apontadas como as melhores do mercado.

Aí, alguma “mente brilhante” teve a ideia da migração do AM para os canais analógicos da faixa estendida em que operam ainda hoje, mas por pouco tempo mais, as emissoras de televisão. Diferentemente do rádio, a TV digital não se compara à analógica, muito inferior. (imagem)

Desde 2007 as emissora de TV vêm se adequando ao novo padrão. O “apagão analógico”, quando as TVs vão encerrar as transmissões analógicas e passar a transmitir exclusivamente em digital, já foi adiado algumas vezes. Agora, está previsto que deve ocorrer até 2017 nos grandes centros urbanos, na maior parte do país. Fonte: ZH Tecnologia

Talvez essa data seja respeitada, mas pode haver surpresa. Embora não seja o espaço destinado a migração do AM (canais 5 e 6), a suspensão do leilão da faixa de 700 Mhz, atualmente a serviço da TV analógica, e que será ocupada pelas operadoras de Internet 4G, pode obrigar a novo adiamento. Nunca se sabe.

Tomando como parâmetro o início da digitalização da TV (não se esqueça, foi em 2007) e até agora não concluído, vamos imaginar que demore mais ou menos esse mesmo tempo para terminar a migração do AM para o FM.

Depois disso, o radiodifusor que fizer a migração terá mais cinco anos para operar simultaneamente a emissora em AM e a nova, em FM. Tempo suficiente para ganhar dinheiro com a “dobradinha” e pagar integralmente a outorga do FM, sem afetar o caixa. Genial, não é?

Diante desse cenário, quem é que vai ter pressa para falar sobre digitalização do rádio? A migração do AM para o FM, a meu ver, sepulta, pelo menos durante a próxima década, a “fantasia do rádio digital”. (imagem)

Há outros aspectos envolvidos na migração do AM, mas, com calma, vou tratar disso em próximos posts, para não sobrecarregar o leitor de uma só vez.

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**Com a colaboração do engenheiro Eduardo Cappia, que me forneceu alguns dados importantes sobre o tema